Questões de EFAF Arte - Artes Manuais
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Questão 15 10433308
COLÉGIO SÓLIDO* 7º ANO 2015Texto
PAI SEM TERNO E SEM GRAVATA
Ia fazer um ano que papai estava desempregado quando tia Gina, irmã mais velha de mamãe, veio nos visitar. Muito gorda e brincalhona, tia Gina parecia um raio de sol entrando na nossa casa.
- Santo Deus, morreu alguém por aqui? Já marcaram a missa de sétimo dia?
Ela foi chegando e brincando. Fez a maior festa comigo. Falou que eu estava ficando mocinha. Chamou o Nando de “meu sobrinho gatão” e o papai de “coroa enxuto”. Contou piadas engraçadas. Trouxe presentes para todos nós.
Tia Gina é solteira e mora no Rio de Janeiro. Todo ano ela passa alguns dias com a gente. Ninguém consegue ficar triste perto dela. Foi tão bom ouvir de novo o riso do papai!
- Otávio, esquece esse negócio de procurar emprego. Parte para outra, homem de Deus – ela disse. E continuou: - Você é tão habilidoso para trabalhos manuais... Por que não se inscreve na feira de artesanato? Há centenas de médicos, advogados e engenheiros vivendo disso.
- Mas fazer o quê, Georgina? - papai perguntou.
- Coisas de madeira. Você não adorava bancar o marceneiro de fim de semana? Pois faça isso todos os dias.
Ela disse que ele devia fazer porta - joias cabideiros, porta-retratos, cestos de lixo e outros pequenos objetos.
- E você, Vera? Também é habilidosa. Por que não faz bonecas de pano? Ou almofadas? Olhe, eu posso conseguir uns moldes lindos com uma amiga. O que acha disso?
Papai e mamãe, na hora, não ficaram muito entusiasmados com a ideia. Mas tia Gina não voltou para o Rio antes de ir com eles fazer a inscrição na feira de artesanato. Depois de alguns dias, ela mandou os moldes e mais ideias.

Já faz seis meses que tia Gina veio visitar a gente. Hoje é domingo, dia de feira. Papai e mamãe levantaram bem cedinho e já foram para a praça. O Ricardo foi junto. Enquanto papai atende os fregueses, ele e mamãe cuidam dos embrulhos. O Nando ajuda o papai na fabricação aqui em casa, mas quase não tem tempo. Ele não passou no vestibular. Agora trabalha o dia todo no escritório de um amigo nosso e faz o cursinho à noite.
Eu não fui à feira porque estou gripada. Também ajudo no que posso. O que mais gosto é de pintar as carinhas das bonecas de pano que mamãe faz. Principalmente dos palhacinhos. Eu pinto carinhas de todo tipo. Alegres, tristes ou espantadas. É superlegal!
Agora estou deitada na minha cama, debaixo de um bom cobertor bem quentinho. Como não estou fazendo nada, fico olhando para o teto e lembrando uma porção de coisas. Lembrando, por exemplo, a cara alegre do papai, quando saiu de manhã. Ele não usa mais terno e gravata. Veste jeans, tênis e camiseta. E vive dizendo:
- Te cuida mulher. O coroa aqui tá um garotão!
A mamãe ri. Olha para ele toda feliz e os dois saem de mãos dadas.
Nossa! Já ia esquecendo. Tenho de ligar para a mãe do Demerval e encomendar os doces do meu aniversário...
AGOSTINHO, Cristina. Pai sem terno e sem gravata. 8 ed. São Paulo: Moderna, 1993.p.42-4
Gina tem um papel importante no final dessa história porque:
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