Questões de Sociologia
6.494 Questões
Questão 30 7599404
UNEB Dia 1 2022/2TEXTO 1
“A língua de que usam, por toda a costa, carece de três letras; convém a saber, não se acha nela F, nem L, nem R, coisa digna de espanto, porque assim não têm Fé, nem Lei, nem Rei, e essa maneira vivem desordenadamente, sem terem além disto conta, nem peso, nem medida.”
GÂNDAVO, Pero de Magalhães. Tratado da Terra do Brasil. Brasília: Edições do Senado, 2008. p. 134. v. 100.
O cronista português Pero de Magalhães Gândavo faz referências, em 1576, à ausência de determinadas letras no idioma dos nativos por ele observado, a saber: as letras F, L e R.
TEXTO 2
“Índio é um conceito construído no processo de conquista da América pelos europeus. Desinteressados pela diversidade cultural, imbuídos de forte preconceito para com o outro, o indivíduo de outras culturas, espanhóis, portugueses, franceses e anglo-saxões terminaram por denominar da mesma forma povos tão díspares quanto os tupinambás e os astecas.”
SILVA, K. V.; SILVA, M. H. Dicionário de conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2005.
Ao comparar os textos apresentados, é correto afirmar que
Questão 53 7592564
FATEC 2022/2Em 12 de julho de 2013, Malala Yousafzai discursou durante uma reunião dos jovens líderes na Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque.
“Queridos irmãos e irmãs, [...] aqui estou eu, uma menina, entre tantas. Eu falo não por mim, mas por aqueles cujas vozes não podem ser ouvidas. Por aqueles que têm lutado por seus direitos. O seu direito de viver em paz. O seu direito de ser tratado com dignidade. O seu direito à igualdade de oportunidades. O seu direito à educação.
Nós percebemos a importância da luz quando vemos a escuridão. Percebemos a importância da nossa voz quando somos silenciados. O sábio ditado que diz “A caneta é mais poderosa que a espada” é verdadeiro. Os extremistas têm medo dos livros e das canetas. O poder da educação os assusta e eles têm medo das mulheres. O poder da voz das mulheres os apavora.
[...]
Hoje eu estou focando nos direitos das mulheres e na educação das meninas porque elas são as que mais sofrem. Houve um tempo em que as ativistas mulheres pediam aos homens para defender seus direitos. Mas desta vez, nós vamos fazer isto por conta própria. Eu não estou dizendo para os homens não falarem mais dos direitos das mulheres, mas estou focando na ideia das mulheres serem independentes e lutarem por si mesmas.
Queridos irmãos e irmãs, queremos escolas e educação para o futuro brilhante de todas as crianças. Vamos continuar a nossa jornada para o nosso destino de paz e educação. Nós acreditamos no poder e na força de nossas palavras. [...]
Queridos irmãos e irmãs, nós não podemos nos esquecer de que milhões de pessoas estão sofrendo com a pobreza, a injustiça e a ignorância. Nós não devemos nos esquecer de que milhões de crianças estão fora da escola.
Deixem-nos, portanto, travar uma luta gloriosa contra o analfabetismo, a pobreza e o terrorismo. Deixem-nos pegar nossos livros e canetas porque estas são as nossas armas mais poderosas. Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo.”
https://tinyurl.com/s7n3xuj%20Acesso%20em:%2021.04.2022.%20Adaptado.
Após a leitura atenta do discurso, percebe-se que o texto desenvolvido tem por objetivo
Questão 24 7591674
FATEC 2022/2Leia o texto extraído do site do Ministério da Cidadania.
O Bolsa Família era um programa da Secretaria Nacional de Renda de Cidadania (Senarc), que contribuiu para o combate à pobreza e à desigualdade no Brasil. Ele foi criado em outubro de 2003 e foi extinto em 2021, sendo substituído pelo Auxílio Brasil.
O Bolsa Família possuía três eixos principais: complemento da renda; acesso a direitos; e articulação com outras ações a fim de estimular o desenvolvimento das famílias. Sua gestão era descentralizada, ou seja, tanto a União, quanto os estados, o Distrito Federal e os municípios tinham atribuições em sua execução. Em nível federal, o Ministério da Cidadania era o responsável pelo Programa, e a Caixa Econômica Federal era o agente que executava os pagamentos.
https://tinyurl.com/2p9abjm6%20Acesso%20em:%2010.04.2022.%20Adaptado.
Esse programa
Questão 21 7591406
FATEC 2022/2De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de forma simplificada, são consideradas desempregadas as pessoas com idade para trabalhar (acima de 14 anos) que não estão trabalhando, mas que estão disponíveis e tentam encontrar trabalho. Assim, para alguém ser considerado desempregado, é insuficiente não possuir um emprego.
Segundo dados do IBGE, a taxa de desemprego entre a população de 18 a 24 anos foi de 25,7 % no 3º trimestre de 2019.
Esse grupo tem a 2ª maior taxa de desemprego entre as faixas etárias pesquisadas pelo órgão, ficando apenas atrás da população ainda mais jovem, de 14 a 17 anos. Nesse caso, a taxa chegou a 40,6 %.
A taxa de desemprego no período foi de 10 % entre os homens e de 13,9 % entre as mulheres.
No período, o desemprego entre os que se declaram brancos foi de 9,2 %.
Já entre os que se declaram pretos foi de 14,9 % e de pardos, 13,6 %.
https://tinyurl.com/rsspqcs%20Acesso%20em:%2021.04.2022.%20Adaptado.
Sobre o desemprego no Brasil e de acordo com o texto, é correto afirmar que a taxa de desemprego é maior
Questão 24 7573961
Unioeste Tarde 2022Em janeiro de 2022, Moïse Kabagambe, migrante congolês, foi morto a pauladas na orla da Barra da Tijuca (RJ) por ter sido confundido com um bandido enquanto cobrava o pagamento dos salários atrasados no quiosque onde trabalhava como ajudante de cozinha. No mesmo mês, Durval Teófilo Filho, homem negro de 38 anos, também foi morto pelo seu vizinho, sargento da Marinha, que afirmou tê-lo confundido com um assaltante. Os casos não são isolados. De acordo com dados do Atlas de Violência de 2021, do Instituto de Pesquisas Aplicadas (IPEA), 77% dos homicídios no Brasil foram cometidos contra negros.
Fonte: Cerqueira, Daniel. Atlas da Violência 2021 / Daniel Cerqueira et al., — São Paulo: FBSP, 2021.
Segundo o jurista, filósofo e professor Silvio Almeida, autor do livro Racismo estrutural (2019), o racismo, enquanto um fenômeno social, é sempre sistêmico. A análise crítica do racismo deve levar em conta sua historicidade e suas implicações sociais, subjetivas, políticas e econômicas.
ALMEIDA, Silvio. Racismo estrutural. São Paulo: Sueli Carneiro∕Pólen, 2019.
A respeito da experiência do racismo na sociedade brasileira, assinale a alternativa CORRETA.
Questão 11 7573700
Unioeste Manhã 2022O MACHISMO BRASILEIRO E A DOMINAÇÃO DO MAL
A lógica da dominação masculina silencia e mata mulheres e homens
Uma aluna me interrompeu bruscamente quando eu estava dando uma aula para uma turma de psicologia sobre o livro “A dominação masculina”, de Pierre Bourdieu. “Você está comparando o sofrimento das mulheres com o dos homens?” Respondi que, para o sociólogo francês, a lógica da dominação masculina, além de oprimir, aprisionar e escravizar as mulheres, também provoca sofrimento nos homens que não conseguem corresponder ao modelo dominante de ser um “homem de verdade”.
Na lógica da dominação masculina, os homens devem ser sempre superiores às mulheres: mais velhos, mais altos, mais fortes, mais poderosos, mais ricos, mais escolarizados etc. Essa lógica tem como efeito colocar as mulheres em um permanente estado de insegurança, inferioridade e dependência. Delas se espera que sejam submissas, contidas, discretas, apagadas, inferiores, invisíveis.
No entanto, essa lógica aprisiona as mulheres e também os homens, já que eles precisam fazer um esforço desesperado e patético, segundo Bourdieu, para estar à altura do ideal de masculinidade: força física, altura, sucesso, poder, prestígio, dinheiro, potência, virilidade, tamanho do pênis etc.
A aluna reagiu agressivamente: “Mas os homens não precisam ser defendidos pelas mulheres. Eles são os agressores, os inimigos, não as vítimas. Todos os homens são culpados ou cúmplices da violência que as mulheres sofrem”.
Tentei argumentar mostrando que os discursos sobre masculinidade podem ter mudado, mas que muitos comportamentos e valores permanecem, de forma consciente ou inconsciente, reproduzindo e fortalecendo a lógica da dominação masculina, inclusive pelas próprias mulheres.
“Ninguém está defendendo os machistas, só estamos refletindo sobre como a lógica da dominação masculina aprisiona mulheres e homens. Não estamos diminuindo o sofrimento feminino, mas apenas mostrando que os homens também sofrem. E sofrem calados.”
Dei então alguns exemplos das minhas pesquisas. Quando perguntei: “O que todo homem é?”, as respostas mais citadas foram: machista, galinha e infiel. Para “O que toda mulher é?”, a maioria respondeu: maternal, sensível e romântica.
Quando perguntei: “Você chora muito ou pouco?”, 52% das mulheres responderam que choram muito, 46% choram pouco e 2% nunca choram. Já os homens disseram que choram pouco (58%) ou nunca (37%). Apenas 5% choram muito. Perguntei: “Quem chora mais: o homem ou a mulher?”: 95% concordaram que a mulher chora mais e 5% que homens e mulheres choram igual.
Muitos homens cresceram ouvindo: “Homem não chora”; “Homem que chora é mulherzinha”; “Engole o choro, seja um homem de verdade”; “Chorar é frescura, coisa de maricas”. Alguns choram escondido, dentro do banheiro, pois não querem revelar seus medos, fraquezas e inseguranças para a esposa, namorada, filhos, pais e amigos. Outros confessaram que só choram quando estão bêbados, como um estudante de 18 anos: “Quando minha namorada terminou comigo entrei em depressão, passei a beber muito, tomar muito remédio. Muitas vezes me escondi para chorar no banheiro do bar para meus amigos não zombarem de mim.”
Mostrei pesquisas sobre o número de homens que morrem de infartos, suicídios, violência urbana. E outras sobre aposentados que se tornaram alcoólatras por se sentirem inúteis, invisíveis e descartáveis. Apresentei os resultados de pesquisas sobre jovens que têm vergonha do tamanho do pênis e que tomam Viagra por medo de brochar. A aluna gritou: “todos os homens são machistas”.
A turma tinha 100 alunos: 75 mulheres e 25 homens. Por que ninguém mais disse o que pensava? Por que todos ficaram calados?
Muitos alunos e alunas vieram conversar comigo depois da aula. “Professora, o discurso odiento e raivoso silencia as vozes de todos, não importa o assunto, pode ser machismo ou outro qualquer. Ela não quer ouvir ninguém, só quer vomitar seu ódio. Vivemos em uma época em que mesmo que 99% pensem diferente, o mal e o ódio venceram, estão no poder. Não existe a banalização do mal? Agora é a era da dominação do mal.”
Mirian Goldenberg, Antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro
Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/miriangoldenberg/2022/04/o-machismo-brasileiro-e-a-dominacao-do-mal.shtml
Pode-se afirmar, de modo geral, que o texto de Mirian Goldenberg discute basicamente:
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