Questões de Sociologia
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Questão 8 16103829
IDOMED Medicina 2024/1MEDICINA SOCIAL
O termo Medicina Social, como designativo de um ramo do saber e do fazer, vem sendo empregado de modo diverso por diferentes autores. A necessidade de uma definição de Medicina Social é tanto mais premente quanto há autores que lhe dão conteúdos inteiramente diversos, restringindo-os alguns à medicina do trabalho, enquanto outros lhe dão exagerada extensão e outros ainda definição não científica, como a que conceituou como “a ciência dos flagelos sociais”, realmente imprecisa e correndo o risco de abarcar fenômenos sociais a ela estranhos, como o crime, por exemplo.
Ainda que esse conceito seja amplo, mostrando que a Medicina Social não se restringe a alguma parte das atividades da ciência médica, ele não esclarece o valor dos conhecimentos médico-sociais, não só como enfoque filosófico, mas também como instrumento de trabalho profissional. O entendimento das diferenças significantes dos fatos observados, em relação aos problemas de saúde dentro do contexto de vida social, é que transforma essa posição filosófica em um real instrumento de trabalho profissional, útil e necessário a todo e qualquer médico que esteja no exercício da profissão. O Homem, pela condição de sua natureza, é um ser essencialmente gregário. Isso leva a que todas as atividades que o tenham por objeto estejam relacionadas com seus aspectos sociais.
Resta óbvio que a Medicina é uma atividade exercida pelo Homem. Nas sociedades complexas, urbano-industrializadas, também chamadas modernas, esse exercício é delegado àqueles que se habilitam e se capacitam para exercer a profissão de médico. Nessas sociedades, essa profissão se caracteriza pelo fato de o médico constituir a base de seus conhecimentos por meio do processo científico, ao contrário do que ocorre em outras sociedades, onde esse setor está ligado a processos empíricos ou sobrenaturais. Além disso, a Medicina se caracteriza como a profissão especializada que requer, para o seu exercício, um aprendizado e um treinamento formal, ao lado de outros requisitos legais.
Para além disso, como ciência e profissão, a Medicina tem por objetivo manter a saúde do Homem, seja pela promoção, seja pela preservação, ou, ainda, pela recuperação. Assim, a Medicina tem por objeto o ser humano e por objetivo mantê-lo com saúde. Esta, de acordo com o proposto pela Organização Mundial de Saúde e universalmente aceito, é o “estado de perfeito bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de enfermidades”. Portanto, para manter o ser humano com saúde, é necessário cuidar do seu perfeito bem-estar físico, mental e social.
Ainda que não seja possível dividir saúde nos seus componentes, pois ela é um estado do ser humano único e integral, é cabível considerar que existam fatores intervenientes na saúde que possam estar relacionados com aspectos físicos, mentais e sociais. Os aspectos físicos foram os primeiros com que a Medicina se preocupou. A ideia de saúde como o equilíbrio biológico entre o Homem e o meio foi a primeira que surgiu, talvez mesmo antes do início do período científico desse campo do conhecimento humano. A ela se ligou posteriormente a ideia da saúde mental e, recentemente, envolveu a dimensão social que ganhou realce apenas depois da segunda metade do século XX.
A atenção com o bem-estar físico do Homem pertence precipuamente às disciplinas clínicas e cirúrgicas, englobando todas as duas especializações; o bem-estar mental, por outro lado, é a preocupação da Psiquiatria e de seus conhecimentos correlatos; finalmente, o bem-estar social, como integrante da saúde do ser humano, compõe o campo de ação da Medicina Social. Esta tem, portanto, por objeto material, o Homem e, como objeto formal, o Homem enquanto ser social em suas necessidades relativas à saúde consideradas como uma das mais básicas.
Para a compreensão desse campo de ação, assim estabelecido, é necessário ter conhecimentos acerca dos fenômenos sociais, das suas razões e consequências, assim como de suas leis gerais e características. Esses conhecimentos são encontrados nas ciências sociais, particularmente nas chamadas ciências da conduta. Assim, apesar de inteligível a posição de considerar toda a Medicina como ciência social, pois tem ela por objeto um ser social, há de se compreender que o seu objeto não é estudar o Homem como um ser social, mas sim como um ser de que se quer preservar, promover, ou recuperar a saúde. Por outro lado, não é possível afastar o componente social do ser humano, pois ele interfere fundamentalmente com a saúde. Essa interligação, que se faz importante, por meio do intercâmbio dos conhecimentos das ciências da saúde e das ciências sociais, constitui a Medicina Social, que armazena subsídios que podem atenuar, ou eliminar, problemas de saúde e/ou sociais.
Embora ainda não nos satisfaça completamente, algumas definições de Medicina Social trazem consigo uma interpretação próxima daquela que estamos desenvolvendo. Isso não significa que tenhamos uma posição realmente original e diversa da totalidade dos autores, mas que, por diferentes razões, não encontramos entre as definições mais difundidas uma que in totum pudesse traduzir nosso conceito. Assim sendo, em uma definição que traduz um conceito mais amplo, consideramos como Medicina Social o estudo e a aplicação dos conhecimentos das ciências da saúde para a atenuação e/ou erradicação dos problemas sociais, assim como o estudo e a aplicação das ciências sociais para atenuação e/ou erradicação dos problemas de saúde.
MEIRA, Affonso Renato; SEGRE, Marco. Medicina Social: definição e campo de ação e a integração com a Medicina do Trabalho e a Medicina Legal. Revista Brasileira de Educação e Medicina, no. 09 (02). Maio-ago., 1985. . Acesso em: 09/10/2023. (Adaptado).
No sexto parágrafo, o enunciador propõe-se a:
Questão 4 16103801
IDOMED Medicina 2024/1MEDICINA SOCIAL
O termo Medicina Social, como designativo de um ramo do saber e do fazer, vem sendo empregado de modo diverso por diferentes autores. A necessidade de uma definição de Medicina Social é tanto mais premente quanto há autores que lhe dão conteúdos inteiramente diversos, restringindo-os alguns à medicina do trabalho, enquanto outros lhe dão exagerada extensão e outros ainda definição não científica, como a que conceituou como “a ciência dos flagelos sociais”, realmente imprecisa e correndo o risco de abarcar fenômenos sociais a ela estranhos, como o crime, por exemplo.
Ainda que esse conceito seja amplo, mostrando que a Medicina Social não se restringe a alguma parte das atividades da ciência médica, ele não esclarece o valor dos conhecimentos médico-sociais, não só como enfoque filosófico, mas também como instrumento de trabalho profissional. O entendimento das diferenças significantes dos fatos observados, em relação aos problemas de saúde dentro do contexto de vida social, é que transforma essa posição filosófica em um real instrumento de trabalho profissional, útil e necessário a todo e qualquer médico que esteja no exercício da profissão. O Homem, pela condição de sua natureza, é um ser essencialmente gregário. Isso leva a que todas as atividades que o tenham por objeto estejam relacionadas com seus aspectos sociais.
Resta óbvio que a Medicina é uma atividade exercida pelo Homem. Nas sociedades complexas, urbano-industrializadas, também chamadas modernas, esse exercício é delegado àqueles que se habilitam e se capacitam para exercer a profissão de médico. Nessas sociedades, essa profissão se caracteriza pelo fato de o médico constituir a base de seus conhecimentos por meio do processo científico, ao contrário do que ocorre em outras sociedades, onde esse setor está ligado a processos empíricos ou sobrenaturais. Além disso, a Medicina se caracteriza como a profissão especializada que requer, para o seu exercício, um aprendizado e um treinamento formal, ao lado de outros requisitos legais.
Para além disso, como ciência e profissão, a Medicina tem por objetivo manter a saúde do Homem, seja pela promoção, seja pela preservação, ou, ainda, pela recuperação. Assim, a Medicina tem por objeto o ser humano e por objetivo mantê-lo com saúde. Esta, de acordo com o proposto pela Organização Mundial de Saúde e universalmente aceito, é o “estado de perfeito bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de enfermidades”. Portanto, para manter o ser humano com saúde, é necessário cuidar do seu perfeito bem-estar físico, mental e social.
Ainda que não seja possível dividir saúde nos seus componentes, pois ela é um estado do ser humano único e integral, é cabível considerar que existam fatores intervenientes na saúde que possam estar relacionados com aspectos físicos, mentais e sociais. Os aspectos físicos foram os primeiros com que a Medicina se preocupou. A ideia de saúde como o equilíbrio biológico entre o Homem e o meio foi a primeira que surgiu, talvez mesmo antes do início do período científico desse campo do conhecimento humano. A ela se ligou posteriormente a ideia da saúde mental e, recentemente, envolveu a dimensão social que ganhou realce apenas depois da segunda metade do século XX.
A atenção com o bem-estar físico do Homem pertence precipuamente às disciplinas clínicas e cirúrgicas, englobando todas as duas especializações; o bem-estar mental, por outro lado, é a preocupação da Psiquiatria e de seus conhecimentos correlatos; finalmente, o bem-estar social, como integrante da saúde do ser humano, compõe o campo de ação da Medicina Social. Esta tem, portanto, por objeto material, o Homem e, como objeto formal, o Homem enquanto ser social em suas necessidades relativas à saúde consideradas como uma das mais básicas.
Para a compreensão desse campo de ação, assim estabelecido, é necessário ter conhecimentos acerca dos fenômenos sociais, das suas razões e consequências, assim como de suas leis gerais e características. Esses conhecimentos são encontrados nas ciências sociais, particularmente nas chamadas ciências da conduta. Assim, apesar de inteligível a posição de considerar toda a Medicina como ciência social, pois tem ela por objeto um ser social, há de se compreender que o seu objeto não é estudar o Homem como um ser social, mas sim como um ser de que se quer preservar, promover, ou recuperar a saúde. Por outro lado, não é possível afastar o componente social do ser humano, pois ele interfere fundamentalmente com a saúde. Essa interligação, que se faz importante, por meio do intercâmbio dos conhecimentos das ciências da saúde e das ciências sociais, constitui a Medicina Social, que armazena subsídios que podem atenuar, ou eliminar, problemas de saúde e/ou sociais.
Embora ainda não nos satisfaça completamente, algumas definições de Medicina Social trazem consigo uma interpretação próxima daquela que estamos desenvolvendo. Isso não significa que tenhamos uma posição realmente original e diversa da totalidade dos autores, mas que, por diferentes razões, não encontramos entre as definições mais difundidas uma que in totum pudesse traduzir nosso conceito. Assim sendo, em uma definição que traduz um conceito mais amplo, consideramos como Medicina Social o estudo e a aplicação dos conhecimentos das ciências da saúde para a atenuação e/ou erradicação dos problemas sociais, assim como o estudo e a aplicação das ciências sociais para atenuação e/ou erradicação dos problemas de saúde.
MEIRA, Affonso Renato; SEGRE, Marco. Medicina Social: definição e campo de ação e a integração com a Medicina do Trabalho e a Medicina Legal. Revista Brasileira de Educação e Medicina, no. 09 (02). Maio-ago., 1985. . Acesso em: 09/10/2023. (Adaptado).
No trecho “O entendimento das diferenças significantes dos fatos observados, em relação aos problemas de saúde dentro do contexto de vida social é que transforma essa posição filosófica em um real instrumento de trabalho profissional, útil e necessário a todo e qualquer médico que esteja no exercício da profissão.”, a expressão é que funciona como:
Questão 3 16103786
IDOMED Medicina 2024/1MEDICINA SOCIAL
O termo Medicina Social, como designativo de um ramo do saber e do fazer, vem sendo empregado de modo diverso por diferentes autores. A necessidade de uma definição de Medicina Social é tanto mais premente quanto há autores que lhe dão conteúdos inteiramente diversos, restringindo-os alguns à medicina do trabalho, enquanto outros lhe dão exagerada extensão e outros ainda definição não científica, como a que conceituou como “a ciência dos flagelos sociais”, realmente imprecisa e correndo o risco de abarcar fenômenos sociais a ela estranhos, como o crime, por exemplo.
Ainda que esse conceito seja amplo, mostrando que a Medicina Social não se restringe a alguma parte das atividades da ciência médica, ele não esclarece o valor dos conhecimentos médico-sociais, não só como enfoque filosófico, mas também como instrumento de trabalho profissional. O entendimento das diferenças significantes dos fatos observados, em relação aos problemas de saúde dentro do contexto de vida social, é que transforma essa posição filosófica em um real instrumento de trabalho profissional, útil e necessário a todo e qualquer médico que esteja no exercício da profissão. O Homem, pela condição de sua natureza, é um ser essencialmente gregário. Isso leva a que todas as atividades que o tenham por objeto estejam relacionadas com seus aspectos sociais.
Resta óbvio que a Medicina é uma atividade exercida pelo Homem. Nas sociedades complexas, urbano-industrializadas, também chamadas modernas, esse exercício é delegado àqueles que se habilitam e se capacitam para exercer a profissão de médico. Nessas sociedades, essa profissão se caracteriza pelo fato de o médico constituir a base de seus conhecimentos por meio do processo científico, ao contrário do que ocorre em outras sociedades, onde esse setor está ligado a processos empíricos ou sobrenaturais. Além disso, a Medicina se caracteriza como a profissão especializada que requer, para o seu exercício, um aprendizado e um treinamento formal, ao lado de outros requisitos legais.
Para além disso, como ciência e profissão, a Medicina tem por objetivo manter a saúde do Homem, seja pela promoção, seja pela preservação, ou, ainda, pela recuperação. Assim, a Medicina tem por objeto o ser humano e por objetivo mantê-lo com saúde. Esta, de acordo com o proposto pela Organização Mundial de Saúde e universalmente aceito, é o “estado de perfeito bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de enfermidades”. Portanto, para manter o ser humano com saúde, é necessário cuidar do seu perfeito bem-estar físico, mental e social.
Ainda que não seja possível dividir saúde nos seus componentes, pois ela é um estado do ser humano único e integral, é cabível considerar que existam fatores intervenientes na saúde que possam estar relacionados com aspectos físicos, mentais e sociais. Os aspectos físicos foram os primeiros com que a Medicina se preocupou. A ideia de saúde como o equilíbrio biológico entre o Homem e o meio foi a primeira que surgiu, talvez mesmo antes do início do período científico desse campo do conhecimento humano. A ela se ligou posteriormente a ideia da saúde mental e, recentemente, envolveu a dimensão social que ganhou realce apenas depois da segunda metade do século XX.
A atenção com o bem-estar físico do Homem pertence precipuamente às disciplinas clínicas e cirúrgicas, englobando todas as duas especializações; o bem-estar mental, por outro lado, é a preocupação da Psiquiatria e de seus conhecimentos correlatos; finalmente, o bem-estar social, como integrante da saúde do ser humano, compõe o campo de ação da Medicina Social. Esta tem, portanto, por objeto material, o Homem e, como objeto formal, o Homem enquanto ser social em suas necessidades relativas à saúde consideradas como uma das mais básicas.
Para a compreensão desse campo de ação, assim estabelecido, é necessário ter conhecimentos acerca dos fenômenos sociais, das suas razões e consequências, assim como de suas leis gerais e características. Esses conhecimentos são encontrados nas ciências sociais, particularmente nas chamadas ciências da conduta. Assim, apesar de inteligível a posição de considerar toda a Medicina como ciência social, pois tem ela por objeto um ser social, há de se compreender que o seu objeto não é estudar o Homem como um ser social, mas sim como um ser de que se quer preservar, promover, ou recuperar a saúde. Por outro lado, não é possível afastar o componente social do ser humano, pois ele interfere fundamentalmente com a saúde. Essa interligação, que se faz importante, por meio do intercâmbio dos conhecimentos das ciências da saúde e das ciências sociais, constitui a Medicina Social, que armazena subsídios que podem atenuar, ou eliminar, problemas de saúde e/ou sociais.
Embora ainda não nos satisfaça completamente, algumas definições de Medicina Social trazem consigo uma interpretação próxima daquela que estamos desenvolvendo. Isso não significa que tenhamos uma posição realmente original e diversa da totalidade dos autores, mas que, por diferentes razões, não encontramos entre as definições mais difundidas uma que in totum pudesse traduzir nosso conceito. Assim sendo, em uma definição que traduz um conceito mais amplo, consideramos como Medicina Social o estudo e a aplicação dos conhecimentos das ciências da saúde para a atenuação e/ou erradicação dos problemas sociais, assim como o estudo e a aplicação das ciências sociais para atenuação e/ou erradicação dos problemas de saúde.
MEIRA, Affonso Renato; SEGRE, Marco. Medicina Social: definição e campo de ação e a integração com a Medicina do Trabalho e a Medicina Legal. Revista Brasileira de Educação e Medicina, no. 09 (02). Maio-ago., 1985. . Acesso em: 09/10/2023. (Adaptado).
No trecho “(...) ele não esclarece o valor dos conhecimentos médico-sociais, não só como enfoque filosófico, mas também como instrumento de trabalho profissional.”, a expressão “não só... mas também” coloca os termos em destaque em uma relação argumentativa de:
Questão 1 16103738
IDOMED Medicina 2024/1MEDICINA SOCIAL
O termo Medicina Social, como designativo de um ramo do saber e do fazer, vem sendo empregado de modo diverso por diferentes autores. A necessidade de uma definição de Medicina Social é tanto mais premente quanto há autores que lhe dão conteúdos inteiramente diversos, restringindo-os alguns à medicina do trabalho, enquanto outros lhe dão exagerada extensão e outros ainda definição não científica, como a que conceituou como “a ciência dos flagelos sociais”, realmente imprecisa e correndo o risco de abarcar fenômenos sociais a ela estranhos, como o crime, por exemplo.
Ainda que esse conceito seja amplo, mostrando que a Medicina Social não se restringe a alguma parte das atividades da ciência médica, ele não esclarece o valor dos conhecimentos médico-sociais, não só como enfoque filosófico, mas também como instrumento de trabalho profissional. O entendimento das diferenças significantes dos fatos observados, em relação aos problemas de saúde dentro do contexto de vida social, é que transforma essa posição filosófica em um real instrumento de trabalho profissional, útil e necessário a todo e qualquer médico que esteja no exercício da profissão. O Homem, pela condição de sua natureza, é um ser essencialmente gregário. Isso leva a que todas as atividades que o tenham por objeto estejam relacionadas com seus aspectos sociais.
Resta óbvio que a Medicina é uma atividade exercida pelo Homem. Nas sociedades complexas, urbano-industrializadas, também chamadas modernas, esse exercício é delegado àqueles que se habilitam e se capacitam para exercer a profissão de médico. Nessas sociedades, essa profissão se caracteriza pelo fato de o médico constituir a base de seus conhecimentos por meio do processo científico, ao contrário do que ocorre em outras sociedades, onde esse setor está ligado a processos empíricos ou sobrenaturais. Além disso, a Medicina se caracteriza como a profissão especializada que requer, para o seu exercício, um aprendizado e um treinamento formal, ao lado de outros requisitos legais.
Para além disso, como ciência e profissão, a Medicina tem por objetivo manter a saúde do Homem, seja pela promoção, seja pela preservação, ou, ainda, pela recuperação. Assim, a Medicina tem por objeto o ser humano e por objetivo mantê-lo com saúde. Esta, de acordo com o proposto pela Organização Mundial de Saúde e universalmente aceito, é o “estado de perfeito bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de enfermidades”. Portanto, para manter o ser humano com saúde, é necessário cuidar do seu perfeito bem-estar físico, mental e social.
Ainda que não seja possível dividir saúde nos seus componentes, pois ela é um estado do ser humano único e integral, é cabível considerar que existam fatores intervenientes na saúde que possam estar relacionados com aspectos físicos, mentais e sociais. Os aspectos físicos foram os primeiros com que a Medicina se preocupou. A ideia de saúde como o equilíbrio biológico entre o Homem e o meio foi a primeira que surgiu, talvez mesmo antes do início do período científico desse campo do conhecimento humano. A ela se ligou posteriormente a ideia da saúde mental e, recentemente, envolveu a dimensão social que ganhou realce apenas depois da segunda metade do século XX.
A atenção com o bem-estar físico do Homem pertence precipuamente às disciplinas clínicas e cirúrgicas, englobando todas as duas especializações; o bem-estar mental, por outro lado, é a preocupação da Psiquiatria e de seus conhecimentos correlatos; finalmente, o bem-estar social, como integrante da saúde do ser humano, compõe o campo de ação da Medicina Social. Esta tem, portanto, por objeto material, o Homem e, como objeto formal, o Homem enquanto ser social em suas necessidades relativas à saúde consideradas como uma das mais básicas.
Para a compreensão desse campo de ação, assim estabelecido, é necessário ter conhecimentos acerca dos fenômenos sociais, das suas razões e consequências, assim como de suas leis gerais e características. Esses conhecimentos são encontrados nas ciências sociais, particularmente nas chamadas ciências da conduta. Assim, apesar de inteligível a posição de considerar toda a Medicina como ciência social, pois tem ela por objeto um ser social, há de se compreender que o seu objeto não é estudar o Homem como um ser social, mas sim como um ser de que se quer preservar, promover, ou recuperar a saúde. Por outro lado, não é possível afastar o componente social do ser humano, pois ele interfere fundamentalmente com a saúde. Essa interligação, que se faz importante, por meio do intercâmbio dos conhecimentos das ciências da saúde e das ciências sociais, constitui a Medicina Social, que armazena subsídios que podem atenuar, ou eliminar, problemas de saúde e/ou sociais.
Embora ainda não nos satisfaça completamente, algumas definições de Medicina Social trazem consigo uma interpretação próxima daquela que estamos desenvolvendo. Isso não significa que tenhamos uma posição realmente original e diversa da totalidade dos autores, mas que, por diferentes razões, não encontramos entre as definições mais difundidas uma que in totum pudesse traduzir nosso conceito. Assim sendo, em uma definição que traduz um conceito mais amplo, consideramos como Medicina Social o estudo e a aplicação dos conhecimentos das ciências da saúde para a atenuação e/ou erradicação dos problemas sociais, assim como o estudo e a aplicação das ciências sociais para atenuação e/ou erradicação dos problemas de saúde.
MEIRA, Affonso Renato; SEGRE, Marco. Medicina Social: definição e campo de ação e a integração com a Medicina do Trabalho e a Medicina Legal. Revista Brasileira de Educação e Medicina, no. 09 (02). Maio-ago., 1985. . Acesso em: 09/10/2023. (Adaptado).
No primeiro parágrafo, o enunciador propõe urgência na definição da Medicina Social, haja vista a:
Questão 41 15959557
SARESP Provão Paulista - 2 Ano | MT-CHSA 2024São Paulo Motoboy
Motoqueiro chegar
Antes da chuva cair
Motoqueiro entregar
E fugir no ar
Disparado, disparado
Avenida Marginal, motoboy na pista, jogando o destino
Calor assassino e veloz, em cada curva um amortecedor
A vida no retrovisor, não fica parado, formiga em ação
Minha moto é um avião
São Paulo afogado, tráfego danificado, fluxo quebrado
Minha moto é um avião
Asfalto molhado, duro, danificado
Bem olhar de lado, joelho moderado
Minha moto é um avião
Surfando o minhocão, quebra-molas e vai pra o céu
(Manu Chao. https://www.letras.mus.br/. Acesso em 16.09.2024. Adaptado)
No trecho da música de Manu Chao, identifica-se uma representação da vida dos motoboys na cidade de São Paulo.
A realidade vivida por esses trabalhadores pode ser associada ao conceito sociológico de
Questão 2 15649157
UFJF - PISM Módulo III dia 1 2024TEXTO
LEIA AUTORES NEGROS
Mesmo vencendo todos os obstáculos que acompanham a pele não branca e ingressando na pós-graduação, o estudante encontrará outro desafio: epistemicídio, isto é, o apagamento sistemático de produções e saberes produzidos por grupos oprimidos. [...]
Os sinais de apagamento da produção negra são evidentes. É raro que as bibliografias dos cursos indiquem mulheres ou pessoas negras; mais raro ainda é que indiquem a produção de mulheres negras, cuja presença no debate universitário e intelectual é extremamente apagada. Durante os quatro anos de minha graduação em filosofia, não me sugeriram a leitura de nenhuma autora branca, que dirá negra. A gravidade disso está exemplificada por Abdias do Nascimento em O genocídio do negro brasileiro, no qual afirma que o genocídio é toda forma de aniquilação de um povo, seja moral, cultural ou epistemológica. [...]
Um belo exemplo de feminista negra brasileira é Lélia Gonzalez, atuante nas décadas de 1970 e 1980 e professora do curso de sociologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, que encantou plateias com o poder transformador de suas palavras. As propostas de Lélia para pensar a “amefricanidade”, propondo um feminismo afro-latino-americano, se perpetuam até hoje ao se propor uma luta transnacional.
O apagamento da produção e dos saberes negros e anticoloniais contribui significativamente para a pobreza do debate público, seja na academia, na mídia ou em palanques políticos. Se somos a maioria da população, nossas elaborações devem ser lidas, debatidas e citadas.
A importância de estudar autores negros não se baseia numa visão essencialista, ou seja, na crença de que devem ser lidos apenas por serem negros. A questão é que é irrealista que numa sociedade como a nossa, de maioria negra, somente um grupo domine a formulação do saber. É possível acreditar que pessoas negras não elaborem o mundo? É sobre isso que a escritora Chimamanda Ngozi Adichie alerta ao falar do perigo da história única. O privilégio social resulta no privilégio epistêmico, que deve ser confrontado para que a história não seja contada apenas pelo ponto de vista do poder. É danoso que, numa sociedade, as pessoas não conheçam a história dos povos que a construíram.
[...]
As construções sobre raça se dão de forma singular e complexa nas diferentes regiões do país. Por isso, precisamos conhecer a produção de mulheres negras de fora das grandes metrópoles – como Nilma Bentes, Zélia Amador e Marcela Bonfim – e ampliar as nossas visões de mundo. Procure conhecer o trabalho realizado por núcleos de estudos afro-brasileiros em universidades, valorize editoras que publicam produções intelectuais negras e apoie iniciativas que têm como objetivo a visibilidade de pensamentos decoloniais. Precisamos ir além do que já conhecemos.
Fonte: RIBEIRO, Djamila. Pequeno Manual Antirracista. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 61-67.
Djamila Ribeiro empregou no texto “Leia autores negros”, texto, algumas estratégias argumentativas. Analisando-as, é possível afirmar que:
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