Questões de Sociologia
6.493 Questões
Questão 1 16110537
IDOMED UNIJIPA 2024/2Crítica Crônica de Uma Cidade Partida Documentário é brutal, real e necessário
O documentário Crônica de Uma Cidade Partida chegou aos cinemas no dia 11 de maio, trazendo um retrato brutal e necessário da criminalidade no Rio de Janeiro
(1.º§) Quem quer assistir a um documentário potente, bem realizado e extremamente necessário, já pode conferir nos cinemas Crônica de Uma Cidade Partida. Com cerca de uma hora e meia de duração, a produção aborda um dos maiores problemas sociais do Brasil: a escalada da violência nas grandes metrópoles, impulsionada pela falta de planejamento urbano. Mesclando imagens em preto e branco das principais favelas do Rio de Janeiro, com depoimentos de moradores, ex-traficantes e até políticos, a obra conta como a Cidade Maravilhosa se transformou em um espaço marcado pelas belezas naturais e também pela violência constante vinda da criminalidade.
(2.º§) Quem conta essa história são Jonathan e Dudu, dois ex-traficantes que, após (muitas) passagens pelas penitenciárias cariocas, decidem largar o mundo do crime e tentar novos caminhos. Além deles, completam a trama Paulo César Pereira, o presidente da associação de moradores da Cruzada; Rômulo, um policial de elite; duas ativistas comunitárias (Dona Vera e Valéria), o jornalista André Trigueiro; e Bruno, dono de uma barbearia local. Por meio deles, somos apresentados à realidade da maioria dos cariocas, especialmente daqueles que moram na tal Cruzada, um conjunto habitacional criado na década de 1950 pela Igreja Católica com objetivo de fornecer moradia para pessoas em situação de vulnerabilidade social.
(3.º§) Administrado com pulso firme pela Irmã Eni, o local foi, por muitos anos, um exemplo de moradia comunitária, mas após a sua morte passou a se deteriorar, se tornando um ponto de tráfico. O declínio começou 30 anos depois da sua construção, na década de 1980, quando os apartamentos foram transferidos para a propriedade dos moradores. A partir de então, o que era um local tranquilo se tornou um dos berços do crime, abrigando traficantes, assaltantes e assassinos e sendo ora comandado pelo ADA (Amigo dos Amigos), ora pelo CV (Comando Vermelho), duas das principais facções criminosas cariocas.
(4.º§) Um ponto interessante do diretor Ricardo Nauenberg é que ele não exime a população da responsabilidade pelo que acontece na cidade. Isso porque, além do tráfico iminente, os moradores da Cruzada também negligenciaram totalmente as oportunidades que tiveram, favorecendo com que a criminalidade se instaurasse no conjunto. Apontar para um único vilão é simplificar a história do Rio de Janeiro e reduzir os problemas a uma simples questão social quando na verdade é mais que isso.
(5.º§) Outro acerto de Crônica de Uma Cidade Partida foi não se acovardar e mostrar como a polícia (militar, civil e de choque) é corrupta e não apenas fecha os olhos para os crimes, como também os favorece, vendendo armas para os bandidos e permitindo que drogas cruzem as fronteiras. Jonathan conta que tal corrupção acontece até mesmo dentro do Exército, local no qual ele conseguia pegar armas para vender para os traficantes da sua região.
(6.º§) Se no Rio de Janeiro existem três principais poderes (o ADA, o CV e o Terceiro Comando), há ainda um que tem se tornado cada vez mais imponente: o miliciano. Caracterizado como um poder paralelo formado por civis armados e policiais (ou ex-policiais), a milícia usa da força e do medo para extorquir a população, geralmente em espaços nos quais a presença do Estado é inexistente. E é nítido que ela tem ganhado cada vez mais destaque tanto nos morros quanto nos asfaltos.
(7.º§) Outro acerto do documentário é mostrar de forma mais realista como a sociedade carioca — tanto os ricos quanto os pobres — vivem em meio a essa onda crescente (e antiga) de violência. Em um determinado momento, Jonathan conta que assim como a cidade foi mudando com o passar dos anos, a maneira como os criminosos lidam com os cidadãos também mudou. Ele revela que quando o crime chegou na Cruzada, o dono da boca não permitia que as crianças ficassem perto do tráfico e da violência, protegendo-as daquela realidade de certo modo. Hoje, por perceberem que as crianças são "mulas" fáceis de entrar na cadeia, acabam as usando como forma de levar algo para dentro do presídio. Isto mostra que o crime evoluiu para uma maior crueldade e desrespeito.
(8.º§) Não é incomum vermos documentários que, embora abordem temas importantes como este, acabam caindo em uma demagogia ou em uma dramatização exagerada do caso. Felizmente isso não acontece com Crônica de Uma Cidade Partida, que até oferece soluções possíveis no final, mas não busca ser o salvador da pátria ou tentar resolver todos os problemas do mundo. Desse modo, é simples concluir que o filme é coeso, bem escrito e ajuda a trazer à tona histórias importantes, não muito conhecidas, como a da própria Cruzada. Quem quiser dar uma chance a Crônica de Uma Cidade Partida, já pode assisti-lo nos cinemas.
Adaptado de https://www.terra.com.br/. Acesso em 24 de fev de 2024.
O texto tem como objetivo principal:
Questão 6 16103816
IDOMED Medicina 2024/1MEDICINA SOCIAL
O termo Medicina Social, como designativo de um ramo do saber e do fazer, vem sendo empregado de modo diverso por diferentes autores. A necessidade de uma definição de Medicina Social é tanto mais premente quanto há autores que lhe dão conteúdos inteiramente diversos, restringindo-os alguns à medicina do trabalho, enquanto outros lhe dão exagerada extensão e outros ainda definição não científica, como a que conceituou como “a ciência dos flagelos sociais”, realmente imprecisa e correndo o risco de abarcar fenômenos sociais a ela estranhos, como o crime, por exemplo.
Ainda que esse conceito seja amplo, mostrando que a Medicina Social não se restringe a alguma parte das atividades da ciência médica, ele não esclarece o valor dos conhecimentos médico-sociais, não só como enfoque filosófico, mas também como instrumento de trabalho profissional. O entendimento das diferenças significantes dos fatos observados, em relação aos problemas de saúde dentro do contexto de vida social, é que transforma essa posição filosófica em um real instrumento de trabalho profissional, útil e necessário a todo e qualquer médico que esteja no exercício da profissão. O Homem, pela condição de sua natureza, é um ser essencialmente gregário. Isso leva a que todas as atividades que o tenham por objeto estejam relacionadas com seus aspectos sociais.
Resta óbvio que a Medicina é uma atividade exercida pelo Homem. Nas sociedades complexas, urbano-industrializadas, também chamadas modernas, esse exercício é delegado àqueles que se habilitam e se capacitam para exercer a profissão de médico. Nessas sociedades, essa profissão se caracteriza pelo fato de o médico constituir a base de seus conhecimentos por meio do processo científico, ao contrário do que ocorre em outras sociedades, onde esse setor está ligado a processos empíricos ou sobrenaturais. Além disso, a Medicina se caracteriza como a profissão especializada que requer, para o seu exercício, um aprendizado e um treinamento formal, ao lado de outros requisitos legais.
Para além disso, como ciência e profissão, a Medicina tem por objetivo manter a saúde do Homem, seja pela promoção, seja pela preservação, ou, ainda, pela recuperação. Assim, a Medicina tem por objeto o ser humano e por objetivo mantê-lo com saúde. Esta, de acordo com o proposto pela Organização Mundial de Saúde e universalmente aceito, é o “estado de perfeito bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de enfermidades”. Portanto, para manter o ser humano com saúde, é necessário cuidar do seu perfeito bem-estar físico, mental e social.
Ainda que não seja possível dividir saúde nos seus componentes, pois ela é um estado do ser humano único e integral, é cabível considerar que existam fatores intervenientes na saúde que possam estar relacionados com aspectos físicos, mentais e sociais. Os aspectos físicos foram os primeiros com que a Medicina se preocupou. A ideia de saúde como o equilíbrio biológico entre o Homem e o meio foi a primeira que surgiu, talvez mesmo antes do início do período científico desse campo do conhecimento humano. A ela se ligou posteriormente a ideia da saúde mental e, recentemente, envolveu a dimensão social que ganhou realce apenas depois da segunda metade do século XX.
A atenção com o bem-estar físico do Homem pertence precipuamente às disciplinas clínicas e cirúrgicas, englobando todas as duas especializações; o bem-estar mental, por outro lado, é a preocupação da Psiquiatria e de seus conhecimentos correlatos; finalmente, o bem-estar social, como integrante da saúde do ser humano, compõe o campo de ação da Medicina Social. Esta tem, portanto, por objeto material, o Homem e, como objeto formal, o Homem enquanto ser social em suas necessidades relativas à saúde consideradas como uma das mais básicas.
Para a compreensão desse campo de ação, assim estabelecido, é necessário ter conhecimentos acerca dos fenômenos sociais, das suas razões e consequências, assim como de suas leis gerais e características. Esses conhecimentos são encontrados nas ciências sociais, particularmente nas chamadas ciências da conduta. Assim, apesar de inteligível a posição de considerar toda a Medicina como ciência social, pois tem ela por objeto um ser social, há de se compreender que o seu objeto não é estudar o Homem como um ser social, mas sim como um ser de que se quer preservar, promover, ou recuperar a saúde. Por outro lado, não é possível afastar o componente social do ser humano, pois ele interfere fundamentalmente com a saúde. Essa interligação, que se faz importante, por meio do intercâmbio dos conhecimentos das ciências da saúde e das ciências sociais, constitui a Medicina Social, que armazena subsídios que podem atenuar, ou eliminar, problemas de saúde e/ou sociais.
Embora ainda não nos satisfaça completamente, algumas definições de Medicina Social trazem consigo uma interpretação próxima daquela que estamos desenvolvendo. Isso não significa que tenhamos uma posição realmente original e diversa da totalidade dos autores, mas que, por diferentes razões, não encontramos entre as definições mais difundidas uma que in totum pudesse traduzir nosso conceito. Assim sendo, em uma definição que traduz um conceito mais amplo, consideramos como Medicina Social o estudo e a aplicação dos conhecimentos das ciências da saúde para a atenuação e/ou erradicação dos problemas sociais, assim como o estudo e a aplicação das ciências sociais para atenuação e/ou erradicação dos problemas de saúde.
MEIRA, Affonso Renato; SEGRE, Marco. Medicina Social: definição e campo de ação e a integração com a Medicina do Trabalho e a Medicina Legal. Revista Brasileira de Educação e Medicina, no. 09 (02). Maio-ago., 1985. . Acesso em: 09/10/2023. (Adaptado).
Da leitura do quarto e do quinto parágrafos, compreende-se que a saúde:
Questão 5 16103811
IDOMED Medicina 2024/1MEDICINA SOCIAL
O termo Medicina Social, como designativo de um ramo do saber e do fazer, vem sendo empregado de modo diverso por diferentes autores. A necessidade de uma definição de Medicina Social é tanto mais premente quanto há autores que lhe dão conteúdos inteiramente diversos, restringindo-os alguns à medicina do trabalho, enquanto outros lhe dão exagerada extensão e outros ainda definição não científica, como a que conceituou como “a ciência dos flagelos sociais”, realmente imprecisa e correndo o risco de abarcar fenômenos sociais a ela estranhos, como o crime, por exemplo.
Ainda que esse conceito seja amplo, mostrando que a Medicina Social não se restringe a alguma parte das atividades da ciência médica, ele não esclarece o valor dos conhecimentos médico-sociais, não só como enfoque filosófico, mas também como instrumento de trabalho profissional. O entendimento das diferenças significantes dos fatos observados, em relação aos problemas de saúde dentro do contexto de vida social, é que transforma essa posição filosófica em um real instrumento de trabalho profissional, útil e necessário a todo e qualquer médico que esteja no exercício da profissão. O Homem, pela condição de sua natureza, é um ser essencialmente gregário. Isso leva a que todas as atividades que o tenham por objeto estejam relacionadas com seus aspectos sociais.
Resta óbvio que a Medicina é uma atividade exercida pelo Homem. Nas sociedades complexas, urbano-industrializadas, também chamadas modernas, esse exercício é delegado àqueles que se habilitam e se capacitam para exercer a profissão de médico. Nessas sociedades, essa profissão se caracteriza pelo fato de o médico constituir a base de seus conhecimentos por meio do processo científico, ao contrário do que ocorre em outras sociedades, onde esse setor está ligado a processos empíricos ou sobrenaturais. Além disso, a Medicina se caracteriza como a profissão especializada que requer, para o seu exercício, um aprendizado e um treinamento formal, ao lado de outros requisitos legais.
Para além disso, como ciência e profissão, a Medicina tem por objetivo manter a saúde do Homem, seja pela promoção, seja pela preservação, ou, ainda, pela recuperação. Assim, a Medicina tem por objeto o ser humano e por objetivo mantê-lo com saúde. Esta, de acordo com o proposto pela Organização Mundial de Saúde e universalmente aceito, é o “estado de perfeito bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de enfermidades”. Portanto, para manter o ser humano com saúde, é necessário cuidar do seu perfeito bem-estar físico, mental e social.
Ainda que não seja possível dividir saúde nos seus componentes, pois ela é um estado do ser humano único e integral, é cabível considerar que existam fatores intervenientes na saúde que possam estar relacionados com aspectos físicos, mentais e sociais. Os aspectos físicos foram os primeiros com que a Medicina se preocupou. A ideia de saúde como o equilíbrio biológico entre o Homem e o meio foi a primeira que surgiu, talvez mesmo antes do início do período científico desse campo do conhecimento humano. A ela se ligou posteriormente a ideia da saúde mental e, recentemente, envolveu a dimensão social que ganhou realce apenas depois da segunda metade do século XX.
A atenção com o bem-estar físico do Homem pertence precipuamente às disciplinas clínicas e cirúrgicas, englobando todas as duas especializações; o bem-estar mental, por outro lado, é a preocupação da Psiquiatria e de seus conhecimentos correlatos; finalmente, o bem-estar social, como integrante da saúde do ser humano, compõe o campo de ação da Medicina Social. Esta tem, portanto, por objeto material, o Homem e, como objeto formal, o Homem enquanto ser social em suas necessidades relativas à saúde consideradas como uma das mais básicas.
Para a compreensão desse campo de ação, assim estabelecido, é necessário ter conhecimentos acerca dos fenômenos sociais, das suas razões e consequências, assim como de suas leis gerais e características. Esses conhecimentos são encontrados nas ciências sociais, particularmente nas chamadas ciências da conduta. Assim, apesar de inteligível a posição de considerar toda a Medicina como ciência social, pois tem ela por objeto um ser social, há de se compreender que o seu objeto não é estudar o Homem como um ser social, mas sim como um ser de que se quer preservar, promover, ou recuperar a saúde. Por outro lado, não é possível afastar o componente social do ser humano, pois ele interfere fundamentalmente com a saúde. Essa interligação, que se faz importante, por meio do intercâmbio dos conhecimentos das ciências da saúde e das ciências sociais, constitui a Medicina Social, que armazena subsídios que podem atenuar, ou eliminar, problemas de saúde e/ou sociais.
Embora ainda não nos satisfaça completamente, algumas definições de Medicina Social trazem consigo uma interpretação próxima daquela que estamos desenvolvendo. Isso não significa que tenhamos uma posição realmente original e diversa da totalidade dos autores, mas que, por diferentes razões, não encontramos entre as definições mais difundidas uma que in totum pudesse traduzir nosso conceito. Assim sendo, em uma definição que traduz um conceito mais amplo, consideramos como Medicina Social o estudo e a aplicação dos conhecimentos das ciências da saúde para a atenuação e/ou erradicação dos problemas sociais, assim como o estudo e a aplicação das ciências sociais para atenuação e/ou erradicação dos problemas de saúde.
MEIRA, Affonso Renato; SEGRE, Marco. Medicina Social: definição e campo de ação e a integração com a Medicina do Trabalho e a Medicina Legal. Revista Brasileira de Educação e Medicina, no. 09 (02). Maio-ago., 1985. . Acesso em: 09/10/2023. (Adaptado).
No terceiro parágrafo, o enunciador informa que:
Questão 42 15959560
SARESP Provão Paulista - 2 Ano | MT-CHSA 2024Na Introdução à sua A ética protestante e o espírito do capitalismo, Max Weber também incluiu o Estado ao lado do capitalismo e daqueles fenômenos culturais que, por serem encontradiços em outros espaços e tempos, não podem ser considerados como uma criação exclusiva da Civilização Ocidental. Mas Weber procurou justamente demonstrar que somente na Civilização Ocidental teve lugar o desenvolvimento de um capitalismo racional, de fenômenos culturais dotados de “universal[idade] em seu valor e significado”, e o desenvolvimento de um Estado como uma “entidade política, com uma ‘Constituição’ racionalmente redigida, um Direito racionalmente ordenado, e uma administração orientada por regras racionais, as leis, e administrado por funcionários especializados”.
(Modesto Florenzano. Sobre as origens e o desenvolvimento do estado moderno no ocidente. Lua Nova: Revista de Cultura e Política, p. 1, 2007)
De acordo com Max Weber, a principal característica do Estado moderno é
Questão 40 15959554
SARESP Provão Paulista - 2 Ano | MT-CHSA 2024
(https://linhaslivres.wordpress.com/. Acesso em 03.06.2024)
De acordo com a crítica feita pelo autor da charge, a criação de novos partidos políticos no Brasil representa, na prática, a
Questão 39 15959511
SARESP Provão Paulista - 2 Ano | MT-CHSA 2024
(https://revistapirralha.com.br/. Acesso em 01.07.2024)
De acordo com a charge, um forte impacto da Inteligência Artificial no mundo do trabalho consiste em
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