Questões de Sociologia
6.493 Questões
Questão 15 15000140
FUNORTE Medicina 2022/2Texto
Brasil e o sistema racist
O conceito de raça é usado para segregar e oprimir uma população que, ainda hoje, é invisibilizada, tendo os direitos humanos violados.
[1] A morte do povo preto não pode continuar passando despercebida. Mas o que esperar de uma sociedade racializada? O genocídio da população não branca transforma em estatísticas vidas que se perderam sem chance de defesa. Ser negro é marcador social. E quem é negro sente na pele a dor de ser negro em um país onde o racismo prevalece. A Lei n° 7.716, de 1989, de autoria do deputado Carlos Alberto de Oliveira, daí ser mais conhecida como Lei Caó, criminaliza o racismo e possibilita ferramentas que poderíam mudar o cenário de violência atual. Mas o que faz uma lei valer é o uso. Ela precisa ser popularizada, trabalhada nas escolas e nas bases para que os jovens tenham conhecimento dela e se apropriem de seus efeitos. Até quando uma mãe preta vai chorar?
[2] Há uma hierarquização, uma sociedade hegemônica que alimenta as desigualdades sociais, omitindo da população preta o acesso aos seus direitos, deixando-a à margem, em situação de risco e vulnerabilidade social. Naturalizando, diariamente, a morte dos jovens negros, que continuam tombando diante de um quadro generalizado de violência e opressão.
[3] Não podemos ficar omissos frente a tantas atrocidades. Precisamos desconstruir as estruturas excludentes que se retroalimentam e mantêm a desigualdade, a apartação social e nos insere em uma inclusão perversa, matando irmãos nossos, tirando-nos a liberdade de ser quem somos, de construir nossa identidade e vivê-la de forma plena. A sociedade questiona a legitimidade de nossas ações, cultura e etnia, não levando em conta que o Brasil é o segundo país do mundo em população negra. Uma população que é de luta, resistência, mas que, infelizmente, ainda hoje perde vidas em razão de desigualdades e injustiça.
[4] O conceito de raça é usado para segregar e oprimir uma população que, ainda hoje, é invisibilizada, tendo os direitos humanos violados. O racismo estrutural simbolicamente mantém o povo preto no tronco. Sem voz e anestesiado pelo sofrimento psíquico, leva com ele as dores de ser negro em um país patriarcal, machista, racista e classista. O artigo 5o da Constituição Federal de 1988 diz que somos iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza. E que a prática do racismo constitui crime inafiançável. Direitos que não são respeitados. Há no Brasil uma coisificação. Negros e negras deixam de ser vistos como pessoas e são tratados como coisas, deixando à mostra uma sociedade cruel e desumana adoecida por padrões e valores deturpados que julgam e condenam pessoas por sua cor, raça e classe.
[5] As mulheres negras lutam contra machismo, racismo e exclusão. Há diferença enorme nas construções sociais de ser mulher e ser mulher negra. Existe uma desigualdade histórica que privilegia a população branca em detrimento da não branca. A nossa sociedade embasa comportamentos racistas e discriminatórios que se perpetuam e seguem ceifando vidas inocentes.
[6] Precisamos lutar por uma sociedade mais justa, que se organiza no sentido de superar as injustiças sociais. A luta antirracista é de todos nós. Precisamos nos indignar e deixar claro para a sociedade que não admitimos racismo, não toleramos, e nada nem ninguém vai nos silenciar.
[7] Nós, brasileiros, somos descendentes, sim, de povos africanos, e reconhecer nossa ancestralidade é passo importante para termos o direito à cidadania e lutarmos por políticas afirmativas. É inconcebível que, em pleno século 21, continuemos ignorantes em relação à cultura, etnia e tradições do povo preto. Ser negro transcende a cor. A ignorância gera preconceito racial que se manifesta de forma violenta, como os assassinatos dos jovens negros e a destruição das casas religiosas, tentando tirar do negro a identidade. A exclusão viola o principal direito humano, que é o direito à vida, e coloca a população não branca em uma realidade de terror e sofrimento, em que se tornam apenas dados estatísticos.
[8] E todas essas situações reais de lutas e sofrimento são naturalizadas socialmente, impedindo a população negra de ter acesso a direitos humanos fundamentados, instituídos e efetivados. Para que haja mudança, lutemos por um Brasil melhor, sem racismo e com igualdade plena. Esse é nosso compromisso. E nossa esperança.
Josefina Serra dos Santos*, Denise da Costa Eleutério*, Neusa Maria* 'Membros da Comissão da Igualdade Racial da OAB-DF https://www.correiobraziliense.com.br/app/opiniao/2020/07/ll/internas _opiniao,871316/artigo-brasil-e-o-sistema-racista.shtml. Acesso em 13/05/2022.
Assinale a opção em que a análise entre colchetes sobre a oração destacada está INCORRETA:
Questão 14 15000129
FUNORTE Medicina 2022/2Texto
Brasil e o sistema racist
O conceito de raça é usado para segregar e oprimir uma população que, ainda hoje, é invisibilizada, tendo os direitos humanos violados.
[1] A morte do povo preto não pode continuar passando despercebida. Mas o que esperar de uma sociedade racializada? O genocídio da população não branca transforma em estatísticas vidas que se perderam sem chance de defesa. Ser negro é marcador social. E quem é negro sente na pele a dor de ser negro em um país onde o racismo prevalece. A Lei n° 7.716, de 1989, de autoria do deputado Carlos Alberto de Oliveira, daí ser mais conhecida como Lei Caó, criminaliza o racismo e possibilita ferramentas que poderíam mudar o cenário de violência atual. Mas o que faz uma lei valer é o uso. Ela precisa ser popularizada, trabalhada nas escolas e nas bases para que os jovens tenham conhecimento dela e se apropriem de seus efeitos. Até quando uma mãe preta vai chorar?
[2] Há uma hierarquização, uma sociedade hegemônica que alimenta as desigualdades sociais, omitindo da população preta o acesso aos seus direitos, deixando-a à margem, em situação de risco e vulnerabilidade social. Naturalizando, diariamente, a morte dos jovens negros, que continuam tombando diante de um quadro generalizado de violência e opressão.
[3] Não podemos ficar omissos frente a tantas atrocidades. Precisamos desconstruir as estruturas excludentes que se retroalimentam e mantêm a desigualdade, a apartação social e nos insere em uma inclusão perversa, matando irmãos nossos, tirando-nos a liberdade de ser quem somos, de construir nossa identidade e vivê-la de forma plena. A sociedade questiona a legitimidade de nossas ações, cultura e etnia, não levando em conta que o Brasil é o segundo país do mundo em população negra. Uma população que é de luta, resistência, mas que, infelizmente, ainda hoje perde vidas em razão de desigualdades e injustiça.
[4] O conceito de raça é usado para segregar e oprimir uma população que, ainda hoje, é invisibilizada, tendo os direitos humanos violados. O racismo estrutural simbolicamente mantém o povo preto no tronco. Sem voz e anestesiado pelo sofrimento psíquico, leva com ele as dores de ser negro em um país patriarcal, machista, racista e classista. O artigo 5o da Constituição Federal de 1988 diz que somos iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza. E que a prática do racismo constitui crime inafiançável. Direitos que não são respeitados. Há no Brasil uma coisificação. Negros e negras deixam de ser vistos como pessoas e são tratados como coisas, deixando à mostra uma sociedade cruel e desumana adoecida por padrões e valores deturpados que julgam e condenam pessoas por sua cor, raça e classe.
[5] As mulheres negras lutam contra machismo, racismo e exclusão. Há diferença enorme nas construções sociais de ser mulher e ser mulher negra. Existe uma desigualdade histórica que privilegia a população branca em detrimento da não branca. A nossa sociedade embasa comportamentos racistas e discriminatórios que se perpetuam e seguem ceifando vidas inocentes.
[6] Precisamos lutar por uma sociedade mais justa, que se organiza no sentido de superar as injustiças sociais. A luta antirracista é de todos nós. Precisamos nos indignar e deixar claro para a sociedade que não admitimos racismo, não toleramos, e nada nem ninguém vai nos silenciar.
[7] Nós, brasileiros, somos descendentes, sim, de povos africanos, e reconhecer nossa ancestralidade é passo importante para termos o direito à cidadania e lutarmos por políticas afirmativas. É inconcebível que, em pleno século 21, continuemos ignorantes em relação à cultura, etnia e tradições do povo preto. Ser negro transcende a cor. A ignorância gera preconceito racial que se manifesta de forma violenta, como os assassinatos dos jovens negros e a destruição das casas religiosas, tentando tirar do negro a identidade. A exclusão viola o principal direito humano, que é o direito à vida, e coloca a população não branca em uma realidade de terror e sofrimento, em que se tornam apenas dados estatísticos.
[8] E todas essas situações reais de lutas e sofrimento são naturalizadas socialmente, impedindo a população negra de ter acesso a direitos humanos fundamentados, instituídos e efetivados. Para que haja mudança, lutemos por um Brasil melhor, sem racismo e com igualdade plena. Esse é nosso compromisso. E nossa esperança.
Josefina Serra dos Santos*, Denise da Costa Eleutério*, Neusa Maria* 'Membros da Comissão da Igualdade Racial da OAB-DF https://www.correiobraziliense.com.br/app/opiniao/2020/07/ll/internas _opiniao,871316/artigo-brasil-e-o-sistema-racista.shtml. Acesso em 13/05/2022.
As orações reduzidas também possuem carga semântica.
Assinale a alternativa que apresenta uma interpretação INCORRETA entre colchetes sobre a oração reduzida de gerúndio que antecede tal interpretação.
Questão 3 14999047
FUNORTE Medicina 2022/2Texto
Múltiplas faces da violência contra a mulher
[1] A violência atinge as mulheres todos os dias. A Rede Brasileira de Mulheres Cientistas reconhece que é chave para o futuro do Brasil produzir conhecimento que permita compreender e construir soluções baseadas em evidências e na escuta das mulheres brasileiras em sua diversidade. Neste ano eleitoral, conclamamos partidos e candidaturas a se comprometerem com a agenda do combate à violência contra mulheres e meninas.
[2] Desde os anos 1980, os movimentos feministas brasileiros lutam por políticas públicas e marcos legais para garantir às brasileiras uma vida sem violência. Um ponto alto dessa luta foi a promulgação da Lei Maria da Penha, em 2006, reconhecida como uma das mais completas do mundo. Aos desafios que já existiam para a sua efetivação, entre os quais o monitoramento por estados e municípios, soma-se o atual desmonte das políticas públicas e mecanismos de participação cidadã.
[3] A violência de gênero se conecta às desigualdades em todas as esferas: na casa, no trabalho, na política. Visões romantizadas da família podem desviar as ações para combatê-la no espaço doméstico, onde ocorre a maioria dos casos. Impedir o debate sobre gênero nas escolas retira das meninas informações que as ajudam a reconhecer e denunciar situações de violência. Posturas sexistas e misóginas de lideranças políticas normalizam a violência política de gênero.
[4] A violência de gênero se combina ao racismo e à discriminação contra mulheres LGBTQIA+. Mulheres negras estão mais vulneráveis ao feminicídio que mulheres brancas, e o desmonte das políticas de proteção social e combate à pobreza, somado à pandemia de Covid-19, vêm agravando desigualdades preexistentes.
[5] Já as políticas que favorecem a mineração e a agropecuária aumentam tensões com os povos originários, expondo as mulheres indígenas à violência. É algo que fica evidente na morte de uma menina de 12 anos estuprada por garimpeiros ilegais na terra indígena Yanomami. Por sua vez, mulheres LGBTQIA+ estão sujeitas a agressões nas esferas pública e privada em virtude de sua orientação sexual e identidade de gênero.
[6] No campo da saúde, a cultura científica pode favorecer a invisibilidade da violência. Ela é produzida pelas dificuldades e silêncio que rondam as mulheres, assim como pelas dificuldades dos profissionais de saúde de perguntar e reconhecer situações de violência. Somam-se a isso processos culturais de banalização, com a naturalização de atos cotidianos de violência, essencializados como impulsos naturais masculinos e não tomados como comportamento intencional culturalmente válido.
[7] Aí também estão presentes outras discriminações, perpetradas inclusive por agentes estatais: mulheres negras recebem menos anestesia no parto que as brancas, pela noção errônea de que seus corpos suportam melhor a dor. O tratamento dado às indígenas durante a gravidez e o parto pela Secretaria Especial de Saúde Indígena não respeita as formas culturais de atendimento por parteiras e pajés. Por sua vez, as mulheres LGBTQIA+ muitas vezes encontram desconhecimento e práticas de discriminação nos serviços de saúde.
[8] No caso da atenção às mulheres em situação de violência, a principal referência terapêutica será a de bem ouvir seu relato, dando crédito às revelações e agindo de modo respeitoso, sem revitimizà-las ou discriminá-las. A melhor intervenção busca, na narrativa que elas oferecem, pontos de apoios para reconhecer e valorizar sua cultura e seus direitos do ponto vista ético e legal.
[9] Movimentos feministas e de mulheres negras, indígenas e LGBTQIA+ têm trabalhado para romper esse silêncio e informá-las para que reconheçam e saibam como agir em casos de agressão. O combate e as garantias fundamentais que estão em jogo dependem de compromissos coletivos e políticas públicas.
[10] Essa luta se confunde com os desafios mais amplos para a cidadania e a democracia. Nunca foi apenas sobre as mulheres - e continua a não ser.
O uso de pronomes representa um dos mais relevantes mecanismos de coesão referencial na construção do texto.
Em relação a esses elementos coesivos, assinale a alternativa correta:
Questão 1 14998974
FUNORTE Medicina 2022/2Texto
Múltiplas faces da violência contra a mulher
[1] A violência atinge as mulheres todos os dias. A Rede Brasileira de Mulheres Cientistas reconhece que é chave para o futuro do Brasil produzir conhecimento que permita compreender e construir soluções baseadas em evidências e na escuta das mulheres brasileiras em sua diversidade. Neste ano eleitoral, conclamamos partidos e candidaturas a se comprometerem com a agenda do combate à violência contra mulheres e meninas.
[2] Desde os anos 1980, os movimentos feministas brasileiros lutam por políticas públicas e marcos legais para garantir às brasileiras uma vida sem violência. Um ponto alto dessa luta foi a promulgação da Lei Maria da Penha, em 2006, reconhecida como uma das mais completas do mundo. Aos desafios que já existiam para a sua efetivação, entre os quais o monitoramento por estados e municípios, soma-se o atual desmonte das políticas públicas e mecanismos de participação cidadã.
[3] A violência de gênero se conecta às desigualdades em todas as esferas: na casa, no trabalho, na política. Visões romantizadas da família podem desviar as ações para combatê-la no espaço doméstico, onde ocorre a maioria dos casos. Impedir o debate sobre gênero nas escolas retira das meninas informações que as ajudam a reconhecer e denunciar situações de violência. Posturas sexistas e misóginas de lideranças políticas normalizam a violência política de gênero.
[4] A violência de gênero se combina ao racismo e à discriminação contra mulheres LGBTQIA+. Mulheres negras estão mais vulneráveis ao feminicídio que mulheres brancas, e o desmonte das políticas de proteção social e combate à pobreza, somado à pandemia de Covid-19, vêm agravando desigualdades preexistentes.
[5] Já as políticas que favorecem a mineração e a agropecuária aumentam tensões com os povos originários, expondo as mulheres indígenas à violência. É algo que fica evidente na morte de uma menina de 12 anos estuprada por garimpeiros ilegais na terra indígena Yanomami. Por sua vez, mulheres LGBTQIA+ estão sujeitas a agressões nas esferas pública e privada em virtude de sua orientação sexual e identidade de gênero.
[6] No campo da saúde, a cultura científica pode favorecer a invisibilidade da violência. Ela é produzida pelas dificuldades e silêncio que rondam as mulheres, assim como pelas dificuldades dos profissionais de saúde de perguntar e reconhecer situações de violência. Somam-se a isso processos culturais de banalização, com a naturalização de atos cotidianos de violência, essencializados como impulsos naturais masculinos e não tomados como comportamento intencional culturalmente válido.
[7] Aí também estão presentes outras discriminações, perpetradas inclusive por agentes estatais: mulheres negras recebem menos anestesia no parto que as brancas, pela noção errônea de que seus corpos suportam melhor a dor. O tratamento dado às indígenas durante a gravidez e o parto pela Secretaria Especial de Saúde Indígena não respeita as formas culturais de atendimento por parteiras e pajés. Por sua vez, as mulheres LGBTQIA+ muitas vezes encontram desconhecimento e práticas de discriminação nos serviços de saúde.
[8] No caso da atenção às mulheres em situação de violência, a principal referência terapêutica será a de bem ouvir seu relato, dando crédito às revelações e agindo de modo respeitoso, sem revitimizà-las ou discriminá-las. A melhor intervenção busca, na narrativa que elas oferecem, pontos de apoios para reconhecer e valorizar sua cultura e seus direitos do ponto vista ético e legal.
[9] Movimentos feministas e de mulheres negras, indígenas e LGBTQIA+ têm trabalhado para romper esse silêncio e informá-las para que reconheçam e saibam como agir em casos de agressão. O combate e as garantias fundamentais que estão em jogo dependem de compromissos coletivos e políticas públicas.
[10] Essa luta se confunde com os desafios mais amplos para a cidadania e a democracia. Nunca foi apenas sobre as mulheres - e continua a não ser.
Na progressão do raciocínio textual, as autoras utilizam várias estratégias e recursos linguísticos os quais corroboram com a intencionalidade discursiva do gênero textual artigo de opinião.
Sobre essas estratégias e recursos, assinale a afirmativa INCORRETA:
Questão 54 14847745
PAS - UFLA 2 Etapa 2022-2024Leia o Texto 1 para responder à questão.
TEXTO 1
O SLOGAN “A FAVELA VENCEU” INCLUI OS QUE PASSAM FOME?
A verdade é aquilo que está fora da sua cabeça. – Amílcar Cabral
[1] Nós, moradores de territórios marginalizados, enfrentamos inúmeras adversidades resultantes da
ausência do Estado na produção de políticas públicas que nos ofertem sobrevivência digna. E como reflexo,
acostumamo-nos a comemorar com certo entusiasmo as pequenas conquistas pessoais. Celebramos a
promoção no emprego, a publicação de artigo na imprensa, o curso concluído ou ingresso na universidade, a
[5] reforma da residência, a aquisição de algum bem material etc. Às vezes nem é sobre nós, comemoramos
também as superações das pessoas que estão na mesma condição social. E acho importante que façamos isso,
pois cultiva a esperança e fortalece a autoestima de um povo que se reinventa para sobreviver neste mundo
abundante de injustiça social, como disse o intelectual Milton Santos (2000) “(…) os pobres não se entregam.
Eles descobrem cada dia formas inéditas de trabalho e de luta”.
[10] No entanto, as conquistas não são eventos comuns, muitas pessoas convivem somente com derrotas e
sofrimentos. Por essa razão, critico os que colocam as experiências individuais como universais e
representativas da população que sobrevive no mesmo espaço geográfico. De maneira mais específica, refiro
me aos artistas, militantes e políticos que lançam mão do slogan “A favela venceu” nas ocasiões em que os
moradores da periferia conquistam algo material ou simbólico, ou situações que a própria cultura marginalizada
[15] ocupa espaços privilegiados. Eu vejo nessa manifestação o mero ajuste ao ideário neoliberal, desconectado da
realidade concreta da massa negra e pobre. É o flerte com a meritocracia, pois como pano de fundo considera o
esforço a matéria-prima do sucesso, homogeniza as individualidades e abandona as críticas que deveriam ser
feitas ao Estado por não garantir os direitos fundamentais da população. Decerto, se a sociedade não fosse
estruturalmente racista, possivelmente, nem favelas existiriam neste país, já que os negros são a maioria nesses
[20] lugares. Os disseminadores do slogan, simplesmente, desconsideram as dores das mães, familiares e amigos de
pessoas que foram assassinadas pelas ações do poder público em nome do combate às drogas. Urge que
sejamos críticos diante disso, e questionemos “como assim a favela venceu?” se o que vemos é a manutenção e
aumento da violência contra os negros e pobres.
Devemos rechaçar pensamentos individualistas massificados, principalmente, por quem o sistema
[25] concedeu migalhas e oportunidade de participação em espaços privilegiados. A realidade violenta exige a
construção de ações concretas e discursos radicalizados contra o sistema que oprime a população.
Conversemos com as pessoas e mostremos que no capitalismo a mobilidade social dos pobres é descendente, e
os que ascendem são apenas exceções confirmando a regra. Mas, se mesmo assim elas insistirem na
reprodução do slogan, pergunte se os que andam revirando lixo, encarando a “fila do osso”, e os familiares que
[30] perderam seus entes queridos, na “guerra às drogas”, compartilham da mesma opinião.
CORRÊA. Ricardo. O slogan “a favela venceu” inclui os que passam fome? Carta Campinas. Disponível em: https://cartacampinas.com.br/2022/06/o-slogan-a-fevela-venceu-inclui-os-que-passam-fome/ Acesso em 10 out 2022.
De acordo com o contexto em que os termos destacados aparecem no Texto 1, indique a alternativa em que o vocábulo NÃO apresenta o sentido indicado:
Questão 53 14847738
PAS - UFLA 2 Etapa 2022-2024Leia o Texto 1 para responder à questão.
TEXTO 1
O SLOGAN “A FAVELA VENCEU” INCLUI OS QUE PASSAM FOME?
A verdade é aquilo que está fora da sua cabeça. – Amílcar Cabral
[1] Nós, moradores de territórios marginalizados, enfrentamos inúmeras adversidades resultantes da
ausência do Estado na produção de políticas públicas que nos ofertem sobrevivência digna. E como reflexo,
acostumamo-nos a comemorar com certo entusiasmo as pequenas conquistas pessoais. Celebramos a
promoção no emprego, a publicação de artigo na imprensa, o curso concluído ou ingresso na universidade, a
[5] reforma da residência, a aquisição de algum bem material etc. Às vezes nem é sobre nós, comemoramos
também as superações das pessoas que estão na mesma condição social. E acho importante que façamos isso,
pois cultiva a esperança e fortalece a autoestima de um povo que se reinventa para sobreviver neste mundo
abundante de injustiça social, como disse o intelectual Milton Santos (2000) “(…) os pobres não se entregam.
Eles descobrem cada dia formas inéditas de trabalho e de luta”.
[10] No entanto, as conquistas não são eventos comuns, muitas pessoas convivem somente com derrotas e
sofrimentos. Por essa razão, critico os que colocam as experiências individuais como universais e
representativas da população que sobrevive no mesmo espaço geográfico. De maneira mais específica, refiro
me aos artistas, militantes e políticos que lançam mão do slogan “A favela venceu” nas ocasiões em que os
moradores da periferia conquistam algo material ou simbólico, ou situações que a própria cultura marginalizada
[15] ocupa espaços privilegiados. Eu vejo nessa manifestação o mero ajuste ao ideário neoliberal, desconectado da
realidade concreta da massa negra e pobre. É o flerte com a meritocracia, pois como pano de fundo considera o
esforço a matéria-prima do sucesso, homogeniza as individualidades e abandona as críticas que deveriam ser
feitas ao Estado por não garantir os direitos fundamentais da população. Decerto, se a sociedade não fosse
estruturalmente racista, possivelmente, nem favelas existiriam neste país, já que os negros são a maioria nesses
[20] lugares. Os disseminadores do slogan, simplesmente, desconsideram as dores das mães, familiares e amigos de
pessoas que foram assassinadas pelas ações do poder público em nome do combate às drogas. Urge que
sejamos críticos diante disso, e questionemos “como assim a favela venceu?” se o que vemos é a manutenção e
aumento da violência contra os negros e pobres.
Devemos rechaçar pensamentos individualistas massificados, principalmente, por quem o sistema
[25] concedeu migalhas e oportunidade de participação em espaços privilegiados. A realidade violenta exige a
construção de ações concretas e discursos radicalizados contra o sistema que oprime a população.
Conversemos com as pessoas e mostremos que no capitalismo a mobilidade social dos pobres é descendente, e
os que ascendem são apenas exceções confirmando a regra. Mas, se mesmo assim elas insistirem na
reprodução do slogan, pergunte se os que andam revirando lixo, encarando a “fila do osso”, e os familiares que
[30] perderam seus entes queridos, na “guerra às drogas”, compartilham da mesma opinião.
CORRÊA. Ricardo. O slogan “a favela venceu” inclui os que passam fome? Carta Campinas. Disponível em: https://cartacampinas.com.br/2022/06/o-slogan-a-fevela-venceu-inclui-os-que-passam-fome/ Acesso em 10 out 2022.
Ao apresentar o questionamento “como assim a favela venceu?” (linha 22), o autor
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