Questões de Sociologia
6.493 Questões
Questão 14 14794504
UFU 1 Fase 2025/2Marx e Engels, em A Ideologia Alemã, apresentam a relação entre os pensamentos e a posse dos meios de produção nos seguintes termos.
Os pensamentos da classe dominante são também, em todas as épocas, os pensamentos dominantes; em outras palavras, a classe que é o poder material dominante numa determinada sociedade é também o poder espiritual dominante. A classe que dispõe dos meios da produção material dispõe também dos meios da produção intelectual, de tal modo que o pensamento daqueles aos quais são negados os meios de produção intelectual está submetido também à classe dominante. Os pensamentos dominantes nada mais são do que a expressão ideal das relações materiais dominantes; eles são essas relações materiais dominantes consideradas sob forma de idéias, portanto a expressão das relações que fazem de uma classe a classe dominante; em outras palavras, são as idéias de sua dominação.
MARX, K.; ENGELS, F., A Ideologia Alemã. São Paulo: Martins Fontes, 2001. p.48.
Sobre a relação entre os pensamentos e a posse dos meios de produção, é INCORRETO afirmar que
Questão 36 14774446
UECE Específicas 2 Fase 2 Dia 2025/1Para Prandi (2004), o Candomblé, desde as últimas décadas do século XX, tem passado por um processo de transformação em religião universal, isto é, em uma religião que se oferece para todos. E tem sido reestruturado por um movimento de africanização, o que implica reformas de orientação fortemente intelectual como o reaprendizado das línguas africanas esquecidas, a recuperação da mitologia dos Orixás e a restauração de cerimoniais africanos. Outro elemento importante desse movimento de africanização do Candomblé é o processo de dessincretização, com o abandono de símbolos, práticas e crenças de origem católica. Há, assim, nos últimos tempos, uma “descatolização” do Candomblé, que se descentra do Catolicismo e se assume como religião autônoma.
PRANDI, Reginaldo. O Brasil com Axé: Candomblé e Umbanda no mercado religioso. Estudos Avançados, nº 18, 2004.
Partindo do exposto, assinale a afirmação verdadeira.
Questão 8 14614326
ACAFE Medicina - Inverno 2025/2Texto 1
Quase 11 milhões de brasileiros apostam de modo a pôr em risco a saúde e as finanças
Estimativa resulta de levantamento que entrevistou 4.860 pessoas com mais de 14 anos em 349 municípios
Por Mariana Ceci da Revista Pesquisa FAPESP
[1] Atualmente, 10,9 milhões de brasileiros com mais de 14 anos, o correspondente a 6,8% da população nessa faixa
etária, jogam de forma a criar para si próprios problemas emocionais, familiares, econômicos ou com o trabalho e são
classificados como jogadores de risco. O mais preocupante é que cerca de um em cada oito desses jogadores – o que
equivale a 1,4 milhão de pessoas ou 0,8% da população acima dos 14 anos – apresenta um padrão de apostas mais
[5] comprometedor, compatível com o diagnóstico do transtorno do jogo, uma enfermidade caracterizada pelo desejo
incontrolável de jogar mesmo diante de prejuízos.
Atualmente, a dependência do jogo é a terceira mais comum entre os brasileiros. Supera a da cocaína e do crack e
fica atrás apenas da do álcool e do tabaco. "Esse transtorno se manifesta quando a pessoa perde o controle sobre o hábito
de apostar, que passa a ocupar um papel central em sua vida e traz prejuízos significativos”, explica o psiquiatra Daniel
[10] Spritzer. “Isso inclui apostar mais do que se deveria ou poderia, perder dinheiro e voltar a apostar para tentar recuperá-lo
ou precisar aumentar cada vez mais os valores para sentir o mesmo prazer inicial”.
Há três grupos de apostadores que correm mais risco de desenvolver o transtorno do jogo: os adolescentes, as
pessoas de mais baixa renda e os adeptos das plataformas de apostas on-line. O jogo é proibido no Brasil para menores
de 18 anos. Mesmo assim, 4% dos apostadores identificados no estudo eram adolescentes. Embora seja um grupo
[15] pequeno, concentra uma das mais elevadas proporções de pessoas com risco de desenvolver transtorno do jogo: 55,4%.
“O cérebro dos adolescentes ainda está em desenvolvimento. Por isso, eles são mais influenciáveis pela publicidade, que
é ostensiva e voltada ao público jovem. A literatura médica indica que adolescentes correm um risco de 2 a 4 vezes maior
do que os adultos de desenvolver problemas com jogos de azar”, conta Spritzer.
Um dos fatores que tornam as plataformas digitais mais perigosas é a ilusão de controle que proporcionam aos
[20] apostadores. “No caso das bets, os jogadores acreditam que podem compreender e manipular os resultados de algo que,
na realidade, é aleatório”, explica a pesquisadora responsável pelo estudo Clarice Sandi Madruga. Essa racionalização,
segundo Madruga, assemelha-se à de usuários de drogas como cocaína e crack, que muitas vezes acreditam ter controle
sobre o próprio consumo e não se enxergam como parte do grupo de pessoas com problemas.
“O estudo deixa claro que o jogo é uma ferramenta poderosa para gerar transtornos, em uma proporção que já
[25] ultrapassou a de quase todas as drogas psicoativas. É fundamental implementar regulações mais rígidas para proteger os
mais vulneráveis”, enfatiza.
Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/quase-11-milhoes-de-brasileiros-apostam-de-modo-a-por-em-risco-a-saude-e-as-financas/.
Atualizado em 15 abr 2025. Acesso em: 5 de maio de 2025. Adaptado.
"O jogo é uma ferramenta poderosa para gerar transtornos, em uma proporção que já ultrapassou a de quase todas as drogas psicoativas" (linhas 24 a 25).
Considerando as demais informações apresentadas no texto e o parágrafo em que se encontra, assinale a alternativa CORRETA quanto à função central desta frase no Texto 1.
Questão 56 14505670
OAB 43° Exame de Ordem Unificado 2025João e Marina celebraram contrato de arrendamento com previsão de cláusula compromissória arbitral, na qual estipularam que qualquer disputa de natureza patrimonial decorrente do contrato seria submetida à arbitragem.
Após desentendimentos acerca do cumprimento de uma das obrigações previstas em contrato, Marina resolveu ajuizar ação judicial contra João, na qual busca indenização pelos prejuízos que alega ter sofrido. Uma vez citado, João não apresentou contestação.
Durante a fase instrutória, ao examinar o contrato celebrado entre as partes, o Magistrado do caso visualizou a existência de cláusula compromissória celebrada entre as partes.
Considerando o caso narrado, assinale a afirmativa correta.
Questão 48 14500784
OAB 43° Exame de Ordem Unificado 2025Lucélia, Marília e Natividade constituíram uma sociedade empresária sem levar o documento escrito de constituição a qualquer registro. Ficou estabelecido verbalmente entre as sócias que os atos sociais seriam praticados por Marília, no interesse comum.
Inadimplida uma obrigação social, o credor, ciente da existência da sociedade, demandou a sociedade e todas as sócias, responsabilizando-as solidariamente e sem benefício de ordem pela obrigação assumida por Marília.
Considerados tais fatos, assinale a afirmativa correta.
Questão 6 16110552
IDOMED UNIJIPA 2024/2Crítica Crônica de Uma Cidade Partida Documentário é brutal, real e necessário
O documentário Crônica de Uma Cidade Partida chegou aos cinemas no dia 11 de maio, trazendo um retrato brutal e necessário da criminalidade no Rio de Janeiro
(1.º§) Quem quer assistir a um documentário potente, bem realizado e extremamente necessário, já pode conferir nos cinemas Crônica de Uma Cidade Partida. Com cerca de uma hora e meia de duração, a produção aborda um dos maiores problemas sociais do Brasil: a escalada da violência nas grandes metrópoles, impulsionada pela falta de planejamento urbano. Mesclando imagens em preto e branco das principais favelas do Rio de Janeiro, com depoimentos de moradores, ex-traficantes e até políticos, a obra conta como a Cidade Maravilhosa se transformou em um espaço marcado pelas belezas naturais e também pela violência constante vinda da criminalidade.
(2.º§) Quem conta essa história são Jonathan e Dudu, dois ex-traficantes que, após (muitas) passagens pelas penitenciárias cariocas, decidem largar o mundo do crime e tentar novos caminhos. Além deles, completam a trama Paulo César Pereira, o presidente da associação de moradores da Cruzada; Rômulo, um policial de elite; duas ativistas comunitárias (Dona Vera e Valéria), o jornalista André Trigueiro; e Bruno, dono de uma barbearia local. Por meio deles, somos apresentados à realidade da maioria dos cariocas, especialmente daqueles que moram na tal Cruzada, um conjunto habitacional criado na década de 1950 pela Igreja Católica com objetivo de fornecer moradia para pessoas em situação de vulnerabilidade social.
(3.º§) Administrado com pulso firme pela Irmã Eni, o local foi, por muitos anos, um exemplo de moradia comunitária, mas após a sua morte passou a se deteriorar, se tornando um ponto de tráfico. O declínio começou 30 anos depois da sua construção, na década de 1980, quando os apartamentos foram transferidos para a propriedade dos moradores. A partir de então, o que era um local tranquilo se tornou um dos berços do crime, abrigando traficantes, assaltantes e assassinos e sendo ora comandado pelo ADA (Amigo dos Amigos), ora pelo CV (Comando Vermelho), duas das principais facções criminosas cariocas.
(4.º§) Um ponto interessante do diretor Ricardo Nauenberg é que ele não exime a população da responsabilidade pelo que acontece na cidade. Isso porque, além do tráfico iminente, os moradores da Cruzada também negligenciaram totalmente as oportunidades que tiveram, favorecendo com que a criminalidade se instaurasse no conjunto. Apontar para um único vilão é simplificar a história do Rio de Janeiro e reduzir os problemas a uma simples questão social quando na verdade é mais que isso.
(5.º§) Outro acerto de Crônica de Uma Cidade Partida foi não se acovardar e mostrar como a polícia (militar, civil e de choque) é corrupta e não apenas fecha os olhos para os crimes, como também os favorece, vendendo armas para os bandidos e permitindo que drogas cruzem as fronteiras. Jonathan conta que tal corrupção acontece até mesmo dentro do Exército, local no qual ele conseguia pegar armas para vender para os traficantes da sua região.
(6.º§) Se no Rio de Janeiro existem três principais poderes (o ADA, o CV e o Terceiro Comando), há ainda um que tem se tornado cada vez mais imponente: o miliciano. Caracterizado como um poder paralelo formado por civis armados e policiais (ou ex-policiais), a milícia usa da força e do medo para extorquir a população, geralmente em espaços nos quais a presença do Estado é inexistente. E é nítido que ela tem ganhado cada vez mais destaque tanto nos morros quanto nos asfaltos.
(7.º§) Outro acerto do documentário é mostrar de forma mais realista como a sociedade carioca — tanto os ricos quanto os pobres — vivem em meio a essa onda crescente (e antiga) de violência. Em um determinado momento, Jonathan conta que assim como a cidade foi mudando com o passar dos anos, a maneira como os criminosos lidam com os cidadãos também mudou. Ele revela que quando o crime chegou na Cruzada, o dono da boca não permitia que as crianças ficassem perto do tráfico e da violência, protegendo-as daquela realidade de certo modo. Hoje, por perceberem que as crianças são "mulas" fáceis de entrar na cadeia, acabam as usando como forma de levar algo para dentro do presídio. Isto mostra que o crime evoluiu para uma maior crueldade e desrespeito.
(8.º§) Não é incomum vermos documentários que, embora abordem temas importantes como este, acabam caindo em uma demagogia ou em uma dramatização exagerada do caso. Felizmente isso não acontece com Crônica de Uma Cidade Partida, que até oferece soluções possíveis no final, mas não busca ser o salvador da pátria ou tentar resolver todos os problemas do mundo. Desse modo, é simples concluir que o filme é coeso, bem escrito e ajuda a trazer à tona histórias importantes, não muito conhecidas, como a da própria Cruzada. Quem quiser dar uma chance a Crônica de Uma Cidade Partida, já pode assisti-lo nos cinemas.
Adaptado de https://www.terra.com.br/. Acesso em 24 de fev de 2024.
Administrado com pulso firme pela Irmã Eni, o local foi, por muitos anos, um exemplo de moradia comunitária, mas após a sua morte passou a se deteriorar, se tornando um ponto de tráfico. (3.º§)
O fragmento destacado na frase acima encontra-se entre vírgulas porque é:
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