Questões de EFAF Arte - Artes Visuais
150 Questões
Questão 8 10672887
CMB Língua Portuguesa 6º ano 2021Após a leitura do Texto, responda a questão.
No clássico "Alice através do espelho", Lewis Carroll cria um mundo imaginário em que a personagem central, uma menina de 7 anos, atravessa, com sua gatinha Lily, o espelho da sala de estar de sua casa. Na casa do espelho, a menina se depara com um mundo onde a realidade está ao contrário: animais e flores falam e peças de xadrez ganham vida.
Texto 1
A casa do espelho
[1] Alice, no instante seguinte, atravessara o espelho e saltara com lepidez na sala da Casa do
Espelho. A primeira coisa que fez foi verificar se havia fogo na lareira, e ficou muito satisfeita ao
constatar que havia um fogo de verdade, crepitando tão alegremente quanto o que deixara para trás.
"Assim vou ficar tão aquecida aqui quanto estava lá na sala", pensou; "ou mais aquecida, porque aqui
não vai haver ninguém mandando que eu me afaste do fogo. Oh, como vai ser engraçado quando me
virem aqui, através do espelho, e não puderem me alcançar!"
Em seguida começou a olhar em volta e notou que o que podia ser visto da sala anterior era
bastante banal e desinteressante, mas todo o resto era tão diferente quanto possível. Por exemplo,
os quadros na parede perto da lareira pareciam todos vivos, e o próprio relógio sobre o console (você
[10] sabe que só pode ver o fundo dele no espelho) tinha o rosto de um velhinho, e sorria para ela.
"Esta sala não é tão arrumada como a outra", Alice pensou, ao notar várias peças do jogo de
xadrez caídas no chão entre as cinzas; mas no instante seguinte, com um pequeno "Oh!" de surpresa,
estava de gatinhas, observando-as. As peças do xadrez estavam andando, duas a duas!
"Aqui estão o Rei Vermelho e a Rainha Vermelha", Alice disse (num sussurro, com temor de
assustá-los), "e ali estão o Rei Branco e a Rainha Branca, sentados na borda da pá da lareira... e aqui
vão duas Torres, andando de braço dado.. Acho que não podem me escutar", continuou baixando mais
a cabeça, *e tenho quase certeza de que não podem me ver. Alguma coisa me diz que estou invisível.
Nessa altura algo começou a guinchar na mesa atrás de Alice e a fez virar a cabeça bem a tempo
de ver um dos Peões Brancos cair e começar a espernear. Observou-o, muito curiosa para saber o que
[20] iria acontecer em seguida.
É a voz da minha filha!" exclamou a Rainha Branca passando pelo Rei, com ímpeto e tão
apressada, que o derrubou entre as cinzas. "Minha preciosa Lily!" e começou a escalar com frenesi
um lado do guarda-fogo.
"Desatino imperial!" disse o Rei, esfregando o nariz, que machucara na queda. Tinha direito a
estar um bocadinho aborrecido com a Rainha, pois estava coberto de cinzas da cabeça aos pés.
Alice estava ansiosa por ser útil e, quando a gatinha Lily estava a ponto de ter um ataque de
tanto berrar, passou a mão na Rainha rapidamente e a depositou sobre a mesa junto de sua escandalosa
filhinha.
A Rainha se sentou, arquejante: a rápida viagem pelo ar lhe tirara o fôlego por completo e por
[30] um minuto ou dois nada pôde fazer senão abraçar a pequenina Lily em silêncio. Assim que recobrou
um pouquinho de alento, gritou para o Rei Branco, que estava sentado entre as cinzas, mal-humorado:
"Cuidado com o vulcão!"
"Que vulcão?" perguntou o Rei, olhando aflito para a lareira, como se julgasse aquele o lugar
mais provável para encontrar um.
"Ele... me...expeliu", arquejou a Rainha, que ainda estava um pouco sem ar. Trate de subir...
da maneira normal... não se deixe expelir!"
Alice observou o Rei Branco transpor lenta e laboriosamente obstáculo por obstáculo, até que
finalmente disse: "Ora, nesse ritmo você vai levar horas e horas para chegar em cima da mesa. Seria
melhor eu ajudá-lo, não é?" Mas o Rei não tomou conhecimento da pergunta: estava perfeitamente
[40] claro que não a podia ouvir nem ver.
Diante disso, Alice o apanhou com muita delicadeza e o ergueu muito mais lentamente do que
erguera a Rainha, tentando não lhe tirar o fôlego. Mas, antes de o pôr na mesa, pensou que não seria
má ideia dar-lhe uma espanadinha, tão coberto de cinzas estava.
Mais tarde, contou que nunca em toda sua vida vira uma cara como a que o Rei fez ao se ver
erguido e espanado no ar por uma mão invisível. Ele ficou espantado demais para gritar, mas seus
olhos e sua boca foram ficando cada vez maiores, e cada vez mais redondos, até que a mão de Alice
tremeu tanto com a gargalhada que ele quase caiu no chão.
Disponivel em: http/www.Alice por trás do Espelho. Acesso em: 18 ago 2021. (Com adaptações)
TEXTO 2
A caixa de brinquedos
Rubem Alves
[1] A ideia de que o corpo carrega duas caixas - uma caixa de ferramentas, na mão direita, e uma
caixa de brinquedos, na mão esquerda - apareceu enquanto eu me dedicava a mastigar, ruminar e
digerir Santo Agostinho.[...]
Santo Agostinho, resumindo o seu pensamento, disse que todas as coisas que existem se
dividem em duas ordens distintas. A ordem do "uti" (ele escrevia em latim) e a ordem do "frui". "Uti"
significa o que é útil, utilizável, utensílio. Usar uma coisa é utilizá-la para obter uma outra coisa.
"Frui" significa fruir, usufruir, desfrutar, amar uma coisa por causa dela mesma.
A ordem do "uti" é o lugar do poder. Todos os utensílios, ferramentas são inventados para
aumentar o poder do corpo. A ordem do "frui" é a ordem do amor - coisas que não são utilizadas,
[10] que não são ferramentas, que não servem para nada. Elas não são úteis; são inúteis. Porque não são
para serem usadas, mas para serem gozadas, Ai você me pergunta: quem seria tolo de gastar tempo
com coisas que não servem para nada? Aquilo que não tem utilidade é jogado no lixo: lâmpada
queimada, tubo de pasta dental vazio, caneta sem tinta... [...]
E foi precisamente isso o que disse Santo Agostinho. As coisas da caixa de ferramentas, do
poder, são meios de vida, necessários para a sobrevivência (...) As ferramentas não nos dão razão
para viver; são chaves para a caixa de brinquedos.
Santo Agostinho não usou a palavra "brinquedo". Sou eu quem a usa porque não encontro outra
mais apropriada. Armar quebra-cabeças, empinar pipa, rodar pião, jogar xadrez ou bilboquê, jogar
sinuca, dançar, ler um conto, ver caleidoscópio: tudo isso não leva a nada. Essas coisas não existem
[20] para levar a coisa alguma. Quem está brincando já chegou. Comparem a intensidade das crianças ao
brincar com o seu sofrimento ao fazer fichas de leitura! Afinal de contas, para que servem as fichas
de leitura? São úteis? Dão prazer? Livros podem ser brinquedos? O inglês e o alemão têm uma
felicidade que não temos, Têm uma única palavra para se referir ao brinquedo e à arte. No inglês,
"play". No alemão, "'spielen". Arte e brinquedo são a mesma coisa: atividades inúteis que dão prazer
e alegria. Poesia, música, pintura, escultura, dança, teatro, culinária: são brincadeiras que inventamos
para que o corpo encontre a felicidade, ainda que em breves momentos de distração, como diria
Guimarães Rosa... [...]
Disponivel em: https://www1.folha.gol.com.br/folha/sinapse/uly10634872,shtml. Acesso em: 18 ago 2021. (Com adaptações)
Ao analisar os textos 1 e 2 e suas finalidades, é possível concluir que
Questão 40 10738236
COLÉGIO SÓLIDO* 1º Ano 2020Agnes Martin (1912-2004)
Foi uma pintora americana, nascida no Canadá, com enfoque no expressionismo abstrato. Recebeu o prémio Leão Dourado da academia de Artes de Veneza. Nos últimos 50 anos, a sua arte cresceu em popularidade e nos últimos anos da sua vida, começou a ser reconhecida como uma das artistas mais importantes dos Estados Unidos, ganhando, também a Medalha Nacional das Artes do Congresso Norte Americano.
Fonte: https://melhorde10.com/10-mulheres-incriveis-no-expressionismo-abstracto/
Marque a alternativa que contenha o perímetro do triângulo ABC (isósceles) pintado por Agnes
Questão 4 10356065
IFPE Subsequente 2020/1TEXTO
FRONTEIRAS ENTRE GAMES, LIVROS E CINEMA ESTÃO CADA VEZ MENORES
(1) Interatividade, pioneirismo e criação. Essas são as palavras-chave que designam os meios do videogame, do livro e do cinema, e que levam à seguinte conclusão: o entretenimento contemporâneo nunca esteve em tamanha sincronia. Economicamente, são três plataformas com distâncias pequenas (em determinadas vertentes, até opostas), e criativamente, em consonância, a trindade do entretenimento visual caminha para um mundo com fronteiras cada vez mais ínfimas.
(2) Recentemente, o ministro da Cultura espanhol, José Guirao, apresentou um dado sucinto, mas reverberante: em menos de cinco anos, espera-se que o faturamento do país europeu em videogames ultrapasse a arrecadação do mercado literário. Atualmente, o setor editorial do país fatura cerca de 2 bilhões de euros por ano, já a indústria de videogames ficou com pouco mais de 700 milhões de euros em 2017. Por essa perspectiva, a diferença pode até parecer inalcançável, mas tudo muda se considerado que os 700 milhões de euros tinham como marca, no ano anterior, “apenas” 300 milhões, ou seja, o faturamento anual do mercado de videogames mais do que dobrou nas terras do Dom Quixote.
(3) Em geral, a alta de arrecadamento da indústria do videogame mundo afora não é necessariamente uma novidade. O instituto de data base Steam apontou, ainda em maio do ano passado, que, em mídias digitais, os jogos de computadores já rendiam mais do que o streaming de vídeo, livros e música globalmente. E se, na vertente econômica, os números ditam a narrativa, criativamente, contudo, é mais difícil perceber na prática essa exclusão de fronteiras. Mas elas existem. E, para falar sobre isso, nada melhor do que ouvir quem trabalha todo dia nesses meios.
(4) Felipe Dantas é um desenvolvedor de videogames e explica um fator chave que comunga os três meios de forma bem profunda: a narrativa. “Existem narrativas muitos fortes que ultrapassam qualquer meio. São enredos que funcionam não só nos filmes, mas também em livros e videogames. Ter essa boa narrativa é a principal forma de quebrar fronteiras”, afirma ele.
(5) Bárbara Morais é uma autora brasiliense que vê essa quebra de fronteiras de uma maneira extremamente positiva: “É super interessante, eu acho que não existem mais barreiras, na verdade. Lembro que um dos meus jogos favoritos tinha uma enciclopédia de personagens e passos, e eu parava para ficar lendo, em um jogo! Eu amava. Eu acho que está tudo integrado, as ideias são contadas de várias formas diferentes e cada meio dá uma roupagem diferente para a história. Cada uma dessas obras acaba completando a outra”.
(6) Mas existe o risco dos livros perderem público para outros meios? De acordo com a autora, não: “Eu acho que, querendo ou não, sempre vai ter um (meio de entretenimento) mais popular, eu não acho que um interfere na produtividade do outro, os meios e as formas de contar história são independentes e podem se manter”. Bárbara também deixa claro como reagiria caso uma de suas obras literárias fosse adaptada para outros meios: “Eu ia amar, mesmo que não fosse uma adaptação boa, ia popularizar meu trabalho; eu toparia, sim”.
(7) Segundo o professor do departamento de comunicação da Universidade Católica de Brasília, Ciro Inácio Marcondes, a ideia de uma consciência “transmídia” não é algo novo, pelo contrário, já marca um luxo de conhecimento da humanidade - “como desde o texto oral para os livros” -, mas, atualmente, ganha um panorama monetário: “Essa questão da intermidialização tem se proliferado no contexto da comunicação, e essas narrativas transmídias passam não só pelos meios que foram criados, mas, também, por redes sociais, marketing, e isso funciona, inclusive, como uma nova economia”.
(8) Mas, afinal, o fim das fronteiras no entretenimento é para o bem ou para o mal? A questão principal dessa discussão não tem uma solução simples: “Eu, sinceramente, não consigo ter uma opinião qualitativa. É muito complexo “bater o martelo”. É um fenômeno que já acontece, o grande desafio é você marcar cada cultura com uma vertente, e a expectativa é isso aumentar, pois as mídias já são muito manipuláveis e isso não tem como mudar, é um circuito novo que já está aí”, conclui o acadêmico.
NUNES, Ronayre. Fronteiras entre games, livros e cinema estão cada vez menores. Disponível em:
https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e- arte/2019/02/24/interna_diversao_arte,739280/relacao-entre-games e-filmes.shtml.
Acesso em: 25 out. 2019 (adaptado).
Um texto é escrito de maneira mais formal ou menos formal para atender aos objetivos de sua produção, os quais costumam estar em consonância com a sua função social, bem como com os meios de circulação, entre outros aspectos.
Sobre o tipo de registro utilizado para produzir o TEXTO , assinale a alternativa CORRETA.
Questão 4 11066079
IFTM Integrados 2019/1A questão deve ser respondida com base no texto a seguir.
Uma crítica a “La Casa de Papel”: a história de um assalto digno de aplausos

Fonte: Gettyimages Em um grupo de oito ladrões de personalidades bem distintas, a casa da moeda é tomada com 60 reféns em seu interior. O objetivo do bando é executar o plano do professor: roubar 2,4 bilhões de Euros.
No finalzinho de 2017, a Netflix disponibilizou em seu catálogo a primeira parte de “La Casa de Papel”, que conseguiu roubar sua atenção logo no primeiro episódio, cheio de ação, suspense, planos geniais e plot twists matadoras.
A minissérie espanhola se tornou um fenômeno de público no Brasil, e uma das séries mais assistidas da história da plataforma. Em seu país original, ela foi lançada originalmente com um total de 15 episódios, porém, pelo mundo, a Netflix dividiu a temporada em duas partes com um total de 22 episódios.
A história acompanha um homem genial, chamado Professor (Álvaro Morte), que recruta oito criminosos para assaltar a Casa da Moeda da Espanha – em um plano surpreendentemente contundente. Cada passo desse perfeito plano do professor é contado pela narradora Tokio, interpretada pela maravilhosa Úrsula Corberó, uma ladra que se tornou uma assassina após seu noivo ser morto durante um assalto.
Usando flashbacks, nós vamos conhecendo um pouco mais de cada um dos ladrões e tendo empatia com eles, algo similar à Síndrome de Estocolmo. Afinal, nós entendemos as motivações de cada um dos ladrões.
Todos os personagens são tridimensionais e aprofundados, e cada personalidade é trabalhada separadamente, deixando a série mais interessante e viciante. É muito difícil conseguir não ir direto para o próximo episódio, pois cada virada na trama nos deixa mais curiosos pelo desfecho da história.
Além de conhecer o passado dos assaltantes, nós também conhecemos um pouco do drama de alguns dos reféns, com destaque para a atriz Esther Acebo, que interpreta Mónica, em uma atuação sensacional.
Na primeira parte, somos apresentados aos personagens e às reviravoltas em torno do plano genial do professor. Na segunda parte, enquanto o barco começa a afundar e o plano é colocado em cheque, nossos bandidos preferidos partem para a ação para salvar suas próprias peles.
Criada por Álex Pina, “La Casa de Papel” tem um roteiro genial e atuações acima da média, e já se tornou um fenômeno no Brasil. É uma série que te prende na frente da TV do começo ao fim, cheia de suspense, drama e reviravoltas de tirar o chapéu, mesmo sendo contada em apenas uma temporada.
O desfecho é agridoce, e pode deixar as pessoas de queixo caído com o destino de alguns desses personagens.
Minha nota para “La Casa de Papel” é 10. De tirar o chapéu! Não perca!
Disponível em: https://cinepop.com.br. Adaptado. Acesso em: 5 set. 2018
No trecho “É muito difícil conseguir não ir direto para o próximo episódio, pois cada virada na trama nos deixa mais curiosos pelo desfecho da história”, há a utilização do elemento conectivo “pois”, em destaque.
Qual dos termos a seguir substituiria o conectivo “pois” sem alteração de sentido?
Questão 1 11066029
IFTM Integrados 2019/1A questão deve ser respondida com base no texto a seguir.
Uma crítica a “La Casa de Papel”: a história de um assalto digno de aplausos

Fonte: Gettyimages Em um grupo de oito ladrões de personalidades bem distintas, a casa da moeda é tomada com 60 reféns em seu interior. O objetivo do bando é executar o plano do professor: roubar 2,4 bilhões de Euros.
No finalzinho de 2017, a Netflix disponibilizou em seu catálogo a primeira parte de “La Casa de Papel”, que conseguiu roubar sua atenção logo no primeiro episódio, cheio de ação, suspense, planos geniais e plot twists matadoras.
A minissérie espanhola se tornou um fenômeno de público no Brasil, e uma das séries mais assistidas da história da plataforma. Em seu país original, ela foi lançada originalmente com um total de 15 episódios, porém, pelo mundo, a Netflix dividiu a temporada em duas partes com um total de 22 episódios.
A história acompanha um homem genial, chamado Professor (Álvaro Morte), que recruta oito criminosos para assaltar a Casa da Moeda da Espanha – em um plano surpreendentemente contundente. Cada passo desse perfeito plano do professor é contado pela narradora Tokio, interpretada pela maravilhosa Úrsula Corberó, uma ladra que se tornou uma assassina após seu noivo ser morto durante um assalto.
Usando flashbacks, nós vamos conhecendo um pouco mais de cada um dos ladrões e tendo empatia com eles, algo similar à Síndrome de Estocolmo. Afinal, nós entendemos as motivações de cada um dos ladrões.
Todos os personagens são tridimensionais e aprofundados, e cada personalidade é trabalhada separadamente, deixando a série mais interessante e viciante. É muito difícil conseguir não ir direto para o próximo episódio, pois cada virada na trama nos deixa mais curiosos pelo desfecho da história.
Além de conhecer o passado dos assaltantes, nós também conhecemos um pouco do drama de alguns dos reféns, com destaque para a atriz Esther Acebo, que interpreta Mónica, em uma atuação sensacional.
Na primeira parte, somos apresentados aos personagens e às reviravoltas em torno do plano genial do professor. Na segunda parte, enquanto o barco começa a afundar e o plano é colocado em cheque, nossos bandidos preferidos partem para a ação para salvar suas próprias peles.
Criada por Álex Pina, “La Casa de Papel” tem um roteiro genial e atuações acima da média, e já se tornou um fenômeno no Brasil. É uma série que te prende na frente da TV do começo ao fim, cheia de suspense, drama e reviravoltas de tirar o chapéu, mesmo sendo contada em apenas uma temporada.
O desfecho é agridoce, e pode deixar as pessoas de queixo caído com o destino de alguns desses personagens.
Minha nota para “La Casa de Papel” é 10. De tirar o chapéu! Não perca!
Disponível em: https://cinepop.com.br. Adaptado. Acesso em: 5 set. 2018
De acordo com a crítica da série “La Casa de Papel”:
Questão 19 10596274
FAETEC 2019A infinita fiadeira
A aranha, aquela aranha, era tão única: não parava de fazer teias! Fazia-as de todos os tamanhos e formas. Havia, contudo, um senão: ela fazia-as, mas não lhes dava utilidade. O bicho repaginava o mundo. Contudo, sempre inacabava as suas obras. Ao fio e ao cabo, ela já amealhava uma porção de teias que só ganhavam senso no rebrilho das manhãs.
E dia e noite: dos seus palpos primavam obras, com belezas de cachimbo gotejando, rendas e rendilhados. Tudo sem fim nem finalidade. Todo o bom aracnídeo sabe que a teia cumpre as fatais funções: lençol de núpcias,
armadilha de caçador. Todos sabem, menos a nossa aranhinha, em suas distraiçoeiras funções.
Para a mãe aranha aquilo não passava de mau senso. Para quê tanto labor se depois não se dava a indevida aplicação? Mas a jovem aranhiça não fazia ouvidos. E alfaiatava, alfinetava, cegava os nós. Tecia e retecia o fio, entrelaçava e reentrelaçava mais e mais teia. Sem nunca fazer morada em nenhuma. Recusava a utilitária vocação da sua espécie.
— Não faço telas por instinto.
— Então, faz porquê”?
— Faço por arte.
A filha saiu pelo mundo em ofício de infinita teceloa. E em cantos e recantos deixava a sua marca, o engenho da sua seda. Os pais, após a concertação, a mandaram chamar. Em choro múltiplo, a mãe limpou as lágrimas dos muitos olhos enquanto disse:
— Estamos recebendo queixas do aranhal.
— O que é que dizem?
— Dizem que isso só pode ser doença apanhada de outras criaturas.
Até que decidiram: a jovem aranha tinha que ser reconduzida aos seus mandos genéticos. Aquele deva- neio seria causado por falta de namorado.
E aconteceu. Contudo, ao invés de devorar o singelo namorador, a aranha namorou e ficou enamorada. Os dois deram-se os apêndices e dançaram ao som de uma brisa que fazia vibrar a teia. Ou seria a teia que fabricava a brisa?
A aranhiça levou o namorado a visitar a sua colecção de teias, ele que escolhesse uma, ficaria como prova de seu amor.
A familia desiludida consultou o Deus dos bichos, para reclamar da fabricação daquele espécime. Uma aranha assim, com mania de gente” Na sua alta teia, o Deus dos bichos quis saber o que poderia fazer. Pediram que ela transitasse para humana. E assim sucedeu: num golpe divino, a aranha foi convertida em pessoa. Quando ela, já transfigurada, se apresentou no mundo dos humanos logo lhe exigiram a imediata identificação. Quem era, o que fazia?
— Faço arte.
— Arte?
E os humanos se entreolharam, intrigados. Desconheciam o que fosse arte. Em que consistia? Até que um, mais-velho, se lembrou. Que houvera tempos, em tempos de que já se perdeu memória, em que alguns se ocupavam de tais improdutivos afazeres. Felizmente, isso tinha acabado, e os poucos que teimavam em criar esses pou- co rentáveis produtos — chamados obras de arte — tinham sido geneticamente transmutados em bichos. Não se lembravam bem em que bichos. Aranhas, ao que parece. Mia Couto
(In: O fio das missangas, publicado pela Ed. Companhia das Letras)
O comentário final do narrador sugere uma narrativa que se organiza de modo:
06
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