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Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto

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7.497 Questões

Marca Texto
Modo Escuro
Fonte

Questão 7 482066
Médio 00:00

IFNMG 2013
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Gramática Leitura e Interpretação de Texto
  • Figuras de Linguagem Figuras de Linguagem
  • Prosopopeia
  • Exibir tags
Resolução comentada

O poema a seguir, de Carlos Drummond de Andrade, serve de base para responder a questão. Leia-o atentamente.
 

EU ETIQUETA

 

[1]  Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
[5]  Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
[10]  Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
[15]  Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
[20]  São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permanência,
[25]  Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
[30]  Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
[35]  Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
[40]  Agora sou anúncio

Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comparo, tiro glória
[45]  De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
[50]  E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
[55]  Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
[60]  Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
[65]  Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
[70]  Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente. 

Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond. Corpo. Rio de Janeiro: Record, 1984. pp.85-87.

Ao longo do poema, o eu lírico se expressa por meio de uma linguagem figurada, conotativa. Qual dos versos a seguir ilustra um caso de figura de linguagem de personificação?

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Questão 6 482063
Médio 00:00

IFNMG 2013
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Argumentativo Gêneros textuais - Verbais/Dissertativos
  • Artigo de Opinião
  • Exibir tags
Resolução comentada

Leia os seguintes fragmentos da reportagem “Classe C protagoniza consumo”, publicada em 09 de outubro de 2012.
      Nos últimos dez anos, o perfil socioeconômico do Brasil mudou consideravelmente. A principal novidade foi o fortalecimento da classe C, composta por famílias com renda mensal domiciliar total entre R$ 1.064 e R$ 4.561, que virou a “bola da vez” após ser inserida no mercado de consumo e vem ganhando cada vez mais relevância, sendo considerada um “filão” para muitas empresas. De acordo com dados da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência (SAE), até o final de 2012, 54% da população brasileira fará parte da chamada “nova classe média”.
      A classe C identificava-se totalmente excluída do consumo há 10 anos, mas hoje já movimenta cerca de R$ 381 bilhões por ano. A tendência se deve, em grande parte, ao fato de o mercado ter descoberto que quem sustenta o comércio é o varejo. Além disso, agora se sabe que os consumidores de baixa renda são fiéis, pois não podem correr o risco de errar em suas escolhas. Por isso, ao contrário do que se pensava há alguns anos, eles buscam qualidade.
      No entanto, por serem consumidores de primeira viagem, a classe C tem feito crescer o índice de inadimplência, em consequência da política de juros do governo, que incentiva as compras. Devido à falta de educação financeira, o endividamento torna-se um grave problema social, já que muitos vivem “no limite”, pagando prestações e sem manter nenhum fundo de reservas. Em abril deste ano, o número de operações em atraso chegou ao índice de 7,6%, a maior marca desde setembro de 2009, segundo dados do Banco Central. (...) 

Fonte: http://www.investne.com.br/Opiniao. Acesso: 16 nov. 2012.

 

Assinale a alternativa INCORRETA sobre o texto e seus elementos gramaticais:

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Questão 3 482057
Médio 00:00

IFNMG 2013
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto Ortografia
  • Acentuação Variantes Linguísticas
  • Exibir tags

O texto a seguir serve de base para responder a questão. Leia-o atentamente.
 

De repente, classe C

    Eu me considerava um rapaz razoavelmente feliz até descobrir que não sou mais pobre e que agora faço parte da classe C.
      Com a informação, percebi aos poucos que eu e minha nova classe somos as celebridades do momento. Todo mundo fala de nós e, claro, quer nos atingir de alguma forma.
      Há empresas, publicações, planos de marketing e institutos de pesquisa exclusivamente dedicados a investigar as minhas preferências: se gosto de azul ou vermelho, batata ou tomate e se meus filmes favoritos são do Van Damme ou do Steven Seagal. (Aliás, filmes dublados, por favor! Afinal, eu, como todos os membros da classe C, aparentemente tenho sérias dificuldades para ler com rapidez essas malditas legendas).
      A televisão também estudou minha nova classe e, por isso, mudou seus planos: além do aumento dos programas que relatam crimes bizarros (supostamente gosto disso), as telenovelas agora têm empregadas domésticas como protagonistas, cabeleireiras como musas e até mesmo personagens ricos que moram em bairros mais ou menos como o meu.
      A diferença é que nesses bairros, os da novela, não há ônibus que demoram duas horas para passar nem buracos na rua.
      Um telejornal famoso até trocou seu antigo apresentador, um homem fino e especialista em vinhos, por um âncora, digamos, mais povão, do tipo que fala alto e gosta de samba. Um sujeito mais parecido comigo, talvez. Deve estar lá para chamar a minha atenção com mais facilidade.
      As empresas viram a luz em cima da minha cabeça e decidiram que minha classe é seu novo alvo de consumo. Antes, quando eu era pobre, de certo modo não existia para elas. Quer dizer, talvez existisse, mas não tinha nome nem capital razoável.
      De modo que agora elas querem me vender carros, geladeiras de inox, engenhocas eletrônicas, planos de saúde e TV por assinatura. Tudo em parcelas a perder de vista e com redução do IPI (imposto sobre produtos industrializados).
      E as universidades privadas, então, pipocam por São Paulo. Os cursos custam R$ 200 reais ao mês, e isso se eu não quiser pagar menos, estudando à distância.
       Assim como toda pasta de dente é a mais recomendada entre os dentistas, essas universidades estão sempre entre as mais indicadas pelo Ministério da Educação, como elas mesmas alardeiam. Se é verdade ou não, quem pode saber?
      E se eu não acreditar na educação privada, posso tentar uma universidade pública, evidentemente. Foi o que fiz: passei numa federal, fiz a matrícula e agora estou em greve porque o campus cai aos pedaços. Não tenho nem sala de aula.
      Não que eu não esteja feliz com meu novo status de consumidor, não deve ser isso. (Agora mesmo escrevo em um notebook, minha TV tem cem canais de esporte e minha mãe prepara a comida num fogão novo; se isso não for felicidade, do que se trata, então?)
      O problema é que me esforço, juro, mas o ceticismo ainda é minha perdição: levo 2h30 para chegar ao trabalho porque o trem quebra todos os dias, meu plano de saúde não cobre minha doença no intestino e morro de medo das enchentes do bairro.
      Ou seja, ao mesmo tempo em que todos querem me atingir por meu razoável poder de consumo, passo por perrengues do século passado. Eu e mais de 30 milhões de pessoas - não somos pobres, mas classe C.
      Deixa eu terminar por aqui o texto, porque daqui a pouco vão me chamar de chato ou, pior, de comunista. Logo eu, que só li Marx na versão resumida em quadrinhos. Fazer o quê, se eu gosto é de autoajuda? 

Fonte: MACHADO, Leandro. De repente, classe C. Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao. Acesso: 05 out. 2012. Texto modificado.

Julgue as seguintes afirmativas:


I – Ao dizer que “morre de medo” (13 §) das enchentes no bairro, o narrador utiliza uma expressão conotativa que demonstra exagero.
II – Ao dizer que a universidades privadas “pipocam” (9° §) por São Paulo, o narrador faz uso de uma linguagem informal. Pipocar, nesse caso, quer dizer “aparecer repentinamente”.
III – Em “... daqui a pouco vão me chamar de chato” (15 §), há uma inadequação ortográfica, pois na forma escrita, seria gramaticalmente adequado escrever “daqui há pouco”, indicando tempo a decorrer.


Assinale a alternativa CORRETA:

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Questão 13 421705
Médio 00:00

IFSudesteMinas 2013
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Exibir tags

Leia o texto “O operário no mar”, de Carlos Drummond de Andrade, pertencente a Sentimento do Mundo, e a canção “Música de trabalho”, pertencente à banda Legião Urbana, e responda, a seguir, à questão.

 

TEXTO:

O operário no mar

(Carlos Drummond de Andrade)

 

Na rua passa um operário. Como vai firme! Não tem blusa. No conto, no drama, no discurso político, a dor do operário está na blusa azul, de pano grosso, nas mãos grossas, nos pés enormes, nos desconfortos enormes. Esse é um homem comum, apenas mais escuro que os outros, e com uma significação estranha no corpo, que carrega desígnios e segredos. Para onde vai ele, pisando assim tão firme? Não sei. A fábrica ficou lá atrás. Adiante é só o campo, com algumas árvores, o grande anúncio de gasolina americana e os fios, os fios, os fios. O operário não lhe sobra tempo de perceber que eles levam e trazem mensagens, que contam da Rússia, do Araguaia, dos Estados Unidos. Não ouve, na Câmara dos Deputados, o líder oposicionista vociferando. Caminha no campo e apenas repara que ali corre água, que mais adiante faz calor. Para onde vai o operário? Teria vergonha de chamá-lo meu irmão. Ele sabe que não é, nunca foi meu irmão, que não nos entenderemos nunca. E me despreza... Ou talvez seja eu próprio que me despreze a seus olhos. Tenho vergonha e vontade de encará-lo: uma fascinação quase me obriga a pular a janela, a cair em frente dele, sustar-lhe a marcha, pelo menos implorar-lhe que suste a marcha. Agora está caminhando no mar. Eu pensava que isso fosse privilégio de alguns santos e de navios. Mas não há nenhuma santidade no operário, e não vejo rodas nem hélices no seu corpo, aparentemente banal. Sinto que o mar se acovardou e deixou-o passar. Onde estão nossos exércitos que não impediram o milagre? Mas agora vejo que o operário está cansado e que se molhou, não muito, mas se molhou, e peixes escorrem de suas mãos. Vejo-o que se volta e me dirige um sorriso úmido. A palidez e confusão do seu rosto são a própria tarde que se decompõe. Daqui a um minuto será noite e estaremos irremediavelmente separados pelas circunstâncias atmosféricas, eu em terra firme, ele no meio do mar. Único e precário agente de ligação entre nós, seu sorriso cada vez mais frio atravessa as grandes massas líquidas, choca-se contra as formações salinas, as fortalezas da costa, as medusas, atravessa tudo e vem beijar-me o rosto, trazer-me uma esperança de compreensão. Sim, quem sabe se um dia o compreenderei?

ANDRADE, Carlos Drummond de. Mãos dadas. In: Antologia poética. Rio de Janeiro: Record, 1998.

 

TEXTO:

Música de trabalho

(Legião Urbana)

 

Sem trabalho eu não sou nada
Não tenho dignidade
Não sinto o meu valor
Não tenho identidade
Mas o que eu tenho
É só um emprego
E um salário miserável
Eu tenho o meu ofício
Que me cansa de verdade
Tem gente que não tem nada
E outros que têm mais do que precisam
Tem gente que não quer saber de trabalhar
Mas quando chega o fim do dia
Eu só penso em descansar
E voltar p'rá casa pros teus braços
Quem sabe esquecer um pouco
De todo o meu cansaço
Nossa vida não é boa
E nem podemos reclamar

Sei que existe injustiça
Eu sei o que acontece
Tenho medo da polícia
Eu sei o que acontece
Se você não segue as ordens
Se você não obedece
E não suporta o sofrimento
Está destinado a miséria
Mas isso eu não aceito
Eu sei o que acontece
Mas isso eu não aceito
Eu sei o que acontece
E quando chega o fim do dia
Eu só penso em descansar
E voltar p'rá casa pros teus braços
Quem sabe esquecer um pouco
Do pouco que não temos
Quem sabe esquecer um pouco
De tudo que não sabemos

Disponível em: < http://letras.mus.br/ legiao-urbana/46956/>. Acesso em 14 set. 2012.

 

Analise as seguintes proposições, a partir da leitura global dos textos:

 

I. Em ambos os textos, encontra-se a mesma temática, embora a figura do operário seja retratada de forma diferente, ou seja, no texto do Legião Urbana, o eu lírico discursa sobre o operário, enquanto que, no texto de Drummond, o eu lírico é a própria voz do operário.

II. Em ambos os textos, o trabalhador é retratado como alguém sem muita consciência política, o que se constata no trecho da canção do Legião: “Quem sabe esquecer um pouco de tudo o que não sabemos” e no fragmento do texto de Drummond: “O operário não lhe sobra tempo de perceber que eles levam e trazem mensagens, que contam da Rússia, do Araguaia, dos Estados Unidos. Não ouve, na Câmara dos Deputados, o líder oposicionista vociferando. Caminha no campo e apenas repara que ali corre água, que mais adiante faz calor.”

III. Em “O Operário no Mar”, percebem-se as barreiras sociais que há entre a vida de um operário e a de um não operário, que não se compreendem, por vivenciarem realidades extremamente opostas, o que se constata no trecho “Para onde vai o operário? Teria vergonha de chamá-lo meu irmão. Ele sabe que não é, nunca foi meu irmão, que não nos entenderemos nunca. E me despreza... Ou talvez seja eu próprio que me despreze a seus olhos.”

IV. Em “Música de Trabalho”, o eu lírico expressa o sofrimento do trabalhador braçal nos versos “Eu tenho o meu ofício / Que me cansa de verdade”, além de demonstrar o quanto o operário é desvalorizado pela sociedade capitalista, a ponto de não lhe restar forças para trabalhar, visto que o operário não cumpre todo o seu expediente, como constata-se nos versos “Mas quando chega o fim do dia / Eu só penso em descansar.”

V. Em “Operário no mar”, o eu lírico apresenta uma visão de mundo onírica de um operário que, embora seja sofrido como aquele da canção “Música de Trabalho”, possui a magia divina de andar sobre as águas, conforme observa-se nos versos “Agora está caminhando no mar. Eu pensava que isso fosse privilégio de alguns santos e de navios”, o que conota a superioridade da humildade do operário sobre a prepotência e a inveja do burguês.

 

Podemos afirmar que:

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Questão 10 421694
Médio 00:00

IFSudesteMinas 2013
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Exibir tags

É INCORRETO afirmar que na obra Sentimento do mundo, de Carlos Drummond de Andrade, o eu lírico:

Ver comentários

Questão 4 421681
Médio 00:00

IFSudesteMinas 2013
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Exibir tags

Leia o texto “Ousadia”, de Fernando Sabino, para responder à questão:

 

TEXTO :

Ousadia

(Fernando Sabino)

 

  A moça ia no ônibus muito contente desta vida, mas, ao saltar, a contrariedade se anunciou:

  - A sua passagem já está paga - disse o motorista.
  - Paga por quem?
  - Esse cavalheiro aí.
 E apontou um mulato bem vestido que acabara de deixar o ônibus, e aguardava com um sorriso junto à calçada.
  - É algum engano, não conheço esse homem. Faça o favor de receber.
  - Mas já está paga...
  - Faça o favor de receber! - insistiu ela, estendendo o dinheiro e falando bem alto para que o homem ouvisse:
  - Já disse que não conheço! Sujeito atrevido, ainda fica ali me esperando, o senhor não está vendo? Vamos, faço questão que o senhor receba minha passagem.
  O motorista ergueu os ombros e acabou recebendo: melhor para ele, ganhava duas vezes.
  A moça saltou do ônibus e passou fuzilando de indignação pelo homem.
  Foi seguindo pela rua, sem olhar para ele.
  Se olhasse, veria que ele a seguia, meio ressabiado, a alguns passos.
 Somente quando dobrou à direita para entrar no edifício onde morava, arriscou uma espiada: lá vinha ele! Correu para o apartamento, que era no térreo, e pôs-se a bater aflita:
  - Abre! Abre aí!
  A empregada veio abrir e ela irrompeu pela sala, contando aos pais atônitos, em termos confusos, a sua aventura:
  - Descarado, como é que tem coragem? Me seguiu até aqui!
  De súbito, ao voltar-se, viu pela porta aberta que o homem ainda estava lá fora, no saguão.
  Protegida pela presença dos pais, ousou enfrentá-lo:
  - Olha ele ali! É ele, venham ver! Ainda está ali o sem-vergonha.
  Mas que ousadia!
  Todos se precipitaram para a porta. A empregada levou as mãos à cabeça:
  - Mas a senhora, como é que pode! É o Marcelo.
  - Marcelo? Que Marcelo? - a moça se voltou surpreendida.
 - Marcelo, o meu noivo. A senhora conhece ele, foi quem pintou o apartamento.
  A moça só faltou morrer de vergonha:
  - É mesmo, é o Marcelo! Como é que eu não o reconheci! Você me desculpe, Marcelo, por favor.
  No saguão, Marcelo torcia as mãos, encabulado:
  - A senhora é que me desculpe, foi muita ousadia...

SABINO, Fernando. Ousadia. In: Para gostar de ler – Crônicas. São Paulo: Ática, 1981. v. 2.

No conto “Ousadia”, a protagonista passou a experimentar a sensação de certo temor, que se acentua à medida que ela avança, a pé, rumo à sua residência. Esse seu medo progressivo encontra-se representado CORRETAMENTE nos trechos da alternativa:

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