Questões de EFAF Português - Morfologia
903 Questões
Questão 17 169557
IFMT 2016/1TEXTO 3
ENTREVISTA
Affonso Romanno de Sant’anna
Telefonam-me do jornal:
– Fale de amor
diz o repórter,
como se falasse
do assunto mais banal.
– Do amor? -Me rio
informal. Mas
ele insiste:
– Fale-me de amor
sem saber, displicente,
que essa palavra
é vendaval.
– Falar de amor? - Pondero:
o que está querendo, afinal?
Quer me expor
no circo da paixão
como treinado animal?
– Fala...- insiste o outro
– qualquer coisa.
Como se o amor fosse
“qualquer coisa”
pra se embrulhar no jornal.
– Fale bem, fale mal,
uma coisa rapidinha
– ele insiste, como se ignorasse
que as feridas de amor
não se lavam com água e sal.
Ele perguntando
eu resistindo,
porque em matéria de amor
e de entrevista
qualquer palavra mal dita
é fatal.
(Disponível em http://www.jornaldepoesia.jor.br/aromano04.html. Acesso em 31/07/2015).
No trecho...que as feridas de amor/não se lavam com água e sal., o pronome oblíquo se desempenha a função de apassivador do sujeito as feridas.
Aponte a alternativa em que o pronome oblíquo se NÃO desempenha essa mesma função.
Questão 15 167862
IFMA 2016TEXTO

(veja. edição 2433, julho de 2015)
Considerando que a BRF é uma das gigantes empresas do mercado alimentício mundial, atuando em mais de 110 países, marque a opção cuja palavra gere um duplo sentido no texto da propaganda:
Questão 10 167857
IFMA 2016
Para se despedir de suas férias, o personagem da tirinha cita vários termos que evidenciam sua insatisfação em ter que ir embora. Assinale a alternativa em que todas as palavras utilizadas pelo personagem, como despedida, pertencem à mesma classe gramatical.
Questão 8 166434
IFRR 2016Leia com atenção o fragmento dado:
Os lábios dela se pregavam um ao outro, como se entre eles houvesse cola. Nas opções abaixo, indica qual pronome possessivo seria utilizado em: _________ lábios se pregavam um ao outro, como se entre eles houvesse cola.
Questão 1 10447164
COLÉGIO SÓLIDO* 9° ANO 2015Texto
A CASA MATERNA

Há, desde a entrada, um sentimento de tempo na casa materna. As grades do portão têm uma velha ferrugem e o trinco se encontra num lugar que só a mão filial conhece. O jardim pequeno parece mais verde e
úmido que os demais, com suas palmas, tinhorões e samambaias, que a mão filial, fiel a um gesto de infância, desfolha ao longo da haste.
É sempre quieta a casa materna, mesmo aos domingos, quando as mãos filiais se pousam sobre a mesa farta do almoço, repetindo uma antiga imagem.
Há um tradicional silêncio em suas salas e um dorido repouso em suas poltronas. O assoalho encerado, sobre o qual ainda escorrega o fantasma da cachorrinha preta, guarda as mesmas manchas e o mesmo taco solto de outras primaveras. As coisas vivem como em preces, nos mesmos lugares onde as situaram as mãos maternas quando eram moças e lisas.
Rostos irmãos se olham dos porta-retratos, a se amarem e compreenderem mudamente. O piano fechado, com uma longa tira de flanela sobre as teclas, repete ainda passadas valsas, de quando as mãos maternas careciam sonhar.
A casa materna é o espelho de outras, em pequenas coisas que o olhar filial admirava ao tempo em que tudo era belo: o licoreiro magro, a bandeja triste, o absurdo bibelô.
E tem um corredor à escuta, de cujo teto à noite pende uma luz morta, com negras aberturas para os quartos cheios de sombra. Na estante junto à escada há um Tesouro da juventude com o dorso puído de tato e de tempo. Foi ali que o olhar filial primeiro viu a forma gráfica de algo que passaria a ser para ele a forma suprema da beleza: o verso.
Na escada há o degrau que estala e anuncia aos ouvidos maternos a presença dos passos filiais. Pois a casa materna se divide em dois mundos: o térreo, onde se processa a vida presente, e o de cima, onde vive a memória. Embaixo há sempre coisas fabulosas na geladeira e no armário da copa: roquefort amassado, ovos frescos, mangas-espadas, untuosas compotas, bolos de chocolate, biscoitos de araruta - pois não há lugar mais propício do que a casa materna para uma boa ceia noturna.
E porque é uma casa velha, há sempre uma barata que aparece e é morta com uma repugnância que vem de longe.
Em cima ficam os guardados antigos, os livros que lembram a infância, o pequeno oratório em frente ao qual ninguém, a não ser a figura materna, sabe porque queima às vezes uma vela votiva. E a cama onde a figura paterna repousava de sua agitação diurna. Hoje, vazia.
A imagem paterna persiste no interior da casa materna. Seu violão dorme encostado junto à vitrola. Seu corpo como que se marca ainda na velha poltrona da sala e como que se pode ouvir ainda o brando ronco de sua sesta dominical. Ausente para sempre de sua casa materna, a figura paterna parece mergulhá-la docemente na eternidade, enquanto as mãos maternas se fazem mais lentas e as mãos filiais ainda mais unidas em torno à grande mesa, onde já agora vibram também vozes infantis.
MORAES, Vinícius. Vinícius Menino. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. P. 9-11.
Vocabulário
▪ Dorido: que tem e/ou expressa alguma dor (física ou moral).
▪ Untuoso: gorduroso.
▪ Votivo: ofertado em promessa.
No 1º parágrafo se observa um sentimento de saudosismo do narrador em relação à casa materna, sugerido pela passagem do tempo.
Segundo o texto, o que NÃO sugere a passagem do tempo, quando ele entra em casa?
Questão 5 10446494
COLÉGIO SÓLIDO* 8° ANO 2015Texto
PEDRO E PAULO
O primogênito paga o preço de nossa inexperiência, insegurança e burrada

Hoje tenho dois filhos de idades, feições e mães diferentes. E os amo por igual. Pedro, o caçula, prestes a trocar suas fraldas por cuecas, é de uma timidez cativante. Paulo, por sua vez, o mais velho, é o adolescente padrão: hormônios, inconstância, doçura, ansiedade... Cada um é um, mas, repito, eu os amo por igual. Se tivesse, porém, de dizer qual deles mais me enternece, escolheria o primogênito.
A razão? Bem, antes de mais nada, por ter sido ele o primeiro. Paulo levantou o véu. Fez de mim um pai. O primogênito desperta em nós um impulso darwinista: o de zelar para que essa criatura, um candidato a cidadão gerado com a fricção de nossos corpos, não morra de medo, fome, frio ou sarampo. Esse papo pode soar estranho, mas é como funcionam as pulsões básicas graças às quais nossa espécie sobreviveu enquanto tantas outras desapareciam.
O primogênito é também nosso maior laboratório de acertos e burradas. Paulo não fugiu à sina. Foi meu órgão de choque; a cobaia involuntária de meus avanços e retrocessos na vida. Absorveu meus deslizes, minhas fantasias e mágoas. Foi um bravo!
Outro detalhe, aos meus olhos paternos, o torna um herói. Como a maioria dos garotos de sua idade, Paulo integra a primeira geração pós-divórcio. Com pai e mãe apartados, teve de se habituar a ver a vida por um prisma bifocal. No início, brigou feito um leão para manter seu mundinho intacto - e seus pais, juntos. Depois, vencido, resignou-se.
Pergunto-me se eu, criança, teria sido tão forte.
Por vários anos após a separação, mantive com ele uma relação delicada: cobranças, projeções, carências de parte a parte... Na festa de meu segundo casamento, vi claramente a satisfação e o desalento se misturarem em seus olhos azuis. A primeira devia-se ao fato de me ver feliz. O segundo, à constatação de que, naquele instante, a cisão de seu mundo se sacramentara de vez.
Aquele seu olhar marejado me perseguiu silenciosamente durante a gestação de Pedro. Como reagiria Paulo? Pois ele foi o primeiro a chegar à maternidade na manhã em que seu irmão nasceria. Mais tarde, longe de exasperar-se por ter de dividir o quarto na casa paterna com um bebê, presenteou o maninho com duas Ferraris em miniatura que eu mesmo lhe dera anos antes. Que quarto, aquele... Kurt Cobain num canto. Buzz Lightyear no outro.
Vi, enfim, que Paulo crescera - e aquilo pedia uma comemoração. No Carnaval viajamos, só nós dois, para a Itália. No Al Ceppo, um delicioso restaurante romano, eu lhe propus duas coisas: que tomássemos juntos um copo de vinho (talvez seu primeiro) e que ele fosse padrinho do irmão. Quando crescer, Pedro provavelmente abençoará essa escolha se, como eu, perceber que, em muitos aspectos, foi graças ao brother que lhe coube a fatia mais doce desse bolo chamado paternidade.
GANDRA, José Ruy. Folha de São Paulo, 2 ago. 2011. © Folhapress.
VOCABULÁRIO
Pulsão: impulso interno que direciona o comportamento das pessoas.
No período “Absorveu meus deslizes, minhas fantasias e mágoas”, o termo destacado
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