Questões de Sociologia
6.493 Questões
Questão 89 350589
UNICENTRO 2014/1A atuação dos movimentos sociais contemporâneos, no campo e na cidade, revelam que eles se
Questão 16 278463
FACASPER 2014De um lado, ocorre que, hoje, cada vez mais intensamente, cresce o número de pessoas que, embora procurando trabalhar, não conseguem colocação e não contam com qualquer outra forma de sobrevivência. Assim, ainda que, objetivamente, haja condições para que disponham de mais tempo livre e possam preenchê-lo de forma mais independente, aumenta o número daqueles que, ao invés de tempo livre, vivem um tempo sem ocupação, sentem-se pressionados pela condição de não trabalho e, portanto, impedidos de crescerem enquanto indivíduos.”
Fonte: Oliva-Augusto, Maria Helena. Tempo, indivíduo e vida social. Cienc. Cult. Out/dez 2002, vol 54, nº2, p.30-33.
As ideias do texto se mostram coerentes com a
Questão 14 278458
FACASPER 2014“É claro que a juventude de classe média brasileira não acordou sozinha. E não acordou de repente. A internet tornou o despertar mais rápido, sem dúvida. Mas existe uma esquerda resistente, que está representada nos pequenos partidos, que empunha a bandeira da ética e da transparência e que há muito tempo vem conquistando a juventude, usando a mesma linguagem e os mesmos meios que ela: a internet. Dar asas à sociedade civil para que ela assuma seu papel transformador, a partir do ressurgimento do sentimento de brasilidade, da certeza de que os verdadeiros donos do país somos nós. Utópico, porém alcançável, principalmente em tempos de internet.”
FONTE: Observatório da Imprensa. RIBEIRO, Mehane Albuquerque. Publicado em 25-06-2013. Adaptado. http:// www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed752_sobre_os_recentes_movimentos_sociais_urbanos_no_ brasil Acessado em 16-09-2013
A respeito do texto é possível afirmar que:
Questão 1 217586
FACISA 2014/2O indivíduo sitiado
Brian, o herói cujo nome compõe o título do filme do grupo Monty Python, furioso por ter sido proclamado o Messias e ser acompanhado aonde quer que fosse por uma horda de adoradores, fez o possível, mas não em vão, para convencer seus seguidores a pararem de se comportar como um rebanho de ovelhas e se dispersarem. “Todos vocês são indivíduos!”, gritou. “Nós somos todos indivíduos!”, respondeu devidamente, em uníssono, o coro dos devotos. Só uma longínqua voz solitária objetou: “Eu não sou...”. Brian tentou outro argumento. “Vocês têm de ser diferentes!”, gritou. “Sim, todos nós somos diferentes”, concordou o coro, extasiado. Mais uma vez, só uma voz contestou: “Eu não sou...”. Ouvindo isso, a multidão olhou em volta com irritação, ávida por linchar o dissidente, desde que pudesse encontrá-lo em meio à massa de pessoas parecidas.
Essa pérola satírica contém tudo – todo o irritante paradoxo, ou aporia, da individualidade. Pergunte a quem quiser o que significa ser um indivíduo, e a resposta, venha ela de um filósofo ou de uma pessoa que nunca se preocupou em saber ou nunca ouviu falar do que os filósofos vivem, será muito semelhante: ser um indivíduo significa ser diferente de todos os outros. Ocasionalmente, um eco distante da auto-apresentação de Deus a Moisés poderá reverberar na resposta: “eu sou quem eu sou”. O que quer dizer: um ser ímpar, a única criatura feita (ou, como Deus, autoconstruída) desta forma peculiar: tão profundamente única, que a singularidade não pode ser descrita por meio de palavras que possam ter mais de um significado.
Mas a questão é que são exatamente os mesmos “outros”, dos quais não podemos deixar de ser diferentes, que cutucam, pressionam e forçam a pessoa a diferir. É nessa companhia chamada “sociedade”, da qual você não é nada a mais do que um dos membros, que aquelas pessoas à volta, conhecidas e desconhecidas, esperam de você e de todos os outros que você conhece ou de quem já ouviu falar que forneçam provas convincentes de serem um “indivíduo”, de terem sido feitos ou autoconstruídos para serem “diferentes dos demais”. No que se refere a essa obrigação de discordar e diferir, ninguém pode ousar discordar ou diferir. (...) Paradoxalmente, a “individualidade” se refere ao “espírito de grupo” e precisa ser imposta por um aglomerado. Ser um indivíduo significa ser igual a todos do grupo – na verdade, idêntico aos demais. Sob tais circunstâncias, quando a individualidade é um “imperativo universal” e a condição de todos, o único ato que o faria diferente e portanto genuinamente individual seria tentar – de modo desconcertante e surpreendente – não ser um indivíduo. Ou seja, se você conseguiu realizar esse feito; e se puder sujeitar-se às (altamente desagradáveis) consequências...
BAUMAN, Zygmunt. Vida Líquida. Rio de Janeiro: Zahar Ed., 2007, pp. 25-26.
Para indicar os paradoxos entre individualidade e coletividade nas sociedades pós-modernas, Bauman parte da abordagem do polêmico filme A Vida de Brian (1979), do cineasta Terry Jones. Podemos afirmar que essa escolha do sociólogo é possível porque
Questão 10 210247
UECE 1ª Fase 2014/2Texto 2
José Paulo Florenzano
FUTEBOL E RACISMO: O MITO DA
[50] DEMOCRACIA EM CAMPO
A história do futebol brasileiro contém, ao
longo de quase um século, registros de
episódios marcados pelo racismo. Eis o
paradoxo: se de um lado a atividade
[55] futebolística era depreciada aos olhos da
“boa sociedade” enquanto profissão destinada
a pobres, negros e marginais, de outro ela se
achava investida do poder de representar e
projetar a nação em escala mundial.
[60] VÍNCULO MENOS ASSIMÉTRICO ENTRE
NEGROS E BRANCOS
O trem do futebol descortinava perspectivas
promissoras no terreno das relações sociais.
Mas embora transportasse ricos e pobres,
[65] negros e brancos, ele o fazia alocando os
diversos grupos em vagões separados.
Enquanto a juventude privilegiada agia de
modo a reforçar as divisões internas da
composição, a mocidade alegre dos subúrbios
[70] buscava franquear a passagem a fim de
enriquecer a experiência da viagem. Caberia,
nesse sentido, um papel de destaque aos
jogadores que logravam transitar entre os
diversos compartimentos.
[75] LEÔNIDAS DA SILVA: IDENTIDADE AMBÍGUA
DO ATLETA
Seria nesta conjuntura adversa que
Leônidas da Silva pegaria o bonde da história.
Símbolo da proeminência adquirida pelo boleiro
[80] em detrimento do sportsman, ele encarnava a
mudança destinada a apagar os últimos
vestígios da marca refinada, esnobe e
excludente que a juventude privilegiada
procurara atribuir à prática do esporte inglês,
[85] substituindo-a gradativamente por uma feição
mais popular do jogo, por uma dimensão mais
nacional do futebol, por uma identidade mais
ambígua do atleta.
RISCOS SIMBÓLICOS
[90] A realização da Copa do Brasil em 1950
viria a se constituir, neste sentido, em uma
rara oportunidade. No dia da decisão contra o
Uruguai sobreveio o inesperado revés. Foi,
então, que os torcedores descobriram os riscos
[95] simbólicos envolvidos na tarefa de reimaginar
a nação dentro das quatro linhas do campo. As
reportagens da crônica esportiva elegiam o
goleiro Barbosa e o defensor Bigode como
bodes expiatórios, exprimindo a vontade de
[100] “descarregar nas costas” dos referidos
jogadores os “prejuízos” acarretados pela
derrota. Uma chibata moral, eis a sentença
proferida no tribunal dos brancos.
A REVOLTA DA CHIBATA
[105] Nos anos 1970, por não atender às
expectativas normativas suscitadas pelo
estereótipo do “bom negro”, Paulo César Lima
foi classificado como “jogador-problema”.
Responsabilizado pelo fracasso do Brasil na
[110] Copa da Alemanha, pleiteava o direito de voltar
a vestir a camisa verde e amarela. O rumor de
que o banimento tinha o respaldo de um
ministro de Estado, não o surpreendia: “Se for,
mais uma vez vou ter a certeza de que sou um
[115] negro que incomoda muita gente”. E
acrescentava: “Não vou ser um negro tímido,
quieto, com medo e temor das pessoas”. Dessa
maneira, nas páginas de O Estado de S. Paulo,
Paulo César esboçava a revolta da chibata no
[120] futebol brasileiro. Enquanto Barbosa e Bigode,
sem alternativa, suportaram com dignidade o
linchamento moral na derrota de 1950, Paulo
César contra-atacava os que pretendiam
condená-lo pelo insucesso de 1974, reeditando
[125] as acusações de “covarde” e de “mercenário” –
as mesmas dirigidas a Leônidas no passado.
Paulo César, no entanto, assumia, sem
ambiguidades, as cores e as causas defendidas
pela esquadra dos pretos em todas as esferas
[130] da vida social. “Sinto na pele esse racismo
subjacente”, revelou certa vez à imprensa
francesa: “Isto é, ninguém ousa pronunciar a
palavra racismo. Mas posso garantir que ele
existe, mesmo na Seleção Brasileira”. Sua
[135] ousadia consistiu em pronunciar a palavra
interdita no espaço simbólico utilizado pelo
discurso oficial para reafirmar o mito da
democracia racial.
José Paulo Florenzano é professor de Antropologia da PUC-SP e autor do livro “A Democracia Corinthiana” (2009). Texto adaptado.
Sobre a seção “Riscos simbólicos”, reconheça o que for verdadeiro escrevendo V, e o que for falso escrevendo F.
( ) A Copa do Mundo de 1950, sediada no Brasil, seria um bom cenário para mostrar ao mundo que o País era um paraíso racial.
( ) A seleção brasileira de 1950 compunha-se de jogadores brancos e negros; entre os negros, o goleiro Barbosa e o defensor Bigode.
( ) Reunindo, no mesmo time, jogadores negros e jogadores brancos, o espaço delimitado do campo seria um símbolo do Brasil sem preconceito racial.
( ) A escolha de dois jogadores negros para ser responsabilizados pela derrota da seleção desconstruiu o simbolismo de ser o Brasil um paraíso racial.
( ) Ao falar em chibata moral, o enunciador faz uma alusão às chibatadas que os senhores de engenho infringiam aos negros escravos.
Está correta, de cima para baixo, a sequência seguinte:
Questão 55 210132
UECE 2° Fase 2° Dia 2014“A sociedade desloca-se e desloca as mercadorias que ela mesma produz, desloca, portanto, o espaço real - mercadorias - e o espaço simbólico.”
RODRIGUES, Arlete Moysés. Produção e consumo do e no espaço, problemática ambiental urbana. Editora Hucitec, 1998. p.62.
Analisando o excerto acima, percebe-se que o deslocamento de mercadorias produzidas pela sociedade também pode provocar a desigualdade. Portanto, pode-se concluir acertadamente que
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