Questões de Sociologia
6.493 Questões
Questão 49 7155223
UNIMONTES 3° Etapa Biológicas 2020Segundo Márcio Pochmann, pesquisador brasileiro, a inédita modernização capitalista brasileira, materializada entre as décadas de 1930 e 1980, trouxe consigo a elevação do horizonte de expectativas coletivas ao Brasil real, viabilizado pelo acesso à identidade da carteira de trabalho, à categoria profissional validada pelo pertencimento à estrutura sindical e à cidadania regulada por direitos sociais e trabalhistas. Nesse período, floresceu e se consolidou o denominado emprego sólido, sustentado pelo mínimo dos direitos sociais e trabalhistas. A partir dos anos 1990, pelo estímulo governamental, ganhou corpo o projeto do empreendedorismo individual, em que cada trabalhador ocupado se assume na condição de pessoa jurídica, descolado dos direitos sociais e trabalhistas, andando rapidamente em direção à terceirização, ao microempreendedor individual, entre outras formas que foram convertendo o antigo emprego sólido em crescentemente líquido
Fonte: POCHMANN, Márcio. O emprego que virou suco. Disponível em: https://outraspalavras.net/trabalhoeprecariado/o-emprego-que-virousuco/ Acesso em: 1 nov. 2021. Adaptado.
Sobre esse assunto, analise as proposições abaixo.
I - Na era do emprego sólido, a ideia de pertencimento e cidadania como trabalhador está associada ao acesso a direitos sociais e trabalhistas.
II - A ruína do emprego sólido rebaixa as expectativas dos trabalhadores e enfraquece os sindicatos, como instituição de representação de interesses coletivos.
III - A desregulação da legislação social e trabalhista e a flexibilização do mercado de trabalho predominam nos tempos de emprego líquido.
Estão CORRETAS as afirmativas:
Questão 59 7143006
UNIMONTES 1° Etapa 2020O sociólogo alemão Max Weber propunha a construção de tipos ideais como um recurso metodológico da sociologia. Ele indicava que o tipo ideal “puro” deveria enfatizar alguns traços dos fenômenos, e mesmo que esse tipo puro jamais pudesse existir, quanto mais próximo disso chegasse à realidade, mais eficiente seria o alcance da análise sociológica. Em seus estudos, pode-se encontrar um clássico exemplo de tipo ideal com a seguinte caracterização: clara hierarquia de autoridades, com as posições da mais alta autoridade e poder no topo; cadeia de comando em que cada posto superior controla e supervisiona aquele logo abaixo; conduta de funcionários regidos por regras escritas, o que possibilita a previsibilidade e a ordem; assalariados fixos; nítida separação entre o trabalho dos funcionários e a sua vida pessoal; e os recursos são de propriedade da organização.
Esse tipo ideal caracteriza o fenômeno da
Questão 1 7111949
UNIMONTES 1° Etapa 2020Texto
Redes sociais não são para-brisas, são retrovisores
Tiago Belotte
Se quisermos enxergar o futuro e a transformação, precisamos entender que as redes sociais só nos mostram o que fomos e gostamos no passado.
Por diversas vezes a gente conversa aqui sobre o universo digital e reflete junto sobre suas possibilidades
e perigos. Quando nós fazemos isso, estamos investidos na nossa alfabetização digital, tema que também já
mencionei aqui algumas vezes. A tecnologia entra, cada vez mais, em cada pedacinho da nossa vida. No nosso
sono, na nossa alimentação, no lazer, no estudo, no trabalho eu nem preciso falar. Não é?
[5] E nós abraçamos cada novidade, pois amamos inovação e tecnologia – os brasileiros mais do que todo o
resto do mundo, segundo alguns estudos. Já faz tempo que encaramos inovações tecnológicas como janelas para o
futuro. No entanto, é preciso saber quando elas também são portais para o passado.
As redes sociais, por exemplo, por mais que acreditemos que elas nos conectam com o mundo, a verdade
é que elas só nos ligam ao que já conhecemos ou gostamos. Como um retrovisor colocado a nossa frente para se
[10] passar por para-brisa. Estamos olhando para frente, mas só vemos o que está atrás.
Só aparece na sua timeline de rede social aquilo que já faz parte do seu comportamento, dos seus gostos e
das suas preferências. O que você já curtiu, comentou ou compartilhou antes. E qual o perigo disso? Acredito que
são principalmente dois.
O primeiro é que, ao ver apenas o conhecido e curtido, você não é confrontado pelo diferente, pelo novo,
[15] pela mudança. Se as redes acabaram virando o nosso principal veículo de informação no nosso dia a dia, isso se
torna perigoso, pois acaba nos fechando numa bolha. Quantas vezes você já disse ou ouviu alguém dizer “nossa,
todo mundo está na praia neste feriado” ou “tá todo mundo defendendo tal causa social”.
Quando, de fato, o “todo mundo” é só quem faz parte do meu feed. Veja bem, nem é todo mundo que eu
sigo, é só quem é escolhido pelo algoritmo para aparecer para mim. E quem é escolhido? Quem mais combina com
[20] as minhas preferências passadas.
O segundo perigo é praticamente uma consequência do primeiro. Ao nos fecharmos na nossa bolha, nos
tornamos menos tolerantes ao diferente e nos tornamos impermeáveis ao que é contrário ao nosso jeito de ser e
pensar. No entanto, é exatamente o contraditório que gera confronto de ideias. E é do confronto de ideias que nasce
o novo, é a partir da exposição ao diferente que alargamos nossos horizontes. Aí está nosso para-brisa real.
[25] Precisamos estar atentos e conscientes, aumentando nossa fluência digital, nos tornando críticos ao que
consumimos e para onde o uso da tecnologia, da forma que usamos, está nos levando.
Nos últimos dias, uma investigação, divulgada em uma série de notícias do Wall Street Journal, revela que
o Facebook — a rede social mais popular no Brasil — desde 2018 sabia que uma mudança feita em seu algoritmo
fazia mal à saúde mental de jovens e que também potencializava o alcance e o compartilhamento de conteúdos
[30] tóxicos, violentos e de desinformação.
Por isso, o papel de guardiões do nosso próprio futuro, do horizonte que enxergamos através do para-brisa,
não é das redes sociais, é nosso. A tecnologia precisa estar a favor do nosso bem-estar e do futuro que queremos,
do interesse coletivo e não apenas de alguns.
É possível falar em democracia digital? Sim, mas apenas se nós estivermos fazendo a nossa parte, como
[35] verdadeiros cidadãos digitais, cientes dos nossos deveres e direitos, entendendo os mecanismos e fazendo escolhas
melhores.
Disponível em: https://vidasimples.co/colunistas/redes-sociais-nao-sao-para-brisas-sao-retrovisores/. Acesso em: 6 out. 2021.Adaptado.
De acordo com as ideias defendidas no texto, as redes sociais são para-brisas quando:
Questão 2 6997129
UESB Caderno 1 2020TEXTO
Um dos refrãos mais ouvidos nos dias de hoje é:
“tem que haver respeito às diferenças”! Em diferentes
situações de agressão, clamamos pelo respeito à
pessoa, às leis, aos direitos, aos deveres, à justiça. O
[5] que significa de fato esse respeito? O que buscamos
quando gritamos por respeito?
A palavra ou o conceito respeito é atribuído, no
caso da presente reflexão, às diferenças. Por isso quero
lembrar algo sobre o sentido da palavra respeito. Sua
[10] origem está no latim respectus e indica um sentimento
de apreço, consideração, deferência, algo que merece
um segundo olhar, uma segunda chance, uma segunda
atenção.
Não tem a ver com concordância com a posição
[15] alheia, mas permissão para que ela se manifeste
livremente quando não cause dano a outrem. Respeito
exige reciprocidade e aí entramos num terreno muito
complexo que, de certa forma, está ausente nas
instituições sociais mantidas pelo capitalismo vigente, o
[20] maior educador de nosso povo. E isso porque, quando
pensamos em respeito e reciprocidade, já temos um
quadro mental interpretativo em que submetemos uns
aos outros.
Respeitar o diferente não é convencê-lo a aderir
[25] ao modelo de comportamento que eu apresento como
correto ou que a mídia determinou como correto. Tal
forma de respeito, na realidade, é um sutil autoritarismo,
um convencimento de que o diferente tem que ser igual
a mim mesmo, se eu o afirmo como diferente. Sou eu
[30] que afirmo o outro/a como diferente.
Por isso, colocar a palavra respeito como anterior
às diferenças significa, de certa forma, limitá-las a uma
espécie de ordem interpretativa, visto que sozinha
a palavra não se dá a si mesma um significado. E a
[35] pergunta que surge imediatamente é: quem estabelece
o significado e a ordem do respeito, quem a determina,
quem a promove? Estamos dessa forma diante das
múltiplas interpretações e dos limites que a palavra
respeito contém.
[40] Respeito às diferenças sexuais! Respeito às
diferentes etnias! Respeito às diferentes idades!
Respeito às leis! Respeito à floresta, à terra, aos rios,
aos mares… Tudo tem que ter respeito, mas como se
pode viver e entender algo mais desse respeito? O
[45] que fazer para que ele seja efetivo em favorecer o bem
comum?
Diante dessa difícil tarefa, tenho dificuldades com
as afirmações sobre respeito ilimitado ou absoluto.
Creio que esse absoluto não existe, isso porque não
[50] o experimentamos. Minha existência no mundo é por
si só limitada a esse momento no qual vivo, ao espaço
que ocupo, à minha educação, à minha família, a tudo o
que recebi. Sou o que sinto, sou as minhas simpatias e
antipatias, sou os interesses que defendo e os valores
[55] que prezo. Tudo isso sou eu, meu corpo, corpo aberto
a tantas coisas e, ao mesmo tempo, limitado a tantas
outras.
Por isso não posso respeitar todas as diferenças
e todas as opiniões. Não posso respeitar tudo no
[60] sentido de ter que acolher algumas formas de existir
que me agridem, ameaçam, matam, destroem minhas
convicções, minha maneira de estar no mundo. Tudo
isso para afirmar que o respeito às diferenças não pode
ser absoluto, não é experimentado como absoluto, mas
[65] é limitado aos nossos próprios limites.
Meu corpo é minha abertura e meu limite em todas
as relações. Nossos corpos são aberturas e limites
situados e datados. Por isso o discurso sobre o respeito
às diferenças é, às vezes, muito banal, e inconsistente.
[70] Para esse discurso ter consistência numa sociedade
plural como a nossa precisa ser apoiado e secundado
por direitos sociais efetivos, por leis que garantam a
convivência e promovam de fato relações de justiça. A
afirmação de direitos cidadãos é exigida na convivência
[75] social e dá respaldo à falta de respeito explicitada de
múltiplas formas.
Sair da mentira de certos idealismos políticos, de
certas crenças religiosas que apenas acolhem pelas
palavras, se faz necessário. Como enfrentar-nos a
[80] nossa própria hipocrisia? Como enfrentar-nos aos
nossos próprios absolutos mentirosos?
Um caminho é o do conhecimento de nós mesmos,
do hábito de pensar sobre nossa vida, de aprender
com nossa própria história desde a nossa infância.
[85] Tal aprendizado nos leva a acolher a unilateralidade
e, portanto, o limite de minha percepção, de minha
perspectiva, de meu saber, de minha opinião, de meu
sentimento, de minha diferença.
Tudo parece um círculo vicioso e sem saída. Mas
[90] não é. Não é sem saída dentro dos limites provisórios de
nossa história porque podemos tentar mudar de lugar,
perceber de outro ponto o mundo que nos constitui e
envolve.
Podemos apreender os limites de nossa
[95] humanidade comum e conviver juntos. Podemos captar
e reconhecer nossas emoções e desejos de poder.
Podemos nos ajudar a entender a nossa convivência
sempre de novo.
E é essa a tarefa ética da Política e da Educação em suas diferentes expressões. Alargar visões, abrir às necessidades
[100] vitais de todos para todos, mostrar a interdependência entre as pessoas, a riqueza e a necessidade da diversidade,
a multiplicidade de aspectos da vida que permitem às ciências de tocar na franja do tecido humano. Nossas próprias
emoções podem ser educadas mesmo se sofremos com esses processos de limite da ‘infinitude’ de nossos desejos de
dominação. De fato algo pode mudar em nossos comportamentos.
DIÁLOGOS DA FÉ. O que é mesmo respeito às diferenças? Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/blogs/dialogos-da-fe/o-que-emesmo-o-respeito-as-diferencas/. Acesso em: 8 jan.2020. Adaptado.
“Por isso o discurso sobre o respeito às diferenças é, às vezes, muito banal, e inconsistente.” (l. 68-69).
Marque com V ou com F, conforme sejam verdadeiras ou falsas as afirmativas que apresentam propostas que contradigam a mensagem do trecho destacado.
( ) Concordar com a posição alheia é uma forma de respeito às ideias do outro, principalmente se esse se mostra diferente de mim.
( ) Permitir que haja expressão de livre pensamento, mesmo que esse venha em forma de agressão ao outro, é exercitar o respeito às diferenças.
( ) O efetivo respeito às diferenças deve ser cultivado nas diferentes instituições educativas e sociais, essas são, de fato, o maior educador de nosso povo.
( ) Questionar os modelos institucionais sobre o real valor de seus ideais e crenças é uma forma de banir a hipocrisia e promover a inclusão dos diferentes.
( ) Promover políticas públicas que respeitam às necessidades vitais de sobrevivência de todos, desenvolvendo a irmandade entre as pessoas, é o caminho para se perceber a grandeza da diversidade humana.
A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a
Questão 36 6974804
UDESC Verão Tarde 2020Promulgada em outubro de 1988, durante o denominado período de redemocratização, a Constituição da República Federativa do Brasil pode ser considerada como o conjunto de leis e diretrizes fundamentais do país, que devem servir de parâmetro para quaisquer definições e regulamentações que digam respeito ao país e aos cidadãos brasileiros.
A respeito desta Constituição, assinale a alternativa correta.
Questão 42 6724832
UNIFENAS Manhã 2020História construída no entrelaçamento de muitas histórias, a da febre amarela convergiu sistematicamente para a história das transformações nas políticas de dominação e nas ideologias raciais no Brasil do século XIX. Os cientistas da Higiene formularam políticas públicas voltadas para a promoção de melhorias nas condições de salubridade vigentes na Corte e no país em geral. Naturalmente, escolheram priorizar algumas doenças em detrimento de outras. A febre amarela, flagelo dos imigrantes que, esperava-se, ocupariam o lugar dos negros nas lavouras do Sudeste cafeeiro, tornou-se o centro dos esforços de médicos e autoridades. Enquanto isso, os doutores praticamente ignoravam, por exemplo, uma doença como a tuberculose, que eles próprios consideravam especialmente grave entre a população negra do Rio.
CHALHOUB, Sidney. Cidade Febril: cortiços e epidemias na Corte imperial. São Paulo, Cia da Letras, 1996, p.11.

Os médicos sanitaristas do Rio de Janeiro se investiram da “missão” de sanar a cidade de suas mazelas a partir da segunda metade do século XIX. Já as primeiras administrações republicanas destruíram os cortiços – processo que se intensificava desde 1870 –, expulsando as classes populares das áreas centrais da cidade.
A partir da análise do texto e da imagem é possível afirmar que a prioridade do Estado, além de resolver a questão das epidemias, era
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