Questões de Sociologia
6.493 Questões
Questão 13 10160138
URCA 2º Dia 2023/1De acordo com os livros de História, assim que tomaram o poder, em 1964, os militares promoveram intervenções nos sindicatos, criaram leis para impedir a organização dos trabalhadores e procuraram atrair lideranças sindicais para o campo do governo. Por meio de acordos com esses líderes, a ditadura visava controlar o movimento sindical.
Para além do controle do Movimento Sindical, marque a alternativa CORRETA, a apresentar outros movimentos sociais de resistência, que estavam na mira dos militares durante a Ditadura Civil Militar no Brasil:
Questão 9 10151253
URCA 2º Dia 2023/1No livro Memórias da Plantação, da artista e pesquisadora angolana Grada Kilomba, ela escreve sobre a presença do colonialismo no tempo presente, transcendendo os idos dos séculos XVI ao XIX. Segundo a artista, as memórias deste passado estão vivas, enterradas em nossa mente, e elas estão sempre prontas para serem contadas e recontadas. Para o linguista neerlandês, Teun A. van Dijk, no livro Discurso e Poder o racismo transpõe os atos de xingamentos e se manifesta na prática discursiva do cotidiano, nos roteiros, imagens e no audiovisual da mídia publicitária e nos discursos oficiais. Em 2008, uma pesquisa de opinião global sobre ações governamentais para prevenir a discriminação racial entrevistou pessoas de 16 países. A China ficou em segundo lugar - 90% dos chineses disseram que igualdade racial é importante. Observe o conjunto de figuras abaixo:

Figura 1. A figura Chlorinol e uma gravura do final do século XIX usada como publicidade de promoção do sabão alvejante de mesmo nome, publicada em jornal inglés do ano de 1907. A tradução da legenda: "Nós iremos usar Chlorinol e ficar como o negro branco."

Figura 2. O anúncio da Devassa Tropical Dark, veiculado entre 2010 e 2011, trazia uma ilustração de uma mulher negra, em pose sensual e com um vestido de gala com as costas abertas, junto à mensagem: é pelo corpo que se conhece a verdadeira negra.

Figura 3. Anúncio do sabão Qiaobi veiculado na China em 2016. Quadro à quadro, na propaganda há uma jovem chinesa lavando roupas. Um homem negro de cabelos crespos, com marcas claras no rosto, surge em cena. Após ambos se olharem sugestivamente, ela insere um tablete de sabão Qiaobi na boca dele. Em seguida, a jovem empurra o homem para dentro de uma máquina de lavar. Após instantes, o homem negro reaparece transformado em um chinês de pele clara e cabelos lisos. A jovem parece estar encantada com o resultado.
Após a leitura das imagens e suas respectivas legendas, marque a alternativa CORRESPONDENTE:
I. Historicamente as expansões marítimas e o imperialismo europeu sobre os territórios africano, asiático e da Oceania provocou dizimação, o empobrecimento cultural, material e moral desses povos não europeus.
II. O colonialismo é compreendido como um sistema sociopolítico, cultural, econômico e ideológico que sistematizou o racismo contra povos não europeus, e suas práticas culturais. O colonialismo se impõe, a partir do poder econômico até os dias atuais, seja no discurso do cotidiano, na publicidade ou nos discursos oficiais da economia e das instituições públicas e privadas.
III. A primeira figura apresenta uma forma de discriminação racial comum na publicidade comercial do século XIX. Na segunda figura têm-se uma representação que valoriza o corpo da mulher negra, sendo exaltada por suas verdadeiras qualidades. Na terceira figura, há uma representação que reforça o ideal racista das propagandas comerciais do século XIX.
IV. Na década de 1960 houve uma nova fase para as mulheres que lutavam pelo fortalecimento do movimento feminista, incluindo a emancipação dos seus corpos, autonomia, liberdade e igualdade de direitos; neste contexto os negros nos Estados Unidos protestavam contra a brutalidade policial, a segregação, a discriminação e pela conquista de direitos civis.
Questão 8 10151116
URCA 2º Dia 2023/1Historicamente o Brasil experimentou o escravagismo contra os povos de origem africana por cerca de três séculos oficialmente. E de modo subsequente o abandono da população negra liberta. Pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, tais , como as pedagogas Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, Nilma Lino Gomes; as psicólogas Cida Bento e Neusa Santos Souza; os juristas Silvio Almeida e André Barreto Campello, os sociólogos Clóvis Moura e Carlos Hasenbalg, e historiadores como José Murilo de Carvalho, Hebe Matos, Alberto da Costa e Silva, Emília Viotti da Costa, João José Reis, Wlamyra AIbuquerque e Marina de Mello e Souza, reconhecem que foram poucas e recentes as políticas públicas que visam a integração da população negra enquanto cidadã plena de direito no meio social brasileiro. Das poucas políticas vigentes no país podemos exemplificar a implementação da Lei Nº 10.639 de 9 de janeiro de 2003, que altera a Lei Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira; a Lei 11.645, de 10 de março de 2008, que altera a Lei Nº 9394/1996 modificada pela Lei 10.639/2003, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. À Lei Nº 12.289, de 20 de julho de 2010, que criou a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), com o princípio de cooperação entre os povos.
Ao se tratar das políticas públicas vigentes no Brasil, responsáveis pela integração da população africana e afro-diaspórica no meio social, é CORRETO afirmar:
Questão 29 10124098
FACASPER Inverno 2023De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2022, nos últimos anos, houve uma reversão da tendência de desarmamento da população civil iniciada com a edição do Estatuto do Desarmamento, em 2003, e a quantidade de armas de fogo nas mãos de civis ultrapassou, em muito, a quantidade de armas dos órgãos de segurança pública.
Sobre essa circunstância, é correto afirmar que ela:
Questão 23 10124049
FACASPER Inverno 2023Em 01 de novembro de 2021, na abertura da COP 26, a ativista indígena Txai Suruí defendeu a urgência de se garantir um futuro com menos desmatamento. “Não é em 2030 ou 2050, é agora! Os povos indígenas estão na linha de frente da emergência climática e nós devemos estar no centro das decisões que acontecem aqui. Temos ideias para adiar o fim do mundo”, afirmou ela. Txai Suruí acrescenta: “Estou aqui para trazer a mensagem de que não existe justiça climática sem justiça social para os povos indígenas. E que continuaremos resistindo independentemente dos resultados que saírem daqui”.
Disponível em: COP26 vai anunciar amanhã pacto para combater desmatamento - 01/11/2021 - UOL ECOA. Acesso em: 27 abr 2023. Adaptado.
A urgência expressa no discurso da ativista está diretamente relacionada à luta pela
Questão 2 10123778
FACASPER Inverno 2023Leia o texto a seguir e responda à questão.
DA LÓGICA DA POLÍTICA À LÓGICA DA MÍDIA: ENTRE DEMOCRACIA E ENTRETENIMENTO
Luís Mauro Sá Martino
As relações entre política e entretenimento vêm sendo um objeto privilegiado de investigação tanto no campo das Ciências Sociais como no da Comunicação. Dentre os vários focos, seria possível destacar a preocupação com as formas de concepções de política presentes na arte, questões de política cultural e o engajamento de artistas, canções e movimentos musicais em atividades de natureza política – a canção de protesto, nesse sentido, seria o caso mais explícito. Se a perspectiva crítica foi, em algum momento, dominante, proposições recentes vêm procurando contrabalançar essa questão.
O argumento deste ensaio é que a política está tomando a forma do entretenimento porque ela não seria entendida de outra maneira. Boa parte das referências coletivas contemporâneas estão articuladas com os ambientes da mídia e os discursos em circulação nesses espaços, fazendo parte de uma “cultura digital”, “cultura de massa”, “cultura da mídia” ou mesmo “popular culture”, como preferem os anglo-saxões, em uma acepção de “popular” que fica em diagonal com a dos discursos teóricos latino-americanos. O semiólogo francês Roland Barthes (1915-1980), em seu trabalho pioneiro de análise da mídia, sugeria que as “mitologias modernas” – tramas de novelas, trechos de filmes, episódios de séries, canções populares e rock’n’roll – estão muito mais presentes na memória, tanto individual como coletiva, do que outras formas de narrativa.
O “mundo vivido”, no dizer do filósofo alemão Edmund Husserl (1859-1938), está permeado de elementos dos meios de comunicação; eles formam nossa memória e os discursos coletivos, permitem associações e identificações individuais e sociais, expressam sentimentos e aspirações. Estão vinculados às condições materiais de sua produção e às relações sociais, mas, ao mesmo tempo em que as expressam, também as transcendem – a dialética da produção cultural, em alguma medida, parece se direcionar para esse aparente paradoxo que, no entanto, se dissolve quando se lembra que essa, em alguma medida, é a própria dinâmica da sociedade.
Isso não é superdimensionar o poder da mídia e sua articulação com a política da vida cotidiana. Se ela tem a série de prerrogativas, é porque está presente em algo mais amplo chamado “vida humana”, que certamente não depende apenas dos ambientes midiáticos, mas está em constante articulação com eles dentro de um processo de midiatização.
O sentido das mensagens da mídia é negociado em seu uso pelos indivíduos, entendidos como sujeitos históricos e sociais, dotados de vínculos, sentimentos, afetos, razão. Sua presença inicialmente se deve muito mais à maneira como ela se articula e se relaciona com outras instâncias da vida social, articulando-se em termos de um “ambiente”.
A realidade compartilhada
O filósofo norte-americano William James (1842-1910) foi um dos primeiros a chamar a atenção para esse fenômeno: vivemos em múltiplas realidades, mas quase não nos damos conta disso e, na maior parte dos casos, essa pluralidade é deixada de lado e comprimida em uma entidade singular, a realidade. E, nesse sentido, boa parte de nossa experiência cotidiana está relacionada de alguma maneira com as interações mediadas.
Em primeiro lugar, pela onipresença das redes de comunicação. As tecnologias de comunicação, transformadas em miniaturas e acopladas ao corpo humano, permitem uma interação mais rápida e ampla com outros seres humanos, mas também com outros canais de informações, como jamais foi experimentado na história. Se é possível dizer que a realidade é relacional, é possível argumentar também que essas relações são hoje mais mediadas do que em qualquer outra época. O acoplamento de dispositivos tecnoeletrônicos ao corpo humano – alguns autores chamariam de “pós-humano” – torna possível a criação e a experiência do “mundo real” em ambientes antes inimagináveis, múltiplos e simultâneos. Em qualquer lugar posso estar ligado simultaneamente a várias realidades, sobretudo quando se leva em conta a noção de “múltiplas realidades” mencionada por James.
Mesmo em um plano mais amplo, é praticamente impossível escapar da presença da mídia em qualquer espaço, seja como o som ambiente de um supermercado, seja nas telas eletrônicas presentes nos lugares mais inesperados ou no toque do smartphone. A torrente de informações, inesgotável, não é apreendida em sua totalidade pelos cinco sentidos, e aí também encontra lugar um intenso processo de negociação na dinâmica entre emissor, mensagem e receptor – se essas categorias ainda têm alguma validade para definir os parâmetros da comunicação contemporânea. Essa torrente não é nova e, quando se leva em consideração o desenvolvimento de uma cultura vinculada à mídia desde o final do século XIX, seria possível dizer que, de alguma maneira, a história cultural dos séculos XX e XXI está ligada aos discursos produzidos nos e pelos meios de comunicação e à sua apropriação e ressignificação pelos indivíduos.
Ao menos nas grandes cidades, seria difícil encontrar alguém nascido após 1950 que não tenha, em suas memórias pessoais, lembranças da televisão, do cinema e do rádio. O repertório das pessoas está povoado de personagens de filmes e novelas, cenas de cinema, música popular, MPB, rock’n’roll, citações de séries de televisão. (Texto adaptado).
Pode-se afirmar que o conceito de política, no sentido amplo pensado no texto, compreende:
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