Questões de Sociologia
6.493 Questões
Questão 12 14981819
FUNORTE 2024A regulação das mídias sociais
[1] Os meios de comunicação de massa sempre foram e continuarão sendo instrumentos fundamentais para a consolidação da democracia, constituindo-se uma das mais importantes ferramentas de divulgação de ideias e de opiniões, utilizadas pelos partidos políticos e candidatos, especialmente durante as campanhas eleitorais. Ninguém mais ignora que as plataformas digitais, em especial as redes sociais, passaram a assumir papel central nas estratégias de publicidade, visando à conquista da simpatia do eleitorado, reduzindo significativamente a importância, em certas regiões, das mais tradicionais formas de propaganda, como a mídia impressa, o rádio e a televisão.
[2] O exponencial crescimento do uso das redes sociais terminou modificando o papel dos algoritmos por elas utilizados, transformando-os em pujantes filtros de conteúdo personalizado para cada usuário, potencializando, assim, a criação de verdadeiras bolhas geradoras de grande fragmentação e de acirrada polarização de opiniões. Como consequência, assiste-se ao empobrecimento do debate na arena pública virtual, pela desintegração de um ambiente que deveria ser naturalmente diversificado e, ao mesmo tempo, favorecedor da livre circulação de ideias e opiniões, fundamentais para a formação de consenso.
[3] Como se não bastasse, o uso abusivo e desregulado de um algoritmo social, ou seja, de um agente de software que se comunica de forma autônoma nas mídias sociais pode se transmudar num portentoso mecanismo a serviço da condenável prática de difusão de notícias falsas, colaborando efetivamente com a nefasta prática de desinformar a cidadania em proporções muitas vezes inimagináveis. No mundo, não são poucos os exemplos de ataques democráticos provocados por ameaças ou rupturas políticas, apoiadas em redes de desinformação e numa massiva, constante e despudorada campanha de desconfiança nas instituições.
[4] Parece claro, portanto, que esse novo jeito de se fazer campanhas eleitorais orientadas por dados apresenta um desafio sistêmico e institucional, o que demanda uma combinação de novas abordagens políticas e regulamentares. Uma visão simplista desse problema conduziria à inexorável conclusão de que, em nome da defesa dos valores democráticos, poderia o Estado exigir das plataformas digitais a exibição completa e absoluta dos algoritmos que utilizam, sob pena de banimento. Contudo, os filtros de conteúdo personalizado gerados pelos algoritmos das redes sociais sustentam a sua lógica econômica, sendo a chave de sobrevivência das plataformas digitais. Daí emergir, como mais indicada, a adoção de uma solução que possa promover um ambiente virtual sadio para o debate público de qualidade, sem asfixiar economicamente as redes sociais por força da compulsória abertura da lógica de funcionamento dos algoritmos que sustentam o seu negócio.
[5] Esse cenário parece exigir uma atuação racional de vários setores, públicos ou privados, os quais passariam a assumir um papel fundamental de monitoramento do potencial impacto da desinformação na sociedade. E, para além do rastreio dessas consequências, é também necessária a adoção de medidas preventivas, que possam gerar maior responsabilidade e transparência algorítmicas por parte das redes sociais, que passariam a atuar em estreita consonância com o interesse público.
[6] O alcance de um nível desejável dessa responsabilidade passaria, necessariamente, pela adoção de medidas que pudessem elevar a transparência no tocante à origem do financiamento, identificando o conteúdo patrocinado, especialmente quando envolvesse publicidade política, mas sobretudo pelo fornecimento de informações básicas sobre o funcionamento dos algoritmos que selecionam e exibem informações, sem que isso, no entanto, devasse a lógica que alicerça economicamente o negócio tocado pelas plataformas.
[7] Essa abertura permitiria uma atuação colaborativa entre Estado, organizações independentes e as próprias redes sociais na tarefa de checagem de fatos, além de proporcionar maior compreensão sobre a aparente popularidade de influenciadores, que não raro pode estar sendo impulsionada pela maciça injeção de recursos financeiros ou ser resultado de manipulação artificial produzida por robôs.
[8] O irreversível papel sociopolítico que as redes sociais passaram a assumir no contexto eleitoral e as nefastas consequências advindas da opacidade algorítmica praticada por essas mídias força a sociedade a encontrar soluções para esse problema, já com os olhos postos no pleito de 2024. A democracia brasileira carece dessa regulação que, a um só tempo, proteja a lógica econômica das mídias sociais e assegure a supremacia do interesse público intrínseco à atividade político-partidária.
MEDEIROS, F. J. M., advogado, mestre em direito e professor universitário. Texto publicado na Seção Opinião,15/03/2023 (Adaptado). Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/
Considerando que as orações reduzidas são unidas à oração principal por uma carga semântica, assinale a alternativa que apresenta uma interpretação INCORRETA dessa carga de sentido entre a oração reduzida de gerúndio e sua respectiva oração principal.
Questão 44 14976500
CESMAC Dia 1 2024/2Que se entende por instituições sociais, conforme seu sentido em Sociologia?
Questão 51 14823255
PAS - UFLA 2 Etapa 2024-2026Leia o Texto 1 para responder à questão.
TEXTO 1
Fake news e desinformação: uma ameaça à democracia
[1] As comunicações instantâneas globais via internet fazem com que, potencialmente, todos possam trocar
informações, de qualquer natureza, sem restrições nem fronteiras. A popularização de equipamentos e de
infraestrutura criou os meios. As redes sociais agregaram usabilidade e a tão sonhada segmentação publicitária.
Amenidades ditas em família, debates conspiratórios de encontros fechados e inconfidências ditas ao telefone
[5] ganharam escala mundial, sem filtros. O mesmo ocorreu com a propaganda enganosa, a notícia falsa e a
desinformação.
Enfrentamos, agora, um “tsunami desinformacional” e nos tornamos cobaias de experimentos de controle e
interferência na realidade, com as redes sociais determinando quem precisamos ser, o que devemos consumir e
até em quem não votar. Destruir reputações por meio de notícias falsas e desinformação é mais eficiente do
[10] que cultivar tolerância, construir soluções e debater honestamente. É mais prático do que procurar posições de
consenso e equilíbrio.
Mas a destruição de reputações nunca ocorre isoladamente. O conjunto da obra demanda corroer a confiança
na ciência, nas instituições democráticas, no jornalismo profissional e nos freios e contrapesos que viabilizam a
democracia. (...) A democracia está contra as cordas e, por causa de sua própria natureza, sofre para reagir.
[15] Poderá morrer se não for socorrida a tempo, na contramão dos avanços pós-iluminismo.
Evandro Lorens .Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2021/04/4917137-artigo-fake-news-edesinformacao-uma-ameaca-a-democracia.html. Acesso em: 12 julho 2024. (Adaptado).
O objetivo central do texto é:
Questão 5 14759330
UFMG Administração 2024Texto I
O vírus do tigrinho
Além de favorecer o crime organizado, a epidemia das bets representa uma grave ameaça à saúde pública e à economia
Na noite de terça-feira 10, o motorista de aplicativo Níger Soares, de 38 anos, chegou um pouco mais cedo do trabalho para assistir a Seleção Brasileira jogar contra o Paraguai pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. Apaixonado por futebol desde criança, o carioca, com formação em Publicidade, tinha “interesse dobrado” no resultado da partida, pois havia feito uma “fezinha” na vitória da equipe canarinho, que acabou não acontecendo. Há anos, ele luta contra a compulsão por apostas e jogos de azar. Soares não titubeia ao afirmar que a avassaladora chegada das empresas de apostas esportivas online, as chamadas bets, dificultou sua luta contra o vício: “A situação piorou. Tem muita propaganda em tudo quanto é lugar. As pessoas estão ficando endividadas, é muita gente”, afirma, embora prefira não entrar em detalhes sobre sua própria situação financeira.
Soares é um dos 52 milhões de brasileiros que, de acordo com um levantamento feito pelo Instituto Locomotiva, fizeram ou costumam fazer apostas em sites na internet. Apesar de o governo federal ter f inalizado o processo de cadastramento das empresas, primeiro passo para concretizar a regulamentação do setor no Brasil, pessoas como ele se veem especialmente vulneráveis às bets e são presas fáceis para outra praga social, os “jogos de cassino online”, que seduzem com a ilusão da riqueza imediata. Entre os apostadores, o mais popular é o caça-níqueis eletrônico Fortune Tiger, conhecido no País como “Jogo do Tigrinho”, que vem sendo letal para pessoas de baixa renda. Segundo a pesquisa, 79% dos que costumam fazer apostas na internet pertencem às classes C, D e E.
Estudos recentes completam o quadro de desafio à saúde pública e à economia nacional. Um deles, do Banco Itaú, mostra que em um período de 12 meses os brasileiros gastaram 68,2 bilhões de reais em apostas online. Outro, encomendado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), assustada com o impacto já percebido no mercado varejista, aponta que 86% dos apostadores estão endividados e 64% deles negativados no Serasa. Em um país onde 43% da população afirma não ter segurança financeira, a consultoria PwC do Brasil mostra que hoje, para as duas classes da base da pirâmide social, as apostas já equivalem a 76% das despesas mensais com lazer e cultura e a 5% do que é destinado à alimentação. Pesquisas estão sendo realizadas para mensurar também o impacto das bets e dos tigrinhos no orçamento destinado à educação das famílias brasileiras.
Conhecido como ludopatia, o vício nas apostas é uma enfermidade social que precisa ser prevista e tratada adequadamente no novo arcabouço regulatório. Para o psicólogo clínico Cristiano Costa, uma das cabeças à frente da Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo (Ebac), nessa doença é impossível adotar uma política de redução de danos como nos casos de adição às drogas. “No transtorno do jogo patológico, existe um vício diferente, que se concentra no comportamento de apostar e que não necessariamente é gerador de danos”. Melhor seria, diz o especialista, uma estratégia para diversificar os modos de obtenção de prazer associado ao risco, bem como de diversão e entretenimento: “Também é necessária muita educação psicoemocional e financeira, já que é uma doença profundamente vinculada ao endividamento”. Segundo estudos da entidade, ao menos 2 milhões de brasileiros sofrem de ludopatia severa.
CEO da empresa galera.bet, Marcos Sabiá afirma que a certificação ajudará a separar o joio do trigo e a identificar as empresas à margem da lei: “O trigo são empresas que já se preocupam em realizar um tratamento adequado dos dados de seus jogadores, o chamado KYC (know your client)1, a fim de combater crimes como lavagem de dinheiro e manipulação de resultados, sem descuidar da publicidade adequada; tratando o jogo como diversão e não como enriquecimento, investimento ou geração de renda, ao mesmo tempo que identifica e trata eventuais casos de ludopatia”. Segundo Sabiá, essas empresas estão preocupadas com uma relação de longo prazo com o jogador e isso inclui bom atendimento através de seus SACs e compromissos formais com órgãos como o Conar.
Professor da Unicamp e integrante do Comitê Gestor da Internet no Brasil, Rafael Evangelista avalia que há várias boas propostas em debate: “Elas são necessárias e ajudariam não só na questão da publicidade relativa a jogos, pois várias dessas propostas poderiam contribuir para que houvesse maior responsabilização das plataformas pelos conteúdos que carregam”. Muito se faz referência ao Marco Civil da Internet, diz o especialista, como se ele isentasse as plataformas de responsabilidade sobre os conteúdos: “Mas, a partir do momento em que as plataformas não são intermediários neutros desses conteúdos, elas passam a ser corresponsáveis. O Brasil precisa avançar na legislação e na ação efetiva contra esses anúncios maliciosos”.
Enquanto abundam as boas intenções, a vida para quem está sujeito à maior vulnerabilidade social e sanitária frente ao fenômeno da proliferação dos sites de apostas online segue na incerteza. Enquanto aguarda nova oportunidade para tentar recuperar o dinheiro perdido com o futebol sofrível da Seleção Brasileira e assim garantir o pagamento dos boletos no fim do mês, Níger Soares diz não acreditar nas medidas pelo tal jogo responsável: “Acho que não vai adiantar, porque vai depender muito da vontade dos próprios jogadores. E são as próprias bets que vão ajudar? Seria legal se tivesse mais ajuda, talvez uma política pública mais séria e abrangente para tratar o problema”. Fica a dica.
THUSWOHL, Maurício. O vírus do tigrinho. Carta Capital, 12 set. 2024. nº 1328. (Adaptado).
Releia o seguinte trecho do Texto.
“Em um país onde 43% da população afirma não ter segurança financeira, a consultoria PwC do Brasil mostra que hoje [...] as apostas já equivalem a 76% das despesas mensais com lazer e cultura e a 5% do que é destinado à alimentação.”
Considerando o trecho, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.
I. Não há sinal indicativo de crase nas expressões “a 76% [...]” e “a 5% [...]” e há sinal indicativo de crase no trecho “à alimentação”.
PORQUE
II. A regência dos verbos “equivaler” e “destinar” é diferente. Apenas “destinar” é um verbo transitivo indireto regido pela preposição “a”.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
Questão 6 14670340
UNIFENAS 2024/2TEXTO 4
Dengue e a explosão de casos no Brasil
A dengue é uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e tem sido uma preocupação constante no Brasil. Nos últimos anos, o país tem enfrentado uma verdadeira explosão de casos, com consequências devastadoras para a saúde pública e a qualidade de vida da população.
Vários fatores têm contribuído para o aumento significativo dos casos. Em primeiro lugar, temos a urbanização desordenada, que resulta no acúmulo de lixo, água parada e falta de saneamento básico adequado. Essas condições criam o ambiente ideal para a proliferação do mosquito transmissor. Além disso, o clima tropical do Brasil proporciona condições favoráveis ao desenvolvimento do Aedes aegypti, durante todo o ano. As altas temperaturas e a umidade aumentam a velocidade de reprodução do mosquito, aumentando a transmissão da doença. Outro fator relevante é a falta de conscientização e engajamento da população, pois é essencial que as pessoas adotem medidas preventivas, como eliminar recipientes com água parada, utilizar repelentes e telas nas janelas, para evitar a reprodução do mosquito e reduzir os riscos de contaminação.
Importante destacar que as consequências da explosão de casos de dengue no Brasil são alarmantes e impactam negativamente diversos aspectos da sociedade. Primeiramente, a doença sobrecarrega o sistema de saúde, aumentando a demanda por leitos hospitalares e atendimentos de profissionais de saúde, o que compromete a capacidade de atendimento e qualidade dos serviços de saúde, afetando não apenas os pacientes de dengue, mas também as pessoas que necessitam de assistência médica por outros motivos. Além disso, a dengue causa um grande impacto econômico, visto que a doença leva ao afastamento de trabalhadores, gerando redução na produtividade e prejuízos para as empresas. Os gastos com tratamentos médicos e campanhas de combate ao mosquito também representam um ônus significativo para os cofres públicos e que pode minimizar os investimentos em outros programas de saúde já que os recursos para a saúde são limitados.
A dengue também tem impacto direto na qualidade de vida da população. Os sintomas da doença, como febre alta, dores musculares e cansaço extremo, podem ser debilitantes e afetar a capacidade das pessoas de desempenharem suas atividades diárias. Além disso, casos mais graves podem levar à hospitalização e até mesmo ao óbito.
Diante disso, é fundamental que haja abordagens abrangentes e integradas para que todos busquem combater efetivamente a dengue. Algumas medidas essenciais incluem:
- Investimento em saneamento básico e infraestrutura adequada, visando eliminar locais propícios à reprodução do mosquito;
- Fortalecimento das ações de controle vetorial, como a aplicação de larvicidas e inseticidas;
- Educação e conscientização da população sobre a importância de medidas preventivas, como a eliminação de criadouros do mosquito;
- Melhoria na capacidade de diagnóstico e tratamento da doença, com investimentos em equipamentos e treinamento de profissionais de saúde.
- Ações de mobilização social e parcerias entre governo, sociedade civil e setor privado para enfrentar o problema de forma conjunta.
Em síntese, a explosão de casos de dengue no Brasil representa uma grave ameaça à saúde pública e exige ação imediata e coordenada, visto que as consequências trazem impactos negativos no sistema de saúde, na economia e na qualidade de vida das pessoas. É imprescindível que sejam implementadas medidas efetivas e sustentáveis para o combate à dengue, envolvendo ações preventivas, investimentos em infraestrutura e engajamento da sociedade como um todo. Somente assim, poderemos reverter essa situação preocupante e garantir um futuro mais saudável para todos os brasileiros.
Elgison da Luz dos Santos: Graduado em Fisioterapia com mestrado em Engenharia Biomédica e doutorado em Tecnologia em Saúde. É professor da Escola Superior de Saúde Única da Uninter
Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/opiniao/2023/06/29/interna_opiniao,1513712/dengue-e-a-explosao de-casos-no-brasil.shtml1 Acesso em 13 mar. 2024.
Entre as estratégias argumentativas empregadas em textos de opinião, uma das mais frequentes é o raciocínio de causa e de efeito. No artigo de opinião lido, verifica-se o apontamento do(a)
Questão 11 14609561
USS (Univassouras) Medicina 2024/2o estigma do erro médico tem uma forte ligação com juízos culturais e de valor impostos no país, o que dificulta a sua aceitação tanto para a vítima quanto para o profissional. (l. 20-22)
Infere-se com esse trecho que:
06
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