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3.523 Questões

Marca Texto
Modo Escuro
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Questão 5 7328817
Médio 00:00

IfSuldesteMinas 2019/1
  • Arte
  • Sugira
  • Linguagens artísticas
  • Dança
  • Contexto e prática Dança contemporânea Expressão e cultura
  • Exibir tags
Resolução comentada

A questão se refere ao texto.

 

Texto

 

Leia o trecho da entrevista ao Le Diplomatique, concedida pelo rapper brasileiro Emicida, quando questionado sobre o seu papel como artista:

 

EMICIDA - Talvez minha cruz seja a liberdade. Tenho um bagulho selvagem. Livre e selvagem, e não estou contando com a compreensão dos outros. No momento que precisávamos romper com a tradição, rompemos, sem medo de ser feliz ou triste.

[...]

Não chamo a liberdade de cruz por ser ruim, mas a atmosfera do nosso país faz com que a liberdade seja uma parada amaldiçoada quando um preto é livre. Quando você é preto, precisa cumprir com alguns requisitos básicos para ser interpretado como ser humano. As pessoas têm um estereótipo, e se você quebra isso, elas se julgam no direito de colocar o dedo na sua cara.

[...]

A vida inteira estamos cantando sobre ascensão, quebrar as barreiras e mostrar como a vitória também pode ser possível. Corta para 2017. Um bando de cabaço do MBL (Movimento Brasil Livre) pega uma foto minha em um evento de gala e coloca: “usa um terno de R$ 15 mil e isso é uma grande contradição no discurso dele”. No imaginário dessas e de várias pessoas que corroboram com essa palhaçada, o lugar do preto está definido. Eles nunca se incomodam ao ver um preto na calçada, jogado no lixo, andando pelado, louco na rua ou amontoado em cadeia. Mas quando vê um preto ganhando troféu de “Homem do ano”, com um terno foda, nesse momento consigo ler claramente que a liberdade ofende. Quando damos um passo rumo ao SP Fashion Week, com pretos em toda cadeia de produção, da costureira da Vila Brasilândia a modelo que desfilou, move toda estrutura, e no momento que colocamos esses pretos vivos na capa de todos os jornais do Brasil, as pessoas falam que estamos cobrando caro nas roupas da Laboratório Fantasma… É gente que não faz a menor ideia do que é a nossa história, do que nós falamos, da cadeia que movemos. Na cabeça delas, nosso destino é ser miserável. Não temos o direito de cobrar o que achamos que nosso trabalho vale. Mas aí eu me apego à minha liberdade. Eu quero é que se foda.

Disponível em: https://diplomatique.org.br/me-preocupa-o-fato-de-a-poesia-precisar-ser-obvia-pra-caralho-emicida/

Conforme o ponto de vista do entrevistado, a compreensão do termo “liberdade”, abarca:

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Questão 5 7328469
Médio 00:00

UNIPAM 2019
  • Arte
  • Sugira
  • Linguagens artísticas
  • Artes integradas
  • Relações artísticas
  • Exibir tags
Resolução comentada

JARDINS POSSÍVEIS

 

Eu buscava um antípoda para a pedra impassível. Não sendo ela nem obra nem ser, cumpria-me descobrir algo que a um tempo vivesse como planta ou animal e fosse concebido, encaminhado, executado em seus menores detalhes pela inteligência, a decisão e a escolha. Algo que houvesse saído de uma semente, que fosse tributário do crescimento e da morte, e, no entanto, que obra humana fosse, premeditada e realizada como são os poemas, os quadros, as estátuas. Nada melhor que os jardins para reunir essas opostas condições. Pertencem à natureza viva, são frágeis e perecíveis, sujeitos ao sol e à intempérie, mas meditados e realizados por uma capacidade de conhecer e governar as energias negligentes ou suspicazes.

 

Em qualquer lugar do mundo, começar um jardim exige de início que um espírito o imagine e, em seguida, que mãos destorroem o solo, que dele expulsem as pedras ou as unem para conter uma terra móbil, irrigada, espiolhada, submetida a comando estrangeiro, feita propícia a uma fecundidade mais sutil. Por isso, em toda a parte, são os jardins raros e parcelares. Seu espaço calculado é conquistado à aridez ou à exuberância, ao passo que florestas ou desertos se estendem sem partilha sobre imensidões que diríamos feitas de propósito para tornar igualmente inoperantes, se não cômicas, as ferramentas do jardineiro — enxada ou podadeira, ancinho ou regador.

 

Que sinais nos fazem reconhecer um jardim? Já que dependem dos climas, seria de esperar que fossem tão diversos quanto eles. Ora, se existe uma arte dos jardins, ela nos parece singularmente menos variada do que as outras. No final, tudo se reduz, espantosamente, a uns poucos modelos.

 

Pensando bem, a arte dos jardinas é provavelmente a mais ambígua, a mais difícil e, ao mesmo tempo, a menos apreensível de todas as artes. Afinal, um jardim faz-se apenas com a própria natureza, e, no entanto, desta se deve

 

afastar por uma ostensiva ou delicada alteração que é o que precisamente o torna jardim e o isola de maneira franca ou insidiosa dentro da extensão que o cerca. Todo jardim é jardim de Circe ou de Armida, isto é, fantasmagoria, a um tempo cantão da natureza e quadro destinado a encantar o olhar ou tapete para acolher e honrar o visitante. Um jardim é doméstico e improdutivo: nem savana (ou tundra ou matagal) nem horta (ou seara, pomar, viveiro de plantas). Nem tampouco terreno vago, que denotaria abandono. Exige muitos cuidados e nada promete em troca, salvo um prazer que o granizo ou a seca ou um excesso de seiva facilmente arruínam.

 

O jardim instala no espaço rude uma minigeografia bem arrumada, ligeiramente desligada da natureza. O homem o criou não para a sua subsistência, mas para seu deleite. O jardim é inútil e cobiçado: exatamente as duas características pelas quais os que não são artistas facilmente reconhecem as obras de arte. Paisagem inflectida e inserida na paisagem natural ou agrícola. Às vezes fechado por muralhas — enquadramento dos mais indiscretos —, às vezes por uma sebe, um riacho ou uma mudança de declive, em último caso pela nuança, o espesso ou o raso de uma grama plantada, regada, tratada: limite quase ausente e, no entanto, ainda perceptível. Tanto é indispensável que se faça aí visível o lugar onde começa a indústria do homem.

 

Trata-se aqui de conjugar um traçado do espírito com a dotação e o capricho das seivas, uma épura, uma visão — dizia eu há pouco, uma fantasmagoria — com um céu, um solo, acidentes de terreno, com uma hidrografia abundante ou avara. O pintor, sobre a parede ou sobre a tela, compõe à vontade linhas, superfícies e cores. O joalheiro em seu banco, para fazer suas joias, junta, a seu bel prazer, gemas e metais. O escultor e o arquiteto levam em conta a resistência do material, obedecem às leis imperturbáveis do equilíbrio e da gravidade.

 

Uns e outros atuam livremente. Lidam com substâncias dóceis ou rebeldes, mas sempre inertes, que eles manipulam e submetem à sua inspiração. Não precisam temer que elas se rebelem ou esquivem ou lhes preguem peças. Ao imaginar ou realizar um jardim, o jardineiro modifica a natureza escabrosa, corrige-a, metamorfoseia-a. Deve calcular, com a fertilidade do humo, com o ciclo das estações, com o regime das chuvas, a data das sementes, os ritmos de crescimento e de floração, com as mil perfídias da ecologia. Especula sobre o aleatório.

 

Ao contrário do artista, o jardineiro não acrescenta um objeto, uma obra aos dados do universo. Transforma em obra uma porção medida da natureza. Isso explica, suponho, por que os estilos da música, da literatura e das artes são tão numerosos, e os dos jardins tão raros a ponto de serem em bem menor número que os de impérios e climas. A ponto de podermos vêlos todos num giro rápido.

 

Um jardim francês clássico são apenas simetrias e perspectivas, canteiros conjugados e espelhos d‘água, buxos esculpidos a tesoura, festões e chafarizes. Tem mais a ver com o desenrolar de uma tragédia de Racine ou o equilíbrio de uma composição de Poussin do que com um simulacro de lugar selvagem. Já a desordem (amestrada) de um parque inglês, com suas cascatas e grutas (artificiais), seus caminhos sinuosos (mas limpos de ervas daninhas), suas misturas (requintadas) de flores turbulentas, propõe uma aparência de candura só possível à custa de muita paciência e engenhosidade. Os italianos da Renascença inventaram os labirintos de teixos e ciprestes, atrativos para a metafísica, o namoro galante e as conspirações. O budismo zen circunscreveu breves extensões de pedras e areia, onde apenas o imortal é admitido e de onde, paradoxalmente, os vegetais foram expulsos: quer familiarizar a alma com serenidade, que é contemplação bemaventurada do nada. Dentro de um espaço restrito, os japoneses constroem uma miniatura do mundo: uma montanha, um lago, uma floresta, uma planície, um templo e seu minúsculo jardim que não ocupa mais do que uma superfície ínfima, alegórica, no jardim microcósmico que o circunda e onde comparece, por amostragem, a totalidade do universo, Prosseguisse eu neste inventário e ele logo se esgotaria.

 

Um artista brasileiro, Roberto Burle Marx, alongou a curta lista. Para realizar tal façanha, dispunha, para começar, de prodigiosos recursos, mas havia também que ter a ideia de sair em busca deles e deles tirar o melhor partido possível. Não existia um jardim da voraz, explosiva, esmagadora flora tropical. Ele criou a sua facies: maciços densos de limbos e corolas, distribuídos por vastas praias monocrômicas, cactáceas gigantes mais eriçadas que ouriços-do-mar, gaiolas de lianas e raízes aéreas, folhagens envernizadas de anverso esmeralda e ventre de mercúrio; ou o pavês dos epífitos, os quincunces das Helicônias como brochetes de andorinhas púrpuras, os guardasóis das samambaias e palmeiras, a seda verde das bananeiras esfarrapadas pelas ventanias; à sombra deles, os espinhos, os penachos; e mais embaixo ainda, as amídalas, as vulvas, as mucosas de uma flora visceral e pingue. A vida, a fermentação, desdobradas e ávidas como em nenhum outro lugar, crivadas aqui por uma queda de aerólitos que estancam, que petrificam sua prodigalidade: prismas siderais, lanços de falésia serrada, estelas retilíneas e mudas, cujas arestas austeras contrastam com a vegetação réptil. Pedras que alguém começou a esquadrar para alguma muralha ciclópica e arquitetos versáteis ali deixaram plantadas; blocos erráticos, fragmentos de astros, rochedos atormentados por musgos e algas secas ou pela úsnea, quais crânios de caveiras. Atestam a usura e a paciência do planeta. Este é o jardim de um mundo que permanece inacabado graças exatamente à própria falta de medida e ao próprio esplendor.

 

O que restará depois para inventar se não o jardim ártico, quase imaterial, feito de granizo e gelo, de reflexos de estrelas sobre a geleira flutuante e de planejamentos de luz após uma noite que, de tão longa, fez seu dia cair no esquecimento?

(CAILLOIS, Roger. Nos jardins possíveis. In: LEENHARDT, Jacques. Nos jardins de Burle Marx. São Paulo: Editora Perspectivas, s/d, p. 1-6. Com adaptação).

Os jardineiros, na sua arte de jardinagem, diferenciam-se dos pintores, dos joalheiros, dos escultores e dos arquitetos, nas suas atividades artísticas específicas.

 

A respeito disso, é CORRETO afirmar:

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Questão 3 7328466
Médio 00:00

UNIPAM 2019
  • Arte
  • Sugira
  • Linguagens artísticas
  • Artes integradas Artes visuais
  • Patrimônio cultural Relações artísticas
  • Exibir tags

JARDINS POSSÍVEIS

 

Eu buscava um antípoda para a pedra impassível. Não sendo ela nem obra nem ser, cumpria-me descobrir algo que a um tempo vivesse como planta ou animal e fosse concebido, encaminhado, executado em seus menores detalhes pela inteligência, a decisão e a escolha. Algo que houvesse saído de uma semente, que fosse tributário do crescimento e da morte, e, no entanto, que obra humana fosse, premeditada e realizada como são os poemas, os quadros, as estátuas. Nada melhor que os jardins para reunir essas opostas condições. Pertencem à natureza viva, são frágeis e perecíveis, sujeitos ao sol e à intempérie, mas meditados e realizados por uma capacidade de conhecer e governar as energias negligentes ou suspicazes.

 

Em qualquer lugar do mundo, começar um jardim exige de início que um espírito o imagine e, em seguida, que mãos destorroem o solo, que dele expulsem as pedras ou as unem para conter uma terra móbil, irrigada, espiolhada, submetida a comando estrangeiro, feita propícia a uma fecundidade mais sutil. Por isso, em toda a parte, são os jardins raros e parcelares. Seu espaço calculado é conquistado à aridez ou à exuberância, ao passo que florestas ou desertos se estendem sem partilha sobre imensidões que diríamos feitas de propósito para tornar igualmente inoperantes, se não cômicas, as ferramentas do jardineiro — enxada ou podadeira, ancinho ou regador.

 

Que sinais nos fazem reconhecer um jardim? Já que dependem dos climas, seria de esperar que fossem tão diversos quanto eles. Ora, se existe uma arte dos jardins, ela nos parece singularmente menos variada do que as outras. No final, tudo se reduz, espantosamente, a uns poucos modelos.

 

Pensando bem, a arte dos jardinas é provavelmente a mais ambígua, a mais difícil e, ao mesmo tempo, a menos apreensível de todas as artes. Afinal, um jardim faz-se apenas com a própria natureza, e, no entanto, desta se deve

 

afastar por uma ostensiva ou delicada alteração que é o que precisamente o torna jardim e o isola de maneira franca ou insidiosa dentro da extensão que o cerca. Todo jardim é jardim de Circe ou de Armida, isto é, fantasmagoria, a um tempo cantão da natureza e quadro destinado a encantar o olhar ou tapete para acolher e honrar o visitante. Um jardim é doméstico e improdutivo: nem savana (ou tundra ou matagal) nem horta (ou seara, pomar, viveiro de plantas). Nem tampouco terreno vago, que denotaria abandono. Exige muitos cuidados e nada promete em troca, salvo um prazer que o granizo ou a seca ou um excesso de seiva facilmente arruínam.

 

O jardim instala no espaço rude uma minigeografia bem arrumada, ligeiramente desligada da natureza. O homem o criou não para a sua subsistência, mas para seu deleite. O jardim é inútil e cobiçado: exatamente as duas características pelas quais os que não são artistas facilmente reconhecem as obras de arte. Paisagem inflectida e inserida na paisagem natural ou agrícola. Às vezes fechado por muralhas — enquadramento dos mais indiscretos —, às vezes por uma sebe, um riacho ou uma mudança de declive, em último caso pela nuança, o espesso ou o raso de uma grama plantada, regada, tratada: limite quase ausente e, no entanto, ainda perceptível. Tanto é indispensável que se faça aí visível o lugar onde começa a indústria do homem.

 

Trata-se aqui de conjugar um traçado do espírito com a dotação e o capricho das seivas, uma épura, uma visão — dizia eu há pouco, uma fantasmagoria — com um céu, um solo, acidentes de terreno, com uma hidrografia abundante ou avara. O pintor, sobre a parede ou sobre a tela, compõe à vontade linhas, superfícies e cores. O joalheiro em seu banco, para fazer suas joias, junta, a seu bel prazer, gemas e metais. O escultor e o arquiteto levam em conta a resistência do material, obedecem às leis imperturbáveis do equilíbrio e da gravidade.

 

Uns e outros atuam livremente. Lidam com substâncias dóceis ou rebeldes, mas sempre inertes, que eles manipulam e submetem à sua inspiração. Não precisam temer que elas se rebelem ou esquivem ou lhes preguem peças. Ao imaginar ou realizar um jardim, o jardineiro modifica a natureza escabrosa, corrige-a, metamorfoseia-a. Deve calcular, com a fertilidade do humo, com o ciclo das estações, com o regime das chuvas, a data das sementes, os ritmos de crescimento e de floração, com as mil perfídias da ecologia. Especula sobre o aleatório.

 

Ao contrário do artista, o jardineiro não acrescenta um objeto, uma obra aos dados do universo. Transforma em obra uma porção medida da natureza. Isso explica, suponho, por que os estilos da música, da literatura e das artes são tão numerosos, e os dos jardins tão raros a ponto de serem em bem menor número que os de impérios e climas. A ponto de podermos vêlos todos num giro rápido.

 

Um jardim francês clássico são apenas simetrias e perspectivas, canteiros conjugados e espelhos d‘água, buxos esculpidos a tesoura, festões e chafarizes. Tem mais a ver com o desenrolar de uma tragédia de Racine ou o equilíbrio de uma composição de Poussin do que com um simulacro de lugar selvagem. Já a desordem (amestrada) de um parque inglês, com suas cascatas e grutas (artificiais), seus caminhos sinuosos (mas limpos de ervas daninhas), suas misturas (requintadas) de flores turbulentas, propõe uma aparência de candura só possível à custa de muita paciência e engenhosidade. Os italianos da Renascença inventaram os labirintos de teixos e ciprestes, atrativos para a metafísica, o namoro galante e as conspirações. O budismo zen circunscreveu breves extensões de pedras e areia, onde apenas o imortal é admitido e de onde, paradoxalmente, os vegetais foram expulsos: quer familiarizar a alma com serenidade, que é contemplação bemaventurada do nada. Dentro de um espaço restrito, os japoneses constroem uma miniatura do mundo: uma montanha, um lago, uma floresta, uma planície, um templo e seu minúsculo jardim que não ocupa mais do que uma superfície ínfima, alegórica, no jardim microcósmico que o circunda e onde comparece, por amostragem, a totalidade do universo, Prosseguisse eu neste inventário e ele logo se esgotaria.

 

Um artista brasileiro, Roberto Burle Marx, alongou a curta lista. Para realizar tal façanha, dispunha, para começar, de prodigiosos recursos, mas havia também que ter a ideia de sair em busca deles e deles tirar o melhor partido possível. Não existia um jardim da voraz, explosiva, esmagadora flora tropical. Ele criou a sua facies: maciços densos de limbos e corolas, distribuídos por vastas praias monocrômicas, cactáceas gigantes mais eriçadas que ouriços-do-mar, gaiolas de lianas e raízes aéreas, folhagens envernizadas de anverso esmeralda e ventre de mercúrio; ou o pavês dos epífitos, os quincunces das Helicônias como brochetes de andorinhas púrpuras, os guardasóis das samambaias e palmeiras, a seda verde das bananeiras esfarrapadas pelas ventanias; à sombra deles, os espinhos, os penachos; e mais embaixo ainda, as amídalas, as vulvas, as mucosas de uma flora visceral e pingue. A vida, a fermentação, desdobradas e ávidas como em nenhum outro lugar, crivadas aqui por uma queda de aerólitos que estancam, que petrificam sua prodigalidade: prismas siderais, lanços de falésia serrada, estelas retilíneas e mudas, cujas arestas austeras contrastam com a vegetação réptil. Pedras que alguém começou a esquadrar para alguma muralha ciclópica e arquitetos versáteis ali deixaram plantadas; blocos erráticos, fragmentos de astros, rochedos atormentados por musgos e algas secas ou pela úsnea, quais crânios de caveiras. Atestam a usura e a paciência do planeta. Este é o jardim de um mundo que permanece inacabado graças exatamente à própria falta de medida e ao próprio esplendor.

 

O que restará depois para inventar se não o jardim ártico, quase imaterial, feito de granizo e gelo, de reflexos de estrelas sobre a geleira flutuante e de planejamentos de luz após uma noite que, de tão longa, fez seu dia cair no esquecimento?

(CAILLOIS, Roger. Nos jardins possíveis. In: LEENHARDT, Jacques. Nos jardins de Burle Marx. São Paulo: Editora Perspectivas, s/d, p. 1-6. Com adaptação).

A respeito dos jardins como formas de arte, julgue os itens a seguir.

 

I. Os jardins são, simultaneamente, espaço natural e espaço de deleite para os homens.
II. Os jardins, como florestas ou desertos, são uma fantasmagoria que acolhe os visitantes.
III. Os jardins são, paradoxalmente, prescindíveis aos homens e ambicionados por eles.
IV. Os jardins configuram-se como uma minigeografia favorável à subsistência humana.

 

É CORRETO apenas o que se afirma em

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Questão 28 7266113
Médio 00:00

CUSC Medicina 2° Semestre 2019
  • Arte
  • Sugira
  • História da Arte
  • Movimentos Artísticos
  • Vanguarda (Arte Conceitual)
  • Exibir tags
Resolução comentada

Analise a imagem da tela Abaporu, pintada por Tarsila do Amaral em 1928.

Sobre a tela, pode-se afirmar que:

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Questão 73 6313477
Médio 00:00

ENCCEJA 2019
  • Arte
  • Sugira
  • Linguagens artísticas
  • Artes visuais
  • Criação
  • Exibir tags
Resolução comentada

A imagem apresenta um trabalho minimalista que utiliza a

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Questão 1 5418570
Médio 00:00

FAAP BLOCO I 2019
  • Arte
  • Sugira
  • História da Arte Linguagens artísticas
  • Arte do Brasil Artes visuais
  • Pintura
  • Exibir tags
Resolução comentada

Sobre a obra de Tarsila do Amaral, está incorreto afirmar que:

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