Questões de Sociologia
6.494 Questões
Questão 3 7216447
IFNMG 2019/1TEXTO
Mídia e Relações Empresariais (texto adaptado)
(Olívia Bandeira e André Pasti)
Negócios desenvolvidos pelos principais grupos de mídia brasileiros revelam
potenciais interesses por trás das agendas dos meios. A pesquisa Monitoramento da
Propriedade da Mídia no Brasil, publicada pelo Intervozes e pela Repórteres Sem
Fronteiras, expõe que muitos dos veículos de maior audiência no país são também
[5] parte de grupos econômicos.
Os veículos de grande circulação costumam declarar em suas linhas editorais que buscam informar de
modo isento, apartidário e plural. Alguns de seus manuais ainda advogam a necessidade de independência dos
interesses de grupos econômicos e políticos e de separação entre conteúdo jornalístico e publicitário, notícia e
opinião. No entanto, como apurou a pesquisa Monitoramento da Propriedade da Mídia no Brasil (Media
[10] Ownership Monitor – MOM), publicada pelo Intervozes e pela Repórteres Sem Fronteiras, muitos veículos de
maior audiência no país são também parte de grupos econômicos – além de políticos e religiosos que possuem
interesses específicos.
O objetivo do MOM-Brasil é deixar visível quem controla a mídia brasileira. O projeto mapeou os cinquenta
veículos ou redes de comunicação de maior audiência no país em quatro segmentos: mídia impressa, on-line,
[15] TV e rádio. Esses cinquenta veículos pertencem a 26 grupos de comunicação, e metade deles está sob o
controle de apenas cinco grupos: Globo, Bandeirantes, Record, Folha e o grupo de escala regional RBS. Tal
quadro indica uma alta concentração das maiores audiências nas mãos de poucos proprietários. Além
disso, os 26 grupos pesquisados possuem negócios em mais de um tipo de mídia, o que configura a
propriedade cruzada dos meios de comunicação, uma das formas mais graves de controle monopólico do
[20] setor.
A pesquisa revela, porém, um quadro menos conhecido: 21 dos 26 grupos ou seus principais acionistas
possuem atividades em outros setores econômicos, como educacional, financeiro, imobiliário, agropecuário,
energético, de transportes, infraestrutura e saúde. Somam-se a esses os interesses dos grupos de mídia de
escalas regional e local que, por meio do sistema de afiliadas, permitem que as grandes redes de TV e de
[25] rádio cheguem a todo o território nacional e que os grandes portais de internet atraiam audiência pela
produção de conteúdo local.
A cidade como negócio: mídia e mercado imobiliário
Vimos nos últimos meses os novos capítulos da disputa entre o empresário da mídia Silvio Santos e o
diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa. O conflito é motivado por um grande investimento imobiliário
[30] que Silvio, dono da rede de televisão SBT, da incorporadora Sisan e de negócios financeiros, quer realizar no
terreno vizinho ao Teatro Oficina, localizado no bairro do Bixiga, em São Paulo. O Oficina, tombado em 1981
pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
de São Paulo), foi planejado pela arquiteta Lina Bo Bardi para que tivesse uma integração com a paisagem
do entorno. Silvio quer que o Condephaat limite o tombamento ao prédio e permita a construção de três torres
[35] no terreno ao lado. Zé Celso quer que o governo do estado, dono do teatro, transforme a área em um espaço
público de uso cultural.
Essa disputa é símbolo de modos distintos de ver as cidades: seus terrenos devem estar disponíveis a
interesses privados, dando ênfase a seu valor de troca, ou o planejamento urbano deve levar em
consideração o valor de uso, como sonhava Henri Lefebvre? O caso é também exemplar, de um lado, do
[40] investimento de grupos de mídia e seus acionistas em especulação imobiliária, e, de outro, de sua atuação no
setor de construção.
No primeiro caso, chama atenção o Grupo Objetivo, um dos maiores conglomerados de educação privada
no país, dono da rede MIX FM de rádio, a sexta rede nacional na preferência dos ouvintes. Seu fundador e
presidente, João Carlos Di Genio, foi apontado como o maior proprietário de imóveis de São Paulo,(...). Di
[45] Genio não está sozinho. Outros proprietários de mídia que investem sua fortuna em imóveis são os irmãos
José Roberto, Roberto Irineu e João Roberto Marinho, do Grupo Globo; membros da família Saad, do Grupo
Bandeirantes; e Aloysio de Andrade Faria, do Grupo Financeiro Alfa, da Rede Transamérica de rádio e da
Rede Transamérica de hotéis.
No segundo caso, além dos já citados exemplos do Grupo Silvio Santos e do Grupo Alfa, há também
[50] grupos de mídia regionais ligados aos grandes veículos de comunicação por meio do sistema de afiliadas. (...)
“O agro é pop” entre os donos da mídia
As relações entre os grandes grupos de mídia brasileiros e o agronegócio são antigas, como conta a
história do Grupo Folha. Essa ligação pode ser observada hoje em outros grupos, como Globo, Objetivo,
RBS, Bandeirantes e Conglomerado Alfa.
[55] Os membros da família Marinho são donos de diversas fazendas e empresas de produção agrícola, algo
que ajuda a compreender as motivações dos bilionários donos do Grupo Globo quando sua rede de TV lança
a campanha "Agro é Pop, Agro é Tech, Agro é Tudo" – informes publicitários que buscam criar uma imagem
positiva do agronegócio. Deve-se considerar também que, historicamente, assim como outros grupos de
mídia, veículos do grupo produziram uma cobertura que criminalizava os movimentos de luta pela reforma
[60] agrária. Outros empresários do agronegócio foram identificados na pesquisa, como João Carlos Di Genio (Grupo
Mix de Comunicação/Grupo Objetivo), os donos da TV Vitoriosa (SBT Uberlândia, MG) e da TV Goiânia (Band
Goiânia, GO) e o Conglomerado Alfa, dono, entre outras, da Agropalma. (...)
Interesses e negócios no mercado financeiro
A agenda econômica dos meios de comunicação também corresponde a uma forte presença dos grupos
[65] no mercado financeiro: entre os grupos de mídia analisados na pesquisa, nove têm negócios no setor. O
maior deles é o já citado Conglomerado Alfa (...). Além dele, outros grupos atuam no mercado de previdência
privada, como o RBS, afiliado da Globo no Rio Grande do Sul, e a Igreja Adventista do Sétimo Dia,
proprietária da rede de rádios Novo Tempo.
Já a família proprietária do Grupo Record tem 49% do Banco Renner. O Grupo Silvio Santos é dono do
[70] Baú da Felicidade Crediário e da Liderança Capitalização (a "Tele Sena"), ambos impulsionados por sua rede
de TV, o SBT. No mercado de soluções financeiras, destaca-se o Grupo Folha, detentor da empresa de
pagamento on-line PagSeguro, e os sócios da RedeTV!, donos da Débito Fácil Serviços.
Um dos vínculos mais explícitos com o mercado financeiro é do portal de direita O Antagonista, uma
sociedade entre os ex-jornalistas da revista Veja, Diogo Mainardi e Mário Sabino e a Empiricus Research,
[75] empresa especializada na venda de informações sobre o mercado financeiro por meio de newsletters. A
Empiricus, por sua vez, é uma sociedade da empresa norte-americana The Agora com três brasileiros.
Educação e saúde: serviços públicos nas mãos de agentes privados
A desqualificação dos serviços públicos e a defesa da gestão privada em áreas de competência do Estado
são pautas constantes das empresas de mídia analisadas. Não surpreende, então, que o MOM-Brasil tenha
[80] identificado a existência de vínculos entre os grupos de comunicação e as empresas que atuam em educação
e também em saúde, como a Igreja Adventista do Sétimo Dia, os grupos Folha e Globo, além de grupos
regionais afiliados.
Em educação, é importante ressaltar não apenas a relação de propriedade, mas o papel dos grupos
privados na disseminação de consensos sobre os rumos das políticas educacionais no Brasil que tiveram
[85] grande impacto na recente reforma do ensino médio e na proposta da Base Nacional Comum Curricular,
como mostram as pesquisas em desenvolvimento pelo Observatório do Ensino Médio, da Unicamp.
Os grandes grupos de comunicação fazem parte desse processo há bastante tempo. O Grupo Abril, que
publica a Veja, revista semanal de maior tiragem no Brasil, foi pioneiro nessa área ao desenvolver materiais
didáticos do Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização) durante a ditadura militar. Nos anos 1990, fundou
[90] a Abril Educação, um dos maiores grupos de educação privada do Brasil (...).
Na área de educação básica e universitária, o maior destaque é o já citado Grupo Objetivo, formado por
escolas, cursos pré-vestibulares, universidades (Unip – Universidade Paulista) e editoras de produção de
material didático. Yugo Okida, sócio do grupo, vice-reitor de pós-graduação e pesquisa da Unip, é ainda
membro da Câmara de Ensino Superior do Conselho Nacional de Educação. O órgão do Ministério da
[95] Educação tem como uma de suas funções dar permissão para funcionamento de cursos superiores, emitir
parecer sobre os processos de avaliação da educação superior e elaborar propostas de legislação para o
setor. (...)
Se as relações entre mídia e educação são antigas, as relações com a saúde são mais recentes e
igualmente preocupantes, uma vez que também nesse setor o Brasil passa por um processo de crescente
[100] participação de organizações sociais (OSs) na gestão dos recursos públicos. Nessa área, a Igreja Adventista
possui clínicas, SPAs e o Hospital Adventista, com unidades em Belém, Manaus, São Paulo, Campo Grande
e Rio de Janeiro, além do Plano de Saúde Proasa. O Grupo Hapvida, sistema de saúde privado que conta
com uma administradora de planos de saúde, hospitais e laboratórios, é dono também do Sistema Opinião
de Comunicação, com emissoras afiliadas às redes SBT e Bandeirantes. Podemos citar ainda o Grupo NC,
[105] que possui afiliada da Globo em Santa Catarina e é parceiro do Grupo RBS; no ramo farmacêutico, o grupo
é dono das empresas EMS, Brace Farma, Legrand, Germed Pharma e Novamed, entre outras.
Perguntas essenciais
Conhecendo melhor os interesses empresariais da mídia brasileira, é fundamental questionar: qual é a
participação dos grupos com negócios imobiliários na produção do atual modelo de urbanização corporativa
[110] e mercantilização do espaço urbano? Que informações são dadas sobre a reforma agrária, o uso de
agrotóxicos e a agricultura familiar, já que foram identificados tantos vínculos com o agronegócio? Que
soluções para a educação pública são apresentadas nas pautas de veículos com investimentos na educação
privada? Que política econômica os grupos com negócios no mercado financeiro defendem?
Ainda que o MOM-Brasil não tenha analisado o conteúdo veiculado pelos principais meios, a
[115] sistematização de dados de propriedade em um banco de dados aberto e acessível (em
quemcontrolaamidia.org.br) abre possibilidades de investigações necessárias para compreender os entraves
criados pelos grandes grupos de mídia ao debate público e plural de temas fundamentais para o país.
*Olívia Bandeira é jornalista, doutora em Antropologia e integrante do Intervozes; e André Pasti é mestre em .Geografia, professor do Cotuca/Unicamp e integrante do Conselho Diretor do Intervozes.
(Disponível em http://diplomatique.org.br/quem-controla-noticia-no-brasil/. Acesso em: 12/09/2018)
De acordo com o TEXTO, os grandes grupos midiáticos estão atuando nos seguintes setores:
Questão 2 7216438
IFNMG 2019/1TEXTO
Mídia e Relações Empresariais (texto adaptado)
(Olívia Bandeira e André Pasti)
Negócios desenvolvidos pelos principais grupos de mídia brasileiros revelam
potenciais interesses por trás das agendas dos meios. A pesquisa Monitoramento da
Propriedade da Mídia no Brasil, publicada pelo Intervozes e pela Repórteres Sem
Fronteiras, expõe que muitos dos veículos de maior audiência no país são também
[5] parte de grupos econômicos.
Os veículos de grande circulação costumam declarar em suas linhas editorais que buscam informar de
modo isento, apartidário e plural. Alguns de seus manuais ainda advogam a necessidade de independência dos
interesses de grupos econômicos e políticos e de separação entre conteúdo jornalístico e publicitário, notícia e
opinião. No entanto, como apurou a pesquisa Monitoramento da Propriedade da Mídia no Brasil (Media
[10] Ownership Monitor – MOM), publicada pelo Intervozes e pela Repórteres Sem Fronteiras, muitos veículos de
maior audiência no país são também parte de grupos econômicos – além de políticos e religiosos que possuem
interesses específicos.
O objetivo do MOM-Brasil é deixar visível quem controla a mídia brasileira. O projeto mapeou os cinquenta
veículos ou redes de comunicação de maior audiência no país em quatro segmentos: mídia impressa, on-line,
[15] TV e rádio. Esses cinquenta veículos pertencem a 26 grupos de comunicação, e metade deles está sob o
controle de apenas cinco grupos: Globo, Bandeirantes, Record, Folha e o grupo de escala regional RBS. Tal
quadro indica uma alta concentração das maiores audiências nas mãos de poucos proprietários. Além
disso, os 26 grupos pesquisados possuem negócios em mais de um tipo de mídia, o que configura a
propriedade cruzada dos meios de comunicação, uma das formas mais graves de controle monopólico do
[20] setor.
A pesquisa revela, porém, um quadro menos conhecido: 21 dos 26 grupos ou seus principais acionistas
possuem atividades em outros setores econômicos, como educacional, financeiro, imobiliário, agropecuário,
energético, de transportes, infraestrutura e saúde. Somam-se a esses os interesses dos grupos de mídia de
escalas regional e local que, por meio do sistema de afiliadas, permitem que as grandes redes de TV e de
[25] rádio cheguem a todo o território nacional e que os grandes portais de internet atraiam audiência pela
produção de conteúdo local.
A cidade como negócio: mídia e mercado imobiliário
Vimos nos últimos meses os novos capítulos da disputa entre o empresário da mídia Silvio Santos e o
diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa. O conflito é motivado por um grande investimento imobiliário
[30] que Silvio, dono da rede de televisão SBT, da incorporadora Sisan e de negócios financeiros, quer realizar no
terreno vizinho ao Teatro Oficina, localizado no bairro do Bixiga, em São Paulo. O Oficina, tombado em 1981
pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado
de São Paulo), foi planejado pela arquiteta Lina Bo Bardi para que tivesse uma integração com a paisagem
do entorno. Silvio quer que o Condephaat limite o tombamento ao prédio e permita a construção de três torres
[35] no terreno ao lado. Zé Celso quer que o governo do estado, dono do teatro, transforme a área em um espaço
público de uso cultural.
Essa disputa é símbolo de modos distintos de ver as cidades: seus terrenos devem estar disponíveis a
interesses privados, dando ênfase a seu valor de troca, ou o planejamento urbano deve levar em
consideração o valor de uso, como sonhava Henri Lefebvre? O caso é também exemplar, de um lado, do
[40] investimento de grupos de mídia e seus acionistas em especulação imobiliária, e, de outro, de sua atuação no
setor de construção.
No primeiro caso, chama atenção o Grupo Objetivo, um dos maiores conglomerados de educação privada
no país, dono da rede MIX FM de rádio, a sexta rede nacional na preferência dos ouvintes. Seu fundador e
presidente, João Carlos Di Genio, foi apontado como o maior proprietário de imóveis de São Paulo,(...). Di
[45] Genio não está sozinho. Outros proprietários de mídia que investem sua fortuna em imóveis são os irmãos
José Roberto, Roberto Irineu e João Roberto Marinho, do Grupo Globo; membros da família Saad, do Grupo
Bandeirantes; e Aloysio de Andrade Faria, do Grupo Financeiro Alfa, da Rede Transamérica de rádio e da
Rede Transamérica de hotéis.
No segundo caso, além dos já citados exemplos do Grupo Silvio Santos e do Grupo Alfa, há também
[50] grupos de mídia regionais ligados aos grandes veículos de comunicação por meio do sistema de afiliadas. (...)
“O agro é pop” entre os donos da mídia
As relações entre os grandes grupos de mídia brasileiros e o agronegócio são antigas, como conta a
história do Grupo Folha. Essa ligação pode ser observada hoje em outros grupos, como Globo, Objetivo,
RBS, Bandeirantes e Conglomerado Alfa.
[55] Os membros da família Marinho são donos de diversas fazendas e empresas de produção agrícola, algo
que ajuda a compreender as motivações dos bilionários donos do Grupo Globo quando sua rede de TV lança
a campanha "Agro é Pop, Agro é Tech, Agro é Tudo" – informes publicitários que buscam criar uma imagem
positiva do agronegócio. Deve-se considerar também que, historicamente, assim como outros grupos de
mídia, veículos do grupo produziram uma cobertura que criminalizava os movimentos de luta pela reforma
[60] agrária. Outros empresários do agronegócio foram identificados na pesquisa, como João Carlos Di Genio (Grupo
Mix de Comunicação/Grupo Objetivo), os donos da TV Vitoriosa (SBT Uberlândia, MG) e da TV Goiânia (Band
Goiânia, GO) e o Conglomerado Alfa, dono, entre outras, da Agropalma. (...)
Interesses e negócios no mercado financeiro
A agenda econômica dos meios de comunicação também corresponde a uma forte presença dos grupos
[65] no mercado financeiro: entre os grupos de mídia analisados na pesquisa, nove têm negócios no setor. O
maior deles é o já citado Conglomerado Alfa (...). Além dele, outros grupos atuam no mercado de previdência
privada, como o RBS, afiliado da Globo no Rio Grande do Sul, e a Igreja Adventista do Sétimo Dia,
proprietária da rede de rádios Novo Tempo.
Já a família proprietária do Grupo Record tem 49% do Banco Renner. O Grupo Silvio Santos é dono do
[70] Baú da Felicidade Crediário e da Liderança Capitalização (a "Tele Sena"), ambos impulsionados por sua rede
de TV, o SBT. No mercado de soluções financeiras, destaca-se o Grupo Folha, detentor da empresa de
pagamento on-line PagSeguro, e os sócios da RedeTV!, donos da Débito Fácil Serviços.
Um dos vínculos mais explícitos com o mercado financeiro é do portal de direita O Antagonista, uma
sociedade entre os ex-jornalistas da revista Veja, Diogo Mainardi e Mário Sabino e a Empiricus Research,
[75] empresa especializada na venda de informações sobre o mercado financeiro por meio de newsletters. A
Empiricus, por sua vez, é uma sociedade da empresa norte-americana The Agora com três brasileiros.
Educação e saúde: serviços públicos nas mãos de agentes privados
A desqualificação dos serviços públicos e a defesa da gestão privada em áreas de competência do Estado
são pautas constantes das empresas de mídia analisadas. Não surpreende, então, que o MOM-Brasil tenha
[80] identificado a existência de vínculos entre os grupos de comunicação e as empresas que atuam em educação
e também em saúde, como a Igreja Adventista do Sétimo Dia, os grupos Folha e Globo, além de grupos
regionais afiliados.
Em educação, é importante ressaltar não apenas a relação de propriedade, mas o papel dos grupos
privados na disseminação de consensos sobre os rumos das políticas educacionais no Brasil que tiveram
[85] grande impacto na recente reforma do ensino médio e na proposta da Base Nacional Comum Curricular,
como mostram as pesquisas em desenvolvimento pelo Observatório do Ensino Médio, da Unicamp.
Os grandes grupos de comunicação fazem parte desse processo há bastante tempo. O Grupo Abril, que
publica a Veja, revista semanal de maior tiragem no Brasil, foi pioneiro nessa área ao desenvolver materiais
didáticos do Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização) durante a ditadura militar. Nos anos 1990, fundou
[90] a Abril Educação, um dos maiores grupos de educação privada do Brasil (...).
Na área de educação básica e universitária, o maior destaque é o já citado Grupo Objetivo, formado por
escolas, cursos pré-vestibulares, universidades (Unip – Universidade Paulista) e editoras de produção de
material didático. Yugo Okida, sócio do grupo, vice-reitor de pós-graduação e pesquisa da Unip, é ainda
membro da Câmara de Ensino Superior do Conselho Nacional de Educação. O órgão do Ministério da
[95] Educação tem como uma de suas funções dar permissão para funcionamento de cursos superiores, emitir
parecer sobre os processos de avaliação da educação superior e elaborar propostas de legislação para o
setor. (...)
Se as relações entre mídia e educação são antigas, as relações com a saúde são mais recentes e
igualmente preocupantes, uma vez que também nesse setor o Brasil passa por um processo de crescente
[100] participação de organizações sociais (OSs) na gestão dos recursos públicos. Nessa área, a Igreja Adventista
possui clínicas, SPAs e o Hospital Adventista, com unidades em Belém, Manaus, São Paulo, Campo Grande
e Rio de Janeiro, além do Plano de Saúde Proasa. O Grupo Hapvida, sistema de saúde privado que conta
com uma administradora de planos de saúde, hospitais e laboratórios, é dono também do Sistema Opinião
de Comunicação, com emissoras afiliadas às redes SBT e Bandeirantes. Podemos citar ainda o Grupo NC,
[105] que possui afiliada da Globo em Santa Catarina e é parceiro do Grupo RBS; no ramo farmacêutico, o grupo
é dono das empresas EMS, Brace Farma, Legrand, Germed Pharma e Novamed, entre outras.
Perguntas essenciais
Conhecendo melhor os interesses empresariais da mídia brasileira, é fundamental questionar: qual é a
participação dos grupos com negócios imobiliários na produção do atual modelo de urbanização corporativa
[110] e mercantilização do espaço urbano? Que informações são dadas sobre a reforma agrária, o uso de
agrotóxicos e a agricultura familiar, já que foram identificados tantos vínculos com o agronegócio? Que
soluções para a educação pública são apresentadas nas pautas de veículos com investimentos na educação
privada? Que política econômica os grupos com negócios no mercado financeiro defendem?
Ainda que o MOM-Brasil não tenha analisado o conteúdo veiculado pelos principais meios, a
[115] sistematização de dados de propriedade em um banco de dados aberto e acessível (em
quemcontrolaamidia.org.br) abre possibilidades de investigações necessárias para compreender os entraves
criados pelos grandes grupos de mídia ao debate público e plural de temas fundamentais para o país.
*Olívia Bandeira é jornalista, doutora em Antropologia e integrante do Intervozes; e André Pasti é mestre em .Geografia, professor do Cotuca/Unicamp e integrante do Conselho Diretor do Intervozes.
(Disponível em http://diplomatique.org.br/quem-controla-noticia-no-brasil/. Acesso em: 12/09/2018)
De acordo com o TEXTO, o MOM-Brasil, ao dar visibilidade sobre quem controla a mídia brasileira, NÃO destacou que:
Questão 36 7212785
PUC-GO 2019/1Ao buscar escrever Uma outra história de Goiânia: crimes e tragédias, o pesquisador Eliézer C. de Oliveira analisou alguns dos crimes e tragédias que ocorreram na capital do Estado: “O assassinato do jovem jornalista, Haroldo Gurgel, mostrou a permanência de práticas políticas típicas do coronelismo. A Chacina da família Matteucci foi relacionada ao elevado crescimento demográfico de Goiânia [...]. A atuação de Leonardo Pareja na rebelião dos presidiários do CEPAIGO demonstrou o amadorismo do Sistema de Segurança Pública vigente na capital. E, por fim, o Acidente Radiológico com o Césio 137 ocorreu devido ao despreparo geral das instituições em lidar com o gerenciamento do risco nuclear”.
(OLIVEIRA, Eliézer Cardoso de. Uma outra história de Goiânia: crimes e tragédias. In: Goiânia em mosaico: visões sobre a capital do cerrado. Silva, Ademir Luiz da e Oliveira, Eliézer Cardoso de (Orgs.). Goiânia: Editora da PUC Goiás, 2015. p. 94. Adaptado.)
Dentre as alternativas, assinale a que indica de maneira correta o sentido geral dos fatos relatados:
Questão 9 7204797
PUC-GO 2019/1Leia o texto seguinte:
Estônia, pequeno país emergente à beira do Mar Báltico, tem hoje o melhor sistema educacional da Europa e um dos mais bem avaliados do mundo. Quase todas as crianças e jovens do país, dos 2 aos 19 anos, estudam nas impecáveis escolas públicas. Uma das características que mais impressiona é o fato de os alunos pobres terem desempenho tão bom quanto os ricos em exames internacionais. Depois que a Estônia garantiu sua independência da ex-URSS, em 1991, foi elaborado um novo currículo nacional, atualizado sempre. Dentre as competências fundamentais desse projeto estão: aprender a aprender, educação digital, valores éticos e empreendedorismo. A Estônia não separa bons alunos dos que têm pior desempenho, como fazem os Estados Unidos, por exemplo. O país oferece, em todas as escolas, atendimento de psicopedagogos, psicólogos e professores particulares para crianças com dificuldade de aprendizagem.
(Disponível em: https://educacao.estadao.com.br/noticias/ geral,estonia-a-melhor-educacao-da-europa,70002344524. Acesso em: 26 jul. /2018. Adaptado.)
Com base no fragmento apresentado, a Estônia criou um plano de desenvolvimento que atua diretamente na Educação. O que se pode depreender desse exemplo da Estônia é que a educação participa do processo de transformação das condições sociais, mas, ao mesmo tempo, é condicionada pelo processo.
A partir dessa reflexão, analise as assertivas a seguir e marque a alternativa que corresponde corretamente às ideias de Marx:
Questão 41 7096470
UNEB Medicina 2019/1A reforma agrária tem o objetivo de proporcionar a redistribuição das propriedades rurais, ou seja, efetuar a distribuição de terra para a realização de sua função social.
No Brasil, atualmente, a reforma agrária é realizada
Questão 3 7076772
UNEB Medicina 2019/1TEXTO:
Dentre os desafios dos tempos atuais para a
preservação da identidade cultural do nosso país
encontram-se a globalização e as consequências dela
decorrentes. Em que pesem os seus aspectos
[5] positivos implicitamente, traz em seu bojo o ideal de
união e confraternização entre os povos, há que se
destacar que não se podem esquecer os aspectos
particulares da cultura, da língua, das tradições de
cada povo. Há que se destacar a importância da
[10] identidade cultural de cada país.
Por outro lado, também o conceito de identidade
nacional brasileira é frequentemente discutido. Já se
afirmou que a identidade nacional se confundiria com
a identidade cultural face à grande heterogeneidade
[15] de traços culturais ligados à diversidade dos grupos
étnicos. Contudo, apesar de ser um país de dimensões
geográficas gigantescas e de grande diversidade
cultural, econômica, social e étnica, o Brasil tem no
idioma português um elemento de unificação do país.
[20] Falamos português, apesar dos inúmeros sotaques e
vocabulários regionais. Portanto, um dos fortes
aspectos da identidade nacional brasileira é a língua.
Há quem defina a identidade nacional como um
conceito que indica a condição social e o sentimento
[25] de pertencer a uma determinada cultura. E muitos
entendem que a cultura e a identidade estão
inteiramente ligadas. Portanto, trata-se de um
exercício complexo determinar uma identidade
nacional para um país formado de diversas culturas,
[30] hábitos e povos oriundos de vários lugares do mundo.
Diante destes pontos que visam incentivar a
reflexão sobre o assunto, ainda é preciso enfatizar a
importância de se preservar a identidade da cultura
brasileira, nos seus variados aspectos, inclusive nos
[35] que interagem com a educação, independentemente
da realidade econômica e política do nosso país.
E, se identidade nacional é interpretada como
somatória de valores culturais resultantes da vivência,
é igualmente importante que o governo, a sociedade
[40] e os profissionais ligados à área cultural resgatem
sempre a memória de todos os registros que
embasaram as decisões, os fatos, as atividades, o
acervo, a legislação, que propiciaram a evolução do
que se entende, nos dias atuais, como identidade
[45] cultural do Brasil.
Importância de se preservar a identidade cultural do Brasil. Disponível em: http://www.saaesp.org.br/arquivos/2117>. Acesso em: 14 nov. 2018.
A construção de uma identidade nacional, segundo o texto, é de responsabilidade, sobremaneira, de uma
06
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