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Questões de Sociologia

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6.493 Questões

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Questão 8 16030590
Difícil 00:00

AOCP PM-ES - Soldado 2022
  • Sociologia
  • Sugira
  • Cultura Temática
  • Cultura e Sociedade Sociologia da Ciência e do Conhecimento
  • Internet (Redes e Fakenews)
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O texto a seguir refere-se à questão.

 

COMO O DOUTOR GOOGLE ESTÁ CRIANDO UMA LEGIÃO DE CIBERCONDRÍACOS

Thiago Tanji – 18 SET 2015

 

    “Sintomas”, “dor de cabeça”, “sonolência”, “estou com sorte”. Uma busca despretensiosa usando essas palavras-chave leva a um endereço que indica os sinais e sintomas de um tumor cerebral. Definitivamente, não era um dia de sorte. Mas é possível encontrar outros diagnósticos virtuais para essa busca, como anemia, distúrbios do sono, meningite e virose, é claro. Já escolheu a doença que mais se encaixa no seu caso? Provavelmente, você decidirá pela pior dessa lista. “Depois de checar os sintomas no Google, a maior parte das pessoas tende a associar sua situação a doenças sérias e raras”, diz Dengfeng Yan, professor do departamento de marketing da Universidade do Texas em San Antonio, Estados Unidos. É verdade que o dr. Google é prático e pode ajudar em alguns casos, mas seu curso de medicina é baseado em algoritmos que podem te transformar em um cibercondríaco (é sério, essa palavra já é utilizada por cientistas).

    Em 2012, quando era pesquisador na Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, na China, Yan realizou um trabalho para estudar as escolhas irracionais de consumidores com base na ideia de que as pessoas tendem a superestimar seus problemas de saúde. Em uma entrevista, ele perguntava a um grupo sobre a possibilidade de contrair doenças como gripe aviária, câncer de mama e AIDS. “As pessoas costumam ignorar a chance real de ocorrências de uma doença e acabam confiando demais apenas nos sintomas que estão sentindo”, afirma. O problema é que, ao buscar os sintomas pela internet, nosso medo de contrair doenças graves é potencializado, já que essas enfermidades rendem um maior número de discussões e tendem a aparecer com maior frequência no resultado das buscas. “As informações mostradas no Google não são uma representação da realidade, já que a maior parte das pessoas não costuma discutir a ocorrência de doenças normais”, diz Yan.

    De acordo com um relatório do Google, uma em cada 20 pesquisas do serviço de buscas está relacionada a questões ligadas à saúde. Mas o problema é que quantidade não representa qualidade. “Há um conteúdo muito bom que é cuidadosamente checado e publicado por especialistas. No entanto, também há um conteúdo extremamente pobre, com informações incorretas”, afirma Guido Zuccon, pesquisador de sistemas de informação da Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália. “Também observamos que há conteúdo de alta qualidade, como pesquisas divulgadas pela comunidade médica, mas que os usuários em geral têm muita dificuldade de entender”. Em março deste ano, a equipe do pesquisador conduziu um estudo para avaliar a qualidade das informações médicas disponíveis nas buscas do Google, a partir da experiência de um grupo de entrevistados. No relatório, Zuccon indica que as ferramentas virtuais melhoraram sua engenharia de busca nos últimos anos, mas a pesquisa por termos abrangentes – como os sintomas descritos no início da matéria – ainda não consegue retornar resultados satisfatórios para os usuários.

Adaptado de: https://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2015/09/como-odoutor-google-esta-criando-uma-legiao-de-cibercondriacos.html. Acesso em: 10 jun. 2022.

Assinale a alternativa em que o verbo “levar” apresenta a mesma regência que em “Uma busca despretensiosa usando essas palavras-chave leva a um endereço [...]”.

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Questão 4 16030553
Difícil 00:00

AOCP PM-ES - Soldado 2022
  • Sociologia
  • Sugira
  • Cultura Temática
  • Cultura e Sociedade Sociologia da Cultura, da Educação e da Religião
  • Internet (Redes e Fakenews)
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Resolução comentada

O texto a seguir refere-se à questão.

 

COMO O DOUTOR GOOGLE ESTÁ CRIANDO UMA LEGIÃO DE CIBERCONDRÍACOS

Thiago Tanji – 18 SET 2015

 

    “Sintomas”, “dor de cabeça”, “sonolência”, “estou com sorte”. Uma busca despretensiosa usando essas palavras-chave leva a um endereço que indica os sinais e sintomas de um tumor cerebral. Definitivamente, não era um dia de sorte. Mas é possível encontrar outros diagnósticos virtuais para essa busca, como anemia, distúrbios do sono, meningite e virose, é claro. Já escolheu a doença que mais se encaixa no seu caso? Provavelmente, você decidirá pela pior dessa lista. “Depois de checar os sintomas no Google, a maior parte das pessoas tende a associar sua situação a doenças sérias e raras”, diz Dengfeng Yan, professor do departamento de marketing da Universidade do Texas em San Antonio, Estados Unidos. É verdade que o dr. Google é prático e pode ajudar em alguns casos, mas seu curso de medicina é baseado em algoritmos que podem te transformar em um cibercondríaco (é sério, essa palavra já é utilizada por cientistas).

    Em 2012, quando era pesquisador na Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, na China, Yan realizou um trabalho para estudar as escolhas irracionais de consumidores com base na ideia de que as pessoas tendem a superestimar seus problemas de saúde. Em uma entrevista, ele perguntava a um grupo sobre a possibilidade de contrair doenças como gripe aviária, câncer de mama e AIDS. “As pessoas costumam ignorar a chance real de ocorrências de uma doença e acabam confiando demais apenas nos sintomas que estão sentindo”, afirma. O problema é que, ao buscar os sintomas pela internet, nosso medo de contrair doenças graves é potencializado, já que essas enfermidades rendem um maior número de discussões e tendem a aparecer com maior frequência no resultado das buscas. “As informações mostradas no Google não são uma representação da realidade, já que a maior parte das pessoas não costuma discutir a ocorrência de doenças normais”, diz Yan.

    De acordo com um relatório do Google, uma em cada 20 pesquisas do serviço de buscas está relacionada a questões ligadas à saúde. Mas o problema é que quantidade não representa qualidade. “Há um conteúdo muito bom que é cuidadosamente checado e publicado por especialistas. No entanto, também há um conteúdo extremamente pobre, com informações incorretas”, afirma Guido Zuccon, pesquisador de sistemas de informação da Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália. “Também observamos que há conteúdo de alta qualidade, como pesquisas divulgadas pela comunidade médica, mas que os usuários em geral têm muita dificuldade de entender”. Em março deste ano, a equipe do pesquisador conduziu um estudo para avaliar a qualidade das informações médicas disponíveis nas buscas do Google, a partir da experiência de um grupo de entrevistados. No relatório, Zuccon indica que as ferramentas virtuais melhoraram sua engenharia de busca nos últimos anos, mas a pesquisa por termos abrangentes – como os sintomas descritos no início da matéria – ainda não consegue retornar resultados satisfatórios para os usuários.

Adaptado de: https://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2015/09/como-odoutor-google-esta-criando-uma-legiao-de-cibercondriacos.html. Acesso em: 10 jun. 2022.

Assinale a alternativa em que o termo destacado substitui um substantivo e introduz uma oração que o restringe semanticamente.

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Questão 1 16030514
Difícil 00:00

AOCP PM-ES - Soldado 2022
  • Sociologia
  • Sugira
  • Cultura Temática
  • Cultura e Sociedade Outras Ciências Sociais
  • Economia Internet (Redes e Fakenews)
  • Exibir tags
Resolução comentada

O texto a seguir refere-se à questão.

 

COMO O DOUTOR GOOGLE ESTÁ CRIANDO UMA LEGIÃO DE CIBERCONDRÍACOS

Thiago Tanji – 18 SET 2015

 

    “Sintomas”, “dor de cabeça”, “sonolência”, “estou com sorte”. Uma busca despretensiosa usando essas palavras-chave leva a um endereço que indica os sinais e sintomas de um tumor cerebral. Definitivamente, não era um dia de sorte. Mas é possível encontrar outros diagnósticos virtuais para essa busca, como anemia, distúrbios do sono, meningite e virose, é claro. Já escolheu a doença que mais se encaixa no seu caso? Provavelmente, você decidirá pela pior dessa lista. “Depois de checar os sintomas no Google, a maior parte das pessoas tende a associar sua situação a doenças sérias e raras”, diz Dengfeng Yan, professor do departamento de marketing da Universidade do Texas em San Antonio, Estados Unidos. É verdade que o dr. Google é prático e pode ajudar em alguns casos, mas seu curso de medicina é baseado em algoritmos que podem te transformar em um cibercondríaco (é sério, essa palavra já é utilizada por cientistas).

    Em 2012, quando era pesquisador na Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, na China, Yan realizou um trabalho para estudar as escolhas irracionais de consumidores com base na ideia de que as pessoas tendem a superestimar seus problemas de saúde. Em uma entrevista, ele perguntava a um grupo sobre a possibilidade de contrair doenças como gripe aviária, câncer de mama e AIDS. “As pessoas costumam ignorar a chance real de ocorrências de uma doença e acabam confiando demais apenas nos sintomas que estão sentindo”, afirma. O problema é que, ao buscar os sintomas pela internet, nosso medo de contrair doenças graves é potencializado, já que essas enfermidades rendem um maior número de discussões e tendem a aparecer com maior frequência no resultado das buscas. “As informações mostradas no Google não são uma representação da realidade, já que a maior parte das pessoas não costuma discutir a ocorrência de doenças normais”, diz Yan.

    De acordo com um relatório do Google, uma em cada 20 pesquisas do serviço de buscas está relacionada a questões ligadas à saúde. Mas o problema é que quantidade não representa qualidade. “Há um conteúdo muito bom que é cuidadosamente checado e publicado por especialistas. No entanto, também há um conteúdo extremamente pobre, com informações incorretas”, afirma Guido Zuccon, pesquisador de sistemas de informação da Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália. “Também observamos que há conteúdo de alta qualidade, como pesquisas divulgadas pela comunidade médica, mas que os usuários em geral têm muita dificuldade de entender”. Em março deste ano, a equipe do pesquisador conduziu um estudo para avaliar a qualidade das informações médicas disponíveis nas buscas do Google, a partir da experiência de um grupo de entrevistados. No relatório, Zuccon indica que as ferramentas virtuais melhoraram sua engenharia de busca nos últimos anos, mas a pesquisa por termos abrangentes – como os sintomas descritos no início da matéria – ainda não consegue retornar resultados satisfatórios para os usuários.

Adaptado de: https://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2015/09/como-odoutor-google-esta-criando-uma-legiao-de-cibercondriacos.html. Acesso em: 10 jun. 2022.

Sobre o excerto “Depois de checar os sintomas no Google, a maior parte das pessoas tende a associar sua situação a doenças sérias e raras”, assinale a alternativa correta.

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Questão 1 15587650
Difícil 00:00

UFJF - PISM Módulo II dia 1 2022
  • Sociologia
  • Sugira
  • Cultura
  • Diversidade Cultural / Antropologia
  • Identidade Questão Indígena, Racial e de Gênero
  • Exibir tags
Resolução comentada

TEXTO

Racismo, homofobia... Psicologia explica como a intolerância se sustenta

 

Priscilla Auilo Haikal
Colaboração para o VivaBem
31/07/2020 04h00

 

     Nós, seres humanos, somos um poço de contradições e imperfeições. Por mais que a gente se esforce para ampliar a visão de mundo que nos foi contada, não é raro que pensamentos mesquinhos ou invejosos venham nos visitar. De repente somos tomados por sentimentos que se opõem a crenças e princípios e revelam a dificuldade que é evoluir emocionalmente.

     Quem nunca culpou o outro, mesmo que mentalmente, pelo nosso país nunca dar certo? Ou então acreditou que o motivo do erro de alguém tivesse a ver com a sua raça, classe, gênero, religião ou orientação sexual? E se deixou levar pelo chavão "tinha que ser" e inferiorizou o próximo simplesmente por ele ser diferente de você?

     São reações que estão ligadas com desamparo e fragilidade interiores, que causam angústia ao se deparar com aquilo que foge do próprio repertório. Ao culpar ou inferiorizar o outro, de certa forma alivio o incômodo que sinto por ele não se enquadrar aos sistemas de rótulos aos quais estou acostumado.

     Muitas vezes são padrões convencionados como ideais na sociedade, a partir de práticas e características que devem ser almejadas e valorizadas por todos. Aqueles que fogem dessa representação hegemônica tida como bem aceita não são dignos da minha humanidade. Desqualifico o próximo para justificar a repulsa que sinto.

     Mas de onde surge esse impulso de inferiorizar o outro? O que leva tanta gente a perpetuar desavenças e reproduzir discursos intolerantes e preconceituosos?

 

De volta ao divã

 

     Para variar, o pai da psicanálise tem explicações para esse ódio, sentimento que experimentamos antes do amor, e um dos mecanismos mais primitivos de discriminação entre o "Eu" e o "Outro". Freud classificou de "EuPrazer" o estágio no qual o sujeito se identifica com tudo aquilo que lhe proporciona satisfação, e projeta tudo o que lhe é desprazeroso no Outro.

     "Trata-se de uma vivência ilusória de total autossuficiência, na qual o Outro é interpretado como puro empecilho às satisfações do Eu; empecilho que deveria ser eliminado", afirma Eduardo de São Thiago Martins, psicanalista e psiquiatra, membro associado da SBPSP (Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo).

     A próxima etapa é desenvolver o chamado "bom sentimento de si", quando todos aqueles que são diferentes do sujeito não precisam mais ser encarados como ameaça à integridade do Eu. Assim surge a noção de alteridade, que identifica e reconhece as diferenças do Outro e que possibilita aceitar que existem outras origens, outras culturas e outras subjetividades no mundo compartilhado por nós.

    Mas nem sempre esse processo é bem-sucedido e pode se prolongar por toda a vida, numa deficiência que costuma ser agravada em situações de adversidade. "É importante ressaltar que o desenvolvimento psíquico do ser humano não se dá de modo linear. Os estágios primitivos ou infantis não ficam para trás conforme modos de defesa mais elaborados são desenvolvidos. Eles seguem latentes no sujeito como núcleos defensivos que podem ser recrutados a qualquer instante", detalha Martins.

    Assim, quando o nosso psiquismo julga que a existência está ameaçada, nossa reação se torna mais brutal e menos lapidada.

 

Normal é ser diferente

    Apesar do grande avanço na formação do ser quando há o entendimento de que existem diferenças de identidade e que não se pode ditar todas as regras do mundo, essas experiências de alteridade e coletividade são complexas e exigem muito trabalho psíquico aos indivíduos. Nada mais cômodo do que fechar os olhos para as renúncias que temos que fazer diariamente e sonhar com uma realidade onde as únicas regras existentes são as que nos favorecem.

    A solução? Projetar os defeitos e as nocividades no próximo. Criar narrativas para estigmatizar certos grupos e beneficiar outros. Estabelecer marcas de desqualificação para legitimar atos de dominação social e política, como a invasão e tomada de territórios, e a escravização e genocídio de populações. Estabelecer estruturas de poder e superioridade que limitam direitos e mantêm privilégios.

    Ao longo da modernidade, a construção do outro enquanto diferente não teve como base a aceitação e a troca de experiências plurais e diversas, mas surgiu a partir da imposição de marcadores que delimitavam uma única via a ser seguida: a da normalidade. E tudo aquilo que estivesse fora dessa convenção, moldada pela moral e pelos bons costumes, seriam os algozes, culpados e causadores da desordem e do caos social.

    "Por isso, estamos acostumados a atribuir a alguns corpos performances sociais marginalizadas como a promiscuidade, criminalidade, baixa intelectualidade, naturalizando o lugar da diferença, e também a discriminação e as desigualdades sociais e raciais", destaca a psicóloga Veridiana Machado, professora na Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública e coordenadora nacional da ANPSINEP (Articulação Nacional de Psicólogas(os) Negras(os) e Pesquisadoras(es)).

     A docente reforça que até hoje várias ações e discursos são fundamentados em demarcadores étnicos, culturais, sociais e de gênero e ainda são vastamente reproduzidos para exaltar o nacionalismo e a supremacia hetero-branca-masculina. "São marcadores de controle usados para subalternizar e desumanizar aqueles que escapam de seus espelhamentos."

 

Bode expiatório

    Dessa forma, a reação mais comum é de intolerância com os diferentes e de gratificação ao estar entre os iguais, numa maneira simples de não assumir e nem confrontar as minhas limitações e o receio do próprio Eu em adentrar por regiões desconhecidas que podem amedrontar. Outra saída bastante comum e que vem sendo empregada há séculos é o chamado "bode expiatório". Funciona com a escolha de alguém ou de um povo para carregar todo o mal que precisamos extirpar, de modo a não sermos atacados.

     "Esse comportamento mágico, nocivo por si, infelizmente tende a ser manipulado por figuras que exercem poder e influenciam seguidores, aparentemente racionais em suas alegações, mas basicamente movidos por emoções muito primitivas e exacerbação de ódios. Por isso que o preconceito racial, de gênero, religioso e qualquer outro necessita ser combatido como uma ignorância e despreparo da possibilidade de conviver", enaltece a psicóloga Liliana Liviano Wahba, analista junguiana e professora da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).

     Usualmente a adesão a essas ideias superficiais e estereotipadas, que não resistem a argumentos, ocorre por meio de uma identificação afetiva, na qual a tonalidade é ódio e o outro é o meu maior problema. O "bode expiatório" é o culpado pelo caos da cidade, pelo desemprego elevado, pelas dificuldades econômicas e até pela falta de perspectiva dos dias atuais. Curiosamente é durante períodos de escassez de recursos e crise financeira que despontam supostas lideranças dispostas a resolver todos os males, inclusive a corrupção, não por meio de propostas, mas sim pela eliminação daqueles que são os culpados pela desgraça do país ou do mundo.

    O psicólogo Fernando Gastal de Castro, professor associado do Instituto de Psicologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), acrescenta que é um discurso muito antigo na nossa sociedade, e retorna de tempos em tempos, principalmente "em momentos de anomia social, de crise das instituições e das relações sociais". Quando crescem as vulnerabilidades e a desesperança, a identificação do outro como a razão dos meus tormentos ganha força pelo afeto do ódio. "A dificuldade da nossa e de outras nações é justamente criar um modelo social em que caiba todo mundo, onde todos possam dizer 'minha sociedade'".

     Para Freud, essa necessidade de ter o Outro como inimigo faz parte do chamado "narcisismo da pequena diferença", no qual o sujeito frágil deixa de pensar por si e se torna um replicante dentro da massa, que se organiza no combate daqueles que estão distantes dos ideais do grupo. "Em outras palavras, falar mal do vizinho pode salvar um almoço em família. Ter um inimigo em comum, alguém para eliminar, mantém os laços entre os indivíduos da organização. Caso contrário, suas próprias pequenas diferenças vêm à tona, dissolvendo o sentimento grupal e expondo o Eu ao seu desamparo constitutivo", diz Martins.

 

Respeito às necessidades e especificidades

     O psicanalista acredita que boas experiências de coletividade e de alteridade seriam a melhor forma de buscar a transformação do sujeito narcisicamente ferido, o que seria possível com um governo que atuasse para redução das desigualdades e a garantia das condições de vida fundamentais aos cidadãos (moradia, saúde, educação, segurança, transporte, cultura).

    "Assim, o Outro não seria mais encarado como uma ameaça à integridade do Eu, e sim como um colaborador nas diferenças, capaz de lhe estender a mão e de ampliar o repertório de identificações. Quanto mais elaborados forem o 'sentimento de si' e o 'sentimento de pertencimento', menos sentido farão as fábricas de inimigos.”

    "Ao não terem acesso aos direitos e serviços básicos, as populações subalternizadas sofrem violência pelas mãos do próprio Estado e ficam em condições assimétricas com o que se chama de humanidade.” Na avaliação da psicóloga Veridiana Machado, é uma luta constante para sobreviver e para enfrentar esse comportamento desumanizador, que já está institucionalizado há anos, e só pode ser enfrentado com a adoção de uma nova proposta ética, estética e política da diferença.

    "É atribuir ao outro o olhar da positividade em detrimento da negativação, reconhecer as singularidades daquele corpo como uma multiplicidade de potências, abrir mão da competitividade e da anulação para a coexistência e cooperação, adotando uma postura antitotalitária, de respeito ao próximo e às diversidades."

    Conviver e conhecer o outro é uma das possibilidades de romper com o silenciamento histórico de muitos povos. Permitir que esse sujeito fale e de fato seja escutado abre espaço para que suas histórias, constantemente invisibilizadas, sejam narradas de forma que também suas existências passem a ser consideradas. A partir dessa interação surge a oportunidade de construir outras narrativas de si, do próximo e do mundo, que expressem outros sentidos e significados numa elaboração consciente e sensibilizada em relação às singularidades de cada um.

 

Fontes: Eduardo de São Thiago Martins, psicanalista e psiquiatra, membro associado da SBPSP (Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo), supervisor e professor colaborador do Serviço de Psicoterapia do IPq-HCFMUSP; Liliana Liviano Wahba,psicóloga, analista junguiana e professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo); Fernando Gastal de Castro, psicólogo e professor associado do Instituto de Psicologia da Universidade do Rio de Janeiro; Veridiana Machado, psicóloga e coordenadora da Articulação Nacional de Psicólogas(os) Negras(os) e Pesquisadoras(es) e a equipe do núcleo ANPSINEP/Bahia.

Disponível em: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/07/31/por-que-existem-pessoas-intolerantes-psicologia-tem-algumasexplicacoes.htm.

Acesso em: 27/10/2021 às 13:40.

Texto adaptado para fins didáticos.

 

O texto é do gênero reportagem. Sobre ele, julgue as alternativas abaixo como verdadeiras ou falsas.

 

( ) A reportagem apresenta a opinião do repórter, fundamentado sobretudo por depoimentos de especialistas ou de pessoas ligadas ao tema.
( ) Como as seções de uma reportagem dividem o texto em subtemas, sua ordem pode ser alterada, pois o conteúdo de cada uma delas é independente e autônomo entre si.
( ) O público alvo de uma reportagem influencia o tratamento dado ao assunto - mais ou menos aprofundado - e à linguagem do texto, a qual obedece à norma culta.
( ) O objetivo das seções é organizar o texto por subtemas e, desse modo, facilitar a compreensão por parte do leitor.
( ) Trata-se de um gênero em que predomina a exposição, visando divulgar para um leitor não especialista informações sobre assuntos históricos, artístico-culturais e científicos.

 

A sequência que preenche corretamente as lacunas acima é:

Vídeos associados (5) Ver comentários

Questão 38 15410723
Difícil 00:00

UENP 2022
  • Sociologia
  • Sugira
  • Movimentos Sociais Trabalho e Estratificação Social
  • Desigualdades Sociais Movimento Feminista, LGBT e Negro
  • Exibir tags
Resolução comentada

Texto-base para a questão.

 

Como a desigualdade no pagamento entre homens e mulheres prejudica a economia brasileira

Luiza Franco e Paula Adamo Idoeta

Da BBC News Brasil em São Paulo - 6 janeiro 2019

 

    O mundo avançou pouco na igualdade de gêneros no último ano: menos mulheres do que homens têm entrado no mercado de trabalho; sua participação na política e em cargos privados sêniores ainda é inferior à masculina, e sua presença em setores emergentes de tecnologia, como o de Inteligência Artificial, ainda é irrisória.

    As conclusões são de um relatório recente do Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês), que traçou um panorama pouco animador da igualdade de gêneros em 149 países sob os aspectos político, econômico, educacional e de saúde.

    O Brasil não está bem posicionado no ranking do relatório: caiu cinco posições, para a 95ª, porque “o abismo entre gêneros está em seu maior nível desde 2011”, diz o WEF. Os motivos disso são, sobretudo, as persistentes disparidades em participação e oportunidade econômicas.

    Aqui, segundo o Estudo de Estatísticas de Gênero, do IBGE, as mulheres trabalham em média três horas por semana a mais do que os homens (somando-se trabalho remunerado, atividades domésticas e cuidados com outras pessoas), mas ganham apenas dois terços (76%) do rendimento deles.

    Nas ocupações que exigem nível superior completo ou mais, a diferença salarial é ainda maior: as mulheres recebiam 63,4% do rendimento dos homens em 2016, dado mais recente disponível. [...]

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-46655125

O fragmento de texto acima é um recorte de uma matéria mais longa, que apresenta conteúdos organizados em seções. Apenas um dos subtítulos abaixo não faz parte da matéria.

 

Assinale a opção que indica qual subtítulo não figuraria no texto, por falta de coerência com o conteúdo apresentado acima.

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Questão 13 14999351
Difícil 00:00

FUNORTE Medicina 2022/2
  • Sociologia
  • Sugira
  • Cultura Movimentos Sociais
  • Cultura e Sociedade Movimentos negros
  • Questão Racial
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Resolução comentada

Texto

 

Brasil e o sistema racist

 

O conceito de raça é usado para segregar e oprimir uma população que, ainda hoje, é invisibilizada, tendo os direitos humanos violados.
 

[1]    A morte do povo preto não pode continuar passando despercebida. Mas o que esperar de uma sociedade racializada? O genocídio da população não branca transforma em estatísticas vidas que se perderam sem chance de defesa. Ser negro é marcador social. E quem é negro sente na pele a dor de ser negro em um país onde o racismo prevalece. A Lei n° 7.716, de 1989, de autoria do deputado Carlos Alberto de Oliveira, daí ser mais conhecida como Lei Caó, criminaliza o racismo e possibilita ferramentas que poderíam mudar o cenário de violência atual. Mas o que faz uma lei valer é o uso. Ela precisa ser popularizada, trabalhada nas escolas e nas bases para que os jovens tenham conhecimento dela e se apropriem de seus efeitos. Até quando uma mãe preta vai chorar?

[2]    Há uma hierarquização, uma sociedade hegemônica que alimenta as desigualdades sociais, omitindo da população preta o acesso aos seus direitos, deixando-a à margem, em situação de risco e vulnerabilidade social. Naturalizando, diariamente, a morte dos jovens negros, que continuam tombando diante de um quadro generalizado de violência e opressão.

[3]    Não podemos ficar omissos frente a tantas atrocidades. Precisamos desconstruir as estruturas excludentes que se retroalimentam e mantêm a desigualdade, a apartação social e nos insere em uma inclusão perversa, matando irmãos nossos, tirando-nos a liberdade de ser quem somos, de construir nossa identidade e vivê-la de forma plena. A sociedade questiona a legitimidade de nossas ações, cultura e etnia, não levando em conta que o Brasil é o segundo país do mundo em população negra. Uma população que é de luta, resistência, mas que, infelizmente, ainda hoje perde vidas em razão de desigualdades e injustiça.

[4]    O conceito de raça é usado para segregar e oprimir uma população que, ainda hoje, é invisibilizada, tendo os direitos humanos violados. O racismo estrutural simbolicamente mantém o povo preto no tronco. Sem voz e anestesiado pelo sofrimento psíquico, leva com ele as dores de ser negro em um país patriarcal, machista, racista e classista. O artigo 5o da Constituição Federal de 1988 diz que somos iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza. E que a prática do racismo constitui crime inafiançável. Direitos que não são respeitados. Há no Brasil uma coisificação. Negros e negras deixam de ser vistos como pessoas e são tratados como coisas, deixando à mostra uma sociedade cruel e desumana adoecida por padrões e valores deturpados que julgam e condenam pessoas por sua cor, raça e classe.

[5]    As mulheres negras lutam contra machismo, racismo e exclusão. Há diferença enorme nas construções sociais de ser mulher e ser mulher negra. Existe uma desigualdade histórica que privilegia a população branca em detrimento da não branca. A nossa sociedade embasa comportamentos racistas e discriminatórios que se perpetuam e seguem ceifando vidas inocentes.

[6]    Precisamos lutar por uma sociedade mais justa, que se organiza no sentido de superar as injustiças sociais. A luta antirracista é de todos nós. Precisamos nos indignar e deixar claro para a sociedade que não admitimos racismo, não toleramos, e nada nem ninguém vai nos silenciar.

[7]    Nós, brasileiros, somos descendentes, sim, de povos africanos, e reconhecer nossa ancestralidade é passo importante para termos o direito à cidadania e lutarmos por políticas afirmativas. É inconcebível que, em pleno século 21, continuemos ignorantes em relação à cultura, etnia e tradições do povo preto. Ser negro transcende a cor. A ignorância gera preconceito racial que se manifesta de forma violenta, como os assassinatos dos jovens negros e a destruição das casas religiosas, tentando tirar do negro a identidade. A exclusão viola o principal direito humano, que é o direito à vida, e coloca a população não branca em uma realidade de terror e sofrimento, em que se tornam apenas dados estatísticos.

[8]    E todas essas situações reais de lutas e sofrimento são naturalizadas socialmente, impedindo a população negra de ter acesso a direitos humanos fundamentados, instituídos e efetivados. Para que haja mudança, lutemos por um Brasil melhor, sem racismo e com igualdade plena. Esse é nosso compromisso. E nossa esperança.

Josefina Serra dos Santos*, Denise da Costa Eleutério*, Neusa Maria* 'Membros da Comissão da Igualdade Racial da OAB-DF https://www.correiobraziliense.com.br/app/opiniao/2020/07/ll/internas _opiniao,871316/artigo-brasil-e-o-sistema-racista.shtml. Acesso em 13/05/2022.
 

Assinale a opção em que a explicação entre colchetes NÃO corresponde ao sentido empregado no texto para o termo sublinhado:

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