Questões de EFAF Ciências
15.501 Questões
Questão 11 15395604
IFRJ 2021Lento, rápido, sonâmbulo: a pandemia trocou-nos as voltas ao tempo
Quando a pandemia chegou, não demorou a fazer-se sentir: as rotinas estilhaçaram-se, o nosso espaço encolheu, a escolha dissolveu-se em dias iguais e o receio instalou-se a nosso lado. Tudo isso contribuiu para que olhássemos para o tempo de forma diferente: desabituados do cotidiano que levávamos até então e privados de fazer planos sem amarras, houve quem sentisse as horas e os dias a arrastarem-se na incerteza, mas houve também quem sentisse que passavam a voar.
Este é um tempo distorcido, como no quadro surrealista A Persistência da Memória, de Salvador Dalí. É um tempo pervertido pela nossa ideia do que é o tempo e, agora, pela pandemia. Os ritmos mudaram e ficaram tingidos por esta existência pandêmica. O antropólogo alemão Felix Ringel estuda o tempo. Acredita que "foram as medidas tomadas contra a propagação do vírus que se tornaram mais relevantes na forma como a nossa experiência de tempo foi afetada". O que levou, então, a estas diferentes percepções do tempo?
"A nossa noção de espaço foi limitada, a nossa mobilidade tornou-se confinada, estamos todos em quarentena em casa — e a casa deixou de ser o sítio aonde adoramos voltar depois de um longo dia para ser o único sítio em que podemos estar", justifica o antropólogo. A monotonia apoderou-se dos dias. Para quem enfrentou situações mais difíceis, os ponteiros do relógio podem parecer ter teimado em não avançar. Esta sucessão de acontecimentos, "como o espetáculo da morte permanente, faz-nos sentir como se estivéssemos mesmo numa dobra do tempo", teoriza a escritora Lídia Jorge. "A ideia que tenho é que estamos numa prova existencial imensa."
A idade também afeta o nosso tempo sensorial. O que a ciência nos diz é que o tempo parece passar mais rapidamente à medida que envelhecemos. O físico italiano Carlo Rovelli não tem dúvidas: "Basta pensar nos longos verões quando éramos crianças. Aqueles dias que nunca acabavam. E o futuro que era uma imensidade tão distante? E depois a vida fica rápida e mais rápida, e mais perto do final parece que voou num minuto..." Interiorizamos o tempo com base naquilo que temos disponível para comparação: o tempo vivido. Na ânsia de regressar à escola e de estar com os amigos, as crianças e adolescentes podem sentir esta desaceleração do tempo que, para elas, já tenderia a passar mais devagar. Assim, parece que o confinamento nunca acaba. "A paciência e o tempo de um jovem não é o de uma pessoa da minha idade", explica Lídia Jorge, de 74 anos. "Nós temos outra complacência perante o correr do tempo. Para um jovem, dizer que isto só vai melhorar no Verão é uma catástrofe. Três ou quatro meses na vida deles ocupa um tempo enorme", observa a escritora.
Não é a primeira vez que estamos perante uma pandemia, não deverá ser a última, e há ensinamentos que nos deverão guiar nesses trêmulos passos futuros. "Esta geração vai ficar marcada como a geração da minha avó ficou marcada pela gripe espanhola ", recorda Lídia Jorge. "Lembro-me perfeitamente de ela me contar as pessoas que tinham morrido e ela tinha sempre a ideia das privações por que tinham passado, do horror e do que era a morte das pessoas jovens nessa altura." Para a escritora, "isto que está a acontecer está a fazer estremecer a relação de cada pessoa com o tempo de uma forma muito intensa." A pandemia surge aqui como um travão nas nossas vidas aceleradas. "Eu senti uma outra dimensão do tempo, mas não na natureza de rápido ou devagar: na intensidade de conhecimento. Como se estivesse a receber uma imensa lição. A ideia que tenho é que se abriu uma espécie de janela do mundo e estou a ver o mundo de forma completamente diferente", diz a escritora.
De qualquer forma, este tempo passado em casa não será em vão para os mais novos. "Isto que lhes está a acontecer é uma lição imensa que é mais importante e terá um alcance muito maior na vida deles do que as matérias que iriam ter nas aulas. Isto é uma espécie de aviso para uma geração", continua Lídia Jorge. "Irão ficar marcados pelo sentimento de que a vida inclui a doença, a surpresa, o perigo e a morte." Em suma, urge melhorar os tempos vindouros a partir da incerteza do presente. "As pessoas têm de pensar agora na crise, mas não parecem pensar no futuro além dos próximos meses. Deviam pensar nos próximos cinco, dez anos, para que as comunidades se juntem e para começar de novo este futuro", propõe Felix Ringel. Ou seja, é preciso questionarmo-nos, para que não fiquem oportunidades perdidas pelo caminho: aproveitamos esta oportunidade para repensar aquilo que a vida deveria ser?
Claudia Carvalho Silva
(A ortografia portuguesa desse texto foi modificada para a brasileira, quando pertinente. Sua versão original está disponível online em:publico.pt/2021/02/28/ciencia/noticia/lento-rapido sonambulo-pandemia-trocounos-voltas-tempo-1952153)
Observe o trecho:
(...) na forma como a nossa experiência de tempo foi afetada (...)
Sobre a expressão destacada experiência de tempo, podemos dizer que se refere a uma experiência
Questão 10 15395580
IFRJ 2021Lento, rápido, sonâmbulo: a pandemia trocou-nos as voltas ao tempo
Quando a pandemia chegou, não demorou a fazer-se sentir: as rotinas estilhaçaram-se, o nosso espaço encolheu, a escolha dissolveu-se em dias iguais e o receio instalou-se a nosso lado. Tudo isso contribuiu para que olhássemos para o tempo de forma diferente: desabituados do cotidiano que levávamos até então e privados de fazer planos sem amarras, houve quem sentisse as horas e os dias a arrastarem-se na incerteza, mas houve também quem sentisse que passavam a voar.
Este é um tempo distorcido, como no quadro surrealista A Persistência da Memória, de Salvador Dalí. É um tempo pervertido pela nossa ideia do que é o tempo e, agora, pela pandemia. Os ritmos mudaram e ficaram tingidos por esta existência pandêmica. O antropólogo alemão Felix Ringel estuda o tempo. Acredita que "foram as medidas tomadas contra a propagação do vírus que se tornaram mais relevantes na forma como a nossa experiência de tempo foi afetada". O que levou, então, a estas diferentes percepções do tempo?
"A nossa noção de espaço foi limitada, a nossa mobilidade tornou-se confinada, estamos todos em quarentena em casa — e a casa deixou de ser o sítio aonde adoramos voltar depois de um longo dia para ser o único sítio em que podemos estar", justifica o antropólogo. A monotonia apoderou-se dos dias. Para quem enfrentou situações mais difíceis, os ponteiros do relógio podem parecer ter teimado em não avançar. Esta sucessão de acontecimentos, "como o espetáculo da morte permanente, faz-nos sentir como se estivéssemos mesmo numa dobra do tempo", teoriza a escritora Lídia Jorge. "A ideia que tenho é que estamos numa prova existencial imensa."
A idade também afeta o nosso tempo sensorial. O que a ciência nos diz é que o tempo parece passar mais rapidamente à medida que envelhecemos. O físico italiano Carlo Rovelli não tem dúvidas: "Basta pensar nos longos verões quando éramos crianças. Aqueles dias que nunca acabavam. E o futuro que era uma imensidade tão distante? E depois a vida fica rápida e mais rápida, e mais perto do final parece que voou num minuto..." Interiorizamos o tempo com base naquilo que temos disponível para comparação: o tempo vivido. Na ânsia de regressar à escola e de estar com os amigos, as crianças e adolescentes podem sentir esta desaceleração do tempo que, para elas, já tenderia a passar mais devagar. Assim, parece que o confinamento nunca acaba. "A paciência e o tempo de um jovem não é o de uma pessoa da minha idade", explica Lídia Jorge, de 74 anos. "Nós temos outra complacência perante o correr do tempo. Para um jovem, dizer que isto só vai melhorar no Verão é uma catástrofe. Três ou quatro meses na vida deles ocupa um tempo enorme", observa a escritora.
Não é a primeira vez que estamos perante uma pandemia, não deverá ser a última, e há ensinamentos que nos deverão guiar nesses trêmulos passos futuros. "Esta geração vai ficar marcada como a geração da minha avó ficou marcada pela gripe espanhola ", recorda Lídia Jorge. "Lembro-me perfeitamente de ela me contar as pessoas que tinham morrido e ela tinha sempre a ideia das privações por que tinham passado, do horror e do que era a morte das pessoas jovens nessa altura." Para a escritora, "isto que está a acontecer está a fazer estremecer a relação de cada pessoa com o tempo de uma forma muito intensa." A pandemia surge aqui como um travão nas nossas vidas aceleradas. "Eu senti uma outra dimensão do tempo, mas não na natureza de rápido ou devagar: na intensidade de conhecimento. Como se estivesse a receber uma imensa lição. A ideia que tenho é que se abriu uma espécie de janela do mundo e estou a ver o mundo de forma completamente diferente", diz a escritora.
De qualquer forma, este tempo passado em casa não será em vão para os mais novos. "Isto que lhes está a acontecer é uma lição imensa que é mais importante e terá um alcance muito maior na vida deles do que as matérias que iriam ter nas aulas. Isto é uma espécie de aviso para uma geração", continua Lídia Jorge. "Irão ficar marcados pelo sentimento de que a vida inclui a doença, a surpresa, o perigo e a morte." Em suma, urge melhorar os tempos vindouros a partir da incerteza do presente. "As pessoas têm de pensar agora na crise, mas não parecem pensar no futuro além dos próximos meses. Deviam pensar nos próximos cinco, dez anos, para que as comunidades se juntem e para começar de novo este futuro", propõe Felix Ringel. Ou seja, é preciso questionarmo-nos, para que não fiquem oportunidades perdidas pelo caminho: aproveitamos esta oportunidade para repensar aquilo que a vida deveria ser?
Claudia Carvalho Silva
(A ortografia portuguesa desse texto foi modificada para a brasileira, quando pertinente. Sua versão original está disponível online em:publico.pt/2021/02/28/ciencia/noticia/lento-rapido sonambulo-pandemia-trocounos-voltas-tempo-1952153)
Não é a primeira vez que estamos perante uma pandemia, não deverá ser a última, e há ensinamentos que nos deverão guiar nesses trêmulos passos futuros.
Nesse trecho, pode-se inferir que
Questão 7 15395565
IFRJ 2021Lento, rápido, sonâmbulo: a pandemia trocou-nos as voltas ao tempo
Quando a pandemia chegou, não demorou a fazer-se sentir: as rotinas estilhaçaram-se, o nosso espaço encolheu, a escolha dissolveu-se em dias iguais e o receio instalou-se a nosso lado. Tudo isso contribuiu para que olhássemos para o tempo de forma diferente: desabituados do cotidiano que levávamos até então e privados de fazer planos sem amarras, houve quem sentisse as horas e os dias a arrastarem-se na incerteza, mas houve também quem sentisse que passavam a voar.
Este é um tempo distorcido, como no quadro surrealista A Persistência da Memória, de Salvador Dalí. É um tempo pervertido pela nossa ideia do que é o tempo e, agora, pela pandemia. Os ritmos mudaram e ficaram tingidos por esta existência pandêmica. O antropólogo alemão Felix Ringel estuda o tempo. Acredita que "foram as medidas tomadas contra a propagação do vírus que se tornaram mais relevantes na forma como a nossa experiência de tempo foi afetada". O que levou, então, a estas diferentes percepções do tempo?
"A nossa noção de espaço foi limitada, a nossa mobilidade tornou-se confinada, estamos todos em quarentena em casa — e a casa deixou de ser o sítio aonde adoramos voltar depois de um longo dia para ser o único sítio em que podemos estar", justifica o antropólogo. A monotonia apoderou-se dos dias. Para quem enfrentou situações mais difíceis, os ponteiros do relógio podem parecer ter teimado em não avançar. Esta sucessão de acontecimentos, "como o espetáculo da morte permanente, faz-nos sentir como se estivéssemos mesmo numa dobra do tempo", teoriza a escritora Lídia Jorge. "A ideia que tenho é que estamos numa prova existencial imensa."
A idade também afeta o nosso tempo sensorial. O que a ciência nos diz é que o tempo parece passar mais rapidamente à medida que envelhecemos. O físico italiano Carlo Rovelli não tem dúvidas: "Basta pensar nos longos verões quando éramos crianças. Aqueles dias que nunca acabavam. E o futuro que era uma imensidade tão distante? E depois a vida fica rápida e mais rápida, e mais perto do final parece que voou num minuto..." Interiorizamos o tempo com base naquilo que temos disponível para comparação: o tempo vivido. Na ânsia de regressar à escola e de estar com os amigos, as crianças e adolescentes podem sentir esta desaceleração do tempo que, para elas, já tenderia a passar mais devagar. Assim, parece que o confinamento nunca acaba. "A paciência e o tempo de um jovem não é o de uma pessoa da minha idade", explica Lídia Jorge, de 74 anos. "Nós temos outra complacência perante o correr do tempo. Para um jovem, dizer que isto só vai melhorar no Verão é uma catástrofe. Três ou quatro meses na vida deles ocupa um tempo enorme", observa a escritora.
Não é a primeira vez que estamos perante uma pandemia, não deverá ser a última, e há ensinamentos que nos deverão guiar nesses trêmulos passos futuros. "Esta geração vai ficar marcada como a geração da minha avó ficou marcada pela gripe espanhola ", recorda Lídia Jorge. "Lembro-me perfeitamente de ela me contar as pessoas que tinham morrido e ela tinha sempre a ideia das privações por que tinham passado, do horror e do que era a morte das pessoas jovens nessa altura." Para a escritora, "isto que está a acontecer está a fazer estremecer a relação de cada pessoa com o tempo de uma forma muito intensa." A pandemia surge aqui como um travão nas nossas vidas aceleradas. "Eu senti uma outra dimensão do tempo, mas não na natureza de rápido ou devagar: na intensidade de conhecimento. Como se estivesse a receber uma imensa lição. A ideia que tenho é que se abriu uma espécie de janela do mundo e estou a ver o mundo de forma completamente diferente", diz a escritora.
De qualquer forma, este tempo passado em casa não será em vão para os mais novos. "Isto que lhes está a acontecer é uma lição imensa que é mais importante e terá um alcance muito maior na vida deles do que as matérias que iriam ter nas aulas. Isto é uma espécie de aviso para uma geração", continua Lídia Jorge. "Irão ficar marcados pelo sentimento de que a vida inclui a doença, a surpresa, o perigo e a morte." Em suma, urge melhorar os tempos vindouros a partir da incerteza do presente. "As pessoas têm de pensar agora na crise, mas não parecem pensar no futuro além dos próximos meses. Deviam pensar nos próximos cinco, dez anos, para que as comunidades se juntem e para começar de novo este futuro", propõe Felix Ringel. Ou seja, é preciso questionarmo-nos, para que não fiquem oportunidades perdidas pelo caminho: aproveitamos esta oportunidade para repensar aquilo que a vida deveria ser?
Claudia Carvalho Silva
(A ortografia portuguesa desse texto foi modificada para a brasileira, quando pertinente. Sua versão original está disponível online em:publico.pt/2021/02/28/ciencia/noticia/lento-rapido sonambulo-pandemia-trocounos-voltas-tempo-1952153)
O que a ciência nos diz é que o tempo parece passar mais rapidamente à medida que envelhecemos.
Esse trecho estabelece a ideia de
Questão 6 15395550
IFRJ 2021Lento, rápido, sonâmbulo: a pandemia trocou-nos as voltas ao tempo
Quando a pandemia chegou, não demorou a fazer-se sentir: as rotinas estilhaçaram-se, o nosso espaço encolheu, a escolha dissolveu-se em dias iguais e o receio instalou-se a nosso lado. Tudo isso contribuiu para que olhássemos para o tempo de forma diferente: desabituados do cotidiano que levávamos até então e privados de fazer planos sem amarras, houve quem sentisse as horas e os dias a arrastarem-se na incerteza, mas houve também quem sentisse que passavam a voar.
Este é um tempo distorcido, como no quadro surrealista A Persistência da Memória, de Salvador Dalí. É um tempo pervertido pela nossa ideia do que é o tempo e, agora, pela pandemia. Os ritmos mudaram e ficaram tingidos por esta existência pandêmica. O antropólogo alemão Felix Ringel estuda o tempo. Acredita que "foram as medidas tomadas contra a propagação do vírus que se tornaram mais relevantes na forma como a nossa experiência de tempo foi afetada". O que levou, então, a estas diferentes percepções do tempo?
"A nossa noção de espaço foi limitada, a nossa mobilidade tornou-se confinada, estamos todos em quarentena em casa — e a casa deixou de ser o sítio aonde adoramos voltar depois de um longo dia para ser o único sítio em que podemos estar", justifica o antropólogo. A monotonia apoderou-se dos dias. Para quem enfrentou situações mais difíceis, os ponteiros do relógio podem parecer ter teimado em não avançar. Esta sucessão de acontecimentos, "como o espetáculo da morte permanente, faz-nos sentir como se estivéssemos mesmo numa dobra do tempo", teoriza a escritora Lídia Jorge. "A ideia que tenho é que estamos numa prova existencial imensa."
A idade também afeta o nosso tempo sensorial. O que a ciência nos diz é que o tempo parece passar mais rapidamente à medida que envelhecemos. O físico italiano Carlo Rovelli não tem dúvidas: "Basta pensar nos longos verões quando éramos crianças. Aqueles dias que nunca acabavam. E o futuro que era uma imensidade tão distante? E depois a vida fica rápida e mais rápida, e mais perto do final parece que voou num minuto..." Interiorizamos o tempo com base naquilo que temos disponível para comparação: o tempo vivido. Na ânsia de regressar à escola e de estar com os amigos, as crianças e adolescentes podem sentir esta desaceleração do tempo que, para elas, já tenderia a passar mais devagar. Assim, parece que o confinamento nunca acaba. "A paciência e o tempo de um jovem não é o de uma pessoa da minha idade", explica Lídia Jorge, de 74 anos. "Nós temos outra complacência perante o correr do tempo. Para um jovem, dizer que isto só vai melhorar no Verão é uma catástrofe. Três ou quatro meses na vida deles ocupa um tempo enorme", observa a escritora.
Não é a primeira vez que estamos perante uma pandemia, não deverá ser a última, e há ensinamentos que nos deverão guiar nesses trêmulos passos futuros. "Esta geração vai ficar marcada como a geração da minha avó ficou marcada pela gripe espanhola ", recorda Lídia Jorge. "Lembro-me perfeitamente de ela me contar as pessoas que tinham morrido e ela tinha sempre a ideia das privações por que tinham passado, do horror e do que era a morte das pessoas jovens nessa altura." Para a escritora, "isto que está a acontecer está a fazer estremecer a relação de cada pessoa com o tempo de uma forma muito intensa." A pandemia surge aqui como um travão nas nossas vidas aceleradas. "Eu senti uma outra dimensão do tempo, mas não na natureza de rápido ou devagar: na intensidade de conhecimento. Como se estivesse a receber uma imensa lição. A ideia que tenho é que se abriu uma espécie de janela do mundo e estou a ver o mundo de forma completamente diferente", diz a escritora.
De qualquer forma, este tempo passado em casa não será em vão para os mais novos. "Isto que lhes está a acontecer é uma lição imensa que é mais importante e terá um alcance muito maior na vida deles do que as matérias que iriam ter nas aulas. Isto é uma espécie de aviso para uma geração", continua Lídia Jorge. "Irão ficar marcados pelo sentimento de que a vida inclui a doença, a surpresa, o perigo e a morte." Em suma, urge melhorar os tempos vindouros a partir da incerteza do presente. "As pessoas têm de pensar agora na crise, mas não parecem pensar no futuro além dos próximos meses. Deviam pensar nos próximos cinco, dez anos, para que as comunidades se juntem e para começar de novo este futuro", propõe Felix Ringel. Ou seja, é preciso questionarmo-nos, para que não fiquem oportunidades perdidas pelo caminho: aproveitamos esta oportunidade para repensar aquilo que a vida deveria ser?
Claudia Carvalho Silva
(A ortografia portuguesa desse texto foi modificada para a brasileira, quando pertinente. Sua versão original está disponível online em:publico.pt/2021/02/28/ciencia/noticia/lento-rapido sonambulo-pandemia-trocounos-voltas-tempo-1952153)
Quando a pandemia chegou, não demorou a fazer-se sentir: as rotinas estilhaçaram-se, o nosso espaço encolheu, a escolha dissolveu-se em dias iguais e o receio instalou-se a nosso lado.
Se, nesse trecho, fôssemos substituir o sinal gráfico de dois pontos (:) por um conectivo, o mais adequado seria
Questão 5 15395529
IFRJ 2021Lento, rápido, sonâmbulo: a pandemia trocou-nos as voltas ao tempo
Quando a pandemia chegou, não demorou a fazer-se sentir: as rotinas estilhaçaram-se, o nosso espaço encolheu, a escolha dissolveu-se em dias iguais e o receio instalou-se a nosso lado. Tudo isso contribuiu para que olhássemos para o tempo de forma diferente: desabituados do cotidiano que levávamos até então e privados de fazer planos sem amarras, houve quem sentisse as horas e os dias a arrastarem-se na incerteza, mas houve também quem sentisse que passavam a voar.
Este é um tempo distorcido, como no quadro surrealista A Persistência da Memória, de Salvador Dalí. É um tempo pervertido pela nossa ideia do que é o tempo e, agora, pela pandemia. Os ritmos mudaram e ficaram tingidos por esta existência pandêmica. O antropólogo alemão Felix Ringel estuda o tempo. Acredita que "foram as medidas tomadas contra a propagação do vírus que se tornaram mais relevantes na forma como a nossa experiência de tempo foi afetada". O que levou, então, a estas diferentes percepções do tempo?
"A nossa noção de espaço foi limitada, a nossa mobilidade tornou-se confinada, estamos todos em quarentena em casa — e a casa deixou de ser o sítio aonde adoramos voltar depois de um longo dia para ser o único sítio em que podemos estar", justifica o antropólogo. A monotonia apoderou-se dos dias. Para quem enfrentou situações mais difíceis, os ponteiros do relógio podem parecer ter teimado em não avançar. Esta sucessão de acontecimentos, "como o espetáculo da morte permanente, faz-nos sentir como se estivéssemos mesmo numa dobra do tempo", teoriza a escritora Lídia Jorge. "A ideia que tenho é que estamos numa prova existencial imensa."
A idade também afeta o nosso tempo sensorial. O que a ciência nos diz é que o tempo parece passar mais rapidamente à medida que envelhecemos. O físico italiano Carlo Rovelli não tem dúvidas: "Basta pensar nos longos verões quando éramos crianças. Aqueles dias que nunca acabavam. E o futuro que era uma imensidade tão distante? E depois a vida fica rápida e mais rápida, e mais perto do final parece que voou num minuto..." Interiorizamos o tempo com base naquilo que temos disponível para comparação: o tempo vivido. Na ânsia de regressar à escola e de estar com os amigos, as crianças e adolescentes podem sentir esta desaceleração do tempo que, para elas, já tenderia a passar mais devagar. Assim, parece que o confinamento nunca acaba. "A paciência e o tempo de um jovem não é o de uma pessoa da minha idade", explica Lídia Jorge, de 74 anos. "Nós temos outra complacência perante o correr do tempo. Para um jovem, dizer que isto só vai melhorar no Verão é uma catástrofe. Três ou quatro meses na vida deles ocupa um tempo enorme", observa a escritora.
Não é a primeira vez que estamos perante uma pandemia, não deverá ser a última, e há ensinamentos que nos deverão guiar nesses trêmulos passos futuros. "Esta geração vai ficar marcada como a geração da minha avó ficou marcada pela gripe espanhola ", recorda Lídia Jorge. "Lembro-me perfeitamente de ela me contar as pessoas que tinham morrido e ela tinha sempre a ideia das privações por que tinham passado, do horror e do que era a morte das pessoas jovens nessa altura." Para a escritora, "isto que está a acontecer está a fazer estremecer a relação de cada pessoa com o tempo de uma forma muito intensa." A pandemia surge aqui como um travão nas nossas vidas aceleradas. "Eu senti uma outra dimensão do tempo, mas não na natureza de rápido ou devagar: na intensidade de conhecimento. Como se estivesse a receber uma imensa lição. A ideia que tenho é que se abriu uma espécie de janela do mundo e estou a ver o mundo de forma completamente diferente", diz a escritora.
De qualquer forma, este tempo passado em casa não será em vão para os mais novos. "Isto que lhes está a acontecer é uma lição imensa que é mais importante e terá um alcance muito maior na vida deles do que as matérias que iriam ter nas aulas. Isto é uma espécie de aviso para uma geração", continua Lídia Jorge. "Irão ficar marcados pelo sentimento de que a vida inclui a doença, a surpresa, o perigo e a morte." Em suma, urge melhorar os tempos vindouros a partir da incerteza do presente. "As pessoas têm de pensar agora na crise, mas não parecem pensar no futuro além dos próximos meses. Deviam pensar nos próximos cinco, dez anos, para que as comunidades se juntem e para começar de novo este futuro", propõe Felix Ringel. Ou seja, é preciso questionarmo-nos, para que não fiquem oportunidades perdidas pelo caminho: aproveitamos esta oportunidade para repensar aquilo que a vida deveria ser?
Claudia Carvalho Silva
(A ortografia portuguesa desse texto foi modificada para a brasileira, quando pertinente. Sua versão original está disponível online em:publico.pt/2021/02/28/ciencia/noticia/lento-rapido sonambulo-pandemia-trocounos-voltas-tempo-1952153)
No trecho (...) desabituados do cotidiano que levávamos até então e privados de fazer planos sem amarras (...), o termo destacado pode ser substituído, respeitando o uso da norma culta da Língua Portuguesa, por
Questão 4 15395522
IFRJ 2021Lento, rápido, sonâmbulo: a pandemia trocou-nos as voltas ao tempo
Quando a pandemia chegou, não demorou a fazer-se sentir: as rotinas estilhaçaram-se, o nosso espaço encolheu, a escolha dissolveu-se em dias iguais e o receio instalou-se a nosso lado. Tudo isso contribuiu para que olhássemos para o tempo de forma diferente: desabituados do cotidiano que levávamos até então e privados de fazer planos sem amarras, houve quem sentisse as horas e os dias a arrastarem-se na incerteza, mas houve também quem sentisse que passavam a voar.
Este é um tempo distorcido, como no quadro surrealista A Persistência da Memória, de Salvador Dalí. É um tempo pervertido pela nossa ideia do que é o tempo e, agora, pela pandemia. Os ritmos mudaram e ficaram tingidos por esta existência pandêmica. O antropólogo alemão Felix Ringel estuda o tempo. Acredita que "foram as medidas tomadas contra a propagação do vírus que se tornaram mais relevantes na forma como a nossa experiência de tempo foi afetada". O que levou, então, a estas diferentes percepções do tempo?
"A nossa noção de espaço foi limitada, a nossa mobilidade tornou-se confinada, estamos todos em quarentena em casa — e a casa deixou de ser o sítio aonde adoramos voltar depois de um longo dia para ser o único sítio em que podemos estar", justifica o antropólogo. A monotonia apoderou-se dos dias. Para quem enfrentou situações mais difíceis, os ponteiros do relógio podem parecer ter teimado em não avançar. Esta sucessão de acontecimentos, "como o espetáculo da morte permanente, faz-nos sentir como se estivéssemos mesmo numa dobra do tempo", teoriza a escritora Lídia Jorge. "A ideia que tenho é que estamos numa prova existencial imensa."
A idade também afeta o nosso tempo sensorial. O que a ciência nos diz é que o tempo parece passar mais rapidamente à medida que envelhecemos. O físico italiano Carlo Rovelli não tem dúvidas: "Basta pensar nos longos verões quando éramos crianças. Aqueles dias que nunca acabavam. E o futuro que era uma imensidade tão distante? E depois a vida fica rápida e mais rápida, e mais perto do final parece que voou num minuto..." Interiorizamos o tempo com base naquilo que temos disponível para comparação: o tempo vivido. Na ânsia de regressar à escola e de estar com os amigos, as crianças e adolescentes podem sentir esta desaceleração do tempo que, para elas, já tenderia a passar mais devagar. Assim, parece que o confinamento nunca acaba. "A paciência e o tempo de um jovem não é o de uma pessoa da minha idade", explica Lídia Jorge, de 74 anos. "Nós temos outra complacência perante o correr do tempo. Para um jovem, dizer que isto só vai melhorar no Verão é uma catástrofe. Três ou quatro meses na vida deles ocupa um tempo enorme", observa a escritora.
Não é a primeira vez que estamos perante uma pandemia, não deverá ser a última, e há ensinamentos que nos deverão guiar nesses trêmulos passos futuros. "Esta geração vai ficar marcada como a geração da minha avó ficou marcada pela gripe espanhola ", recorda Lídia Jorge. "Lembro-me perfeitamente de ela me contar as pessoas que tinham morrido e ela tinha sempre a ideia das privações por que tinham passado, do horror e do que era a morte das pessoas jovens nessa altura." Para a escritora, "isto que está a acontecer está a fazer estremecer a relação de cada pessoa com o tempo de uma forma muito intensa." A pandemia surge aqui como um travão nas nossas vidas aceleradas. "Eu senti uma outra dimensão do tempo, mas não na natureza de rápido ou devagar: na intensidade de conhecimento. Como se estivesse a receber uma imensa lição. A ideia que tenho é que se abriu uma espécie de janela do mundo e estou a ver o mundo de forma completamente diferente", diz a escritora.
De qualquer forma, este tempo passado em casa não será em vão para os mais novos. "Isto que lhes está a acontecer é uma lição imensa que é mais importante e terá um alcance muito maior na vida deles do que as matérias que iriam ter nas aulas. Isto é uma espécie de aviso para uma geração", continua Lídia Jorge. "Irão ficar marcados pelo sentimento de que a vida inclui a doença, a surpresa, o perigo e a morte." Em suma, urge melhorar os tempos vindouros a partir da incerteza do presente. "As pessoas têm de pensar agora na crise, mas não parecem pensar no futuro além dos próximos meses. Deviam pensar nos próximos cinco, dez anos, para que as comunidades se juntem e para começar de novo este futuro", propõe Felix Ringel. Ou seja, é preciso questionarmo-nos, para que não fiquem oportunidades perdidas pelo caminho: aproveitamos esta oportunidade para repensar aquilo que a vida deveria ser?
Claudia Carvalho Silva
(A ortografia portuguesa desse texto foi modificada para a brasileira, quando pertinente. Sua versão original está disponível online em:publico.pt/2021/02/28/ciencia/noticia/lento-rapido sonambulo-pandemia-trocounos-voltas-tempo-1952153)
Ainda sobre o mesmo trecho (...) e a casa deixou de ser o sítio aonde adoramos voltar depois de um longo dia para ser o único sítio em que podemos estar (...), o termo destacado aonde pode ser substituído por
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