Questões de Sociologia
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Questão 1 14730518
UPE SSA 1ª Fase - 1° Dia 2020(1) Juventude, cidadania e participação: que papo é esse? Pode ser um papo furado, que não leve a nada. Pode ser que não renda, que seja insuficiente em termos de contribuição à democracia, de questionar padrões da cultura brasileira. Por outro lado, este papo pode render muito. Pode render, sim, com muitos desafios. Não é nada automático, nada mágico. Pode ser um importante elemento construtor de democracia, de uma sociedade mais justa de direitos.
(2) Acho que essa pergunta "que papo é esse?" poderia ser substituída por "que onda é essa?", "que moda é essa?". Por que está na moda falar em políticas públicas para a juventude? Por que se inventou agora que a juventude é depositária de todas as possibilidades? Por que agora a juventude aparece? Infelizmente, não é por uma coisa boa. Poderia ser por reconhecimento. Mas não é. A questão da juventude vem para a cena pública quando ela passa a ser o segmento mais vulnerável frente às mudanças sociais que acontecem no mundo de hoje.
(3) Quando a gente soma, em especial no Brasil, uma história de desigualdades sociais e de exclusão com uma realidade mundial de mudanças de relações de produção e de exclusão de grupos sociais, a juventude torna-se o segmento mais atingido. É por isso que a juventude aparece, atualmente, como um ator social, enfrentando diversos desafios da sociedade contemporânea. A grande questão é que o jovem dos dias atuais tem medo de sobrar. A sua inserção produtiva não está garantida.
(4) Há quem possa dizer que sempre foi assim. Sempre existiu o jovem pobre e o jovem rico, o jovem incluído e o excluído. Sim, isto é verdade. Mas acontece que tínhamos um sistema de produção que garantia uma reprodução: o filho do camponês continuaria o trabalho do pai, da mesma forma que o filho do operário. Era injusto porque o jovem não tinha possibilidade de ascender socialmente, mas havia a possibilidade de pensar o futuro a partir de um lugar social. Aqueles que estudavam, que passavam no funil, tinham a garantia de que poderiam exercer a sua profissão ao final dos estudos. Com a mudança do mundo do trabalho, cada vez mais restritivo e mutante, os jovens foram e são atingidos. Todos os jovens passaram a ter medo do futuro. Neste cenário, temos que ver todas as diferentes juventudes e suas questões sociais e raciais, suas questões de gênero e
opções/orientações sexuais. Os mais vulneráveis têm mais medo de sobrar e são os mais atingidos. Estamos diante de uma geração que é atingida na possibilidade de pensar o futuro a partir de mudanças estruturais da sociedade. [...]
(5) As políticas públicas têm que somar estas duas coisas: os direitos universais (o acesso à educação, ao trabalho etc.) e os específicos. As políticas públicas têm que pensar então numa nova interface entre escolaridade e preparação para o mundo do trabalho. O Estado tem que ter o compromisso de fazer as suas políticas macro, mas tem que fazer isto com a sociedade civil, para que cada um participe, transformando a política de juventude numa política de Estado, não de Governo. Queremos colocar duas palavras na roda: direitos e oportunidades.
(6) Mas para que isso aconteça e para que este papo seja produtivo e dê resultado positivo, dependemos muito da ação de levar para a sociedade a perspectiva geracional. Uma questão complicada. A questão da juventude é uma questão marcada por uma faixa etária específica. Portanto, ela não pode ser pensada sem levar em conta a relação intergeracional. Os jovens e os adultos se colocam em todos os espaços sociais. É preciso que os jovens consigam aprender com os adultos valores da cidadania que são trazidos pela história social do país. Os jovens não podem achar que estão começando do zero. É preciso promover um diálogo intergeracional, um diálogo que traz valores. Os jovens têm que escutar os adultos e vice-versa, o que provocará um aprendizado mútuo. Só sabe o que é ser jovem hoje quem é jovem. Os adultos de hoje foram jovens em outro tempo histórico.
(7) É necessário, também, que haja um diálogo intrageracional. Esse é o maior desafio, porque as tribos existem, os grupos são heterogêneos e têm objetivos diferentes. Precisamos encontrar o que une esta geração e a partir daí desenvolver políticas públicas. Claro que as diferenças continuarão existindo.
(8) Os jovens estarão no mesmo jogo dos adultos (que às vezes não é um jogo muito bom) se eles se fragmentarem completamente, não perceberem o que há de comum entre eles a partir dos desafios e dos direitos de sua geração. Estabelecer os diálogos é difícil. Não é fácil porque muitas vezes os jovens reproduzem os preconceitos e os 'faccionalismos' dos adultos. Esta geração tem uma chance de inovar na cultura política, inovar a partir de seus interesses e de uma forma que faça até mesmo que os adultos aprendam.
Regina Novaes. Disponível em: http://revistapontocom.org.br/edicoes-anteriores-artigos/juventude-participacao-e-cidadania-que-papo-e-esse. Acesso em: 16/08/2019. Adaptado.
Considerando que nossos textos (falados e escritos) seguem uma norma e que temos muitas e diferentes maneiras de falar e escrever, acerca do Texto 1, é CORRETO afirmar que
Questão 59 12411960
UECE 2ª Fase - 1º Dia 2020/1TEXTO
Pela Internet
Criar meu web site
[155] Fazer minha homepage
Com quantos gigabytes
Se faz uma jangada
Um barco que veleje
Que veleje nesse infomar
[160] Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve um oriki do meu velho orixá
Ao porto de um disquete de um micro em Taipé
Um barco que veleje nesse infomar
Que aproveite a vazante da infomaré
[165] Que leve meu e-mail até Calcutá
Depois de um hot-link
Num site de Helsinque
Para abastecer
Eu quero entrar na rede
[170] Promover um debate
Juntar via Internet
Um grupo de tietes de Connecticut
De Connecticut de acessar
O chefe da Mac Milícia de Milão
[175] Um hacker mafioso acaba de soltar
Um vírus para atacar os programas no Japão
Eu quero entrar na rede para contactar
Os lares do Nepal, os bares do Gabão
Que o chefe da polícia carioca avisa pelo celular
[180] Que lá na praça Onze
Tem um videopôquer para se jogar
GIL, Gilberto. Pela internet. In: Quanta. WarnerMusic Brasil ltda. Rio de Janeiro, 1997. Disponível em: https://www.letras.mus.br/gilberto-gil/68924/ Acesso em 29 de out. de 2019.
Alguns trechos da letra da canção Pela Internet sugerem a importância da Internet para a inclusão digital do ponto de vista socioeconômico.
Atente para os trechos da canção, apresentados a seguir, e assinale aquele que NÃO condiz com essa proposição.
Questão 7 11076790
UNIG Medicina (Nova Iguaçu) 2020/2TEXTO:
A lei do entretenimento
Nada mais desprezível e repetitivo do que
certas falas sobre cultura que jorram nos congressos,
seminários, na mídia, hoje em dia. A impressão é de
que houve uma perda da capacidade de produzir
[5] pensamento e de que faltam plateias seduzidas pela
reflexão. Não se interroga a produção simbólica,
fazem-se reivindicações, relatos, comentários
para animar um auditório acostumado ao olhar da
televisão. Se algum dia na história, o filósofo, o
[10] intelectual, o crítico, o artista e o poeta ocupavam
o lugar privilegiado de formadores de opinião, hoje
esse lugar é ocupado pelo produtor, pelo empresário
cultural e pelo profissional de marketing. E a cultura
é vista apenas como um agente de estímulo da
[15] economia de uma sociedade em declínio.
O discurso fica na superficialidade. De que a
cultura é um bem de consumo, ninguém duvida;
gera emprego e garante retornos significativos para
a economia de uma cidade. Mas os profissionais do
[20] marketing, os políticos e os empresários ignoram
na cultura a sua lógica: a do sentido, que ela é uma
dimensão da existência do homem. “O que chamamos
‘cultura’, portanto, é a ciência e a consciência com que
o homem ocupa o espaço e o tempo de sua morada
[25] histórica. E o homem culto é aquele que cultiva essa
ciência e essa consciência.” (Gerardo Mello Mourão).
A cultura é um conjunto de práticas por onde
transitam uma autonomia, a experiência de um saber
e uma política específica. O patrocínio que substituiu
[30] o antigo mecenato reduziu os problemas da cultura às
leis da economia, e o poder do patrocinador acabou
decidindo sobre padrões estéticos ou linguagens. Há
uma valorização arbitrária de um produto cultural em
detrimento de outro e a divulgação fica submetida a
[35] um jogo de poder de quem manipula, direta ou
indiretamente, com os mídias e o mercado. [...]
Uma Cidade, um Estado, um País passam
a ter uma existência cultural e conquistam um
reconhecimento no futuro, quando aprendem
[40] a respeitar seus artistas e intelectuais, quando
aprendem a conviver com as disparidades culturais
e a garanti-las. Entendemos que as instituições
culturais, como fundações, universidades, museus
etc., têm um papel importante a cumprir na produção
[45] e divulgação da informação dos produtos artísticos,
acima de compromissos pessoais e políticos que
ignoram a natureza das linguagens artísticas.
ALMANDRADE. A lei do entretenimento. s.d.
No trecho “Há uma valorização arbitrária de um produto cultural em detrimento de outro e a divulgação fica submetida a um jogo de poder de quem manipula, direta ou indiretamente, com os mídias e o mercado.” (l. 32-36), o articulista
Questão 5 11076729
UNIG Medicina (Nova Iguaçu) 2020/2TEXTO:
A lei do entretenimento
Nada mais desprezível e repetitivo do que
certas falas sobre cultura que jorram nos congressos,
seminários, na mídia, hoje em dia. A impressão é de
que houve uma perda da capacidade de produzir
[5] pensamento e de que faltam plateias seduzidas pela
reflexão. Não se interroga a produção simbólica,
fazem-se reivindicações, relatos, comentários
para animar um auditório acostumado ao olhar da
televisão. Se algum dia na história, o filósofo, o
[10] intelectual, o crítico, o artista e o poeta ocupavam
o lugar privilegiado de formadores de opinião, hoje
esse lugar é ocupado pelo produtor, pelo empresário
cultural e pelo profissional de marketing. E a cultura
é vista apenas como um agente de estímulo da
[15] economia de uma sociedade em declínio.
O discurso fica na superficialidade. De que a
cultura é um bem de consumo, ninguém duvida;
gera emprego e garante retornos significativos para
a economia de uma cidade. Mas os profissionais do
[20] marketing, os políticos e os empresários ignoram
na cultura a sua lógica: a do sentido, que ela é uma
dimensão da existência do homem. “O que chamamos
‘cultura’, portanto, é a ciência e a consciência com que
o homem ocupa o espaço e o tempo de sua morada
[25] histórica. E o homem culto é aquele que cultiva essa
ciência e essa consciência.” (Gerardo Mello Mourão).
A cultura é um conjunto de práticas por onde
transitam uma autonomia, a experiência de um saber
e uma política específica. O patrocínio que substituiu
[30] o antigo mecenato reduziu os problemas da cultura às
leis da economia, e o poder do patrocinador acabou
decidindo sobre padrões estéticos ou linguagens. Há
uma valorização arbitrária de um produto cultural em
detrimento de outro e a divulgação fica submetida a
[35] um jogo de poder de quem manipula, direta ou
indiretamente, com os mídias e o mercado. [...]
Uma Cidade, um Estado, um País passam
a ter uma existência cultural e conquistam um
reconhecimento no futuro, quando aprendem
[40] a respeitar seus artistas e intelectuais, quando
aprendem a conviver com as disparidades culturais
e a garanti-las. Entendemos que as instituições
culturais, como fundações, universidades, museus
etc., têm um papel importante a cumprir na produção
[45] e divulgação da informação dos produtos artísticos,
acima de compromissos pessoais e políticos que
ignoram a natureza das linguagens artísticas.
ALMANDRADE. A lei do entretenimento. s.d.
Constitui um ponto de vista do autor, explicitado no texto,
Questão 27 9518601
UNCISAL 1º Dia 2020
O frevo é uma forma de expressão musical, coreográfica e poética densamente enraizada em Recife e Olinda, no estado de Pernambuco. Surgiu no final do século XIX, em um momento de transição e efervescência social, como expressão das classes populares na configuração dos espaços públicos e das relações sociais nessas cidades.
IPHAN. Frevo. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br. Acesso em: nov. 2016.
Se, em sua origem, o frevo representava ou condensava as resistências de classe e de raça, hoje resiste às culturas de massas e à globalização de produtos culturais.
IPHAN. Frevo – Patrimônio cultural brasileiro: processo de registro. Brasília: IPHAN, 2007. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br. Acesso em: nov. 2016.
As “resistências de classe e de raça” dos passistas de frevo no século XIX permanecem evidenciadas principalmente pela
Questão 5 9518522
UNCISAL 1º Dia 2020Para os que imaginam e advogam a singularidade paradisíaca brasileira, o critério racial jamais foi relevante para definir as chances de qualquer pessoa no Brasil. Em outras palavras, ainda é fortemente difundida no país a crença de que a cultura brasileira antecipa a possibilidade de um mundo sem raças. Numa nação imaginada como democrática na questão racial, e erigida a partir dessa crença, o que significa propor ações afirmativas para a população negra?
BERNARDINO, Joaze. Ação afirmativa e a rediscussão do mito da democracia racial no Brasil. Estudos afro-asiáticos. Rio de Janeiro, v. 24, n.º 2, 2002, p. 249 (adaptado).
Considerando-se as lutas por mudanças nas políticas públicas, uma resposta adequada para a pergunta colocada ao final do texto anterior seria a seguinte: Propor ações afirmativas para a população negra brasileira significa
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