Questões de Sociologia
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Questão 2 101068
ENEM 1° Dia (Amarela) 2015Na sociedade contemporânea, onde as relações sociais tendem a reger-se por imagens midiáticas, a imagem de um indivíduo, principalmente na indústria do espetáculo, pode agregar valor econômico na medida de seu incremento técnico: amplitude do espelhamento e da atenção pública. Aparecer é então mais do que ser; o sujeito é famoso porque é falado. Nesse âmbito, a lógica circulatória do mercado, ao mesmo tempo que acena democraticamente para as massas com supostos "ganhos distributivos" (a informação ilimitada, a quebra das supostas hierarquias culturais), afeta a velha cultura disseminada na esfera pública. A participação nas redes sociais, a obsessão dos dos selfies, tanto falar e ser falado quanto ser visto são índices do desejo de "espelhamento"
SODRÉ, M. Disponível em: http://alias.estadao.com.br. Acesso em: 9 fev. 2015 (adaptado).
A crítica contida no texto sobre a sociedade contemporânea enfatiza
Questão 36 100192
UNISC Medicina 2015/1
“Esquerda” e “direita” são conceitos que surgiram no contexto da Revolução Francesa e se tornaram usuais na linguagem política do Ocidente nos últimos dois séculos. Com a chamada “crise das ideologias”, no final do século XX, muitos autores passaram a entender que tal distinção já não faz mais sentido. Não é o caso de Norberto Bobbio (Direita e esquerda: razões e significados de uma distinção política. São Paulo: Edunesp, 1995), que afirma que a distinção permanece: a esquerda é igualitária e a direita é inigualitária. A esquerda acredita que as desigualdades entre os seres humanos são sociais e luta por mais igualdade social; a direita afirma que a desigualdade social resulta das diferenças naturais entre os seres humanos e vê como prejudiciais medidas que objetivam a igualdade social.
Com base no entendimento de Bobbio, assinale a alternativa correta.
Questão 34 100190
UNISC Medicina 2015/1O Brasil é um país marcado por uma profunda desigualdade social. Por um longo período, que chegou até quase o final do século XX, o fato de haver um Estado de Direito não significava que existissem mecanismos que proporcionassem a sua efetivação. Nas duas últimas décadas, ao lado de reformas que proporcionaram uma maior estabilidade econômica, articularam-se programas de políticas públicas que permitiram uma mobilidade significativa dos indivíduos menos favorecidos na sociedade, retirando-os de uma condição de vulnerabilidade extrema e aproximado-os de uma condição mais próxima da cidadania preconizada pelo nosso Estado de Direito e grafada na Constituição de 1988.
Assinale, dentre as alternativas abaixo, aquela que lista algumas das políticas sociais existentes hoje na regulamentação do Estado.
Questão 2 100152
UNISC Medicina 2015/1A indústria de bens simbólicos
O desenvolvimento industrial não se limitou à produção em massa de bens de
consumo como casas, roupas, móveis e cosméticos. Direcionada à produção de bens
simbólicos, a indústria cultural também conheceu o desenvolvimento de suas
atividades e o aumento de sua importância. Assim como a produção material, a
indústria cultural é caracterizada pela produção em série com forte investimento
tecnológico, cujo principal objetivo é o lucro. Contudo, ela está voltada ao
entretenimento, à informação e ao consumo de um amplo público, independentemente
de sexo, idade, religião, formação ou classe social.
Desse modo, a indústria cultural, alimentando o imaginário das mais
diversas, desenvolveu-se rapidamente pelos meios de comunicação de massa, como a
imprensa, o rádio, a televisão e o cinema. Trata-se de uma mercadoria, o “objetosigno”,
como definiu o sociólogo francês Jean Baudrillard.
Os signos não são arbitrários. Eles reproduzem as relações sociais e têm o poder
de trazer aquilo que significam aos seus consumidores. Assim, por exemplo, uma casa
se transforma em objeto de consumo, catalisando aquilo que o consumidor tem direito.
A casa-signo atribui status, importância, situação social. Ao desejá-la e adquiri-la, o
consumidor reafirma sua condição social e um estilo de vida que lhe é próprio.
Mas, se não chegar a adquiri-la, ele pode apenas compartilhar o que a casa
representa como signo e passar a desejá-la. Isso pode ocorrer por meio da publicidade
ou por diversas situações nas quais ele experimenta a casa no imaginário – filmes,
programas televisivos, concursos, campanhas, etc.
Os sonhos, desejos e anseios, estimulados pela publicidade e por outros meios,
mobilizam o consumidor ao mesmo tempo que reafirmam a lógica social e os padrões
nos quais se sustentam. Quando chega a adquirir a mercadoria, o consumidor já não
está preocupado com o valor do uso, mas com o valor simbólico que o objeto
representa na afirmação de sua identidade social. Processa-se um deslocamento entre
valor de uso e valor simbólico. Isso significa que, muitas vezes, adquirindo o objetosigno,
o consumidor nada quer de sua utilidade, mas tão somente o que ele representa
como status e prestígio. Outras vezes, tendo acesso ao bem simbólico, o indivíduo já
não precisa obter a mercadoria útil, concreta e material. Há um deslocamento entre
signo, referente, produto e utilidade, quer para o consumidor do produto, quer para o
consumidor da imagem.
Outro tipo de mercadoria criado pela indústria cultural, além da mera
simbolização do produto consumível, é o bem simbólico propriamente dito, ou a
informação. É outro bem imaterial e abstrato, produzido socialmente e que tem, cada
vez mais, um valor monetário, ou seja, um valor de troca. A chamada sociedade da
informação caracteriza-se por transformar suas relações, instituições e trabalho
material em informação, convertendo-se no mais valioso produto da sociedade. A
informação distingue-se da publicidade por ter um valor concreto que coincide com
sua utilidade, enquanto a propaganda, o discurso que mobiliza o consumo, tem como
utilidade apenas o estímulo que representa para o mercado.
COSTA, Cristina. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. São Paulo: Moderna, 2010, p. 447
Na perspectiva modalizada pelo texto,
( ) a indústria cultural também possui uma mercadoria, sendo esta de natureza simbólica.
( ) os signos são imotivados, uma vez que reproduzem as relações sociais.
( ) os signos carregam em si o valor de sentido que representam às plateias a que se dirigem.
( ) o objeto-signo é um bem material (produto, serviço) transformado em percepção simbólica do status que representa.
( ) a posse do objeto-signo reafirma o lugar do sujeito quanto à sua condição social e estilo de vida.
A alternativa que classifica, adequadamente, as afirmativas citadas, de cima para baixo, é
Questão 36 100126
UNISC Medicina 2015/2“Gênero é o conceito corrente utilizado para designar os modos de classificar as pessoas como pertencentes a mundos sociais, a princípio, organizados pelas diferenças de sexo. A expressão identidade de gênero alude à forma como um indivíduo se percebe e é percebido pelos outros como masculino ou feminino, de acordo com os significados que estes termos têm na cultura a que pertence. (...). Possuir um sexo biológico, no entanto, não implica automaticamente uma identificação com as convenções sociais de um determinado contexto, no que concerne a ser homem ou mulher. ”
(ZAMBRANO, E; HEILBORN, M.L. Identidade de gênero. In: LIMA, Antonio Carlos de Souza (Coord.). Antropologia & direito: temas antropológicos para estudos jurídicos. Rio de Janeiro: ABA, 2012. p. 412)
Considerando a citação acima analise as afirmativas abaixo.
I – A identidade de gênero é definida pelo sexo biológico.
II – Os tipos de roupa que deve vestir, os comportamentos e sentimentos de pertencimento associados a um determinado gênero definem a identidade de gênero.
III – Possuir um sexo biológico não implica automaticamente uma identificação com as convenções sociais de ser homem ou mulher.
IV – A partir da citação acima podemos inferir que a identidade de gênero não é construída socialmente.
Assinale a alternativa correta.
Questão 35 100125
UNISC Medicina 2015/2O clientelismo é uma das características históricas da política brasileira. Pode ser definido como uma relação de troca de favores entre agentes políticos, agentes econômicos e cidadãos. O historiador José Murilo de Carvalho define o clientelismo como um tipo de relação que “envolve a concessão de benefícios públicos, na forma de empregos, benefícios fiscais, isenções, em troca de apoio político, sobretudo na forma de voto”.
(CARVALHO, J.M. Mandonismo, coronelismo, clientelismo: uma discussão conceitual. Dados, v. 40, n. 2, 1997, p. 229-250.)
Com base na citação acima, indique a alternativa que não constitui uma prática de clientelismo.
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