Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 3 170571
CEFET MG 2010A questão refere-se ao texto a seguir.
Texto I
Por uma globalização mais humana
A globalização é o estágio supremo da internacionalização. O processo de intercâmbio entre países, que marcou o desenvolvimento do capitalismo desde o período mercantil dos séculos 17 e 18, expande-se com a industrialização, ganha novas bases com a grande indústria, nos fins do século 19, e, agora, adquire mais intensidade, mais amplitude e novas feições. O mundo inteiro torna- se envolvido em todo tipo de troca: técnica, comercial, financeira, cultural.
A globalização é o estágio supremo da internacionalização. O processo de intercâmbio entre países, que marcou o desenvolvimento do capitalismo desde o período mercantil dos séculos 17 e 18, expande-se com a industrialização, ganha novas bases com a grande indústria, nos fins do século 19, e, agora, adquire mais intensidade, mais amplitude e novas feições. O mundo inteiro torna- se envolvido em todo tipo de troca: técnica, comercial, financeira, cultural.
Todo o planeta é praticamente coberto por um único sistema técnico, tornado indispensável à produção e ao intercâmbio e fundamento do consumo, em suas novas formas.
Graças às novas técnicas, a informação pode se difundir instantaneamente por todo o planeta, e o conhecimento do que se passa em um lugar é possível em todos os pontos da Terra.
A produção globalizada e a informação globalizada permitem a emergência de um lucro em escala mundial, buscado pelas firmas globais que constituem o verdadeiro motor da atividade econômica.
Tudo isso é movido por uma concorrência superlativa entre os principais agentes econômicos – a competitividade.
Num mundo assim transformado, todos os lugares tendem a tornar-se globais, e o que acontece em qualquer ponto do ecúmeno (parte habitada da Terra) tem relação com o acontece em todos os demais.
Daí a ilusão de vivermos num mundo sem fronteiras, uma aldeia global. Na realidade, as relações chamadas globais são reservadas a um pequeno número de agentes, os grandes bancos e empresas transnacionais, alguns Estados, as grandes organizações internacionais.
Infelizmente, o estágio atual da globalização está produzindo ainda mais desigualdades. E, ao contrário do que se esperava, crescem o desemprego, a pobreza, a fome, a insegurança do cotidiano, num mundo que se fragmenta e onde se ampliam as fraturas sociais.
A droga, com sua enorme difusão, constitui um dos grandes flagelos desta época.
O mundo parece, agora, girar sem destino. É a chamada globalização perversa. Ela está sendo tanto mais perversa porque as enormes possibilidades oferecidas pelas conquistas científicas e técnicas não estão sendo adequadamente usadas.
Não cabe, todavia, perder a esperança, porque os progressos técnicos obtidos neste fim de século 20, se usados de uma outra maneira, bastariam para produzir muito mais alimentos do que a população atual necessita e, aplicados à medicina, reduziriam drasticamente as doenças e a mortalidade.
Um mundo solidário produzirá muitos empregos, ampliando um intercâmbio pacífico entre os povos e eliminando a belicosidade do processo competitivo, que todos os dias reduz a mão-de-obra. É possível pensar na realização de um mundo de bem-estar, onde os homens serão mais felizes, um outro tipo de globalização.
Milton Santos – Folha Online - 08 de junho de 2009.
Sobre o texto, pode-se afirmativar que:
I- O autor mostra-se incrédulo na capacidade humana de utilizar bem os avanços tecnológicos.
II- A globalização perversa opõe-se a um ideal de uso comum do progresso da ciência.
III- As relações globais são estabelecidas entre empresas de diferentes portes e diversos ramos.
IV- Os avanços científicos do mundo atual não são utilizados em toda sua potencialidade.
Estão corretas apenas as afirmativas
Questão 2 170570
CEFET MG 2010A questão refere-se ao texto a seguir.
Texto I
Por uma globalização mais humana
A globalização é o estágio supremo da internacionalização. O processo de intercâmbio entre países, que marcou o desenvolvimento do capitalismo desde o período mercantil dos séculos 17 e 18, expande-se com a industrialização, ganha novas bases com a grande indústria, nos fins do século 19, e, agora, adquire mais intensidade, mais amplitude e novas feições. O mundo inteiro torna- se envolvido em todo tipo de troca: técnica, comercial, financeira, cultural.
A globalização é o estágio supremo da internacionalização. O processo de intercâmbio entre países, que marcou o desenvolvimento do capitalismo desde o período mercantil dos séculos 17 e 18, expande-se com a industrialização, ganha novas bases com a grande indústria, nos fins do século 19, e, agora, adquire mais intensidade, mais amplitude e novas feições. O mundo inteiro torna- se envolvido em todo tipo de troca: técnica, comercial, financeira, cultural.
Todo o planeta é praticamente coberto por um único sistema técnico, tornado indispensável à produção e ao intercâmbio e fundamento do consumo, em suas novas formas.
Graças às novas técnicas, a informação pode se difundir instantaneamente por todo o planeta, e o conhecimento do que se passa em um lugar é possível em todos os pontos da Terra.
A produção globalizada e a informação globalizada permitem a emergência de um lucro em escala mundial, buscado pelas firmas globais que constituem o verdadeiro motor da atividade econômica.
Tudo isso é movido por uma concorrência superlativa entre os principais agentes econômicos – a competitividade.
Num mundo assim transformado, todos os lugares tendem a tornar-se globais, e o que acontece em qualquer ponto do ecúmeno (parte habitada da Terra) tem relação com o acontece em todos os demais.
Daí a ilusão de vivermos num mundo sem fronteiras, uma aldeia global. Na realidade, as relações chamadas globais são reservadas a um pequeno número de agentes, os grandes bancos e empresas transnacionais, alguns Estados, as grandes organizações internacionais.
Infelizmente, o estágio atual da globalização está produzindo ainda mais desigualdades. E, ao contrário do que se esperava, crescem o desemprego, a pobreza, a fome, a insegurança do cotidiano, num mundo que se fragmenta e onde se ampliam as fraturas sociais.
A droga, com sua enorme difusão, constitui um dos grandes flagelos desta época.
O mundo parece, agora, girar sem destino. É a chamada globalização perversa. Ela está sendo tanto mais perversa porque as enormes possibilidades oferecidas pelas conquistas científicas e técnicas não estão sendo adequadamente usadas.
Não cabe, todavia, perder a esperança, porque os progressos técnicos obtidos neste fim de século 20, se usados de uma outra maneira, bastariam para produzir muito mais alimentos do que a população atual necessita e, aplicados à medicina, reduziriam drasticamente as doenças e a mortalidade.
Um mundo solidário produzirá muitos empregos, ampliando um intercâmbio pacífico entre os povos e eliminando a belicosidade do processo competitivo, que todos os dias reduz a mão-de-obra. É possível pensar na realização de um mundo de bem-estar, onde os homens serão mais felizes, um outro tipo de globalização.
Milton Santos – Folha Online - 08 de junho de 2009.
A palavra sublinhada NÃO foi interpretada corretamente em:
Questão 18 170033
IFMT 2010/1Texto 4
O DESAFIO DE INCLUSÃO DAS CRIANÇAS COM SÍNDROME DE DOWN
Ruth de Aquino
[1] “Clara” não é normal – porque, aos sete anos, já é uma celebridade nacional. Sua vida não é como a das outras
crianças. De repente, “Clara” precisa pegar o avião de São Paulo para o Rio de Janeiro, perder aulas, deixar o
pai e correr com a mãe para a TV Globo para gravar cenas da novela Páginas da Vida. Ali, ela finge ser uma
menina discriminada por professores, órfã de mãe, rejeitada pelo pai, abandonada pela avó vilã e defendida por
uma mãe adotiva guerreira, a “Helena”. Nos bastidores das gravações, “Clara” é uma estrela. Coleguinhas a
cercam e mimam com beijinhos e biscoitos, jornalistas brasileiros e estrangeiros a assediam. “Clara” se cansa,
às vezes fica emburrada, mas está ali porque quer. Quando foi escolhida para interpretar a menina com
síndrome de Down na novela de Manoel Carlos e chacoalhar os preconceitos e mitos que continuam vivos na
população brasileira, seus pais, o cineasta Evaldo Mocarzel e Letícia Santos, explicaram que seria cansativo:
“Você quer mesmo fazer essa novela?”. “Eu vou fazer”, disse Joana Mocarzel, a “Clara” na vida real, com a
autonomia e convicção de uma criança feliz, aceita e bem resolvida. Assim como Joana, cerca de 8 mil bebês
nascem por ano no Brasil com síndrome de Down.
[2] Assumir um filho biológico Down e lutar por ele é uma atitude que todos compreendem e admiram. Adotar é uma
decisão que foge ao entendimento comum. Muitas pessoas inteligentes, educadas e instruídas reagem de forma
irracional. “Essa mulher deve ser internada.” Ou “essa mulher deve ser colocada num pedestal”. As duas reações
irritam igualmente a “Helenas”. Nem loucas nem santas. As mulheres que decidem adotar crianças Down o
fazem por motivos individuais e intransferíveis. Não existe nem um pingo de caridade nisso. Fazem por elas
mesmas, porque acham mais rica a vida assim. E se lançam num aprendizado que não tem fim.
[3] A falta de informação sobre o que é a síndrome de Down é a maior vilã. Mitos e tabus fortes vêm de tempos
remotos. Lendas diziam que essa s crianças eram “filhos da cobra”, por terem olhos puxados e o pescoço mais
grosso. Muitas eram sacrificadas, colocadas por xamãs em cestinhas com ovos para a cobra comer. Não menos
cruel é a atitude de tempos recentes. Por falta de estímulos e abandono, a maioria dos Down era deixada em
sanatórios e ficava retardada. Em 1866, essa anomalia genética foi primeiramente chamada de mongolismo, por
causa dos traços orientais identificados pelo médico inglês John Langdon Down. Daí a expressão mongolóide,
que se tornou pejorativa, associada a retardo mental. Só em 1958, o médico francês Jérome Lejeune detalhou a
síndrome genética e, em homenagem ao doutor Down, rebatizou a anomalia. Lajeune descobriu o que tornara os
Down “diferentes” dos outros e semelhantes entre si: um cromossomo extra no par 21, dos 23 pares de
cromossomos existentes em cada célula humana.
[4] A novela do horário nobre da Globo está levantando uma questão que ainda incomoda. A idéia de incluir uma
menina Down surgiu do longa-metragem dirigido por Evaldo Mocarzel, pai de Joana, a Clara da novela. Quando
Joana nasceu, Evaldo viu seu mundo desmoronar por falta de informação. Só aceitou a filha de fato quando ela
se submeteu a uma cirurgia de coração, aos 4 meses de idade. “Nesse momento”, diz Evaldo, “pensei: eu quero
ou não que essa menina vingue?”. Foi quando percebeu que sua felicidade dependia do sucesso da operação de
Joana. “Fiz o documentário que eu gostaria de ter visto na maternidade. Exorcizei meus fantasmas quando
Joana se operou”, diz ele.
Fonte: AQUINO, Ruth de. O desafio da inclusão de crianças com síndrome de Down. Revista Época, [s.l.:s.n.], [200-].
Na frase “[...] pensei: eu quero ou não que essa criança vingue?” (4º parágrafo), o sentido da palavra sublinhada pode ser definido, de acordo com o contexto em que foi utilizada, como:
Questão 16 170031
IFMT 2010/1Texto 4
O DESAFIO DE INCLUSÃO DAS CRIANÇAS COM SÍNDROME DE DOWN
Ruth de Aquino
[1] “Clara” não é normal – porque, aos sete anos, já é uma celebridade nacional. Sua vida não é como a das outras
crianças. De repente, “Clara” precisa pegar o avião de São Paulo para o Rio de Janeiro, perder aulas, deixar o
pai e correr com a mãe para a TV Globo para gravar cenas da novela Páginas da Vida. Ali, ela finge ser uma
menina discriminada por professores, órfã de mãe, rejeitada pelo pai, abandonada pela avó vilã e defendida por
uma mãe adotiva guerreira, a “Helena”. Nos bastidores das gravações, “Clara” é uma estrela. Coleguinhas a
cercam e mimam com beijinhos e biscoitos, jornalistas brasileiros e estrangeiros a assediam. “Clara” se cansa,
às vezes fica emburrada, mas está ali porque quer. Quando foi escolhida para interpretar a menina com
síndrome de Down na novela de Manoel Carlos e chacoalhar os preconceitos e mitos que continuam vivos na
população brasileira, seus pais, o cineasta Evaldo Mocarzel e Letícia Santos, explicaram que seria cansativo:
“Você quer mesmo fazer essa novela?”. “Eu vou fazer”, disse Joana Mocarzel, a “Clara” na vida real, com a
autonomia e convicção de uma criança feliz, aceita e bem resolvida. Assim como Joana, cerca de 8 mil bebês
nascem por ano no Brasil com síndrome de Down.
[2] Assumir um filho biológico Down e lutar por ele é uma atitude que todos compreendem e admiram. Adotar é uma
decisão que foge ao entendimento comum. Muitas pessoas inteligentes, educadas e instruídas reagem de forma
irracional. “Essa mulher deve ser internada.” Ou “essa mulher deve ser colocada num pedestal”. As duas reações
irritam igualmente a “Helenas”. Nem loucas nem santas. As mulheres que decidem adotar crianças Down o
fazem por motivos individuais e intransferíveis. Não existe nem um pingo de caridade nisso. Fazem por elas
mesmas, porque acham mais rica a vida assim. E se lançam num aprendizado que não tem fim.
[3] A falta de informação sobre o que é a síndrome de Down é a maior vilã. Mitos e tabus fortes vêm de tempos
remotos. Lendas diziam que essa s crianças eram “filhos da cobra”, por terem olhos puxados e o pescoço mais
grosso. Muitas eram sacrificadas, colocadas por xamãs em cestinhas com ovos para a cobra comer. Não menos
cruel é a atitude de tempos recentes. Por falta de estímulos e abandono, a maioria dos Down era deixada em
sanatórios e ficava retardada. Em 1866, essa anomalia genética foi primeiramente chamada de mongolismo, por
causa dos traços orientais identificados pelo médico inglês John Langdon Down. Daí a expressão mongolóide,
que se tornou pejorativa, associada a retardo mental. Só em 1958, o médico francês Jérome Lejeune detalhou a
síndrome genética e, em homenagem ao doutor Down, rebatizou a anomalia. Lajeune descobriu o que tornara os
Down “diferentes” dos outros e semelhantes entre si: um cromossomo extra no par 21, dos 23 pares de
cromossomos existentes em cada célula humana.
[4] A novela do horário nobre da Globo está levantando uma questão que ainda incomoda. A idéia de incluir uma
menina Down surgiu do longa-metragem dirigido por Evaldo Mocarzel, pai de Joana, a Clara da novela. Quando
Joana nasceu, Evaldo viu seu mundo desmoronar por falta de informação. Só aceitou a filha de fato quando ela
se submeteu a uma cirurgia de coração, aos 4 meses de idade. “Nesse momento”, diz Evaldo, “pensei: eu quero
ou não que essa menina vingue?”. Foi quando percebeu que sua felicidade dependia do sucesso da operação de
Joana. “Fiz o documentário que eu gostaria de ter visto na maternidade. Exorcizei meus fantasmas quando
Joana se operou”, diz ele.
Fonte: AQUINO, Ruth de. O desafio da inclusão de crianças com síndrome de Down. Revista Época, [s.l.:s.n.], [200-].
Nos aspectos fonológicos do texto, a acentuação gráfica da palavra biológico, na frase “Assumir um filho biológico Down e lutar por ele é uma atitude [...]” (2º parágrafo), obedece à mesma regra de acentuação da palavra:
Questão 6 170020
IFMT 2010/1Texto 2
RACISMO É BURRICE
Gabriel, o Pensador
[1] Salve, meus irmãos africanos e lusitanos, do outro lado do oceano
“O Atlântico é pequeno pra nos separar, porque o sangue é mais forte que a água do mar”
Racismo, preconceito e discriminação em geral
É uma burrice coletiva sem explicação
[5] Afinal, que justificativa você me dá para um povo que precisa de união
Mas demonstra claramente infelizmente preconceitos mil
De naturezas diferentes mostrando que essa gente
Essa gente do Brasil é muito burra e não enxerga um palmo à sua frente
Porque se fosse inteligente esse povo já teria agido de forma mais consciente
[10] Eliminando da mente todo o preconceito
E não agindo com a burrice estampada no peito
A “elite” que deveria dar um bom exemplo
É a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento
Num complexo de superioridade infantil
[15] Ou justificando um sistema de relação servil
E o povão vai como um bundão na onda do racismo e da discriminação
Não tem a união e não vê a solução da questão
Que por incrível que pareça está em nossas mãos
Só precisamos de uma reformulação geral
[20] Uma espécie de lavagem cerebral
Racismo é burrice
Não seja um imbecil, não seja um ignorante
Não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante
O quê que importa se ele é nordestino e você não?
O quê que importa se ele é preto e você é branco
[25] Aliás, branco no Brasil é difícil, porque no Brasil somos todos mestiços
Se você discorda, então olhe para trás
Olhe a nossa história, os nossos ancestrais
O Brasil colonial não era igual a Portugal
[30] A raiz do meu país era multirracial
Tinha índio, branco, amarelo e preto
Nascemos da mistura, então por que o preconceito?
Barrigas cresceram, o tempo passou
Nasceram os brasileiros, cada um com a sua cor
[35] Uns com a pele clara, outros mais escura
Mas todos viemos da mesma mistura
Então, presta atenção nessa sua babaquice
Pois como eu já disse, racismo é burrice
Dê à ignorância um ponto final:
[40] Faça uma lavagem cerebral
Racismo é burrice [...]
O PENSADOR, Gabriel. Racismo é burrice. Disponível em: . Acesso em: 9 set. 2009.
As questões de 06 a 10 referem-se ao Texto 2.
O texto apresenta uma idéia de como o brasileiro se comporta diante do racismo. O autor, dessa forma, caracteriza o brasileiro como:
Questão 3 170017
IFMT 2010/1Texto 1
PROJETO DO GOVERNO DO RIO DE JANEIRO ATACA DISCRIMINAÇÃO A HOMOSSEXUAIS NAS ESCOLAS
Thaís Leitão
[1] Embora não haja levantamentos oficiais que dimensionem a evasão escolar motivada pela discriminação contra
alunos com base em sua sexualidade, profissionais de educação do Rio de Janeiro garantem que em sala de
aula o preconceito se revela como um forte fator para que os jovens abandonem os estudos e, muitas vezes,
deixem de lado sonhos de formação profissional. O governo estadual espera mudar essa realidade por meio de
um projeto que pretende capacitar dirigentes de escolas para enfrentar o problema.
[2] “Ainda não temos indicadores, mas sabemos que a discriminação na escola é muito séria e é causa de uma
grande evasão. Percebemos que muitos alunos que procuram a Eja (Educação para Jovens e Adultos) haviam
abandonado seus estudos porque não se sentiam à vontade em sala de aula, sendo motivo de chacota e até
agressão física” explicou a assistente de coordenação de Diversidade Educacional da Secretaria Estadual de
Educação do Rio, Silva Cruz. “Por isso, começamos a elaborar um programa para mudar essa realidade,
principalmente no ensino médio.”
[3] Na tentativa de reverter esse quadro, o governo estadual está capacitando diretores das escolas de sua rede
para lidar com a diversidade nas salas de aula. Por meio do projeto Jornada de Educação e Cidadania e
Combate à Homofobia, que envolve exibição de vídeos e realização de mesas-redondas e debates, esses
profissionais recebem orientações específicas sobre como respeitar as diferentes orientações sexuais de
professores e alunos e estimular a convivência saudável no ambiente escolar.
[4] O professor Fábio Castelano, diretor da secretaria de Gênero e Combate à Homofobia do Sepe (Sindicato
Estadual dos Profissionais de Educação), conta que o preconceito é comum não apenas em relação a alunos,
mas também a docentes homossexuais. “É muito comum ver atos discriminatórios em sala de aula. Como
professor, quando percebo algo nesse sentido, tento fazer um paralelo com outros tipos de preconceitos, como
o racial. Aí, é mais fácil os alunos entenderem que qualquer discriminação, seja por orientação sexual, seja pela
cor ou pela religiosidade, é absurda.”
[5] Castelano é um exemplo de quanto o preconceito na escola também faz com que as pessoas escondam sua
orientação sexual. Ele disse ter escondido sua homossexualidade durante anos por temer a reação da
comunidade escolar. “Sempre fui um professor muito respeitado e tinha medo de perder essa condição que
conquistei com muito trabalho e dedicação.”
[6] Gilmar Santos, presidente do grupo Conexão G, organização não-governamental que atua na defesa dos direitos
dos homossexuais em favelas cariocas, afirmou que, além dos prejuízos emocionais provocados pela evasão
escolar em função da discriminação, o abandono dos estudos aumenta as dificuldades dessa parcela da
população na hora de conseguir um emprego. “Quando desistem de estudar, ficam sem qualificação e encontrar
um emprego se torna muito mais difícil. Dessa forma, muitos acabam caindo na prostituição por não encontrarem
outra opção para garantir seu pão de cada dia.”
[7] Segundo Santos, com base nos atendimentos realizados pela Ong, que incluem orientação jurídica, social e
psicológica, ocorre pelo menos um caso de agressão, física ou verbal, contra homossexuais a cada dia.
LEITÃO, Thaís. Projeto do governo do Rio de Janeiro ataca discriminação a homossexuais nas escolas. Disponível em: . Acesso em: 8 set. 2009.
Considerando o uso da palavra homofobia e sua relação com o texto, o seu significado é:
06
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