Questões de EFAF Ciências
15.501 Questões
Questão 32 15405495
FIRJAN 2021Leia o texto abaixo e responda:
China revela do que é feito o lado oculto da Lua
Um robozinho chinês revela, graças a um radar que lhe permite explorar o subsolo lunar, do que é feito o interior do lado oculto da Lua. O nível de detalhamento não tem precedentes, permitindo reconstruir o passado do nosso satélite e localizar os escombros do impacto de um asteroide ocorrido há 3,2 bilhões de anos, quando a vida na Terra mal começava a surgir.
Em 3 de janeiro de 2019, a China se tornou o primeiro país a aterrissar com sucesso no lado não visível da Lua, um território repleto de crateras, até agora inexplorado devido à impossibilidade de manter uma comunicação direta com a Terra.
Disponível em: https://brasil.elpais.com/ciencia/2020-02-27/china-revela-do-que-e-feito-o-lado-oculto-da-lua.html Acesso em: 15 de out. de 2020.
A “rotação sincronizada”, fenômeno no qual o tempo de rotação d a Lua é igual ao seu período orbital, faz com que com uma de suas faces esteja sempre escondida. Todavia, cientistas chineses buscam explorar o lado oculto da lua que nunca foi visto aqui da Terra.
O fato de o lado oculto da lua nunca ser visto a partir da Terra é explicado porque
Questão 31 15405494
FIRJAN 2021Observe a tirinha abaixo:

Disponível em: http://www.cbpf.br/~caruso/tirinhas/tirinhas_menu/por_assunto/inercia.html
Após a leitura da tirinha, é possível estabelecer que faz referência a uma das Leis gerais do movimento propostas por Isaac Newton, em 1687. A que conceito ela, mais especificamente, se refere?
Questão 15 15395661
IFRJ 2021Lento, rápido, sonâmbulo: a pandemia trocou-nos as voltas ao tempo
Quando a pandemia chegou, não demorou a fazer-se sentir: as rotinas estilhaçaram-se, o nosso espaço encolheu, a escolha dissolveu-se em dias iguais e o receio instalou-se a nosso lado. Tudo isso contribuiu para que olhássemos para o tempo de forma diferente: desabituados do cotidiano que levávamos até então e privados de fazer planos sem amarras, houve quem sentisse as horas e os dias a arrastarem-se na incerteza, mas houve também quem sentisse que passavam a voar.
Este é um tempo distorcido, como no quadro surrealista A Persistência da Memória, de Salvador Dalí. É um tempo pervertido pela nossa ideia do que é o tempo e, agora, pela pandemia. Os ritmos mudaram e ficaram tingidos por esta existência pandêmica. O antropólogo alemão Felix Ringel estuda o tempo. Acredita que "foram as medidas tomadas contra a propagação do vírus que se tornaram mais relevantes na forma como a nossa experiência de tempo foi afetada". O que levou, então, a estas diferentes percepções do tempo?
"A nossa noção de espaço foi limitada, a nossa mobilidade tornou-se confinada, estamos todos em quarentena em casa — e a casa deixou de ser o sítio aonde adoramos voltar depois de um longo dia para ser o único sítio em que podemos estar", justifica o antropólogo. A monotonia apoderou-se dos dias. Para quem enfrentou situações mais difíceis, os ponteiros do relógio podem parecer ter teimado em não avançar. Esta sucessão de acontecimentos, "como o espetáculo da morte permanente, faz-nos sentir como se estivéssemos mesmo numa dobra do tempo", teoriza a escritora Lídia Jorge. "A ideia que tenho é que estamos numa prova existencial imensa."
A idade também afeta o nosso tempo sensorial. O que a ciência nos diz é que o tempo parece passar mais rapidamente à medida que envelhecemos. O físico italiano Carlo Rovelli não tem dúvidas: "Basta pensar nos longos verões quando éramos crianças. Aqueles dias que nunca acabavam. E o futuro que era uma imensidade tão distante? E depois a vida fica rápida e mais rápida, e mais perto do final parece que voou num minuto..." Interiorizamos o tempo com base naquilo que temos disponível para comparação: o tempo vivido. Na ânsia de regressar à escola e de estar com os amigos, as crianças e adolescentes podem sentir esta desaceleração do tempo que, para elas, já tenderia a passar mais devagar. Assim, parece que o confinamento nunca acaba. "A paciência e o tempo de um jovem não é o de uma pessoa da minha idade", explica Lídia Jorge, de 74 anos. "Nós temos outra complacência perante o correr do tempo. Para um jovem, dizer que isto só vai melhorar no Verão é uma catástrofe. Três ou quatro meses na vida deles ocupa um tempo enorme", observa a escritora.
Não é a primeira vez que estamos perante uma pandemia, não deverá ser a última, e há ensinamentos que nos deverão guiar nesses trêmulos passos futuros. "Esta geração vai ficar marcada como a geração da minha avó ficou marcada pela gripe espanhola ", recorda Lídia Jorge. "Lembro-me perfeitamente de ela me contar as pessoas que tinham morrido e ela tinha sempre a ideia das privações por que tinham passado, do horror e do que era a morte das pessoas jovens nessa altura." Para a escritora, "isto que está a acontecer está a fazer estremecer a relação de cada pessoa com o tempo de uma forma muito intensa." A pandemia surge aqui como um travão nas nossas vidas aceleradas. "Eu senti uma outra dimensão do tempo, mas não na natureza de rápido ou devagar: na intensidade de conhecimento. Como se estivesse a receber uma imensa lição. A ideia que tenho é que se abriu uma espécie de janela do mundo e estou a ver o mundo de forma completamente diferente", diz a escritora.
De qualquer forma, este tempo passado em casa não será em vão para os mais novos. "Isto que lhes está a acontecer é uma lição imensa que é mais importante e terá um alcance muito maior na vida deles do que as matérias que iriam ter nas aulas. Isto é uma espécie de aviso para uma geração", continua Lídia Jorge. "Irão ficar marcados pelo sentimento de que a vida inclui a doença, a surpresa, o perigo e a morte." Em suma, urge melhorar os tempos vindouros a partir da incerteza do presente. "As pessoas têm de pensar agora na crise, mas não parecem pensar no futuro além dos próximos meses. Deviam pensar nos próximos cinco, dez anos, para que as comunidades se juntem e para começar de novo este futuro", propõe Felix Ringel. Ou seja, é preciso questionarmo-nos, para que não fiquem oportunidades perdidas pelo caminho: aproveitamos esta oportunidade para repensar aquilo que a vida deveria ser?
Claudia Carvalho Silva
(A ortografia portuguesa desse texto foi modificada para a brasileira, quando pertinente. Sua versão original está disponível online em:publico.pt/2021/02/28/ciencia/noticia/lento-rapido sonambulo-pandemia-trocounos-voltas-tempo-1952153)
Este é um tempo distorcido, como no quadro surrealista A Persistência da Memória, de Salvador Dalí.
O quadro a que o texto se refere, produzido pelo pintor espanhol Salvador Dalí em 1931, é o seguinte:

The Persistence of Memory (1931), disponível online no site do Museu de Arte Moderna de Nova York em: moma.org/collection/works/79018?artist_id=1364.
Na reportagem original, exibe-se também a imagem a seguir, uma versão de 2020 do quadro de Dalí, aqui atualizado pela cartunista portuguesa Cristina Sampaio, levando em consideração o contexto atual.

The Persistence of Epidemic (2020), disponível no site da reportagem, já referenciada, e na página do Instagram da artista: @cristinasampaio_csc.
No que se refere ao diálogo que a segunda imagem estabelece com a pintura original, pode-se afirmar que
Questão 14 15395656
IFRJ 2021Lento, rápido, sonâmbulo: a pandemia trocou-nos as voltas ao tempo
Quando a pandemia chegou, não demorou a fazer-se sentir: as rotinas estilhaçaram-se, o nosso espaço encolheu, a escolha dissolveu-se em dias iguais e o receio instalou-se a nosso lado. Tudo isso contribuiu para que olhássemos para o tempo de forma diferente: desabituados do cotidiano que levávamos até então e privados de fazer planos sem amarras, houve quem sentisse as horas e os dias a arrastarem-se na incerteza, mas houve também quem sentisse que passavam a voar.
Este é um tempo distorcido, como no quadro surrealista A Persistência da Memória, de Salvador Dalí. É um tempo pervertido pela nossa ideia do que é o tempo e, agora, pela pandemia. Os ritmos mudaram e ficaram tingidos por esta existência pandêmica. O antropólogo alemão Felix Ringel estuda o tempo. Acredita que "foram as medidas tomadas contra a propagação do vírus que se tornaram mais relevantes na forma como a nossa experiência de tempo foi afetada". O que levou, então, a estas diferentes percepções do tempo?
"A nossa noção de espaço foi limitada, a nossa mobilidade tornou-se confinada, estamos todos em quarentena em casa — e a casa deixou de ser o sítio aonde adoramos voltar depois de um longo dia para ser o único sítio em que podemos estar", justifica o antropólogo. A monotonia apoderou-se dos dias. Para quem enfrentou situações mais difíceis, os ponteiros do relógio podem parecer ter teimado em não avançar. Esta sucessão de acontecimentos, "como o espetáculo da morte permanente, faz-nos sentir como se estivéssemos mesmo numa dobra do tempo", teoriza a escritora Lídia Jorge. "A ideia que tenho é que estamos numa prova existencial imensa."
A idade também afeta o nosso tempo sensorial. O que a ciência nos diz é que o tempo parece passar mais rapidamente à medida que envelhecemos. O físico italiano Carlo Rovelli não tem dúvidas: "Basta pensar nos longos verões quando éramos crianças. Aqueles dias que nunca acabavam. E o futuro que era uma imensidade tão distante? E depois a vida fica rápida e mais rápida, e mais perto do final parece que voou num minuto..." Interiorizamos o tempo com base naquilo que temos disponível para comparação: o tempo vivido. Na ânsia de regressar à escola e de estar com os amigos, as crianças e adolescentes podem sentir esta desaceleração do tempo que, para elas, já tenderia a passar mais devagar. Assim, parece que o confinamento nunca acaba. "A paciência e o tempo de um jovem não é o de uma pessoa da minha idade", explica Lídia Jorge, de 74 anos. "Nós temos outra complacência perante o correr do tempo. Para um jovem, dizer que isto só vai melhorar no Verão é uma catástrofe. Três ou quatro meses na vida deles ocupa um tempo enorme", observa a escritora.
Não é a primeira vez que estamos perante uma pandemia, não deverá ser a última, e há ensinamentos que nos deverão guiar nesses trêmulos passos futuros. "Esta geração vai ficar marcada como a geração da minha avó ficou marcada pela gripe espanhola ", recorda Lídia Jorge. "Lembro-me perfeitamente de ela me contar as pessoas que tinham morrido e ela tinha sempre a ideia das privações por que tinham passado, do horror e do que era a morte das pessoas jovens nessa altura." Para a escritora, "isto que está a acontecer está a fazer estremecer a relação de cada pessoa com o tempo de uma forma muito intensa." A pandemia surge aqui como um travão nas nossas vidas aceleradas. "Eu senti uma outra dimensão do tempo, mas não na natureza de rápido ou devagar: na intensidade de conhecimento. Como se estivesse a receber uma imensa lição. A ideia que tenho é que se abriu uma espécie de janela do mundo e estou a ver o mundo de forma completamente diferente", diz a escritora.
De qualquer forma, este tempo passado em casa não será em vão para os mais novos. "Isto que lhes está a acontecer é uma lição imensa que é mais importante e terá um alcance muito maior na vida deles do que as matérias que iriam ter nas aulas. Isto é uma espécie de aviso para uma geração", continua Lídia Jorge. "Irão ficar marcados pelo sentimento de que a vida inclui a doença, a surpresa, o perigo e a morte." Em suma, urge melhorar os tempos vindouros a partir da incerteza do presente. "As pessoas têm de pensar agora na crise, mas não parecem pensar no futuro além dos próximos meses. Deviam pensar nos próximos cinco, dez anos, para que as comunidades se juntem e para começar de novo este futuro", propõe Felix Ringel. Ou seja, é preciso questionarmo-nos, para que não fiquem oportunidades perdidas pelo caminho: aproveitamos esta oportunidade para repensar aquilo que a vida deveria ser?
Claudia Carvalho Silva
(A ortografia portuguesa desse texto foi modificada para a brasileira, quando pertinente. Sua versão original está disponível online em:publico.pt/2021/02/28/ciencia/noticia/lento-rapido sonambulo-pandemia-trocounos-voltas-tempo-1952153)
E o futuro que era uma imensidade tão distante?
A pergunta feita pelo físico Carlo Rovelli no quarto parágrafo tem a função de
Questão 13 15395652
IFRJ 2021Lento, rápido, sonâmbulo: a pandemia trocou-nos as voltas ao tempo
Quando a pandemia chegou, não demorou a fazer-se sentir: as rotinas estilhaçaram-se, o nosso espaço encolheu, a escolha dissolveu-se em dias iguais e o receio instalou-se a nosso lado. Tudo isso contribuiu para que olhássemos para o tempo de forma diferente: desabituados do cotidiano que levávamos até então e privados de fazer planos sem amarras, houve quem sentisse as horas e os dias a arrastarem-se na incerteza, mas houve também quem sentisse que passavam a voar.
Este é um tempo distorcido, como no quadro surrealista A Persistência da Memória, de Salvador Dalí. É um tempo pervertido pela nossa ideia do que é o tempo e, agora, pela pandemia. Os ritmos mudaram e ficaram tingidos por esta existência pandêmica. O antropólogo alemão Felix Ringel estuda o tempo. Acredita que "foram as medidas tomadas contra a propagação do vírus que se tornaram mais relevantes na forma como a nossa experiência de tempo foi afetada". O que levou, então, a estas diferentes percepções do tempo?
"A nossa noção de espaço foi limitada, a nossa mobilidade tornou-se confinada, estamos todos em quarentena em casa — e a casa deixou de ser o sítio aonde adoramos voltar depois de um longo dia para ser o único sítio em que podemos estar", justifica o antropólogo. A monotonia apoderou-se dos dias. Para quem enfrentou situações mais difíceis, os ponteiros do relógio podem parecer ter teimado em não avançar. Esta sucessão de acontecimentos, "como o espetáculo da morte permanente, faz-nos sentir como se estivéssemos mesmo numa dobra do tempo", teoriza a escritora Lídia Jorge. "A ideia que tenho é que estamos numa prova existencial imensa."
A idade também afeta o nosso tempo sensorial. O que a ciência nos diz é que o tempo parece passar mais rapidamente à medida que envelhecemos. O físico italiano Carlo Rovelli não tem dúvidas: "Basta pensar nos longos verões quando éramos crianças. Aqueles dias que nunca acabavam. E o futuro que era uma imensidade tão distante? E depois a vida fica rápida e mais rápida, e mais perto do final parece que voou num minuto..." Interiorizamos o tempo com base naquilo que temos disponível para comparação: o tempo vivido. Na ânsia de regressar à escola e de estar com os amigos, as crianças e adolescentes podem sentir esta desaceleração do tempo que, para elas, já tenderia a passar mais devagar. Assim, parece que o confinamento nunca acaba. "A paciência e o tempo de um jovem não é o de uma pessoa da minha idade", explica Lídia Jorge, de 74 anos. "Nós temos outra complacência perante o correr do tempo. Para um jovem, dizer que isto só vai melhorar no Verão é uma catástrofe. Três ou quatro meses na vida deles ocupa um tempo enorme", observa a escritora.
Não é a primeira vez que estamos perante uma pandemia, não deverá ser a última, e há ensinamentos que nos deverão guiar nesses trêmulos passos futuros. "Esta geração vai ficar marcada como a geração da minha avó ficou marcada pela gripe espanhola ", recorda Lídia Jorge. "Lembro-me perfeitamente de ela me contar as pessoas que tinham morrido e ela tinha sempre a ideia das privações por que tinham passado, do horror e do que era a morte das pessoas jovens nessa altura." Para a escritora, "isto que está a acontecer está a fazer estremecer a relação de cada pessoa com o tempo de uma forma muito intensa." A pandemia surge aqui como um travão nas nossas vidas aceleradas. "Eu senti uma outra dimensão do tempo, mas não na natureza de rápido ou devagar: na intensidade de conhecimento. Como se estivesse a receber uma imensa lição. A ideia que tenho é que se abriu uma espécie de janela do mundo e estou a ver o mundo de forma completamente diferente", diz a escritora.
De qualquer forma, este tempo passado em casa não será em vão para os mais novos. "Isto que lhes está a acontecer é uma lição imensa que é mais importante e terá um alcance muito maior na vida deles do que as matérias que iriam ter nas aulas. Isto é uma espécie de aviso para uma geração", continua Lídia Jorge. "Irão ficar marcados pelo sentimento de que a vida inclui a doença, a surpresa, o perigo e a morte." Em suma, urge melhorar os tempos vindouros a partir da incerteza do presente. "As pessoas têm de pensar agora na crise, mas não parecem pensar no futuro além dos próximos meses. Deviam pensar nos próximos cinco, dez anos, para que as comunidades se juntem e para começar de novo este futuro", propõe Felix Ringel. Ou seja, é preciso questionarmo-nos, para que não fiquem oportunidades perdidas pelo caminho: aproveitamos esta oportunidade para repensar aquilo que a vida deveria ser?
Claudia Carvalho Silva
(A ortografia portuguesa desse texto foi modificada para a brasileira, quando pertinente. Sua versão original está disponível online em:publico.pt/2021/02/28/ciencia/noticia/lento-rapido sonambulo-pandemia-trocounos-voltas-tempo-1952153)
Acredita que "foram as medidas tomadas contra a propagação do vírus que se tornaram mais relevantes na forma como a nossa experiência de tempo foi afetada".
No trecho, as aspas foram utilizadas para
Questão 12 15395649
IFRJ 2021Lento, rápido, sonâmbulo: a pandemia trocou-nos as voltas ao tempo
Quando a pandemia chegou, não demorou a fazer-se sentir: as rotinas estilhaçaram-se, o nosso espaço encolheu, a escolha dissolveu-se em dias iguais e o receio instalou-se a nosso lado. Tudo isso contribuiu para que olhássemos para o tempo de forma diferente: desabituados do cotidiano que levávamos até então e privados de fazer planos sem amarras, houve quem sentisse as horas e os dias a arrastarem-se na incerteza, mas houve também quem sentisse que passavam a voar.
Este é um tempo distorcido, como no quadro surrealista A Persistência da Memória, de Salvador Dalí. É um tempo pervertido pela nossa ideia do que é o tempo e, agora, pela pandemia. Os ritmos mudaram e ficaram tingidos por esta existência pandêmica. O antropólogo alemão Felix Ringel estuda o tempo. Acredita que "foram as medidas tomadas contra a propagação do vírus que se tornaram mais relevantes na forma como a nossa experiência de tempo foi afetada". O que levou, então, a estas diferentes percepções do tempo?
"A nossa noção de espaço foi limitada, a nossa mobilidade tornou-se confinada, estamos todos em quarentena em casa — e a casa deixou de ser o sítio aonde adoramos voltar depois de um longo dia para ser o único sítio em que podemos estar", justifica o antropólogo. A monotonia apoderou-se dos dias. Para quem enfrentou situações mais difíceis, os ponteiros do relógio podem parecer ter teimado em não avançar. Esta sucessão de acontecimentos, "como o espetáculo da morte permanente, faz-nos sentir como se estivéssemos mesmo numa dobra do tempo", teoriza a escritora Lídia Jorge. "A ideia que tenho é que estamos numa prova existencial imensa."
A idade também afeta o nosso tempo sensorial. O que a ciência nos diz é que o tempo parece passar mais rapidamente à medida que envelhecemos. O físico italiano Carlo Rovelli não tem dúvidas: "Basta pensar nos longos verões quando éramos crianças. Aqueles dias que nunca acabavam. E o futuro que era uma imensidade tão distante? E depois a vida fica rápida e mais rápida, e mais perto do final parece que voou num minuto..." Interiorizamos o tempo com base naquilo que temos disponível para comparação: o tempo vivido. Na ânsia de regressar à escola e de estar com os amigos, as crianças e adolescentes podem sentir esta desaceleração do tempo que, para elas, já tenderia a passar mais devagar. Assim, parece que o confinamento nunca acaba. "A paciência e o tempo de um jovem não é o de uma pessoa da minha idade", explica Lídia Jorge, de 74 anos. "Nós temos outra complacência perante o correr do tempo. Para um jovem, dizer que isto só vai melhorar no Verão é uma catástrofe. Três ou quatro meses na vida deles ocupa um tempo enorme", observa a escritora.
Não é a primeira vez que estamos perante uma pandemia, não deverá ser a última, e há ensinamentos que nos deverão guiar nesses trêmulos passos futuros. "Esta geração vai ficar marcada como a geração da minha avó ficou marcada pela gripe espanhola ", recorda Lídia Jorge. "Lembro-me perfeitamente de ela me contar as pessoas que tinham morrido e ela tinha sempre a ideia das privações por que tinham passado, do horror e do que era a morte das pessoas jovens nessa altura." Para a escritora, "isto que está a acontecer está a fazer estremecer a relação de cada pessoa com o tempo de uma forma muito intensa." A pandemia surge aqui como um travão nas nossas vidas aceleradas. "Eu senti uma outra dimensão do tempo, mas não na natureza de rápido ou devagar: na intensidade de conhecimento. Como se estivesse a receber uma imensa lição. A ideia que tenho é que se abriu uma espécie de janela do mundo e estou a ver o mundo de forma completamente diferente", diz a escritora.
De qualquer forma, este tempo passado em casa não será em vão para os mais novos. "Isto que lhes está a acontecer é uma lição imensa que é mais importante e terá um alcance muito maior na vida deles do que as matérias que iriam ter nas aulas. Isto é uma espécie de aviso para uma geração", continua Lídia Jorge. "Irão ficar marcados pelo sentimento de que a vida inclui a doença, a surpresa, o perigo e a morte." Em suma, urge melhorar os tempos vindouros a partir da incerteza do presente. "As pessoas têm de pensar agora na crise, mas não parecem pensar no futuro além dos próximos meses. Deviam pensar nos próximos cinco, dez anos, para que as comunidades se juntem e para começar de novo este futuro", propõe Felix Ringel. Ou seja, é preciso questionarmo-nos, para que não fiquem oportunidades perdidas pelo caminho: aproveitamos esta oportunidade para repensar aquilo que a vida deveria ser?
Claudia Carvalho Silva
(A ortografia portuguesa desse texto foi modificada para a brasileira, quando pertinente. Sua versão original está disponível online em:publico.pt/2021/02/28/ciencia/noticia/lento-rapido sonambulo-pandemia-trocounos-voltas-tempo-1952153)
O que a ciência nos diz é que o tempo parece passar mais rapidamente à medida que envelhecemos.
Uma forma de reescrever a frase acima sem que se modifique o seu sentido é a seguinte:
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