Questões de EFAF Arte
5.161 Questões
Questão 11 10627473
COTIL 1° Ano 2019Texto para a questão:
Street art são intervenções urbanas artísticas com temáticas que contornam desde política até religião, passando por problemas sociais etc. Essa arte pode ser feita por meio de pinturas, esculturas ou instalações. Seja de que forma for, a arte urbana é uma arte marginal e não está atrelada a nenhum padrão estético. Sendo assim, considera-se que ela seja livre, sendo a expressão máxima da sociedade e do ser cidadão.
No Brasil e no mundo, a arte de rua tem estado presente nas maiores e mais importantes cidades, geralmente em muros ou paredes de grande escala. Essa arte - além de embelezar a cidade de um jeito econômico e muito original, fazendo cada cidade ser única e ter seu próprio estilo - também faz o papel da denúncia e do protesto. E há também uma outra importante característica: o papel da inclusão social. Vários artistas do estilo promovem a arte por meio de suas intervenções, estimulando a criatividade em jovens e crianças de partes mais remotas da cidade. Muitas comunidades mais pobres são convidadas a se juntarem aos artistas para transmitirem uma ideia, um conceito ou uma mensagem política, ou apenas para criar arte e beleza.
Com cerca de 20.000 anos de evolução cultural por trás disso, o grafite, a pichação ou street urban art ainda são arte e nada parece capaz de deter a sua popularidade fenomenal. A ideia simples de desenhar em uma parede tornou-se algo verdadeiramente extraordinário em um mundo cada vez mais emparedado e murado. Percorremos um longo caminho desde as pinturas nas cavernas. Era inevitável que o roteiro fosse substituído por imagens e estas se destacassem com contrastes excepcionais. O advento do grafite ilustrado foi, sem dúvida, responsável pelo impulso maior de seguidores entre a população em geral. Como o estilo da escrita é quase completamente ilegível para o olho destreinado, fotos em grafite permitem uma mensagem mais clara, mais pungente.
Em março de 2009, o governo brasileiro aprovou a lei 706/07, que descriminaliza a arte de rua, e sua legalização também é realizada pelo consentimento dos proprietários de muros e fachadas grafitadas. Isso se torna um reflexo da paisagem evoluindo em arte nas ruas brasileiras.
(Adaptado de BORGES, Rejane. O Movimento de Arte Urbana (Street Art) no Brasil. OBVIOUS. Caderno Artes e Ideias. Disponível em http://obviousmag.org/archives/2014/03/o_movimento_de_arte_urbana_street_art_no_brasil.html. Acessado em 11/08/2018.)

(Disponível em https://www.revistaforum.com.br. Acessado em 11/08/18.)
Sobre a imagem acima, só não se pode dizer que:
Questão 19 10596274
FAETEC 2019A infinita fiadeira
A aranha, aquela aranha, era tão única: não parava de fazer teias! Fazia-as de todos os tamanhos e formas. Havia, contudo, um senão: ela fazia-as, mas não lhes dava utilidade. O bicho repaginava o mundo. Contudo, sempre inacabava as suas obras. Ao fio e ao cabo, ela já amealhava uma porção de teias que só ganhavam senso no rebrilho das manhãs.
E dia e noite: dos seus palpos primavam obras, com belezas de cachimbo gotejando, rendas e rendilhados. Tudo sem fim nem finalidade. Todo o bom aracnídeo sabe que a teia cumpre as fatais funções: lençol de núpcias,
armadilha de caçador. Todos sabem, menos a nossa aranhinha, em suas distraiçoeiras funções.
Para a mãe aranha aquilo não passava de mau senso. Para quê tanto labor se depois não se dava a indevida aplicação? Mas a jovem aranhiça não fazia ouvidos. E alfaiatava, alfinetava, cegava os nós. Tecia e retecia o fio, entrelaçava e reentrelaçava mais e mais teia. Sem nunca fazer morada em nenhuma. Recusava a utilitária vocação da sua espécie.
— Não faço telas por instinto.
— Então, faz porquê”?
— Faço por arte.
A filha saiu pelo mundo em ofício de infinita teceloa. E em cantos e recantos deixava a sua marca, o engenho da sua seda. Os pais, após a concertação, a mandaram chamar. Em choro múltiplo, a mãe limpou as lágrimas dos muitos olhos enquanto disse:
— Estamos recebendo queixas do aranhal.
— O que é que dizem?
— Dizem que isso só pode ser doença apanhada de outras criaturas.
Até que decidiram: a jovem aranha tinha que ser reconduzida aos seus mandos genéticos. Aquele deva- neio seria causado por falta de namorado.
E aconteceu. Contudo, ao invés de devorar o singelo namorador, a aranha namorou e ficou enamorada. Os dois deram-se os apêndices e dançaram ao som de uma brisa que fazia vibrar a teia. Ou seria a teia que fabricava a brisa?
A aranhiça levou o namorado a visitar a sua colecção de teias, ele que escolhesse uma, ficaria como prova de seu amor.
A familia desiludida consultou o Deus dos bichos, para reclamar da fabricação daquele espécime. Uma aranha assim, com mania de gente” Na sua alta teia, o Deus dos bichos quis saber o que poderia fazer. Pediram que ela transitasse para humana. E assim sucedeu: num golpe divino, a aranha foi convertida em pessoa. Quando ela, já transfigurada, se apresentou no mundo dos humanos logo lhe exigiram a imediata identificação. Quem era, o que fazia?
— Faço arte.
— Arte?
E os humanos se entreolharam, intrigados. Desconheciam o que fosse arte. Em que consistia? Até que um, mais-velho, se lembrou. Que houvera tempos, em tempos de que já se perdeu memória, em que alguns se ocupavam de tais improdutivos afazeres. Felizmente, isso tinha acabado, e os poucos que teimavam em criar esses pou- co rentáveis produtos — chamados obras de arte — tinham sido geneticamente transmutados em bichos. Não se lembravam bem em que bichos. Aranhas, ao que parece. Mia Couto
(In: O fio das missangas, publicado pela Ed. Companhia das Letras)
O comentário final do narrador sugere uma narrativa que se organiza de modo:
Questão 12 10596052
FAETEC 2019A infinita fiadeira
A aranha, aquela aranha, era tão única: não parava de fazer teias! Fazia-as de todos os tamanhos e formas. Havia, contudo, um senão: ela fazia-as, mas não lhes dava utilidade. O bicho repaginava o mundo. Contudo, sempre inacabava as suas obras. Ao fio e ao cabo, ela já amealhava uma porção de teias que só ganhavam senso no rebrilho das manhãs.
E dia e noite: dos seus palpos primavam obras, com belezas de cachimbo gotejando, rendas e rendilhados. Tudo sem fim nem finalidade. Todo o bom aracnídeo sabe que a teia cumpre as fatais funções: lençol de núpcias,
armadilha de caçador. Todos sabem, menos a nossa aranhinha, em suas distraiçoeiras funções.
Para a mãe aranha aquilo não passava de mau senso. Para quê tanto labor se depois não se dava a indevida aplicação? Mas a jovem aranhiça não fazia ouvidos. E alfaiatava, alfinetava, cegava os nós. Tecia e retecia o fio, entrelaçava e reentrelaçava mais e mais teia. Sem nunca fazer morada em nenhuma. Recusava a utilitária vocação da sua espécie.
— Não faço telas por instinto.
— Então, faz porquê”?
— Faço por arte.
A filha saiu pelo mundo em ofício de infinita teceloa. E em cantos e recantos deixava a sua marca, o engenho da sua seda. Os pais, após a concertação, a mandaram chamar. Em choro múltiplo, a mãe limpou as lágrimas dos muitos olhos enquanto disse:
— Estamos recebendo queixas do aranhal.
— O que é que dizem?
— Dizem que isso só pode ser doença apanhada de outras criaturas.
Até que decidiram: a jovem aranha tinha que ser reconduzida aos seus mandos genéticos. Aquele deva- neio seria causado por falta de namorado.
E aconteceu. Contudo, ao invés de devorar o singelo namorador, a aranha namorou e ficou enamorada. Os dois deram-se os apêndices e dançaram ao som de uma brisa que fazia vibrar a teia. Ou seria a teia que fabricava a brisa?
A aranhiça levou o namorado a visitar a sua colecção de teias, ele que escolhesse uma, ficaria como prova de seu amor.
A familia desiludida consultou o Deus dos bichos, para reclamar da fabricação daquele espécime. Uma aranha assim, com mania de gente” Na sua alta teia, o Deus dos bichos quis saber o que poderia fazer. Pediram que ela transitasse para humana. E assim sucedeu: num golpe divino, a aranha foi convertida em pessoa. Quando ela, já transfigurada, se apresentou no mundo dos humanos logo lhe exigiram a imediata identificação. Quem era, o que fazia?
— Faço arte.
— Arte?
E os humanos se entreolharam, intrigados. Desconheciam o que fosse arte. Em que consistia? Até que um, mais-velho, se lembrou. Que houvera tempos, em tempos de que já se perdeu memória, em que alguns se ocupavam de tais improdutivos afazeres. Felizmente, isso tinha acabado, e os poucos que teimavam em criar esses pou- co rentáveis produtos — chamados obras de arte — tinham sido geneticamente transmutados em bichos. Não se lembravam bem em que bichos. Aranhas, ao que parece. Mia Couto
(In: O fio das missangas, publicado pela Ed. Companhia das Letras)
A palavra “fatais” (2º parágrafo) sugere a seguinte característica a respeito das teias:
Questão 4 10532299
OBJETIVO 9º Ano - Português 2019Texto para a questão.
Texto - MÚSICA NO TÁXI
Prazeres do cotidiano. Quando menos se espera... Você pega o táxi, manda tocar para o seu destino (manda, não, pede por favor) e resigna-se a escutar durante 20 minutos, no volume mais possante, o rádio despejando assaltos e homicídios do dia. Os tiros, os gemidos, os desabamentos o acompanharão por todo o percurso. É a fatalidade da vida, quando se tem pressa.
Mas eis que o motorista pega de um imprevisto cassete, coloca-o no lugar devido, liga, e os acordes melódicos dos Contos dos Bosques de Viena irrompem do fusca amarrotado, mas digno.
Bem, não é a Nona Sinfonia nem um título menor da grande música, mas não estamos na Sala Cecília Meireles, e isso vale como homenagem especial a um passageiro distinto, que pede por favor. Cumpre agradecer a fineza:
– Obrigado. O senhor mostra que tem satisfação em agradar aos passageiros, oferecendo-lhes música e não barulho e crimes.
– Não tem de quê. O senhor também aprecia?
– O quê?
– Strauss. É um dos meus prediletos.
– Sim, ele é agradável. O senhor está sendo gentil comigo.
– Ora, não é tanto assim. Pus o cassete porque gosto de música. Não sabia se o senhor também gostava ou não. Se não gostasse, eu desligava. Portanto, não tem que agradecer.
– E já lhe aconteceu desligar?
– Ih, tantas vezes. Fico observando a fisionomia do passageiro. Uns, mais acanhados, disfarçam, não dizem nada, mas tem outros que reclamam, não querem ouvir esse troço.
O senhor já pensou: chamar Tchaikovsky de “esse troço”? Pois ouvi isso de um cidadão de gravata e pasta de executivo. Disse que precisava se concentrar, por causa de um negócio importante, e Tchaikovsky perturbava a concentração.
– Ele talvez quisesse dizer que ficava tão empolgado pela música que esquecia o negócio.
– Pois sim! Nesse caso, não falaria “esse troço”, que é o cúmulo da falta de respeito.
– Estou adivinhando que o senhor toca um instrumento.
Olhou-me admirado:
– Como é que o senhor viu?
– Porque uma pessoa que gosta tanto de música, em geral toca. Seu instrumento qual é?
Virou-se com tristeza na voz:
– Atualmente nenhum. O senhor sabe, essa crise geral, a gasolina pela hora da morte, e não é só a gasolina: a comida, o sapato, o resto. Tive de vender pra tapar uns buracos. Mas se as coisas melhorarem este ano...
– Melhoram. As coisas têm de melhorar – achei do meu dever confortá-lo.
– Porque clarinetista sem clarinete, o senhor sabe, é um negócio sem sentido. Clarinete tem esta vantagem: dá o recado sem precisar de orquestra. Um solo bem executado, não precisa mais pra encantar a alma. Mas clarinetista, sozinho, fica até ridículo.
– Não diga isso. E não desanime. O dia em que arranjar outro clarinete – quem sabe?, talvez até seja o mesmo que lhe pertenceu – será uma festa.
– Mas se demorar muito eu já estarei tão desacostumado que nem sei se volto a tocar razoavelmente. Porque, o senhor compreende, eu não sou um artista, minha vida não dá folga pra estudar nem meia hora por dia.
– O importante é gostar de música, tem amor e devoção por música, e está-se vendo que o senhor tem de sobra.
– Lá isso tá certo.
– Não importa que o senhor não seja solista de uma grande orquestra, e mesmo de uma orquestra comum. Ninguém precisa ser grande em nada, desde que cultive alguma coisa bonita na vida.
Seu rosto iluminou-se.
– Que bom ouvir uma coisa dessas. Agora vou lhe confessar que isso de não ser músico dos tais que arrebatam o auditório sempre me doeu um pouco. Não era por vaidade não, quem sou pra ter vaidade? Mas um sonho esquisito, sei lá. Ficava me imaginando num palco iluminado, tocando... Bobagem, o senhor desculpe. Agora a sua palavra deixou tudo claro. Basta eu gostar de música. Não é preciso que gostem de mim, nem que ela goste de mim. Obrigado ao senhor.
Olhei o taxímetro, tirei a carteira.
– Eu nem devia cobrar do senhor. Fico até encabulado!
(Carlos Drummond de Andrade. Boca de luar. 6. ed. Rio de Janeiro: Record, 1987, p. 69-71.)
A finalidade principal do texto é
Questão 4 10322973
IFPE Subsequente 2019/2TEXTO 1
SAIBA MAIS SOBRE A LÍNGUA DOTHRAKI
Conversamos com David Peterson, linguista responsável pela criação dos idiomas de Game of Thrones
Se você encontrar um integrante de uma tribo Dothraki, é uma boa ideia saudá-lo com um respeitoso “m’athchomaroon” e passar longe de palavras como “gale”. Quem afirma isso é o linguista contratado pela série Game of Thrones para criar as línguas “estrangeiras” da história - o Dothraki e o Alto Valiriano. David Peterson, formado pela Universidade da Califórnia em San Diego, é integrante da Sociedade de Criação de Linguagens, organização que se dedica às conlangs. Conlang não é uma gíria Dothraki e, sim, uma sigla que, em inglês, significa “língua construída”. Ou seja, idiomas como o esperanto, que tiveram suas regras, palavras e construções pensadas e desenvolvidas — diferente das línguas naturais, que surgem de forma espontânea através da derivação de sons e de dialetos.
Conversamos com David Peterson sobre a Guerra dos Tronos, a criação do Dothraki e até pedimos
para que ele nos ensinasse a xingar no idioma de Khal Drogo. Confira:
(1) Galileu: Qual é a relação que você manteve no idioma com a cultura Dothraki? Peterson: O idioma inteiro é baseado na realidade dos Dothraki. Consequentemente, há palavras para descrever todas as plantas, animais e os fenômenos que acontecem em seu cotidiano — e nenhuma para situações desconhecidas.
(2) Galileu: Pode dar exemplos? Peterson: Não faria sentido criar palavras para “livro”, “ler” e “escrever”, já que o Dothraki não existe na forma escrita. Também não há palavra equivalente a “obrigado”, porque a cultura deles não observa a gratidão da mesma forma. Mas há palavras diferentes para fezes de animais, dependendo se elas estão frescas ou secas. Como as fezes secas são usadas para fazer fogueiras, essa distinção é muito importante para eles. Também há 14 palavras diferentes para “cavalo”.
(3) Galileu: Os atores da série conseguem se comunicar na língua? Peterson: Pelo que sei, os atores apenas memorizam as falas, sem aprender o idioma. Não esperava que eles aprendessem, afinal, seria um trabalhão. Eles “pegaram” algumas palavras e expressões, mas duvido que conseguissem manter uma conversa simples em Dothraki.
(4) Galileu: Você também criou o Alto Valiriano, outro idioma falado em Essos, e disse, em entrevist, que a língua é “quase bonita demais”. Quais são os sons e as construções que tornam isso possível? De que forma o Alto Valiriano se opõe aos sons guturais e pesados do Dothraki?
Peterson: O Alto Valiriano é mais rico em ditongos do que o Dothraki. E enquanto possui uma pegada gutural, o som é mais raro. Gramaticamente, as línguas têm suas diferenças. As duas não têm artigos, mas a ordem das palavras é diferente, com o verbo sempre entrando no final da sentença e os adjetivos sempre precedendo o pronome que eles modificam.
(5) Galileu: Em aulas de línguas estrangeiras, uma das primeiras coisas que aprendemos (normalmente através dos colegas e não dos professores) são os xingamentos. E também gostamos de zoar os gringos que vêm ao Brasil, ensinando palavrões em português, como se tivessem outro significado. Você pode nos ensinar a xingar em Dothraki?
Peterson: Claro! O Dothraki é um idioma “abençoado” com muitos palavrões. “Ifak”, por exemplo, é uma palavra que tem o significado de gringo, de estrangeiro. Mas no Dothraki é usado como um insulto. “Graddakh” é a palavra usada para fezes, sempre em tom pejorativo. Muitos dos outros xingamentos são óbvios, como “gale” que significa ovo — mas também a genitália masculina.
GALASTRI, Luciana. Saiba mais sobre a língua dothraki. Disponível em:
https://revistagalileu.globo.com/Cultura/Series/noticia/2014/06/o-criador-das-linguas-de-game-thrones.html. Acesso em: 04 maio 2019 (adaptado).
TEXTO 2
POR QUE TODO MUNDO NÃO FALA A MESMA LÍNGUA?
(1) Porque as línguas foram surgindo nas várias regiões do mundo de forma independente. Algumas têm a mesma origem, como o hindu, o sueco, o inglês e o português. Elas vieram de uma grande língua comum, chamada proto-indo-europeu, que há milhares de anos era falada na Ásia.
(2) Esse idioma deu origem a quase todas as línguas ocidentais e algumas orientais. “Supõe-se que o indo-europeu tenha sido uma língua só, que foi se diferenciando com o tempo”, explica o professor de linguística Paulo Chagas de Souza, da Universidade de São Paulo.
(3) É que as línguas são vivas – elas se transformam com o uso. Mesmo as que vieram de uma raiz comum foram sendo modificadas pouco a pouco pela prática de cada grupo falante, que seleciona os termos adequados ao seu ambiente e à sua cultura. Os esquimós, por exemplo, criaram palavras capazes de descrever 40 tons de branco. Esses termos não fazem o menor sentido para um povo que mora no deserto, concorda?
(4) O Império Romano teve uma forte função na difusão e na construção de muitas das línguas que são faladas hoje. Naquela época, na região de Roma, falava-se o latim, uma língua derivada do proto-indo-europeu que floresceu na região do Lácio.
(5) À medida que o império avançava, conquistando novos territórios, esse idioma foi sendo imposto aos povos dominados, mas não sem sofrer influência das línguas locais, com mudanças de pronúncia e enxertos de palavras.
(6) Com o enfraquecimento do domínio dos césares, essas diferenças foram se intensificando e construindo dialetos, que se transformaram em idiomas próprios. Foi assim que surgiu o português, o italiano e o francês, por exemplo.
(7) Hoje, são faladas 7.099 línguas ao redor do mundo, segundo o compêndio Ethnologue, um livro que cataloga os idiomas do nosso planeta desde 1950. Mas a gente não ouve a maioria delas: mais de 90% dessas línguas estão na boca de apenas 6% dos habitantes da Terra. O restante da população mundial usa menos de 400 idiomas.
OLIVEIRA, Fábio. Por que todo mundo não fala a mesma língua? Disponível em:http://super.abril.com.br/sociedade/por-que-todo-mundo-não-fala-a-mesma-lingua/amp/. Acesso em: 04 maio 2019.
Tanto o TEXTO 1 quanto o TEXTO 2 têm como foco a discussão sobre idiomas. Este tematiza línguas naturais, enquanto aquele destaca línguas artificiais criadas para uma série televisiva. Apesar das diferenças, os dois dialogam ao tratarem da relação entre língua e cultura. Sobre esse aspecto, analise os trechos reproduzidos a seguir.
I. “Há palavras para descrever todas as plantas, animais e os fenômenos que acontecem em seu cotidiano— e nenhuma para situações desconhecidas” (TEXTO 1, pergunta 1).
II. “Não faria sentido criar palavras para ‘livro’, ‘ler’ e ‘escrever’, já que o Dothraki não existe na forma escrita” (TEXTO 1, pergunta 2).
III.“Pelo que sei, os atores apenas memorizam as falas, sem aprender o idioma” (TEXTO 1, pergunta 3).
IV. “Elas vieram de uma grande língua comum, chamada proto-indo-europeu, que há milhares de anos era falada na Ásia” (TEXTO 2, 1º parágrafo).
V. “Os esquimós, por exemplo, criaram palavras capazes de descrever 40 tons de branco. Esses termos não fazem o menor sentido para um povo que mora no deserto, concorda?” (TEXTO 2, 3º parágrafo).
Que trechos, dos acima destacados, deixam clara a relação entre língua e cultura?
Questão 5 10302402
IFPE Subsequente 2019/1TEXTO
FRIDA KAHLO: A MÃE DA SELFIE
(1) A pesquisadora Cátia Inês Schuh, que elaborou a tese: “A prospecção pós-moderna da comunicação visual no imaginário de Frida Kahlo”, sobre a apropriação da imagem da pintora mexicana pela indústria cultural e do consumo, disse, em entrevista, que Frida é a mãe da selfie, já que grande parte de seu trabalho é composta por autorretratos. Frida Kahlo já se expunha nas redes sociais antes de isso ser modinha e, provavelmente, seria uma famosa blogueira de moda nos dias de hoje, já que desenhava e customizava suas roupas e sapatos.
(2) Sua individualidade e sua sexualidade estão constantemente presentes em suas representações. Frida tinha como um tema central de sua obra a potência do corpo. O simples fato de seu corpo existir era uma resistência a tantas intervenções decorrentes dos acidentes que sofreu e das cirurgias que fez.
(3) Em 17 de setembro de 1925, aos 18 anos, Frida sofreu um grave acidente de trânsito: o ônibus em que estava bateu num bonde. Em seu diário, ela afirmou que o ônibus foi esmagado e o corrimão a transpassou como a espada transpassa o touro. Inúmeras fraturas, um mês no hospital. Ela saiu do hospital para um longo período de imobilização, em que não havia como continuar os estudos e, a partir daí, começou a emergir sua criação.
(4) Única aprendizagem possível: a de si mesma, captada pelo pequeno espelho das dimensões de um retrato. Único material humano: o seu, pois não podia ir ao encontro dos outros, mas sempre cercada pela expressão que os grandes retratistas alemães e italianos davam à figura humana.
(5) Desse confronto com a própria identidade, nasceram as problemáticas que tocaram a própria essência da arte: a ilusão, o desdobramento, a relação com a morte. Bem mais que uma autobiografia, seus autorretratos se revelam como “imagens do interior” de uma mulher que se lançou em uma busca tanto existencial quanto estética, de um ser em processo de vir a ser, de uma consciência que nasce.
BLOGFEM. Frida Kahlo: imagem, corpo e feminismo. Disponível em: https://blogueirasfeministas.com/2015/07/06/frida-kahlo-imagem-corpo-e-feminismo/. Acesso em: 03 out. 2018.
Com relação às estratégias argumentativas utilizadas na construção do TEXTO , analise as afirmativas abaixo.
I. Logo no primeiro período do texto, utilizou-se o argumento de autoridade a partir de estudos e opiniões de uma pesquisadora.
II. No último período do primeiro parágrafo, identifica-se uma relação de causa e efeito, seguindo o raciocínio lógico de que Frida poderia ser uma blogueira de moda nos dias atuais porque desenhava e customizava suas roupas e sapatos.
III.No segundo parágrafo, também foi utilizado o argumento de autoridade, mas, dessa vez, as opiniões da própria Frida foram citadas.
IV.O terceiro parágrafo apresenta um argumento por exemplificação a partir de uma sequência que narra como se deu o início da produção artística de Frida.
V. No quinto parágrafo, encontramos na afirmação “Bem mais que uma autobiografia, seus autorretratos se revelam como ‘imagens do interior’ de uma mulher” um contra-argumento para rebater a ideia de que a obra de Frida Kahlo é intimista e subjetiva.
Estão CORRETAS, apenas, as afirmativas
06
![[Marketing] Questao Topo - deslogado](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6b7ebee90b03af1c560c73bb8bcce34a_banner_deslogado_70_dias.png)