Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 1 10734364
CMC 6º Ano - Português 2011Leia o texto a seguir, para responder ao item.
Texto: Narizinho
Numa casinha branca, lá no sítio do Pica-pau Amarelo, mora uma velha de mais de sessenta anos.
Chama-se dona Benta. Quem passa pela estrada e a vê na varanda, de cestinha de costura ao colo e óculos de
ouro na ponta do nariz, segue seu caminho pensando:
— Que tristeza viver assim tão sozinha neste deserto...
[5] Mas engana-se. Dona Benta é a mais feliz das vovós, porque vive em companhia da mais encantadora
das netas — Lúcia, a menina do narizinho arrebitado, ou Narizinho como todos dizem.
Narizinho tem sete anos, é morena como jambo, gosta muito de pipoca e já sabe fazer uns bolinhos de
polvilho bem gostosos. Na casa ainda existem duas pessoas — tia Nastácia, negra de estimação que carregou
Lúcia em pequena, e Emília, uma boneca de pano bastante desajeitada de corpo. Emília foi feita por tia
[10] Nastácia, com olhos de retrós preto € sobrancelhas tão lá em cima que é ver uma bruxa. Apesar disso,
Narizinho gosta muito dela; não almoça nem janta sem a ter ao lado, nem se deita sem primeiro acomodá-la
numa redinha entre dois pés de cadeira.
Além da boneca, o outro encanto da menina é o ribeirão que passa pelos fundos do pomar. Suas águas,
muito apressadinhas e mexeriqueiras, correm por entre pedras negras de limo, que Lúcia chama as “tias
[15] Nastácias do rio”.
Todas as tardes Lúcia toma a boneca e vai passear à beira d'água, onde se senta na raiz dum velho
ingazeiro para dar farelo de pão aos lambaris.
Não há peixe do rio que a não conheça; assim que ela aparece, todos acodem numa grande faminteza.
Os mais miúdos chegam pertinho; os graúdos parece que desconfiam da boneca, pois ficam ressabiados, a
[20] espiar de longe. É nesse divertimento leva a menina horas, até que tia Nastácia apareça no portão do pomar e
grite na sua voz sossegada:
— Narizinho, vovó está chamando!...
LOBATO, Monteiro. Reinações de Narizinho.
Em relação às informações constantes nas linhas de 1 a 6 do texto de Lobato, pode-se entender que
Questão 5 10727361
IFAL 6° Ano - Língua Portuguesa e Matemática 2011TEXTO
‘London River’ é drama simples e emocionante de tom político
André Barcinski
Crítico da Folha de São Paulo
“London River” – “Destinos Cruzados” é um filme simples e emocionante sobre como duas pessoas de origens totalmente diferentes podem ser afetadas da mesma maneira por uma tragédia.
Brenda Blethyn (“Segredos e Mentiras”) vive Elisabeth, viúva que mora num sítio no interior da Inglaterra.
No dia 7 de julho de 2005, Elisabeth está assistindo à TV quando vê o noticiário sobre atentados suicidas em Londres. Ela imediatamente liga para a filha, que mora na capital inglesa. Mas a filha não atende.
As horas passam, Elisabeth liga de novo, e nada. Preocupada, decide ir a Londres, procurar a menina.
Enquanto isso, Ousmane (Sotigui Kouyaté, veterano ator nascido em Mali e morto neste ano), um franco-africano mulçumano, também vai para Londres, procurando o filho.
Como antecipa o título do filme em português, os destinos dessas duas almas perdidas vão se cruzar. A vida deles está, de alguma forma, conectada.
O filme, até então um drama com ares de mistério, ganha um viés mais político, explorando temas como preconceito e a dificuldade de comunicação. Tanto Elisabeth quanto Ousmane vão perceber que nada sabem sobre o outro.
Dirigido pelo franco-argelino Rachid Bouchareb, “London River” peca por um roteiro um tanto esquemático, mas as atuações contidas de Blethyn e Kouyaté (vencedor do Urso de Ouro em Berlim) dão ao filme uma dignidade comovente.
(Folha de São Paulo, 01/10/2010)
Os termos grifados no texto constituem, respectivamente:
Questão 1 10727357
IFAL 6° Ano - Língua Portuguesa e Matemática 2011TEXTO:
Nossos filhos

(Disponível em: http://amarildocharge.wordpress.com/2010/03/05/1053. Acesso em 01/10/2010).
De acordo com a leitura do texto, escolha a alternativa correta.
Questão 1 10723177
COTIL 1° Ano 2011Texto para a questão.
O TRAJE
- Lya Luft -
Nunca nos lembramos desse nosso traje cotidiano que é a linguagem. Muitos a usam como trapos, mas, se tomassem consciência disso, ligeiro tratariam de melhorar, caprichar, conseguir uma vestimenta mais adequada.
Por que será que somos displicentes com esse instrumento tão nosso, o que mais empregamos, aquele que até crianças e analfabetos manejam a vida inteira?
Talvez nos tenhamos acostumado demais com ele. É demasiadamente nosso como um braço, um olho e nunca chegamos a nos dar realmente conta de que esse braço é meio curto, o olho meio vesgo ou míope...
Não falo na linguagem oral, nessa comunicação espontânea que obedece a leis próprias, que vão do menor esforço à coerção social. Falo da linguagem escrita, essa que os analfabetos não manejam, mas que muito doutor esgrime como se não soubesse além da cartilha...
Nem precisamos procurar os mais ignorantes. Abre-se jornal, abre-se revista (de cultura também, sim, senhores!) e os monstrinhos nos saltam aos olhos.
Pontuação? Ninguém sabe. Vírgulas parecem derramadas pela página por algum duende maluco, que quisesse brincar de fazer frases ambíguas, pensamentos tortos, expressões esmolambadas.
Verbos? “Detei-vos”, “intervido”, “mantesse” são mimos constantes. Não há sujeito que concorde com verbo numa página de fio a pavio. Lá pelas tantas um ouvido deseducado, um escriba relaxado solta as maiores heresias.
E a ortografia? Acreditem ou não, ainda agora ouço universitários e professores afirmando que “acento, para mim, não existe mais!”
Pobres alunos, de tão desanimados ou desiludidos mestres: lá vêm as crianças para casa trocando acentos como bêbados trocam as pernas.
Todas essas pessoas: estudantes, professores, jornalistas, intelectuais, morreriam de vergonha se fossem apanhados em público de cuecas ou trapos. Mas, olhe lá, a linguagem escrita de muita gente boa por aí não vai além de uma tanguinha de Adão e muito mal colocada... deixa à mostra um bom pedaço de vergonha.
Lya Luft. Matéria do Cotidiano.Porto Alegre. Grafosul/ELRS, 1978.
Assinale a alternativa que melhor explica o que a autora expõe no último parágrafo do texto.
Questão 6 419342
IFSul - Rio-Grandense 2011/2Leia o texto para responder à questão.
TEXTO
A BASE DE TUDO
[1] Duas emoções básicas movem o comportamento humano: o medo da dor e o prazer. E elas
[2] também alicerçam o nosso desejo de controlar. “Queremos manipular por medo de que as coisas
[3] fujam do nosso controle e nos causem sofrimento. É medo da dor, insegurança. O que não
[4] percebemos é que esse desejo nos aflige tanto ou mais do que o sofrimento que teríamos se
[5] deixássemos as coisas tomarem seu próprio rumo”, diz Irene Cardotti.
[6] Isto é, o controle exacerbado pode estar ancorado no medo. Mas não só. Desde os primórdios
[7] da psicanálise, seu criador, Sigmund Freud, afirmava que o controle também tinha a ver com o
[8] prazer quase erótico em exercer poder. E alguém que domina e controla uma situação pode obter
[9] muita satisfação com isso. O poder também dá uma sensação de segurança que distancia a pessoa
[10] do medo de experimentar a dor.
[11] A questão é que essa sensação que nos alivia se baseia numa formidável ilusão: a de que
[12] realmente conseguimos controlar a vida. Feliz ou infelizmente, porém, a existência se revela bem
[13] mais indomável e resistente do que podemos imaginar.
ALVES, Liane. Alguma coisa está fora de ordem. Revista Vida Simples, edição 104, abril de 2011, p.16-23.
As aspas encontradas no enunciado entre as linhas 2 e 5
Questão 7 419272
IFSul - Rio-Grandense 2011/1Leia o texto para responder à questão.
TEXTO
LIVROS
[1] As palavras parecem dizer muita coisa
[2] relevante quando a gente canta.
[3] Quando a gente pensa um pouco,
[4] nada é mesmo relevante. Depois a
[5] gente pensa mais e volta a desconfiar
[6] de que talvez tudo seja relevante.
[7] Nesse sentido, ela não é uma canção
[8] sobre os livros, mas uma canção
[9] sobre as canções. Eu tinha acabado
[10] de escrever o longo livro Verdade
[11] Tropical. Estava pensando muito
[12] no assunto da relevância da canção.
(Caetano Veloso in “Letra Só”. Companhia das Letras. São Paulo, SP, 2003).
As expressões sublinhadas são consideradas de uso consagrado na língua falada do Brasil. Em uma situação formal, seria mais adequado substituí-las por
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