Questões de EFAF Ciências - Corpo humano
1.319 Questões
Questão 11 15395604
IFRJ 2021Lento, rápido, sonâmbulo: a pandemia trocou-nos as voltas ao tempo
Quando a pandemia chegou, não demorou a fazer-se sentir: as rotinas estilhaçaram-se, o nosso espaço encolheu, a escolha dissolveu-se em dias iguais e o receio instalou-se a nosso lado. Tudo isso contribuiu para que olhássemos para o tempo de forma diferente: desabituados do cotidiano que levávamos até então e privados de fazer planos sem amarras, houve quem sentisse as horas e os dias a arrastarem-se na incerteza, mas houve também quem sentisse que passavam a voar.
Este é um tempo distorcido, como no quadro surrealista A Persistência da Memória, de Salvador Dalí. É um tempo pervertido pela nossa ideia do que é o tempo e, agora, pela pandemia. Os ritmos mudaram e ficaram tingidos por esta existência pandêmica. O antropólogo alemão Felix Ringel estuda o tempo. Acredita que "foram as medidas tomadas contra a propagação do vírus que se tornaram mais relevantes na forma como a nossa experiência de tempo foi afetada". O que levou, então, a estas diferentes percepções do tempo?
"A nossa noção de espaço foi limitada, a nossa mobilidade tornou-se confinada, estamos todos em quarentena em casa — e a casa deixou de ser o sítio aonde adoramos voltar depois de um longo dia para ser o único sítio em que podemos estar", justifica o antropólogo. A monotonia apoderou-se dos dias. Para quem enfrentou situações mais difíceis, os ponteiros do relógio podem parecer ter teimado em não avançar. Esta sucessão de acontecimentos, "como o espetáculo da morte permanente, faz-nos sentir como se estivéssemos mesmo numa dobra do tempo", teoriza a escritora Lídia Jorge. "A ideia que tenho é que estamos numa prova existencial imensa."
A idade também afeta o nosso tempo sensorial. O que a ciência nos diz é que o tempo parece passar mais rapidamente à medida que envelhecemos. O físico italiano Carlo Rovelli não tem dúvidas: "Basta pensar nos longos verões quando éramos crianças. Aqueles dias que nunca acabavam. E o futuro que era uma imensidade tão distante? E depois a vida fica rápida e mais rápida, e mais perto do final parece que voou num minuto..." Interiorizamos o tempo com base naquilo que temos disponível para comparação: o tempo vivido. Na ânsia de regressar à escola e de estar com os amigos, as crianças e adolescentes podem sentir esta desaceleração do tempo que, para elas, já tenderia a passar mais devagar. Assim, parece que o confinamento nunca acaba. "A paciência e o tempo de um jovem não é o de uma pessoa da minha idade", explica Lídia Jorge, de 74 anos. "Nós temos outra complacência perante o correr do tempo. Para um jovem, dizer que isto só vai melhorar no Verão é uma catástrofe. Três ou quatro meses na vida deles ocupa um tempo enorme", observa a escritora.
Não é a primeira vez que estamos perante uma pandemia, não deverá ser a última, e há ensinamentos que nos deverão guiar nesses trêmulos passos futuros. "Esta geração vai ficar marcada como a geração da minha avó ficou marcada pela gripe espanhola ", recorda Lídia Jorge. "Lembro-me perfeitamente de ela me contar as pessoas que tinham morrido e ela tinha sempre a ideia das privações por que tinham passado, do horror e do que era a morte das pessoas jovens nessa altura." Para a escritora, "isto que está a acontecer está a fazer estremecer a relação de cada pessoa com o tempo de uma forma muito intensa." A pandemia surge aqui como um travão nas nossas vidas aceleradas. "Eu senti uma outra dimensão do tempo, mas não na natureza de rápido ou devagar: na intensidade de conhecimento. Como se estivesse a receber uma imensa lição. A ideia que tenho é que se abriu uma espécie de janela do mundo e estou a ver o mundo de forma completamente diferente", diz a escritora.
De qualquer forma, este tempo passado em casa não será em vão para os mais novos. "Isto que lhes está a acontecer é uma lição imensa que é mais importante e terá um alcance muito maior na vida deles do que as matérias que iriam ter nas aulas. Isto é uma espécie de aviso para uma geração", continua Lídia Jorge. "Irão ficar marcados pelo sentimento de que a vida inclui a doença, a surpresa, o perigo e a morte." Em suma, urge melhorar os tempos vindouros a partir da incerteza do presente. "As pessoas têm de pensar agora na crise, mas não parecem pensar no futuro além dos próximos meses. Deviam pensar nos próximos cinco, dez anos, para que as comunidades se juntem e para começar de novo este futuro", propõe Felix Ringel. Ou seja, é preciso questionarmo-nos, para que não fiquem oportunidades perdidas pelo caminho: aproveitamos esta oportunidade para repensar aquilo que a vida deveria ser?
Claudia Carvalho Silva
(A ortografia portuguesa desse texto foi modificada para a brasileira, quando pertinente. Sua versão original está disponível online em:publico.pt/2021/02/28/ciencia/noticia/lento-rapido sonambulo-pandemia-trocounos-voltas-tempo-1952153)
Observe o trecho:
(...) na forma como a nossa experiência de tempo foi afetada (...)
Sobre a expressão destacada experiência de tempo, podemos dizer que se refere a uma experiência
Questão 6 15395550
IFRJ 2021Lento, rápido, sonâmbulo: a pandemia trocou-nos as voltas ao tempo
Quando a pandemia chegou, não demorou a fazer-se sentir: as rotinas estilhaçaram-se, o nosso espaço encolheu, a escolha dissolveu-se em dias iguais e o receio instalou-se a nosso lado. Tudo isso contribuiu para que olhássemos para o tempo de forma diferente: desabituados do cotidiano que levávamos até então e privados de fazer planos sem amarras, houve quem sentisse as horas e os dias a arrastarem-se na incerteza, mas houve também quem sentisse que passavam a voar.
Este é um tempo distorcido, como no quadro surrealista A Persistência da Memória, de Salvador Dalí. É um tempo pervertido pela nossa ideia do que é o tempo e, agora, pela pandemia. Os ritmos mudaram e ficaram tingidos por esta existência pandêmica. O antropólogo alemão Felix Ringel estuda o tempo. Acredita que "foram as medidas tomadas contra a propagação do vírus que se tornaram mais relevantes na forma como a nossa experiência de tempo foi afetada". O que levou, então, a estas diferentes percepções do tempo?
"A nossa noção de espaço foi limitada, a nossa mobilidade tornou-se confinada, estamos todos em quarentena em casa — e a casa deixou de ser o sítio aonde adoramos voltar depois de um longo dia para ser o único sítio em que podemos estar", justifica o antropólogo. A monotonia apoderou-se dos dias. Para quem enfrentou situações mais difíceis, os ponteiros do relógio podem parecer ter teimado em não avançar. Esta sucessão de acontecimentos, "como o espetáculo da morte permanente, faz-nos sentir como se estivéssemos mesmo numa dobra do tempo", teoriza a escritora Lídia Jorge. "A ideia que tenho é que estamos numa prova existencial imensa."
A idade também afeta o nosso tempo sensorial. O que a ciência nos diz é que o tempo parece passar mais rapidamente à medida que envelhecemos. O físico italiano Carlo Rovelli não tem dúvidas: "Basta pensar nos longos verões quando éramos crianças. Aqueles dias que nunca acabavam. E o futuro que era uma imensidade tão distante? E depois a vida fica rápida e mais rápida, e mais perto do final parece que voou num minuto..." Interiorizamos o tempo com base naquilo que temos disponível para comparação: o tempo vivido. Na ânsia de regressar à escola e de estar com os amigos, as crianças e adolescentes podem sentir esta desaceleração do tempo que, para elas, já tenderia a passar mais devagar. Assim, parece que o confinamento nunca acaba. "A paciência e o tempo de um jovem não é o de uma pessoa da minha idade", explica Lídia Jorge, de 74 anos. "Nós temos outra complacência perante o correr do tempo. Para um jovem, dizer que isto só vai melhorar no Verão é uma catástrofe. Três ou quatro meses na vida deles ocupa um tempo enorme", observa a escritora.
Não é a primeira vez que estamos perante uma pandemia, não deverá ser a última, e há ensinamentos que nos deverão guiar nesses trêmulos passos futuros. "Esta geração vai ficar marcada como a geração da minha avó ficou marcada pela gripe espanhola ", recorda Lídia Jorge. "Lembro-me perfeitamente de ela me contar as pessoas que tinham morrido e ela tinha sempre a ideia das privações por que tinham passado, do horror e do que era a morte das pessoas jovens nessa altura." Para a escritora, "isto que está a acontecer está a fazer estremecer a relação de cada pessoa com o tempo de uma forma muito intensa." A pandemia surge aqui como um travão nas nossas vidas aceleradas. "Eu senti uma outra dimensão do tempo, mas não na natureza de rápido ou devagar: na intensidade de conhecimento. Como se estivesse a receber uma imensa lição. A ideia que tenho é que se abriu uma espécie de janela do mundo e estou a ver o mundo de forma completamente diferente", diz a escritora.
De qualquer forma, este tempo passado em casa não será em vão para os mais novos. "Isto que lhes está a acontecer é uma lição imensa que é mais importante e terá um alcance muito maior na vida deles do que as matérias que iriam ter nas aulas. Isto é uma espécie de aviso para uma geração", continua Lídia Jorge. "Irão ficar marcados pelo sentimento de que a vida inclui a doença, a surpresa, o perigo e a morte." Em suma, urge melhorar os tempos vindouros a partir da incerteza do presente. "As pessoas têm de pensar agora na crise, mas não parecem pensar no futuro além dos próximos meses. Deviam pensar nos próximos cinco, dez anos, para que as comunidades se juntem e para começar de novo este futuro", propõe Felix Ringel. Ou seja, é preciso questionarmo-nos, para que não fiquem oportunidades perdidas pelo caminho: aproveitamos esta oportunidade para repensar aquilo que a vida deveria ser?
Claudia Carvalho Silva
(A ortografia portuguesa desse texto foi modificada para a brasileira, quando pertinente. Sua versão original está disponível online em:publico.pt/2021/02/28/ciencia/noticia/lento-rapido sonambulo-pandemia-trocounos-voltas-tempo-1952153)
Quando a pandemia chegou, não demorou a fazer-se sentir: as rotinas estilhaçaram-se, o nosso espaço encolheu, a escolha dissolveu-se em dias iguais e o receio instalou-se a nosso lado.
Se, nesse trecho, fôssemos substituir o sinal gráfico de dois pontos (:) por um conectivo, o mais adequado seria
Questão 4 15395522
IFRJ 2021Lento, rápido, sonâmbulo: a pandemia trocou-nos as voltas ao tempo
Quando a pandemia chegou, não demorou a fazer-se sentir: as rotinas estilhaçaram-se, o nosso espaço encolheu, a escolha dissolveu-se em dias iguais e o receio instalou-se a nosso lado. Tudo isso contribuiu para que olhássemos para o tempo de forma diferente: desabituados do cotidiano que levávamos até então e privados de fazer planos sem amarras, houve quem sentisse as horas e os dias a arrastarem-se na incerteza, mas houve também quem sentisse que passavam a voar.
Este é um tempo distorcido, como no quadro surrealista A Persistência da Memória, de Salvador Dalí. É um tempo pervertido pela nossa ideia do que é o tempo e, agora, pela pandemia. Os ritmos mudaram e ficaram tingidos por esta existência pandêmica. O antropólogo alemão Felix Ringel estuda o tempo. Acredita que "foram as medidas tomadas contra a propagação do vírus que se tornaram mais relevantes na forma como a nossa experiência de tempo foi afetada". O que levou, então, a estas diferentes percepções do tempo?
"A nossa noção de espaço foi limitada, a nossa mobilidade tornou-se confinada, estamos todos em quarentena em casa — e a casa deixou de ser o sítio aonde adoramos voltar depois de um longo dia para ser o único sítio em que podemos estar", justifica o antropólogo. A monotonia apoderou-se dos dias. Para quem enfrentou situações mais difíceis, os ponteiros do relógio podem parecer ter teimado em não avançar. Esta sucessão de acontecimentos, "como o espetáculo da morte permanente, faz-nos sentir como se estivéssemos mesmo numa dobra do tempo", teoriza a escritora Lídia Jorge. "A ideia que tenho é que estamos numa prova existencial imensa."
A idade também afeta o nosso tempo sensorial. O que a ciência nos diz é que o tempo parece passar mais rapidamente à medida que envelhecemos. O físico italiano Carlo Rovelli não tem dúvidas: "Basta pensar nos longos verões quando éramos crianças. Aqueles dias que nunca acabavam. E o futuro que era uma imensidade tão distante? E depois a vida fica rápida e mais rápida, e mais perto do final parece que voou num minuto..." Interiorizamos o tempo com base naquilo que temos disponível para comparação: o tempo vivido. Na ânsia de regressar à escola e de estar com os amigos, as crianças e adolescentes podem sentir esta desaceleração do tempo que, para elas, já tenderia a passar mais devagar. Assim, parece que o confinamento nunca acaba. "A paciência e o tempo de um jovem não é o de uma pessoa da minha idade", explica Lídia Jorge, de 74 anos. "Nós temos outra complacência perante o correr do tempo. Para um jovem, dizer que isto só vai melhorar no Verão é uma catástrofe. Três ou quatro meses na vida deles ocupa um tempo enorme", observa a escritora.
Não é a primeira vez que estamos perante uma pandemia, não deverá ser a última, e há ensinamentos que nos deverão guiar nesses trêmulos passos futuros. "Esta geração vai ficar marcada como a geração da minha avó ficou marcada pela gripe espanhola ", recorda Lídia Jorge. "Lembro-me perfeitamente de ela me contar as pessoas que tinham morrido e ela tinha sempre a ideia das privações por que tinham passado, do horror e do que era a morte das pessoas jovens nessa altura." Para a escritora, "isto que está a acontecer está a fazer estremecer a relação de cada pessoa com o tempo de uma forma muito intensa." A pandemia surge aqui como um travão nas nossas vidas aceleradas. "Eu senti uma outra dimensão do tempo, mas não na natureza de rápido ou devagar: na intensidade de conhecimento. Como se estivesse a receber uma imensa lição. A ideia que tenho é que se abriu uma espécie de janela do mundo e estou a ver o mundo de forma completamente diferente", diz a escritora.
De qualquer forma, este tempo passado em casa não será em vão para os mais novos. "Isto que lhes está a acontecer é uma lição imensa que é mais importante e terá um alcance muito maior na vida deles do que as matérias que iriam ter nas aulas. Isto é uma espécie de aviso para uma geração", continua Lídia Jorge. "Irão ficar marcados pelo sentimento de que a vida inclui a doença, a surpresa, o perigo e a morte." Em suma, urge melhorar os tempos vindouros a partir da incerteza do presente. "As pessoas têm de pensar agora na crise, mas não parecem pensar no futuro além dos próximos meses. Deviam pensar nos próximos cinco, dez anos, para que as comunidades se juntem e para começar de novo este futuro", propõe Felix Ringel. Ou seja, é preciso questionarmo-nos, para que não fiquem oportunidades perdidas pelo caminho: aproveitamos esta oportunidade para repensar aquilo que a vida deveria ser?
Claudia Carvalho Silva
(A ortografia portuguesa desse texto foi modificada para a brasileira, quando pertinente. Sua versão original está disponível online em:publico.pt/2021/02/28/ciencia/noticia/lento-rapido sonambulo-pandemia-trocounos-voltas-tempo-1952153)
Ainda sobre o mesmo trecho (...) e a casa deixou de ser o sítio aonde adoramos voltar depois de um longo dia para ser o único sítio em que podemos estar (...), o termo destacado aonde pode ser substituído por
Questão 2 15395511
IFRJ 2021Lento, rápido, sonâmbulo: a pandemia trocou-nos as voltas ao tempo
Quando a pandemia chegou, não demorou a fazer-se sentir: as rotinas estilhaçaram-se, o nosso espaço encolheu, a escolha dissolveu-se em dias iguais e o receio instalou-se a nosso lado. Tudo isso contribuiu para que olhássemos para o tempo de forma diferente: desabituados do cotidiano que levávamos até então e privados de fazer planos sem amarras, houve quem sentisse as horas e os dias a arrastarem-se na incerteza, mas houve também quem sentisse que passavam a voar.
Este é um tempo distorcido, como no quadro surrealista A Persistência da Memória, de Salvador Dalí. É um tempo pervertido pela nossa ideia do que é o tempo e, agora, pela pandemia. Os ritmos mudaram e ficaram tingidos por esta existência pandêmica. O antropólogo alemão Felix Ringel estuda o tempo. Acredita que "foram as medidas tomadas contra a propagação do vírus que se tornaram mais relevantes na forma como a nossa experiência de tempo foi afetada". O que levou, então, a estas diferentes percepções do tempo?
"A nossa noção de espaço foi limitada, a nossa mobilidade tornou-se confinada, estamos todos em quarentena em casa — e a casa deixou de ser o sítio aonde adoramos voltar depois de um longo dia para ser o único sítio em que podemos estar", justifica o antropólogo. A monotonia apoderou-se dos dias. Para quem enfrentou situações mais difíceis, os ponteiros do relógio podem parecer ter teimado em não avançar. Esta sucessão de acontecimentos, "como o espetáculo da morte permanente, faz-nos sentir como se estivéssemos mesmo numa dobra do tempo", teoriza a escritora Lídia Jorge. "A ideia que tenho é que estamos numa prova existencial imensa."
A idade também afeta o nosso tempo sensorial. O que a ciência nos diz é que o tempo parece passar mais rapidamente à medida que envelhecemos. O físico italiano Carlo Rovelli não tem dúvidas: "Basta pensar nos longos verões quando éramos crianças. Aqueles dias que nunca acabavam. E o futuro que era uma imensidade tão distante? E depois a vida fica rápida e mais rápida, e mais perto do final parece que voou num minuto..." Interiorizamos o tempo com base naquilo que temos disponível para comparação: o tempo vivido. Na ânsia de regressar à escola e de estar com os amigos, as crianças e adolescentes podem sentir esta desaceleração do tempo que, para elas, já tenderia a passar mais devagar. Assim, parece que o confinamento nunca acaba. "A paciência e o tempo de um jovem não é o de uma pessoa da minha idade", explica Lídia Jorge, de 74 anos. "Nós temos outra complacência perante o correr do tempo. Para um jovem, dizer que isto só vai melhorar no Verão é uma catástrofe. Três ou quatro meses na vida deles ocupa um tempo enorme", observa a escritora.
Não é a primeira vez que estamos perante uma pandemia, não deverá ser a última, e há ensinamentos que nos deverão guiar nesses trêmulos passos futuros. "Esta geração vai ficar marcada como a geração da minha avó ficou marcada pela gripe espanhola ", recorda Lídia Jorge. "Lembro-me perfeitamente de ela me contar as pessoas que tinham morrido e ela tinha sempre a ideia das privações por que tinham passado, do horror e do que era a morte das pessoas jovens nessa altura." Para a escritora, "isto que está a acontecer está a fazer estremecer a relação de cada pessoa com o tempo de uma forma muito intensa." A pandemia surge aqui como um travão nas nossas vidas aceleradas. "Eu senti uma outra dimensão do tempo, mas não na natureza de rápido ou devagar: na intensidade de conhecimento. Como se estivesse a receber uma imensa lição. A ideia que tenho é que se abriu uma espécie de janela do mundo e estou a ver o mundo de forma completamente diferente", diz a escritora.
De qualquer forma, este tempo passado em casa não será em vão para os mais novos. "Isto que lhes está a acontecer é uma lição imensa que é mais importante e terá um alcance muito maior na vida deles do que as matérias que iriam ter nas aulas. Isto é uma espécie de aviso para uma geração", continua Lídia Jorge. "Irão ficar marcados pelo sentimento de que a vida inclui a doença, a surpresa, o perigo e a morte." Em suma, urge melhorar os tempos vindouros a partir da incerteza do presente. "As pessoas têm de pensar agora na crise, mas não parecem pensar no futuro além dos próximos meses. Deviam pensar nos próximos cinco, dez anos, para que as comunidades se juntem e para começar de novo este futuro", propõe Felix Ringel. Ou seja, é preciso questionarmo-nos, para que não fiquem oportunidades perdidas pelo caminho: aproveitamos esta oportunidade para repensar aquilo que a vida deveria ser?
Claudia Carvalho Silva
(A ortografia portuguesa desse texto foi modificada para a brasileira, quando pertinente. Sua versão original está disponível online em:publico.pt/2021/02/28/ciencia/noticia/lento-rapido sonambulo-pandemia-trocounos-voltas-tempo-1952153)
O texto lido pertence ao gênero "matéria de jornal". Nele, são entrevistadas personalidades: a escritora Lídia Jorge, o antropólogo Felix Ringel e o físico Carlo Rovelli.
A intenção da escolha desses nomes para compor a reportagem tem o objetivo de
Questão 15 15292548
CMPA 1 Ano 2021Texto 1
Como as redes sociais estão adoecendo os jovens?
A internet armou um ciclo vicioso e nocivo que tem castigado a saúde mental dos adolescentes
Por Analice Gigliotti1
12 mar 2020
[1] Quem foi criança entre os anos 1970 e 1990 passou boas horas diante da televisão.
A “babá eletrônica” era um entretenimento barato e acessível, apesar da disputa pelo
controle remoto. Mas com o surgimento da internet e, mais recentemente, das redes
sociais, tudo mudou. A televisão começou a dividir a atenção dos jovens com outras telas,
[5] como tablets, computadores e celulares. Passados alguns anos, a ciência é categórica: as
redes sociais estão deixando nossos jovens doentes.
[...]
A média de tempo de acesso desta faixa etária é de seis a oito horas, cerca de um
terço do dia! Os estudos concluíram que a questão não é o tipo de mídia social que
[10] frequentam – Tinder, Youtube, Facebook, Instagram, jogos on-line -, mas a quantidade de
horas gastas nelas.
Pesquisa pioneira da Universidade Federal do Espírito Santo, realizada em 2019 com
2 mil adolescentes entre 15 e 19 anos, mostrou que 25,3% são dependentes moderados
ou graves de internet. O número de casos de ansiedade é duas vezes maior (34%) entre
[15] os dependentes tecnológicos.
Adolescentes estão sempre em busca de novidades – e é bom que seja assim -, mas
também são mais sensíveis a elas: têm menos controle decisório e capacidade de arbitrar
o que é bom e o que não é. A formação total do cérebro só acontece entre os 20 e 25 anos
e isso transforma os adolescentes em um alvo perfeito a ser explorado, já que o grande
[20] ativo das mídias sociais é a captação de dados dos seus usuários. Quanto mais tempo
passam conectados, mais dados são apreendidos: assim está armado o ciclo vicioso e
nocivo que tem vitimado a saúde mental dos jovens.
[...]
Mais do que se utilizar de estratagemas para engajar novos usuários, o que vemos
[25] são recursos bastante questionáveis para o “enganchamento”: uma vez preso à rede social,
é difícil sair dela. Jaron Lanier, considerado o pai da realidade virtual e uma das maiores
referências em tecnologia no Vale do Silício, é bastante objetivo no livro “Dez argumentos
para você deletar agora suas redes sociais” (Editora Intrínseca): “Evito as redes sociais pela
mesma razão que evito as drogas.”
[30] [...]
Por outro lado, seria ingenuidade imaginar um jovem sem celular ou sem conexão
à internet. É naquele ambiente que parte das suas vidas acontece. É no universo online que
muitos descobrem não estar sozinhos em uma fase difícil da vida, de descobrimento de
traços da personalidade, como a sexualidade. No campo vasto da internet, todas as tribos
[35] se encontram. Ela não é, por si só, uma inimiga. Mas a internet requer moderação. Este é
o ponto: a medida certa. [...]
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que, de zero a dois anos, a
criança não tenha qualquer exposição a telas. Entre dois e cinco anos, no máximo 1 hora
diante de tela. De seis a 10 anos, entre 1 e 2 horas ao dia. E, dos 11 aos 18 anos, exposição
[40] máxima de 3 horas por dia diante de telas, incluindo videogame, e mesmo assim,
equilibrando com a prática de atividade física.
[...]
É fundamental que os adultos também façam um uso racional de computadores,
celulares e redes sociais em nome da saúde dos próprios filhos. Dar o exemplo não é a
[45] melhor maneira de educar os outros. É a única.
1Analice Gigliotti é Mestre em Psiquiatria pela Unifesp; professora da Escola Médica de
Pós-Graduação da PUC-Rio; chefe do setor de Dependências Químicas e Comportamentais
da Santa Casa do Rio de Janeiro e diretora do Espaço Clif de Psiquiatria e Dependência
[50] Química.
Disponível em: https://vejario.abril.com.br/blog/manual-de-sobrevivencia-no-seculo-21/redes-sociaisadoecendo-jovens/ Adaptado com fins didáticos. (Acesso em 19 ago 2021)
Analise com atenção o seguinte trecho do texto 1:
“Os estudos concluíram que a questão não é o tipo de mídia social que frequentam – Tinder, Youtube, Facebook, Instagram, jogos on-line -, mas a quantidade de horas gastas nelas” (ls. 09-11).
A conjunção “que”, destacada em negrito e em sublinhado, estabelece uma relação de:
Questão 14 15292538
CMPA 1 Ano 2021Texto 1
Como as redes sociais estão adoecendo os jovens?
A internet armou um ciclo vicioso e nocivo que tem castigado a saúde mental dos adolescentes
Por Analice Gigliotti1
12 mar 2020
[1] Quem foi criança entre os anos 1970 e 1990 passou boas horas diante da televisão.
A “babá eletrônica” era um entretenimento barato e acessível, apesar da disputa pelo
controle remoto. Mas com o surgimento da internet e, mais recentemente, das redes
sociais, tudo mudou. A televisão começou a dividir a atenção dos jovens com outras telas,
[5] como tablets, computadores e celulares. Passados alguns anos, a ciência é categórica: as
redes sociais estão deixando nossos jovens doentes.
[...]
A média de tempo de acesso desta faixa etária é de seis a oito horas, cerca de um
terço do dia! Os estudos concluíram que a questão não é o tipo de mídia social que
[10] frequentam – Tinder, Youtube, Facebook, Instagram, jogos on-line -, mas a quantidade de
horas gastas nelas.
Pesquisa pioneira da Universidade Federal do Espírito Santo, realizada em 2019 com
2 mil adolescentes entre 15 e 19 anos, mostrou que 25,3% são dependentes moderados
ou graves de internet. O número de casos de ansiedade é duas vezes maior (34%) entre
[15] os dependentes tecnológicos.
Adolescentes estão sempre em busca de novidades – e é bom que seja assim -, mas
também são mais sensíveis a elas: têm menos controle decisório e capacidade de arbitrar
o que é bom e o que não é. A formação total do cérebro só acontece entre os 20 e 25 anos
e isso transforma os adolescentes em um alvo perfeito a ser explorado, já que o grande
[20] ativo das mídias sociais é a captação de dados dos seus usuários. Quanto mais tempo
passam conectados, mais dados são apreendidos: assim está armado o ciclo vicioso e
nocivo que tem vitimado a saúde mental dos jovens.
[...]
Mais do que se utilizar de estratagemas para engajar novos usuários, o que vemos
[25] são recursos bastante questionáveis para o “enganchamento”: uma vez preso à rede social,
é difícil sair dela. Jaron Lanier, considerado o pai da realidade virtual e uma das maiores
referências em tecnologia no Vale do Silício, é bastante objetivo no livro “Dez argumentos
para você deletar agora suas redes sociais” (Editora Intrínseca): “Evito as redes sociais pela
mesma razão que evito as drogas.”
[30] [...]
Por outro lado, seria ingenuidade imaginar um jovem sem celular ou sem conexão
à internet. É naquele ambiente que parte das suas vidas acontece. É no universo online que
muitos descobrem não estar sozinhos em uma fase difícil da vida, de descobrimento de
traços da personalidade, como a sexualidade. No campo vasto da internet, todas as tribos
[35] se encontram. Ela não é, por si só, uma inimiga. Mas a internet requer moderação. Este é
o ponto: a medida certa. [...]
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que, de zero a dois anos, a
criança não tenha qualquer exposição a telas. Entre dois e cinco anos, no máximo 1 hora
diante de tela. De seis a 10 anos, entre 1 e 2 horas ao dia. E, dos 11 aos 18 anos, exposição
[40] máxima de 3 horas por dia diante de telas, incluindo videogame, e mesmo assim,
equilibrando com a prática de atividade física.
[...]
É fundamental que os adultos também façam um uso racional de computadores,
celulares e redes sociais em nome da saúde dos próprios filhos. Dar o exemplo não é a
[45] melhor maneira de educar os outros. É a única.
1Analice Gigliotti é Mestre em Psiquiatria pela Unifesp; professora da Escola Médica de
Pós-Graduação da PUC-Rio; chefe do setor de Dependências Químicas e Comportamentais
da Santa Casa do Rio de Janeiro e diretora do Espaço Clif de Psiquiatria e Dependência
[50] Química.
Disponível em: https://vejario.abril.com.br/blog/manual-de-sobrevivencia-no-seculo-21/redes-sociaisadoecendo-jovens/ Adaptado com fins didáticos. (Acesso em 19 ago 2021)
Considere as afirmações a seguir, a respeito do texto 1, verdadeiras (V) ou falsas (F):
( ) Entre outras finalidades, o texto 1 busca esclarecer os leitores sobre o efeito negativo do uso de redes sociais para a saúde mental dos jovens, sem, contudo, apresentar estratégias para a solução da problemática apresentada.
( ) Ao utilizar a palavra “enganchamento” (l. 25), a autora critica uma prática muito comum nas redes sociais – o engajamento dos usuários -, com a finalidade de demonstrar que tal prática, na verdade, aprisiona o usuário às redes.
( ) O emprego do vocábulo “ingenuidade” (l. 31) reforça que a autora crê na possibilidade de que os jovens possam ser afastados das redes sociais.
( ) Ao afirmar que “Dar o exemplo não é a melhor maneira de educar os outros. É a única” (ls. 44 e 45), a autora reforça a ideia apresentada anteriormente, no mesmo parágrafo, quando declara que “É fundamental que os adultos também façam um uso racional de computadores, celulares e redes sociais em nome da saúde dos próprios filhos” (ls. 43-44).
A opção que preenche as lacunas, de cima para baixo, corretamente é:
06
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