Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 7 165970
IFGO 2013
Disponivel em: http://www.chargeonline.com.br Acesso em: 12 out. 2012
Depreende-se do texto que:
Questão 5 165967
IFGO 2013Texto 01
O preconceito e a arrogância dos bonzinhos no debate sobre cotas
Paulo Moreira Leite
A forma mais hipócrita de combater toda política pública de acesso dos brasileiros pobres às universidades consiste em dizer que os jovens de origem humilde não irão sentir-se bem em companhia de garotos de famílias abastadas, que puderam chegar lá sem auxílio de medidas do governo.
Por esse motivo, segue o raciocínio, iniciativas como cotas, ProUni e outras, iriam prejudicar até psicologicamente aqueles alunos que pretendem beneficiar, pois estes cidadãos se sentiriam diminuídos e inferiorizados ao lado de colegas cujas famílias frequentam universidades há várias gerações.
Vamos combinar que estamos diante de um recorde em matéria de empulhação ideológica. É possível discutir as cotas a partir de argumentos políticos, pedagógicos e assim por diante.
Mas o argumento do bonzinho é apenas arrogância fantasiada de caridade.
Num país onde a desigualdade atingiu o patamar da insânia e da patologia, este raciocínio se alimenta de um desvio essencial. Consiste em considerar que um cidadão que não teve acesso a boas escolas desde o berço e encara o lado desagradável da pirâmide social logo depois de abrir os olhos é incapaz de raciocinar sobre sua condição e compreender que enfrenta dificuldades pelas quais não tem a menor responsabilidade como indivíduo, mas como herdeiro de uma estrutura social desigual e injusta.
É aquela noção de quem acredita que as pessoas que se encontram nos degraus inferiores da pirâmide desconhecem a origem histórica material de suas dificuldades e, intimamente, se consideram “inferiores” aos demais. No fundo, se sentiriam culpadas por usufruir de um certo “privilégio” que os ricos, bem nascidos e instruídos, podem dispensar — até porque o recebem por outros meios.
A vida real não é assim. Basta visitar escolas públicas e privadas que aplicam esses programas para descobrir que a maioria dos estudantes que se beneficiam de políticas compensatórias tem um desempenho igual ou até superior a seus colegas. Alguns dão duro como os demais. Outros batalham menos. Alguns fazem amigos. Outros encontram colegas que não querem ser amigos. É a vida de verdade, como se aprende até em filme sobre adolescentes americanos. A única pergunta relevante é saber se dentro de dez ou vinte anos o país estará melhor com cidadãos menos desiguais. Alguém tem alguma dúvida?
Mas os bonzinhos seguem fazendo sua parte para tornar o mundo pior. Numa canção inesquecível sobre a vida dos trabalhadores ingleses, John Lennon anotava: “assim que você nasce, eles te fazem sentir-se pequeno…”
A mensagem dos bonzinhos é essa. Os filhos de pais pobres são tão pequenos que se sentem menores mesmo quando chegam à universidade. O melhor, então, é que sejam mantidos ao longe. Pode?
Disponível em: . Acesso em: 18 out. 2012.
Leia este fragmento, que foi extraído do texto 01.
“Por esse motivo, segue o raciocínio, iniciativas como cotas, pró-Uni e outras, iriam prejudicar até psicologicamente aqueles alunos que pretendem beneficiar (...)”.
As duas expressões em destaque no trecho acima possuem a seguinte característica em comum:
Questão 4 165965
IFGO 2013Texto 01
O preconceito e a arrogância dos bonzinhos no debate sobre cotas
Paulo Moreira Leite
A forma mais hipócrita de combater toda política pública de acesso dos brasileiros pobres às universidades consiste em dizer que os jovens de origem humilde não irão sentir-se bem em companhia de garotos de famílias abastadas, que puderam chegar lá sem auxílio de medidas do governo.
Por esse motivo, segue o raciocínio, iniciativas como cotas, ProUni e outras, iriam prejudicar até psicologicamente aqueles alunos que pretendem beneficiar, pois estes cidadãos se sentiriam diminuídos e inferiorizados ao lado de colegas cujas famílias frequentam universidades há várias gerações.
Vamos combinar que estamos diante de um recorde em matéria de empulhação ideológica. É possível discutir as cotas a partir de argumentos políticos, pedagógicos e assim por diante.
Mas o argumento do bonzinho é apenas arrogância fantasiada de caridade.
Num país onde a desigualdade atingiu o patamar da insânia e da patologia, este raciocínio se alimenta de um desvio essencial. Consiste em considerar que um cidadão que não teve acesso a boas escolas desde o berço e encara o lado desagradável da pirâmide social logo depois de abrir os olhos é incapaz de raciocinar sobre sua condição e compreender que enfrenta dificuldades pelas quais não tem a menor responsabilidade como indivíduo, mas como herdeiro de uma estrutura social desigual e injusta.
É aquela noção de quem acredita que as pessoas que se encontram nos degraus inferiores da pirâmide desconhecem a origem histórica material de suas dificuldades e, intimamente, se consideram “inferiores” aos demais. No fundo, se sentiriam culpadas por usufruir de um certo “privilégio” que os ricos, bem nascidos e instruídos, podem dispensar — até porque o recebem por outros meios.
A vida real não é assim. Basta visitar escolas públicas e privadas que aplicam esses programas para descobrir que a maioria dos estudantes que se beneficiam de políticas compensatórias tem um desempenho igual ou até superior a seus colegas. Alguns dão duro como os demais. Outros batalham menos. Alguns fazem amigos. Outros encontram colegas que não querem ser amigos. É a vida de verdade, como se aprende até em filme sobre adolescentes americanos. A única pergunta relevante é saber se dentro de dez ou vinte anos o país estará melhor com cidadãos menos desiguais. Alguém tem alguma dúvida?
Mas os bonzinhos seguem fazendo sua parte para tornar o mundo pior. Numa canção inesquecível sobre a vida dos trabalhadores ingleses, John Lennon anotava: “assim que você nasce, eles te fazem sentir-se pequeno…”
A mensagem dos bonzinhos é essa. Os filhos de pais pobres são tão pequenos que se sentem menores mesmo quando chegam à universidade. O melhor, então, é que sejam mantidos ao longe. Pode?
Disponível em: . Acesso em: 18 out. 2012.
As frases seguintes expressam a opinião do autor do texto 01, exceto:
Questão 3 165470
IFBA 2013TEXTO I
Dois Entendidos
Dizem que tem uma memória extraordinária e sabe tudo
sobre futebol. Suas lembranças desafiam contestação.
Um dia, porém, viu-se numa reunião em que se achava
outro com igual prestígio. E os dois acabaram se defrontando:
[5] — Você se lembra da primeira Copa Roca disputada no
Brasil?
–– perguntou-lhe o outro.
— Se me lembro.
E disse o dia, o mês e o ano.
[10] — Fazia um calor danado.
— Isso mesmo: um calor danado. Lembra-se da
formação do time brasileiro?
— Quem é que não se lembra?
Cantou para o outro o time todo. O outro ia confirmando
[15] com a cabeça. Fez apenas uma ressalva quanto ao extremaesquerda.
— Eu sei: mas estou falando o time titular. Agora vou lhe
dizer os reservas.
Declamou a lista dos reservas, e sugeriu, por sua vez:
[20] — Você naturalmente se lembra da formação do time
argentino.
O outro embatucou: o time argentino? Não, isso ninguém
era capaz de dizer.
— Pois então tome lá.
[25] E recitou o time argentino. O outro, meio ressabiado,
procurou recuperar o terreno perdido.
— Para nomes não sou muito bom. Mas me lembro que
o goleiro argentino segurou um pênalti.
–– Um pênalti mal cobrado, foi por isso: faltavam sete
[30] minutos para acabar o jogo.
O outro, como que ocasionalmente, disse quem cobrara
o pênalti, fazendo nova investida:
— E lhe digo mais: o juiz apitou quinze “fouls” contra nós
no primeiro tempo, dezessete contra eles. No segundo
[35] tempo...
— Está aí; isso eu não sou capaz de garantir. Tudo mais
sobre o jogo eu lhe digo. Aliás, sobre esse jogo, ou qualquer
outro que você quiser, de 1929 para cá. Mas essa história de
número de “fouls”. Como é que você sabe disso com tanta
[40] certeza?
— Sei — tornou o outro, triunfante — porque fui o juiz da
partida.
Com essa ele não contava. O juiz da partida.
— Como é mesmo o seu nome?
[45] Ficou a rolar na língua o nome do outro.
— Você tinha algum apelido?
O outro deu uma gargalhada:
— Juiz, com apelido? Naquele tempo, eu já me fazia
respeitar.
[50] — Sei, sei — e ele sacudiu a cabeça, pensativo.
— Engraçado, me lembro perfeitamente do juiz, não se
parecia com você. Chamava-se... Espera aí: se não me falha
a memória...
— Ela costuma falhar, meu velho.
[55] Ao redor, a expectativa dos circundantes crescia, ante o
duelo dos dois entendidos.
— .... o juiz era grande, pesadão, anulou um gol nosso,
houve um começo de sururu...
— Emagreci muito desde então. E anulei o gol porque já
[60] tinha apitado quando ele chutou. Houve realmente um ligeiro
incidente, mas fiz valer minha autoridade, e o jogo prosseguiu.
— Você já tinha apitado...
— Já tinha apitado.
Os dois se olharam em silêncio.
[65] — Quer dizer que quem apitou aquele jogo foi você ––
recomeçou ele, intrigado.
— Fui eu. E lhe digo mais: quando Fausto fez aquele gol
de fora da área...
— Já na prorrogação.
[70] — Na prorrogação: quiseram protestar dizendo que ele
estava impedido...
— Não estava impedido.
— Eu sei que não estava.Tanto assim que não anulei.
Mesmo porque a regra, naquele tempo, era diferente.
[75] — Nem naquele tempo, nem hoje nem nunca aquilo seria
impedimento. Se o juiz me anula aquele gol...
— ...teria que anular também o primeiro gol dos
argentinos...
— ...que foi feito exatamente nas mesmas condições.
[80] Calaram-se um instante, medindo forças. Mas o outro
teve a infelicidade de acrescentar:
— Mesmo que o bandeirinha tivesse assinalado...
Ele saltou de súbito, brandindo o dedo no ar:
— Já sei! isso mesmo! Você não foi juiz coisa nenhuma!
[85] Você era o bandeirinha! Me lembro muito bem de você: era
mais gordo mesmo, todo agitadinho, corria se requebrando...
Tinha o apelido de Zuzu.
O outro não teve forças para negar e se rendeu à
memória do adversário. Mesmo porque, encafifado, fazia uma
[90] cara de Zuzu.
SABINO, Fernando. Os dois entendidos. A Companheira de Viagem. Disponível em:. Acesso em: 28 de maio de 2012.
Embora a crônica apresente uma linguagem predominantemente denotativa, o uso da conotação está presente no fragmento transcrito na alternativa:
Questão 1 165466
IFBA 2013TEXTO I
Dois Entendidos
Dizem que tem uma memória extraordinária e sabe tudo
sobre futebol. Suas lembranças desafiam contestação.
Um dia, porém, viu-se numa reunião em que se achava
outro com igual prestígio. E os dois acabaram se defrontando:
[5] — Você se lembra da primeira Copa Roca disputada no
Brasil?
–– perguntou-lhe o outro.
— Se me lembro.
E disse o dia, o mês e o ano.
[10] — Fazia um calor danado.
— Isso mesmo: um calor danado. Lembra-se da
formação do time brasileiro?
— Quem é que não se lembra?
Cantou para o outro o time todo. O outro ia confirmando
[15] com a cabeça. Fez apenas uma ressalva quanto ao extremaesquerda.
— Eu sei: mas estou falando o time titular. Agora vou lhe
dizer os reservas.
Declamou a lista dos reservas, e sugeriu, por sua vez:
[20] — Você naturalmente se lembra da formação do time
argentino.
O outro embatucou: o time argentino? Não, isso ninguém
era capaz de dizer.
— Pois então tome lá.
[25] E recitou o time argentino. O outro, meio ressabiado,
procurou recuperar o terreno perdido.
— Para nomes não sou muito bom. Mas me lembro que
o goleiro argentino segurou um pênalti.
–– Um pênalti mal cobrado, foi por isso: faltavam sete
[30] minutos para acabar o jogo.
O outro, como que ocasionalmente, disse quem cobrara
o pênalti, fazendo nova investida:
— E lhe digo mais: o juiz apitou quinze “fouls” contra nós
no primeiro tempo, dezessete contra eles. No segundo
[35] tempo...
— Está aí; isso eu não sou capaz de garantir. Tudo mais
sobre o jogo eu lhe digo. Aliás, sobre esse jogo, ou qualquer
outro que você quiser, de 1929 para cá. Mas essa história de
número de “fouls”. Como é que você sabe disso com tanta
[40] certeza?
— Sei — tornou o outro, triunfante — porque fui o juiz da
partida.
Com essa ele não contava. O juiz da partida.
— Como é mesmo o seu nome?
[45] Ficou a rolar na língua o nome do outro.
— Você tinha algum apelido?
O outro deu uma gargalhada:
— Juiz, com apelido? Naquele tempo, eu já me fazia
respeitar.
[50] — Sei, sei — e ele sacudiu a cabeça, pensativo.
— Engraçado, me lembro perfeitamente do juiz, não se
parecia com você. Chamava-se... Espera aí: se não me falha
a memória...
— Ela costuma falhar, meu velho.
[55] Ao redor, a expectativa dos circundantes crescia, ante o
duelo dos dois entendidos.
— .... o juiz era grande, pesadão, anulou um gol nosso,
houve um começo de sururu...
— Emagreci muito desde então. E anulei o gol porque já
[60] tinha apitado quando ele chutou. Houve realmente um ligeiro
incidente, mas fiz valer minha autoridade, e o jogo prosseguiu.
— Você já tinha apitado...
— Já tinha apitado.
Os dois se olharam em silêncio.
[65] — Quer dizer que quem apitou aquele jogo foi você ––
recomeçou ele, intrigado.
— Fui eu. E lhe digo mais: quando Fausto fez aquele gol
de fora da área...
— Já na prorrogação.
[70] — Na prorrogação: quiseram protestar dizendo que ele
estava impedido...
— Não estava impedido.
— Eu sei que não estava.Tanto assim que não anulei.
Mesmo porque a regra, naquele tempo, era diferente.
[75] — Nem naquele tempo, nem hoje nem nunca aquilo seria
impedimento. Se o juiz me anula aquele gol...
— ...teria que anular também o primeiro gol dos
argentinos...
— ...que foi feito exatamente nas mesmas condições.
[80] Calaram-se um instante, medindo forças. Mas o outro
teve a infelicidade de acrescentar:
— Mesmo que o bandeirinha tivesse assinalado...
Ele saltou de súbito, brandindo o dedo no ar:
— Já sei! isso mesmo! Você não foi juiz coisa nenhuma!
[85] Você era o bandeirinha! Me lembro muito bem de você: era
mais gordo mesmo, todo agitadinho, corria se requebrando...
Tinha o apelido de Zuzu.
O outro não teve forças para negar e se rendeu à
memória do adversário. Mesmo porque, encafifado, fazia uma
[90] cara de Zuzu.
SABINO, Fernando. Os dois entendidos. A Companheira de Viagem. Disponível em:. Acesso em: 28 de maio de 2012.
Sobre o texto, está correto o que se afirma em
I – Não é possível identificar as personagens da narrativa porque o diálogo ocorre entre pessoas de identidade ignorada.
II – Inexiste superioridade ente os dois interlocutores, pois, em nenhum momento, um deles chegou a mostrar qualquer sinal de fragilidade em relação ao outro.
III – Está presente, no contexto, uma disputa entre duas personagens, cujo objetivo era o de demonstrar a seu adversário quem detinha maior conhecimento sobre futebol, já que ambas tinham fama de possuir memória privilegiada.
IV – Comprova-se, nesse relato, que o duelo entre os “dois entendidos” se desenvolve em um clima de tensão e também de expectativa por parte dos que assistiam à cena.
A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a
Questão 17 81989
OBMEP Nível 2 2013Durante a aula, dois celulares tocaram ao mesmo tempo. A professora logo perguntou aos alunos: “De quem são os celulares que tocaram?” Guto disse: “O meu não tocou”, Carlos disse: “O meu tocou” e Bernardo disse: “O de Guto não tocou”. Sabe-se que um dos meninos disse a verdade e os outros dois mentiram. Qual das seguintes afirmativas é verdadeira?

06
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