Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 10 14931507
ONHB 3 Fase 2025Leia um trecho do romance A Hora dos Ruminantes, de José Veiga, publicado no ano de 1966.
A hora dos ruminantes
“Fazia dias que os bois vinham aparecendo aqui, ali, nas encostas das serras, nas várzeas, na beira das estradas (...) São bois vadios, desgarrados de boiadas; qualquer dia os donos vêm buscar, ou eles mesmos desaparecem assim como vieram — sem aviso, sem alarde. Isso pensava-se, mas não foi o que aconteceu. Longe de ir embora, os bois se chegaram mais e em grande número. Ganharam as estradas, descendo.
Atravessaram o rio, de um lado, o córrego, de outro, convergindo sempre. Em pouco já lambiam as paredes das casas de arrabalde, mansos, gordos, displicentes. Encheram os becos, as ruas, desembocaram no largo. A ocupação foi rápida e sem atropelo; e quando o povo percebeu o que estava acontecendo, já não era possível fazer nada: bois deitados nos caminhos, atrapalhando a passagem, assustando senhoras.
(...)
Não se podia mais sair de casa, os bois atravancavam as portas e não davam passagem, não podiam; não tinham para onde se mexer. Quando se abria uma janela não se conseguia mais fechá-la, não havia força que empurrasse para trás aquela massa elástica de chifres, cabeças e pescoços que vinha preencher o espaço.
(...)
Nem dentro de casa as pessoas ficavam tranquilas. Aqueles que não tiveram a prevenção de fechar as janelas logo no início — a maioria — agora eram obrigados a viver e fazer tudo observados por dois, três pares de olhos bovinos
(...)
As pessoas mais ponderadas procuravam acalmar as outras explicando que (...) a longo prazo a libertação era certa: tantos bois juntos não tinham condições de ficar ali por tempo dilatado; precisavam de pastagem e de muita água; e não as tendo, mais dia menos dia teriam de sair para as campinas de onde tinham vindo. (...) A quem pertenciam, a quem obedeciam?
(...)
Quem ainda tinha ânimo para chegar à janela e olhar o céu via rodas esparsas de urubus voando alto, em giros preguiçosos, pacientes. (...) Os cheiros misturados de chifres molhados, de pelo e de urina, despercebidos nos primeiros dias, agora empestavam o ar, tonteavam as pessoas. Dores de cabeça, enjoos e vômitos eram frequentes, principalmente nas crianças. Tudo o que se comia ou bebia, até aguardente, vinha com aquele cheiro azedo que o povo foi associando a cheiro de morte. Para abafá-lo queimavam casca de laranja, erva-cidreira, fumo, tudo o que encontrassem em casa ou pudessem apanhar no quintal debruçando-se na janela da cozinha. Enfraquecidas pela fome e pelos vômitos frequentes, as pessoas passavam a maior parte do tempo deitadas, caladas, olhando as telhas, as paredes, sem ânimo até para pensar. As cadeiras em volta das mesas, os bancos, os armários, as vassouras atrás das portas, as estampas de santos nas paredes, os potes vazios nos cantos pareciam sobrevivências inúteis de uma época já distante e irrecuperável. Tudo ia perdendo rapidamente o valor.”
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Romance ORIGEM: José J. Veiga. A hora dos ruminantes (1966). São Paulo, Cia das Letras, 2015.p. 50-55. CRÉDITOS: José J. Veiga PALAVRAS-CHAVE: literatura brasileira, a hora dos ruminantes
“A Hora dos Ruminantes”“A Hora dos Ruminantes”
Questão 25 14900805
OP 6 e 7 Ano - 1 fase 2025A língua portuguesa guarda, em muitas palavras, partes que vieram da língua grega antiga. Uma dessas partes é a raiz, que é o núcleo da palavra — a parte que carrega seu significado principal.
Por exemplo, nas palavras portuguesas filosofia, filantropo e cinéfilo (aquele que gosta muito de ver filmes), encontramos a mesma raiz do verbo grego φιλέω (philéō), que significa “amar” ou “ter afeição por”. Essa raiz aparece como fil- em português e carrega o sentido de “amor ou apreço por algo”, sendo muito comum em vocábulos que expressam afinidade ou interesse.
Observe, no quadro a seguir, verbos do grego antigo e, ao lado, palavras do português com a mesma raiz.

Que palavra tem a mesma raiz do verbo γράφω?
Questão 22 14900780
OP 6 e 7 Ano - 1 fase 2025Ontem, houve uma confusão no colégio Oba-oba. Carlinhos, que presenciou o ocorrido, contou sua versão dos acontecimentos ao inspetor:

Após ouvir o relato de Carlinhos, o inspetor entendeu um pouco melhor a situação, mas alguns acontecimentos ainda não ficaram bem explicados.
Com base no relato apresentado, o inspetor pôde concluir que...
Questão 20 14900753
OP 6 e 7 Ano - 1 fase 2025Você já percebeu que palavras com r ou rr, segundo a ortografia da língua portuguesa, podem ter pronúncias distintas, dependendo do contexto linguístico e da forma como as pessoas falam em diferentes regiões do Brasil? O som de r no início, em palavras como raio, e de rr, em palavras como garra, é conhecido como r-forte. Já o som de r em palavras como caro e abrigo é conhecido como r-fraco.
Em algumas regiões do Brasil, ou em comunidades influenciadas por outras línguas, o r-forte e o r-fraco podem ser pronunciados de maneira parecida ou até igual. Por isso, palavras como carroça e carro acabam soando como caroça e caro. Nessas situações, termos que costumam soar diferentes — como carro e caro — podem parecer idênticos na fala. Na maioria dos casos, o contexto da frase ajuda a entender qual palavra está sendo usada. Por exemplo:

Agora, leia as frases abaixo e escolha aquela em que a pronúncia do r pode gerar uma ambiguidade real, ou seja, uma dúvida entre duas palavras diferentes, sem que o contexto ajude a identificar claramente qual é a correta.
Questão 12 14900708
OP 6 e 7 Ano - 1 fase 2025As duas lacunas do trecho abaixo podem ser preenchidas com anagramas, ou seja, palavras formadas pelas mesmas letras, mas organizadas de maneiras diferentes. Por exemplo, as palavras ROMA, RAMO e AMOR são anagramas entre si.

Qual das palavras abaixo tem anagramas que podem ser usados para preencher as lacunas corretamente?
Questão 8 14900686
OP 6 e 7 Ano - 1 fase 2025O enunciado desta questão não tem…
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