Questões de EFAF Ciências
15.501 Questões
Questão 22 10780386
CEFET-RJ 1° Ano - 1ª Fase 2018As panelas de pedra sabão, típicas do artesanato de Minas Gerais, são formadas por esteatito, uma mistura de substâncias como talco Mg3Si4O10(OH)2, dolomita CaMg(CO3)2, actinolita Ca2(Mg,Fe2+)5Si8O22(OH)2, e lorita (Mg,Al,Fe)12[(Si,Al)8O20](OH)2. É costume do usuário, “curar” essas panelas com banha, preparando-as antes do uso em si. Nesse tratamento, uma camada de lipídeos se deposita na face interior, protegendo-as do ataque ácido e eventual erosão com perda de matéria.
A tabela a seguir apresenta o comportamento de algumas panelas não-curadas (A até F) e curadas (G até L) com valores médios de migração (em mg/L) de Ca, Mg, Fe e Mn na presença de ácido acético (3 e 5%), mantidas em ebulição por 20 min.

Tabela adaptada de: K. D. Quintaes. A influência da composição do esteatito (pedra-sabão) na migração de minerais para os alimentos - Minerais do esteatito. Cerâmica 52, p 303, 2006.
Sobre as informações recebidas e o seu conhecimento, pode-se inferir que
Questão 14 10780356
CEFET-RJ 1° Ano - 1ª Fase 2018Segundo a ANP(Agência Nacional de Petróleo), é permitido até 27% de álcool misturado à gasolina que compramos. Existe um teste bem simples para sabermos se a gasolina está de acordo com a regulamentação brasileira.
Em uma proveta de vidro de 100 mL, são colocados 50 mL da amostra de combustível e completados com uma mistura de água e sal. Em seguida, os líquidos são misturados e deixados em repouso por alguns minutos até a separação completa das substâncias.
A gasolina pura ficará na camada superior.
A figura abaixo ilustra a última etapa deste teste.

A amostra de gasolina utilizada no teste representado na figura foi:
Questão 10 10780347
CEFET-RJ 1° Ano - 1ª Fase 2018TEXTO I
As mãos perguntam, a cabeça pensa
Encaro com a maior desconfiança os laboratórios nas escolas. Acho que sua função, nas escolas,
não é ensinar ciência aos estudantes, mas impressionar os pais. Os pais se impressionam facilmente. Vendo
os laboratórios, eles concluem: "Uma escola com um laboratório moderno assim deve ser uma boa escola...".
Poucos se dão conta de que os laboratórios mentem aos adolescentes. Pois o que eles dizem,
[5] silenciosamente, é o seguinte: "É aqui dentro que se faz ciência". Isso é mentira. Ciência não é uma coisa que
se faz em laboratórios. Ciência se faz em qualquer lugar. Ela só precisa de duas coisas: olho e cabeça.
Assim, a primeira tarefa da educação científica é ensinar a ver e ensinar a pensar.
Sei de pessoas que são capazes de produzir pesquisas nos laboratórios, mas que, andando em
meio aos objetos e situações do seu cotidiano, veem e pensam como se nada soubessem da ciência. De
[10] fato, não sabem, porque a sua ciência só acontece em laboratórios.
(...)
Pensei, então, numa escola que fosse uma casa, uma casa comum, dessas onde os alunos moram,
parecida com o espaço de sua vida real. Essa ideia me veio quando uma amiga, professora universitária, me
contou um incidente divertido e revelador:
[15] Repentinamente, metade de sua casa ficou às escuras. Lembrou-se de que, quando algo
semelhante acontecia na casa de sua infância, seu pai trocava os fusíveis. Concluiu: algum fusível deve ter
se queimado. Disse, então, ao filho de nove anos: “Filho, veja se um fusível queimou”. Respondeu o menino:
“Não se usam mais fusíveis. Agora se usam disjuntores”.
Mas ela não sabia o que eram disjuntores nem como estava estruturada a rede elétrica de sua casa,
[20] e assim continuou a conversa entre os dois, ela, professora universitária, que, para passar no vestibular,
tivera de estudar física elétrica com suas voltagens, “wattagens”, impedâncias, ohms, tensões, fórmulas e
outras coisas parecidas, totalmente ignorante diante de um simples problema prático em sua casa; e o
menino, que nunca estudara física, mas que conhecia os segredos da casa onde morava.
Embora isso esteja esquecido, o caminho para a inteligência passa pelas mãos. Pensamos para
[25] ajudar as mãos. Das mãos nascem as perguntas. Da cabeça nascem as respostas. Se a mão não pergunta,
a cabeça não pensa. Pois laboratório vem de “laborare”, trabalhar com as mãos, que é essa cooperação
entre mãos e inteligência. Física mecânica, física elétrica, física hidráulica, física ótica, física dos materiais,
matemática, química, biologia, saúde, geografia, história, literatura, poesia, ecologia, política, sociologia,
arte – todas moram na nossa casa, ferramentas e brinquedos, ao alcance das nossas mãos, desafios ao
[30] pensamento: conhecer para “laborare” na construção da casa de morada...
Li uma entrevista do Amyr Klink em que, indagado sobre a educação dos filhos, disse que gostaria
que seus filhos aprendessem como aprendem as crianças numa ilha, se não me engano, na costa da
Noruega: aprendem as coisas que devem ser aprendidas, para não ser nunca esquecidas, construindo uma
casa viking. Assim, estamos de acordo...
(Alves, Rubem. Coluna Opinião do Jornal Folha de São Paulo, 21 jul. 2002. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2107200208.htm - Acesso em: 16/09/2017)
TEXTO II
Tecnologia e ciência andam de mãos dadas
Um dos ganhadores do Nobel de Química de 2004 por descobertas sobre processo de “reciclagem” de
proteínas nas células, bioquímico israelense fala sobre como as pesquisas mudaram nos últimos anos e
defende o acesso aberto à produção científica
(...)
[5] O que [o senhor] diz então da visão de muitas pessoas que os investimentos em ciência
devem se focar em pesquisas que tenham aplicações?
Se todos se dedicassem às pesquisas aplicadas, práticas, não teríamos ciência básica, e isso seria
muito ruim. Por exemplo, todas as drogas são desenvolvidas contra determinados alvos. E quem dá o alvo é
a ciência básica. Daí as empresas vão pesquisar as drogas. Você não pode matar o câncer sem entender os
[10] mecanismos do câncer, de onde ele vem, como ele se desenvolve. A descoberta dos mecanismos do câncer
virão (sic.) do lado “não prático” da ciência. A ciência então é uma combinação entre curiosidade e
praticidade. Se a curiosidade morrer, as aplicações também morrem. É preciso ter os dois lados alimentando
um ao outro.
Na ciência em geral, e na sua área em particular, a tecnologia se tornou muito importante na
[15] prática científica. Como o senhor vê esta relação?
A tecnologia anda de mãos dadas com a ciência básica, tanto que a cada dois ou três Nobel um vai
para desenvolvimentos na tecnologia. E não é por menos. Na ciência muitas vezes estamos limitados pela
tecnologia. Aciência faz as perguntas, mas não podemos respondê-las sem a tecnologia, e isto impulsiona o
desenvolvimento tecnológico. Então a tecnologia chega, respondemos a pergunta e a ciência segue para a
[20] próxima pergunta, o que impulsiona a tecnologia e assim em diante.
Não faz muito tempo tínhamos uma ciência verticalizada, em que os experimentos eram
verificáveis, reproduzíveis, e levava tempo para ter um resultado. Hoje, no entanto, temos campos
como a bioinformática que, usando a tecnologia, analisam enormes quantidades de dados e geram
muitos resultados, tantos que mal conseguimos entender o que está acontecendo. Como o senhor vê
[25] o impacto disso na ciência?
A ciência mudou, não há dúvidas. E mudou para o bem e para o mal. No meu tempo, digamos assim,
a ciência era algo de baixo para cima. Você tinha uma pergunta, desenvolvia um experimento, ia para a
bancada do laboratório, usava as ferramentas disponíveis e aí tinha os resultados. Hoje muito da ciência se
tornou algo como uma pescaria. Mesmo que você não tenha uma questão pode dizer: tudo bem, pegamos
[30] cinco mil pacientes de melanoma, sequenciamos seu genoma e encontramos uma mutação. Não temos
pistas do que a mutação faz, que partes da biologia ela afeta, o que seja. É força bruta, mas ainda assim
importante. Precisamos que isso seja feito. (...)
(Baima, Cesar. Entrevista. O Globo 20 ago. 2017)
TEXTO
Cante lá, que eu canto cá
Poeta, cantô de rua,
Que na cidade nasceu,
Cante a cidade que é sua,
Que eu canto o sertão que é meu.
Se aí você teve estudo,
Aqui, Deus me ensinou tudo,
Sem de livro precisá
Por favô, não mêxa aqui,
Que eu também não mexo aí,
Cante lá, que eu canto cá.
Você teve inducação,
Aprendeu munta ciença,
Mas das coisa do sertão
Não tem boa esperiença.
Nunca fez uma paioça,
Nunca trabaiou na roça,
Não pode conhecê bem,
Pois nesta penosa vida,
Só quem provou da comida
Sabe o gosto que ela tem.
Pra gente cantá o sertão,
Precisa nele morá,
Tê armoço de fejão
E a janta de mucunzá,
Vivê pobre, sem dinhêro,
Socado dentro do mato,
De apragata currelepe,
Pisando inriba do estrepe,
Brocando a unha-de-gato.
Você é muito ditoso,
Sabe lê, sabe escrevê,
Pois vá cantando o seu gozo,
Que eu canto meu padecê.
Inquanto a felicidade
Você canta na cidade,
Cá no sertão eu infrento
Afome, a dô e a misera.
Pra sê poeta divera,
Precisa tê sofrimento.
(...)
(Silva, Antônio Gonçalves da (Patativa do Assaré). Cante lá, que eu canto cá. Rio de Janeiro: Vozes, 1978)
TEXTO

Texto central: "NOSSA LINHA DE PRODUÇÃO É SIMPLES: CONTRUÍMOS ESCOLAS, FORMAMOS CIDADÃOS E CRIAMOS FUTUROS.
Fábrica das Escolas do Amanhã. Mais educação para o Rio de Janeiro."
Texto inferior: "A prefeitura do Rio trabalha para dar um futuro aos jovens cariocas. Por saber que isso só é possível com educação, criou a Fábrica de Escolas do Amanhã. Fábrica mesmo, de onde vão sair os módulos para a construção de 136 unidades de ensino, todas climatizadas. Serão quatro fábricas até o fim do ano, contribuindo para que 35% dos alunos estudem em turno único. E com isso a prefeitura vai oferecer uma educação cada vez melhor aos jovens da cidade."
(O Globo, 07 dez. 2014)
Os textos revelam posicionamentos diferenciados sobre o conhecimento humano; entretanto, é possível perceber semelhanças entre
Questão 9 10780344
CEFET-RJ 1° Ano - 1ª Fase 2018TEXTO I
As mãos perguntam, a cabeça pensa
Encaro com a maior desconfiança os laboratórios nas escolas. Acho que sua função, nas escolas,
não é ensinar ciência aos estudantes, mas impressionar os pais. Os pais se impressionam facilmente. Vendo
os laboratórios, eles concluem: "Uma escola com um laboratório moderno assim deve ser uma boa escola...".
Poucos se dão conta de que os laboratórios mentem aos adolescentes. Pois o que eles dizem,
[5] silenciosamente, é o seguinte: "É aqui dentro que se faz ciência". Isso é mentira. Ciência não é uma coisa que
se faz em laboratórios. Ciência se faz em qualquer lugar. Ela só precisa de duas coisas: olho e cabeça.
Assim, a primeira tarefa da educação científica é ensinar a ver e ensinar a pensar.
Sei de pessoas que são capazes de produzir pesquisas nos laboratórios, mas que, andando em
meio aos objetos e situações do seu cotidiano, veem e pensam como se nada soubessem da ciência. De
[10] fato, não sabem, porque a sua ciência só acontece em laboratórios.
(...)
Pensei, então, numa escola que fosse uma casa, uma casa comum, dessas onde os alunos moram,
parecida com o espaço de sua vida real. Essa ideia me veio quando uma amiga, professora universitária, me
contou um incidente divertido e revelador:
[15] Repentinamente, metade de sua casa ficou às escuras. Lembrou-se de que, quando algo
semelhante acontecia na casa de sua infância, seu pai trocava os fusíveis. Concluiu: algum fusível deve ter
se queimado. Disse, então, ao filho de nove anos: “Filho, veja se um fusível queimou”. Respondeu o menino:
“Não se usam mais fusíveis. Agora se usam disjuntores”.
Mas ela não sabia o que eram disjuntores nem como estava estruturada a rede elétrica de sua casa,
[20] e assim continuou a conversa entre os dois, ela, professora universitária, que, para passar no vestibular,
tivera de estudar física elétrica com suas voltagens, “wattagens”, impedâncias, ohms, tensões, fórmulas e
outras coisas parecidas, totalmente ignorante diante de um simples problema prático em sua casa; e o
menino, que nunca estudara física, mas que conhecia os segredos da casa onde morava.
Embora isso esteja esquecido, o caminho para a inteligência passa pelas mãos. Pensamos para
[25] ajudar as mãos. Das mãos nascem as perguntas. Da cabeça nascem as respostas. Se a mão não pergunta,
a cabeça não pensa. Pois laboratório vem de “laborare”, trabalhar com as mãos, que é essa cooperação
entre mãos e inteligência. Física mecânica, física elétrica, física hidráulica, física ótica, física dos materiais,
matemática, química, biologia, saúde, geografia, história, literatura, poesia, ecologia, política, sociologia,
arte – todas moram na nossa casa, ferramentas e brinquedos, ao alcance das nossas mãos, desafios ao
[30] pensamento: conhecer para “laborare” na construção da casa de morada...
Li uma entrevista do Amyr Klink em que, indagado sobre a educação dos filhos, disse que gostaria
que seus filhos aprendessem como aprendem as crianças numa ilha, se não me engano, na costa da
Noruega: aprendem as coisas que devem ser aprendidas, para não ser nunca esquecidas, construindo uma
casa viking. Assim, estamos de acordo...
(Alves, Rubem. Coluna Opinião do Jornal Folha de São Paulo, 21 jul. 2002. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2107200208.htm - Acesso em: 16/09/2017)
TEXTO II
Tecnologia e ciência andam de mãos dadas
Um dos ganhadores do Nobel de Química de 2004 por descobertas sobre processo de “reciclagem” de
proteínas nas células, bioquímico israelense fala sobre como as pesquisas mudaram nos últimos anos e
defende o acesso aberto à produção científica
(...)
[5] O que [o senhor] diz então da visão de muitas pessoas que os investimentos em ciência
devem se focar em pesquisas que tenham aplicações?
Se todos se dedicassem às pesquisas aplicadas, práticas, não teríamos ciência básica, e isso seria
muito ruim. Por exemplo, todas as drogas são desenvolvidas contra determinados alvos. E quem dá o alvo é
a ciência básica. Daí as empresas vão pesquisar as drogas. Você não pode matar o câncer sem entender os
[10] mecanismos do câncer, de onde ele vem, como ele se desenvolve. A descoberta dos mecanismos do câncer
virão (sic.) do lado “não prático” da ciência. A ciência então é uma combinação entre curiosidade e
praticidade. Se a curiosidade morrer, as aplicações também morrem. É preciso ter os dois lados alimentando
um ao outro.
Na ciência em geral, e na sua área em particular, a tecnologia se tornou muito importante na
[15] prática científica. Como o senhor vê esta relação?
A tecnologia anda de mãos dadas com a ciência básica, tanto que a cada dois ou três Nobel um vai
para desenvolvimentos na tecnologia. E não é por menos. Na ciência muitas vezes estamos limitados pela
tecnologia. Aciência faz as perguntas, mas não podemos respondê-las sem a tecnologia, e isto impulsiona o
desenvolvimento tecnológico. Então a tecnologia chega, respondemos a pergunta e a ciência segue para a
[20] próxima pergunta, o que impulsiona a tecnologia e assim em diante.
Não faz muito tempo tínhamos uma ciência verticalizada, em que os experimentos eram
verificáveis, reproduzíveis, e levava tempo para ter um resultado. Hoje, no entanto, temos campos
como a bioinformática que, usando a tecnologia, analisam enormes quantidades de dados e geram
muitos resultados, tantos que mal conseguimos entender o que está acontecendo. Como o senhor vê
[25] o impacto disso na ciência?
A ciência mudou, não há dúvidas. E mudou para o bem e para o mal. No meu tempo, digamos assim,
a ciência era algo de baixo para cima. Você tinha uma pergunta, desenvolvia um experimento, ia para a
bancada do laboratório, usava as ferramentas disponíveis e aí tinha os resultados. Hoje muito da ciência se
tornou algo como uma pescaria. Mesmo que você não tenha uma questão pode dizer: tudo bem, pegamos
[30] cinco mil pacientes de melanoma, sequenciamos seu genoma e encontramos uma mutação. Não temos
pistas do que a mutação faz, que partes da biologia ela afeta, o que seja. É força bruta, mas ainda assim
importante. Precisamos que isso seja feito. (...)
(Baima, Cesar. Entrevista. O Globo 20 ago. 2017)
TEXTO
Cante lá, que eu canto cá
Poeta, cantô de rua,
Que na cidade nasceu,
Cante a cidade que é sua,
Que eu canto o sertão que é meu.
Se aí você teve estudo,
Aqui, Deus me ensinou tudo,
Sem de livro precisá
Por favô, não mêxa aqui,
Que eu também não mexo aí,
Cante lá, que eu canto cá.
Você teve inducação,
Aprendeu munta ciença,
Mas das coisa do sertão
Não tem boa esperiença.
Nunca fez uma paioça,
Nunca trabaiou na roça,
Não pode conhecê bem,
Pois nesta penosa vida,
Só quem provou da comida
Sabe o gosto que ela tem.
Pra gente cantá o sertão,
Precisa nele morá,
Tê armoço de fejão
E a janta de mucunzá,
Vivê pobre, sem dinhêro,
Socado dentro do mato,
De apragata currelepe,
Pisando inriba do estrepe,
Brocando a unha-de-gato.
Você é muito ditoso,
Sabe lê, sabe escrevê,
Pois vá cantando o seu gozo,
Que eu canto meu padecê.
Inquanto a felicidade
Você canta na cidade,
Cá no sertão eu infrento
Afome, a dô e a misera.
Pra sê poeta divera,
Precisa tê sofrimento.
(...)
(Silva, Antônio Gonçalves da (Patativa do Assaré). Cante lá, que eu canto cá. Rio de Janeiro: Vozes, 1978)
TEXTO

Texto central: "NOSSA LINHA DE PRODUÇÃO É SIMPLES: CONTRUÍMOS ESCOLAS, FORMAMOS CIDADÃOS E CRIAMOS FUTUROS.
Fábrica das Escolas do Amanhã. Mais educação para o Rio de Janeiro."
Texto inferior: "A prefeitura do Rio trabalha para dar um futuro aos jovens cariocas. Por saber que isso só é possível com educação, criou a Fábrica de Escolas do Amanhã. Fábrica mesmo, de onde vão sair os módulos para a construção de 136 unidades de ensino, todas climatizadas. Serão quatro fábricas até o fim do ano, contribuindo para que 35% dos alunos estudem em turno único. E com isso a prefeitura vai oferecer uma educação cada vez melhor aos jovens da cidade."
(O Globo, 07 dez. 2014)
Quando o enunciador não sabe ou não quer determinar o sujeito de uma ação, pode fazer uso de diversas estratégias.
Para produzir tal efeito, na linguagem oral, pode-se, recorrentemente, empregar certas estruturas, como a identificada em:
Questão 8 10780316
CEFET-RJ 1° Ano - 1ª Fase 2018TEXTO I
As mãos perguntam, a cabeça pensa
Encaro com a maior desconfiança os laboratórios nas escolas. Acho que sua função, nas escolas,
não é ensinar ciência aos estudantes, mas impressionar os pais. Os pais se impressionam facilmente. Vendo
os laboratórios, eles concluem: "Uma escola com um laboratório moderno assim deve ser uma boa escola...".
Poucos se dão conta de que os laboratórios mentem aos adolescentes. Pois o que eles dizem,
[5] silenciosamente, é o seguinte: "É aqui dentro que se faz ciência". Isso é mentira. Ciência não é uma coisa que
se faz em laboratórios. Ciência se faz em qualquer lugar. Ela só precisa de duas coisas: olho e cabeça.
Assim, a primeira tarefa da educação científica é ensinar a ver e ensinar a pensar.
Sei de pessoas que são capazes de produzir pesquisas nos laboratórios, mas que, andando em
meio aos objetos e situações do seu cotidiano, veem e pensam como se nada soubessem da ciência. De
[10] fato, não sabem, porque a sua ciência só acontece em laboratórios.
(...)
Pensei, então, numa escola que fosse uma casa, uma casa comum, dessas onde os alunos moram,
parecida com o espaço de sua vida real. Essa ideia me veio quando uma amiga, professora universitária, me
contou um incidente divertido e revelador:
[15] Repentinamente, metade de sua casa ficou às escuras. Lembrou-se de que, quando algo
semelhante acontecia na casa de sua infância, seu pai trocava os fusíveis. Concluiu: algum fusível deve ter
se queimado. Disse, então, ao filho de nove anos: “Filho, veja se um fusível queimou”. Respondeu o menino:
“Não se usam mais fusíveis. Agora se usam disjuntores”.
Mas ela não sabia o que eram disjuntores nem como estava estruturada a rede elétrica de sua casa,
[20] e assim continuou a conversa entre os dois, ela, professora universitária, que, para passar no vestibular,
tivera de estudar física elétrica com suas voltagens, “wattagens”, impedâncias, ohms, tensões, fórmulas e
outras coisas parecidas, totalmente ignorante diante de um simples problema prático em sua casa; e o
menino, que nunca estudara física, mas que conhecia os segredos da casa onde morava.
Embora isso esteja esquecido, o caminho para a inteligência passa pelas mãos. Pensamos para
[25] ajudar as mãos. Das mãos nascem as perguntas. Da cabeça nascem as respostas. Se a mão não pergunta,
a cabeça não pensa. Pois laboratório vem de “laborare”, trabalhar com as mãos, que é essa cooperação
entre mãos e inteligência. Física mecânica, física elétrica, física hidráulica, física ótica, física dos materiais,
matemática, química, biologia, saúde, geografia, história, literatura, poesia, ecologia, política, sociologia,
arte – todas moram na nossa casa, ferramentas e brinquedos, ao alcance das nossas mãos, desafios ao
[30] pensamento: conhecer para “laborare” na construção da casa de morada...
Li uma entrevista do Amyr Klink em que, indagado sobre a educação dos filhos, disse que gostaria
que seus filhos aprendessem como aprendem as crianças numa ilha, se não me engano, na costa da
Noruega: aprendem as coisas que devem ser aprendidas, para não ser nunca esquecidas, construindo uma
casa viking. Assim, estamos de acordo...
(Alves, Rubem. Coluna Opinião do Jornal Folha de São Paulo, 21 jul. 2002. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2107200208.htm - Acesso em: 16/09/2017)
TEXTO II
Tecnologia e ciência andam de mãos dadas
Um dos ganhadores do Nobel de Química de 2004 por descobertas sobre processo de “reciclagem” de
proteínas nas células, bioquímico israelense fala sobre como as pesquisas mudaram nos últimos anos e
defende o acesso aberto à produção científica
(...)
[5] O que [o senhor] diz então da visão de muitas pessoas que os investimentos em ciência
devem se focar em pesquisas que tenham aplicações?
Se todos se dedicassem às pesquisas aplicadas, práticas, não teríamos ciência básica, e isso seria
muito ruim. Por exemplo, todas as drogas são desenvolvidas contra determinados alvos. E quem dá o alvo é
a ciência básica. Daí as empresas vão pesquisar as drogas. Você não pode matar o câncer sem entender os
[10] mecanismos do câncer, de onde ele vem, como ele se desenvolve. A descoberta dos mecanismos do câncer
virão (sic.) do lado “não prático” da ciência. A ciência então é uma combinação entre curiosidade e
praticidade. Se a curiosidade morrer, as aplicações também morrem. É preciso ter os dois lados alimentando
um ao outro.
Na ciência em geral, e na sua área em particular, a tecnologia se tornou muito importante na
[15] prática científica. Como o senhor vê esta relação?
A tecnologia anda de mãos dadas com a ciência básica, tanto que a cada dois ou três Nobel um vai
para desenvolvimentos na tecnologia. E não é por menos. Na ciência muitas vezes estamos limitados pela
tecnologia. Aciência faz as perguntas, mas não podemos respondê-las sem a tecnologia, e isto impulsiona o
desenvolvimento tecnológico. Então a tecnologia chega, respondemos a pergunta e a ciência segue para a
[20] próxima pergunta, o que impulsiona a tecnologia e assim em diante.
Não faz muito tempo tínhamos uma ciência verticalizada, em que os experimentos eram
verificáveis, reproduzíveis, e levava tempo para ter um resultado. Hoje, no entanto, temos campos
como a bioinformática que, usando a tecnologia, analisam enormes quantidades de dados e geram
muitos resultados, tantos que mal conseguimos entender o que está acontecendo. Como o senhor vê
[25] o impacto disso na ciência?
A ciência mudou, não há dúvidas. E mudou para o bem e para o mal. No meu tempo, digamos assim,
a ciência era algo de baixo para cima. Você tinha uma pergunta, desenvolvia um experimento, ia para a
bancada do laboratório, usava as ferramentas disponíveis e aí tinha os resultados. Hoje muito da ciência se
tornou algo como uma pescaria. Mesmo que você não tenha uma questão pode dizer: tudo bem, pegamos
[30] cinco mil pacientes de melanoma, sequenciamos seu genoma e encontramos uma mutação. Não temos
pistas do que a mutação faz, que partes da biologia ela afeta, o que seja. É força bruta, mas ainda assim
importante. Precisamos que isso seja feito. (...)
(Baima, Cesar. Entrevista. O Globo 20 ago. 2017)
TEXTO
Cante lá, que eu canto cá
Poeta, cantô de rua,
Que na cidade nasceu,
Cante a cidade que é sua,
Que eu canto o sertão que é meu.
Se aí você teve estudo,
Aqui, Deus me ensinou tudo,
Sem de livro precisá
Por favô, não mêxa aqui,
Que eu também não mexo aí,
Cante lá, que eu canto cá.
Você teve inducação,
Aprendeu munta ciença,
Mas das coisa do sertão
Não tem boa esperiença.
Nunca fez uma paioça,
Nunca trabaiou na roça,
Não pode conhecê bem,
Pois nesta penosa vida,
Só quem provou da comida
Sabe o gosto que ela tem.
Pra gente cantá o sertão,
Precisa nele morá,
Tê armoço de fejão
E a janta de mucunzá,
Vivê pobre, sem dinhêro,
Socado dentro do mato,
De apragata currelepe,
Pisando inriba do estrepe,
Brocando a unha-de-gato.
Você é muito ditoso,
Sabe lê, sabe escrevê,
Pois vá cantando o seu gozo,
Que eu canto meu padecê.
Inquanto a felicidade
Você canta na cidade,
Cá no sertão eu infrento
Afome, a dô e a misera.
Pra sê poeta divera,
Precisa tê sofrimento.
(...)
(Silva, Antônio Gonçalves da (Patativa do Assaré). Cante lá, que eu canto cá. Rio de Janeiro: Vozes, 1978)
TEXTO

Texto central: "NOSSA LINHA DE PRODUÇÃO É SIMPLES: CONTRUÍMOS ESCOLAS, FORMAMOS CIDADÃOS E CRIAMOS FUTUROS.
Fábrica das Escolas do Amanhã. Mais educação para o Rio de Janeiro."
Texto inferior: "A prefeitura do Rio trabalha para dar um futuro aos jovens cariocas. Por saber que isso só é possível com educação, criou a Fábrica de Escolas do Amanhã. Fábrica mesmo, de onde vão sair os módulos para a construção de 136 unidades de ensino, todas climatizadas. Serão quatro fábricas até o fim do ano, contribuindo para que 35% dos alunos estudem em turno único. E com isso a prefeitura vai oferecer uma educação cada vez melhor aos jovens da cidade."
(O Globo, 07 dez. 2014)
Na frase “Você tinha uma pergunta, desenvolvia um experimento, ia para a bancada do laboratório, usava as ferramentas disponíveis e aí tinha os resultados” (linhas 27-28, Texto II), foi empregado o recurso da gradação.
Marque a opção em que a mesma estratégia é empregada argumentativamente:
Questão 2 10780291
CEFET-RJ 1° Ano - 1ª Fase 2018TEXTO
As mãos perguntam, a cabeça pensa
Encaro com a maior desconfiança os laboratórios nas escolas. Acho que sua função, nas escolas,
não é ensinar ciência aos estudantes, mas impressionar os pais. Os pais se impressionam facilmente. Vendo
os laboratórios, eles concluem: "Uma escola com um laboratório moderno assim deve ser uma boa escola...".
Poucos se dão conta de que os laboratórios mentem aos adolescentes. Pois o que eles dizem,
[5] silenciosamente, é o seguinte: "É aqui dentro que se faz ciência". Isso é mentira. Ciência não é uma coisa que
se faz em laboratórios. Ciência se faz em qualquer lugar. Ela só precisa de duas coisas: olho e cabeça.
Assim, a primeira tarefa da educação científica é ensinar a ver e ensinar a pensar.
Sei de pessoas que são capazes de produzir pesquisas nos laboratórios, mas que, andando em
meio aos objetos e situações do seu cotidiano, veem e pensam como se nada soubessem da ciência. De
[10] fato, não sabem, porque a sua ciência só acontece em laboratórios.
(...)
Pensei, então, numa escola que fosse uma casa, uma casa comum, dessas onde os alunos moram,
parecida com o espaço de sua vida real. Essa ideia me veio quando uma amiga, professora universitária, me
contou um incidente divertido e revelador:
[15] Repentinamente, metade de sua casa ficou às escuras. Lembrou-se de que, quando algo
semelhante acontecia na casa de sua infância, seu pai trocava os fusíveis. Concluiu: algum fusível deve ter
se queimado. Disse, então, ao filho de nove anos: “Filho, veja se um fusível queimou”. Respondeu o menino:
“Não se usam mais fusíveis. Agora se usam disjuntores”.
Mas ela não sabia o que eram disjuntores nem como estava estruturada a rede elétrica de sua casa,
[20] e assim continuou a conversa entre os dois, ela, professora universitária, que, para passar no vestibular,
tivera de estudar física elétrica com suas voltagens, “wattagens”, impedâncias, ohms, tensões, fórmulas e
outras coisas parecidas, totalmente ignorante diante de um simples problema prático em sua casa; e o
menino, que nunca estudara física, mas que conhecia os segredos da casa onde morava.
Embora isso esteja esquecido, o caminho para a inteligência passa pelas mãos. Pensamos para
[25] ajudar as mãos. Das mãos nascem as perguntas. Da cabeça nascem as respostas. Se a mão não pergunta,
a cabeça não pensa. Pois laboratório vem de “laborare”, trabalhar com as mãos, que é essa cooperação
entre mãos e inteligência. Física mecânica, física elétrica, física hidráulica, física ótica, física dos materiais,
matemática, química, biologia, saúde, geografia, história, literatura, poesia, ecologia, política, sociologia,
arte – todas moram na nossa casa, ferramentas e brinquedos, ao alcance das nossas mãos, desafios ao
[30] pensamento: conhecer para “laborare” na construção da casa de morada...
Li uma entrevista do Amyr Klink em que, indagado sobre a educação dos filhos, disse que gostaria
que seus filhos aprendessem como aprendem as crianças numa ilha, se não me engano, na costa da
Noruega: aprendem as coisas que devem ser aprendidas, para não ser nunca esquecidas, construindo uma
casa viking. Assim, estamos de acordo...
(Alves, Rubem. Coluna Opinião do Jornal Folha de São Paulo, 21 jul. 2002. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2107200208.htm - Acesso em: 16/09/2017)
A explicação apresentada em “Pois laboratório vem de 'laborare', trabalhar com as mãos (...)” (linha 26)
06
![[Marketing] Questao Topo - deslogado](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6b7ebee90b03af1c560c73bb8bcce34a_banner_deslogado_70_dias.png)