Questões de EFAF Português - Morfologia
903 Questões
Questão 2 168709
IFRJ 2015Texto I
Arte transforma
Walcyr Carrasco
Nasci numa pequena cidade do interior de São Paulo, Bernardino de Campos. Estruturada em torno da
estrada de ferro, a antiga Sorocabana, onde meu pai trabalhava, a cidade não cresceu de forma expressiva. A
estrada de ferro fechou. O número de habitantes? Cerca de 11 mil. Meus pais se mudaram quando eu tinha 3
anos de idade. Passei todas as minhas férias, quando criança, em Bernardino, na casa de minha avó paterna.
[5] Ainda reconheço ruas e casas. Há muito tempo não tenho nenhum parente bem próximo na cidade. Mas sinto
uma afinidade com Bernardino. Raízes contam na vida de alguém.
Por que falo tudo isso?
Há dez anos fui convidado para participar do primeiro Festival de Teatro de Bernardino de Campos
(Festar), com grupos de várias cidades do interior. Fui, é claro. Gostei de ver o entusiasmo pelas peças, a
[10] alegria dos grupos em participar. Era uma novidade. Conversando com as pessoas, descobri que Bernardino se
transformara numa campeã de suicídios. A tal ponto que, quando alguém ia comprar corda, já diziam, meio
brincando, meio assustados:
— Vai partir desta para melhor?
É que as pessoas sempre se matavam da mesma maneira, se enforcando. Olhei aquelas ruas desertas, onde a
[15] partir das 20 horas nada acontecia, e pensei:
— Que esperança, que perspectiva de vida há aqui?
Os anos se passaram, e não voltei à cidade. Para minha surpresa, no último fim de semana fui convidado a
participar da nova edição do Festar, agora comemorando dez anos. É de admirar um festival de teatro no
interior que dura dez anos. Fui bem contente. Ao chegar, descobri que Bernardino continua com suas
[20] dificuldades econômicas. Mas o prefeito apoia as artes. A Secretaria de Cultura já montou uma escola de
dança para crianças e adolescentes — totalmente gratuita. Criou-se um baile para a terceira idade que, soube,
bomba todos os fins de semana. Durante a semana do festival, as peças, infantis e adultas, tiveram casa cheia,
mesmo às 23 horas, um dos horários de apresentação. Esperava, inicialmente, textos ingênuos, bem
amadores. Preconceito meu. Entre os principais, havia Casa de bonecas, de Ibsen, sobre a independência e a
[25] dignidade da mulher; Pterodáctilos, criação de um grupo de Registro que vem arrebatando prêmios em
festivais; e a peça Um pequeno animal selvagem, do grupo Os Cogitadores, de São José do Rio Preto, escrita
por Zeno Wilde, autor paulista de vanguarda que já morreu. Era uma montagem forte, intensa, que não ficou
em cima do muro. Pelo contrário, os atores não tiveram medo de chocar. Surpreso, pensei: Arte não é só para
encantar, também pode chocar, abrir uma janela para um universo que os espectadores não conhecem.
[30] Aplaudi a peça de pé.
Em certo momento, nas conversas, perguntei sobre os casos de depressão e suicídio. Estranharam. Alguém
lembrou que isso acontecia, sim, em Bernardino há um certo tempo, mas agora não se ouve mais falar. Óbvio.
As pessoas estão criando! Mexer com as cabeças não é tão tangível como construir um viaduto. Vi essas
pessoas convivendo com música, teatro, dança, trocando experiências. A arte tem um profundo poder de
[35] transformação. É um lindo caminho, que começa a acontecer. E que com certeza cria novas consciências e um
jeito novo de viver.
Disponível em: http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/walcyr-carrasco/noticia/2014/08/barteb-transforma.html . Acesso em: 05 jan. 2015. (Adaptação)
[...] Conversando com as pessoas, descobri que Bernardino se transformara numa campeã de suicídios. (l 10-11)
A forma verbal destacada está flexionada no pretérito mais-que-perfeito do indicativo.
Observando o contexto em que foi empregada, é correto afirmar que se usa esse tempo verbal para exprimir uma ação
Questão 16 166827
IFRN 2015TEXTO

Disponível em: https://www.chargeonline.com.br Acesso em: 09 nov. 2014.
No Texto, os elementos linguísticos NUNCA e LÁ têm, respectivamente, sentido de
Questão 12 165586
IFGO 2015Texto 02
Pneu furado
Luís Fernando Veríssimo
O carro estava encostado no meio-fio, com um pneu furado. De pé, ao lado do carro, olhando desconsoladamente para o pneu, uma moça muito bonitinha. Tão bonitinha que atrás parou outro carro e dele desceu um homem dizendo: “Pode deixar”. Ele trocaria o pneu.
- Você tem macaco?
– perguntou o homem.
- Não – respondeu a moça.
- Tudo bem, eu tenho
– disse o homem.
– Você tem estepe?
- Não – disse a moça.
- Vamos usar o meu
– disse o homem.
E pôs-se a trabalhar, trocando o pneu, sob o olhar da moça. Terminou no momento em que chegava o ônibus que a moça estava esperando. Ele ficou ali, suando, de boca aberta, vendo o ônibus se afastar. Dali a pouco chegou o dono do carro.
- Puxa, você trocou o pneu pra mim. Muito obrigado.
- É. Eu … Eu não posso ver pneu furado. Tenho que trocar.
- Coisa estranha.
- É uma compulsão. Sei lá.
Disponível em: . Acesso em: 19 Nov. 2014.
Assinale a alternativa em que todas as palavras são advérbios:
Questão 4 165574
IFGO 2015Texto 01
Por que tanto ódio na internet e redes sociais?
Jose Marcos Taveira
No dia em que completou 100 anos, o Palmeiras recebeu uma das melhores mensagens, justamente do principal rival: o Corinthians. Na nota, muito respeitosa, o alvinegro afirmava ter muito orgulho de fazer parte da história do clube.
"O Timão se orgulha de ter feito parte importante da história do clube com quem pôde disputar os clássicos de maior rivalidade, mas com lealdade e amizade acima de tudo. Sem o clássico entre Corinthians e Palmeiras, a capital paulista e o futebol brasileiro certamente não seriam os mesmos", afirmou, emocionando palmeirenses de verdade.
Enquanto isso, na internet, em sites e redes sociais, torcedores atacavam bravamente a equipe. "Lixo de time", "Timinho de segunda divisão" e outras críticas mais estúpidas. O mesmo aconteceu com o Corinthians ao completar 100 anos de existência. Foi massacrado em comentários de torcedores adversários.
Antes disso, o então candidato à Presidência da República Eduardo Campos morria tragicamente na queda do avião em que estava com sua equipe. Rapidamente, comentários em sites e redes sociais eram usados para fazer piadas e "culpar" a presidente Dilma Rousseff. Uma "criatividade" sem fim em montagens de fotos com um único objetivo: fazer "humor" com a morte.
Esses dois episódios mostram a capacidade do ser humano - e não apenas de brasileiros, como muitos pensam - de propagar o ódio em um espaço virtual que deveria ser usado justamente para se compartilharem opiniões com democracia. Mas, infelizmente, transformou-se em templo para propagação de ódio e "humor" banal a todo custo para se ganhar meras "curtidas".
No caso do centenário do Palmeiras, a atitude do principal rival mostra que a disputa é apenas em campo. Fora isso, são empresas, trabalham e ganham dinheiro com o entretenimento. Seus jogadores podem atuar em qualquer um dos clubes, enchendo os bolsos. Quem propaga o ódio é o torcedor, que não ganha nada com isso e ainda impede famílias de visitarem os estádios, com medo da violência e de vasos sanitários matarem alguém. São fanáticos que não sabem argumentar ou mesmo interpretar um texto e usam a internet apenas para xingar e mostrar toda a sua ignorância.
Já a reação grotesca à morte de Eduardo Campos serviu para várias análises em sites e jornais, criticando as brincadeiras em situações como estas. Chegamos a um nível de mediocridade em que não se respeitam mais as famílias e amigos que sofrem com a perda. Passa-se por cima de tudo que é ensinado na escola - ou na vida - em nome de uma tentativa desenfreada de ficar famoso no mundo virtual ou de cultivar "amigos" do mesmo nível, que adoram porcarias.
Artistas, então, são alvos prediletos dos chamados haters (algo como "odiadores", em português). Recebem críticas e ataques como se o simples fato de serem famosos permitisse a falta de educação. O problema é tão sério que levou a filha do Robin Williams a deixar sua conta no Instagram, tamanhas as brincadeiras de mau gosto que fizeram sobre o suicídio de seu famoso pai.
Onde está o respeito?Onde fica o desejo de não querer para os outros o que não se quer para você e as pessoas de que gosta? Por que atacar alguém com tanto ódio em nome da liberdade de expressão ou "desabafo"?
Qual será o próximo passo, com tanta tecnologia à disposição e liberdade de expressão? Criar um tacape virtual para que trogloditas possam se armar, bater no chão com muita raiva e tentar até conquistar mulheres arrastando seus corpos pelos cabelos? É o retorno ao tempo das cavernas...
Disponível em: . Acesso em: 11 Nov. 2014
Em “Mas, infelizmente, transformou-se em templo para propagação de ódio e ‘humor’ banal a todo custo para se ganhar meras ‘curtidas’.”, o conectivo “mas” expressa ideia de
Questão 7 164240
IFAM 2015A sinonímia pressupõe o uso de palavras aproximadas quanto ao sentido. A locução adjetiva resulta do encontro de preposição e substantivo. No trecho “A formosa Florença tornavase uma cidade de prata”, as palavras destacadas correspondem respectivamente a:
Questão 37 10783869
Liceu-SP 2014Leia as orações a seguir:
I) Todos os lugares por que viajamos apresentam-nos sempre aprendizado.
II) É fundamental que reveja as propostas apresentadas na reunião do condomínio.
III) Estava tão feliz, que tropeçou na rua.
IV) Todas as pessoas, cujos bilhetes tenham expirado, devem comparecer à seção de recadastramento.
Há pronomes relativos apenas em
06
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