Questões de EFAF Educação Física - Lazer e Sociedade
184 Questões
Questão 19 10143749
CMB 1º Ano - Língua Portuguesa 2013TEXTO
Ser velho na cidade feita para jovens
O Rio não se preparou para ter a maior taxa de idosos do país e centenas de pessoas procuram as poucas iniciativas do poder público na área de saúde e lazer para quem tem mais de 60 anos.
Se durante séculos a humanidade se ocupou em estender a vida, há décadas a preocupação passou a ser o que fazer com essa tal longevidade. Maria tempera a sua com esperança. Áurea a ofusca com o medo. André nem a nota enquanto espera o fim. Maria da Silva Lima, de 80 anos, moradora de um conjunto habitacional pobre em Vila Cosmos, descobriu nos programas de esportes e de convivência social uma alegria que não tinha nem quando era jovem; Áurea Santos, de 61 anos, residente em Copacabana, caminha todos os dias antes das 7h, embora tenha medo de sair de casa e expor sua fragilidade diante da violência dos pivetes; André Domingos da Silva, de 69 anos e há 17 interno do Abrigo Cristo Redentor, reclama do abandono dos parentes e admite que nada pode fazer para mudar sua vida. Eles formam três faces da faixa etária que mais cresce na população do Rio: 12 em cada cem cariocas tem mais de 60 anos, números que formam a maior taxa de idosos do país. Enquanto driblam os obstáculos nas ruas de uma cidade construída para jovens, os idosos cariocas começam, aos poucos, a ocupar algum espaço na estrutura do poder público. Os degraus dos ônibus continuam altos demais para as frágeis pernas, não há rampas nas calçadas para o acesso em cadeiras de rodas e o sofrimento nas filas de banco e na porta dos postos da Previdência Social ainda é rotina. Mas já há 50 núcleos de convivência com aulas de música, dança e artesanato instalados na cidade pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, além de dezenas de grupos de ginástica e ioga desenvolvidos pela Secretaria Municipal de Esportes e Lazer em todas as regiões. [...]
No Abrigo Cristo Redentor, instituição da prefeitura para abrigar idosos carentes e sem família, a face da terceira idade carioca é a mais dolorosa. São 446 internos que, embora disponham de acomodações razoáveis, cuidados médicos e odontológicos, exercícios físicos e seis refeições por dia, sofrem pelo abandono. A maioria vivia nas ruas. Há quem tenha sido deixado ali pelos parentes. E há também uma polonesa, ex- moradora de Ipanema, poliglota e com muitos carimbos europeus no passaporte, que parou no abrigo por não ter mais alguém no mundo.
— Não tenho nome, não sou ninguém. Me chame de Senhora X. Tudo que tenho e penso do mundo está no passado — diz.
Como ela, o cearense André resume amargamente suas perspectivas:
— Quando entrei aqui achei que ia sair. Agora sei que não tenho para onde ir e que jamais deixarei este lugar.
O GLOBO, Retratos do Rio, 31/3/2001, 3.
TEXTO I
Uma questão de honra
Todas as manhãs, os aposentados Quintério Luca e Esmerado Fabião jogavam
às damas no bar da vila. Ocupavam sempre a mesma mesa, junto à vitrina. As pessoas
passavam e, invariavelmente, encontravam os velhos debruçados sobre o tabuleiro.
Pareciam estátuas guardando o tempo.
[5] [...]
Hora de fechar, Fabião e Quintério se retiravam deitando uma derradeira olhada
sobre o tabuleiro. As peças ficavam em posição estudada e acertada. Dia seguinte,
regressavam e retomavam a partida. Conversavam mais que jogavam. Maldiziam o
mundo, esse mundo em que já nem a terra é natural. Apenas o bar sobrevivia à
[10] deterioração geral. O tempo é um fruto: na medida, amadurece; em demasia, apodrece.
À volta do tabuleiro os dois tinham construído uma ilha, um castelo sem areia
onde ainda valiam a palavra, a honra e a amizade. Eles os cavalheiros e, no tabuleiro, as
damas.
Quanto mais envelheciam, mais os jogos demoravam. O último decorria havia
[15] semanas. Enquanto um jogava, o outro passava pelo sono. O aconchego do pequeno
bar era o melhor lugar para dormirem. Para eles, o bar era o lar, já que ali estavam longe
da abandonada solidão de seus quartos. E cada um deles era, para o outro, a
humanidade inteira.
Até que, um dia, sucedeu o conflito. Nessa manhã, incidentou-se o seguinte: as
[20] peças haviam mudado de posição. As jogadas se desenhavam agora em desfavor de
Quintério Luca. O velho entesou a voz, em aplicação de zanga:
– Fabião, você veio aqui essa noite?
– Minha honra! - negou Esmerado Fabião.
– O jogo não estava assim, nem tão pouco.
[25] – Mas eu acabei de entrar agora. Entramos juntos, não entramos?
– Então, quem mexeu no tabuleiro? Já viu: o meu jogo encontra-se todo
comestível...
– Com isso eu que não tenho a ver, Quintério.
Mais grave não podia ser. Decidiram consultar o doutor juiz. Encontraram-no na
[30] barbearia do Covane. Altivo, preparado para o corte do cabelo. [...] Permaneceu imóvel e
distante enquanto escutou o relato dos reformados.
– Diga-nos, senhor doutor: pode um jogo mexer-se sozinho à noite?
– Depende - respondeu o juiz.
Passou a mão suada pelo couro descabeludo. E acrescentou, enquanto se
[35] olhava ao espelho:
– São fenômenos.
Os velhos, boquiabertos, sem expressão. Nunca haviam escutado palavra com
tais sílabas. Mas bastava que o juiz a pronunciasse para que ela fosse considerada
verdade.
[40] – É isso que se chamam fenômenos paranormais. Nunca ouviram falar?
– É que, faz anos, estamos aqui na vila, sem sair para nenhum lado.
– Psicocinese, tropismos sem casualidade determinada. Entendem?
Mentiram acenando com as cabeças. Fez-se pausa, espessou-se o silêncio. Os
velhos alinhados, mãos cruzadas em respeito ante a curva do ventre. Mas não havia
[45] mais a ser dito. O juiz, entre vênias e licenças, se retirou. Passando pelos mortais com
seu ar divino, o juiz se resumia numa palavra: fenomenal.
Retiraram-se também os velhos, ombros estreitos, passos miúdos. Na rua,
Esmerado Fabião sublinhou sua inocência:
– Eu não disse que não tinha mexido em nada?
[50] E separaram-se, cada um conforme sua solidão.
Quintério Luca deitou-se no seu quarto, calado, mal digerido. Para ele, aquilo
não tinha volta mesmo. Já não lhe apetecia voltar ao bar, não lhe apetecia viver. Em sua
consciência não havia reverso: confiança manchada, amizade desmanchada.
Noite alta, Quintério saiu de casa, cruzando a vila como a coruja furtiva. Bateu
[55] na porta da residência do juiz. O magistrado, estremunhado, de roupão, entreabriu-lhe
os olhos inquisitivos.
– Desculpe, excelência, mas é que uma pergunta ficou-me encravada e quase
nem consigo respirar.
– Fale, homem.
[60] – É que não entendi bem. Afinal, o compadre Quintério aldrabou ou não?
– A ética, meu caro Quintério Luca, a ética é profundamente irrelevante, num
caso destes. E agora, vá com Deus. Deixe dormir os homens de bem.
Quintério Luca, voz educada, voltou a insistir. O doutor lhe perdoasse, mas não
o mandasse embora assim, na ética de Deus. Era pobre, não tinha palavra dispendiosa.
[65] Mas ele não podia ficar torturado por aquela dúvida. Que aquilo não era um
simples caso de batota ao jogo. Fabião estava a embatotar a vida. Porque, afinal, nunca
tinha sido às damas que eles jogavam. O que faziam, repartidamente, era distraírem a
espera do fim. E o compadre Fabião era a quem confiava sua única e última riqueza:
gordas lembranças, magras confidências.
[70] Foi então que o juiz se alertou, num arrepio. Não foi mais que um simples
rebrilho no escuro: o que Luca trazia por baixo do braço era uma antiga, mas autêntica
espingarda. O juiz aconchegou o roupão como se invadido pelo repentino de um frio.
O velho ainda demorou a perguntar:
– Se eu matar Esmerado Fabião, terei desculpa de sua excelência?
[75] – Não. Terei que o culpar.
– Então, com a devida desculpa, acho que tenho que matar primeiro o senhor
doutor juiz.
E disparou sobre o aterrorizado magistrado. Mas sem ponto na mira. A bala
sulcou os céus, sem rumo. O guarda-costas do juiz, aparecido das traseiras da casa,
[80] devolveu disparo. O velho Quintério Luca tombou vegetalmente, já sem suspiro.
Desde então, quem passa no bar da vila pode ver Esmerado Fabião sentado na
mesma mesa, contemplando a cadeira vaga na sua frente. No intervalo dos cabeceios,
ele vai repetindo meio desvairado:
– É a sua vez, compadre! É a sua vez de pedir.
COUTO, Mia. O fio das missangas: contos. São Paulo: Ed. Companhia das Letras, 2009. (com adaptações)
VOCABULÁRIO
BATOTA: fraude em jogo, trapaça, falcatrua, mentira, roubo.
ALDRABOU: enganou, mentiu em excesso.
CABECEIOS: cochilos.
MISSANGAS: variação etimológica do vocábulo miçanga (coisa de pouco ou nenhum valor, bugiganga).
TEXTO II
O Velho do Espelho
Por acaso, surpreendo-me no espelho: quem é esse
Que me olha e é tão mais velho do que eu?
Porém, seu rosto... é cada vez menos estranho...
Meu Deus, Meu Deus... Parece
Meu velho pai — que já morreu!
Como pude ficarmos assim?
Nosso olhar — duro — interroga:
"O que fizeste de mim?!"
Eu, Pai?! Tu é que me invadiste,
Lentamente, ruga a ruga... Que importa? Eu sou, ainda,
Aquele mesmo menino teimoso de sempre
E os teus planos enfim lá se foram por terra.
Mas sei que vi, um dia — a longa, a inútil guerra! —
Vi sorrir, nesses cansados olhos, um orgulho triste...
QUINTANA, Mário. www.velhosamigos.com.br. Acesso em: 30 set. 2013.
TEXTO III
ODE (OU ELEGIA?) A UM QUASE CALVO
Ontem hoje
E amanhã
O homem o cabelo parte
Parte o cabelo com arte
Até que o cabelo parte

Millôr Fernandes. Ode (ou elegia?) a um quase calvo. Papáverum Millôr. Rio de Janeiro: Nórdica, 1974. P.20.
VOCABULÁRIO
ODE: poema de tom alegre e entusiástico.
ELEGIA: poema de tom terno e triste.
TEXTO IV

(barbosa,gilmar. Cartuns & Humor - Ossos do oficio. São paulo: Escala, 2002.P. 66 [leiaute adaptado].
TEXTO V
Ser velho na cidade feita para jovens
O Rio não se preparou para ter a maior taxa de idosos do país e centenas de pessoas procuram as poucas iniciativas do poder público na área de saúde e lazer para quem tem mais de 60 anos.
Se durante séculos a humanidade se ocupou em estender a vida, há décadas a preocupação passou a ser o que fazer com essa tal longevidade. Maria tempera a sua com esperança. Áurea a ofusca com o medo. André nem a nota enquanto espera o fim. Maria da Silva Lima, de 80 anos, moradora de um conjunto habitacional pobre em Vila Cosmos, descobriu nos programas de esportes e de convivência social uma alegria que não tinha nem quando era jovem; Áurea Santos, de 61 anos, residente em Copacabana, caminha todos os dias antes das 7h, embora tenha medo de sair de casa e expor sua fragilidade diante da violência dos pivetes; André Domingos da Silva, de 69 anos e há 17 interno do Abrigo Cristo Redentor, reclama do abandono dos parentes e admite que nada pode fazer para mudar sua vida. Eles formam três faces da faixa etária que mais cresce na população do Rio: 12 em cada cem cariocas tem mais de 60 anos, números que formam a maior taxa de idosos do país. Enquanto driblam os obstáculos nas ruas de uma cidade construída para jovens, os idosos cariocas começam, aos poucos, a ocupar algum espaço na estrutura do poder público. Os degraus dos ônibus continuam altos demais para as frágeis pernas, não há rampas nas calçadas para o acesso em cadeiras de rodas e o sofrimento nas filas de banco e na porta dos postos da Previdência Social ainda é rotina. Mas já há 50 núcleos de convivência com aulas de música, dança e artesanato instalados na cidade pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, além de dezenas de grupos de ginástica e ioga desenvolvidos pela Secretaria Municipal de Esportes e Lazer em todas as regiões. [...]
No Abrigo Cristo Redentor, instituição da prefeitura para abrigar idosos carentes e sem família, a face da terceira idade carioca é a mais dolorosa. São 446 internos que, embora disponham de acomodações razoáveis, cuidados médicos e odontológicos, exercícios físicos e seis refeições por dia, sofrem pelo abandono. A maioria vivia nas ruas. Há quem tenha sido deixado ali pelos parentes. E há também uma polonesa, ex- moradora de Ipanema, poliglota e com muitos carimbos europeus no passaporte, que parou no abrigo por não ter mais alguém no mundo.
— Não tenho nome, não sou ninguém. Me chame de Senhora X. Tudo que tenho e penso do mundo está no passado — diz.
Como ela, o cearense André resume amargamente suas perspectivas:
— Quando entrei aqui achei que ia sair. Agora sei que não tenho para onde ir e que jamais deixarei este lugar.
O GLOBO, Retratos do Rio, 31/3/2001, 3.
É correto afirmar em relação à finalidade dos cinco textos desta avaliação, que
Questão 18 10143741
CMB 1º Ano - Língua Portuguesa 2013TEXTO
Ser velho na cidade feita para jovens
O Rio não se preparou para ter a maior taxa de idosos do país e centenas de pessoas procuram as poucas iniciativas do poder público na área de saúde e lazer para quem tem mais de 60 anos.
Se durante séculos a humanidade se ocupou em estender a vida, há décadas a preocupação passou a ser o que fazer com essa tal longevidade. Maria tempera a sua com esperança. Áurea a ofusca com o medo. André nem a nota enquanto espera o fim. Maria da Silva Lima, de 80 anos, moradora de um conjunto habitacional pobre em Vila Cosmos, descobriu nos programas de esportes e de convivência social uma alegria que não tinha nem quando era jovem; Áurea Santos, de 61 anos, residente em Copacabana, caminha todos os dias antes das 7h, embora tenha medo de sair de casa e expor sua fragilidade diante da violência dos pivetes; André Domingos da Silva, de 69 anos e há 17 interno do Abrigo Cristo Redentor, reclama do abandono dos parentes e admite que nada pode fazer para mudar sua vida. Eles formam três faces da faixa etária que mais cresce na população do Rio: 12 em cada cem cariocas tem mais de 60 anos, números que formam a maior taxa de idosos do país. Enquanto driblam os obstáculos nas ruas de uma cidade construída para jovens, os idosos cariocas começam, aos poucos, a ocupar algum espaço na estrutura do poder público. Os degraus dos ônibus continuam altos demais para as frágeis pernas, não há rampas nas calçadas para o acesso em cadeiras de rodas e o sofrimento nas filas de banco e na porta dos postos da Previdência Social ainda é rotina. Mas já há 50 núcleos de convivência com aulas de música, dança e artesanato instalados na cidade pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, além de dezenas de grupos de ginástica e ioga desenvolvidos pela Secretaria Municipal de Esportes e Lazer em todas as regiões. [...]
No Abrigo Cristo Redentor, instituição da prefeitura para abrigar idosos carentes e sem família, a face da terceira idade carioca é a mais dolorosa. São 446 internos que, embora disponham de acomodações razoáveis, cuidados médicos e odontológicos, exercícios físicos e seis refeições por dia, sofrem pelo abandono. A maioria vivia nas ruas. Há quem tenha sido deixado ali pelos parentes. E há também uma polonesa, ex- moradora de Ipanema, poliglota e com muitos carimbos europeus no passaporte, que parou no abrigo por não ter mais alguém no mundo.
— Não tenho nome, não sou ninguém. Me chame de Senhora X. Tudo que tenho e penso do mundo está no passado — diz.
Como ela, o cearense André resume amargamente suas perspectivas:
— Quando entrei aqui achei que ia sair. Agora sei que não tenho para onde ir e que jamais deixarei este lugar.
O GLOBO, Retratos do Rio, 31/3/2001, 3.
A leitura do texto permite afirmar que
Questão 17 10143710
CMB 1º Ano - Língua Portuguesa 2013TEXTO
Ser velho na cidade feita para jovens
O Rio não se preparou para ter a maior taxa de idosos do país e centenas de pessoas procuram as poucas iniciativas do poder público na área de saúde e lazer para quem tem mais de 60 anos.
Se durante séculos a humanidade se ocupou em estender a vida, há décadas a preocupação passou a ser o que fazer com essa tal longevidade. Maria tempera a sua com esperança. Áurea a ofusca com o medo. André nem a nota enquanto espera o fim. Maria da Silva Lima, de 80 anos, moradora de um conjunto habitacional pobre em Vila Cosmos, descobriu nos programas de esportes e de convivência social uma alegria que não tinha nem quando era jovem; Áurea Santos, de 61 anos, residente em Copacabana, caminha todos os dias antes das 7h, embora tenha medo de sair de casa e expor sua fragilidade diante da violência dos pivetes; André Domingos da Silva, de 69 anos e há 17 interno do Abrigo Cristo Redentor, reclama do abandono dos parentes e admite que nada pode fazer para mudar sua vida. Eles formam três faces da faixa etária que mais cresce na população do Rio: 12 em cada cem cariocas tem mais de 60 anos, números que formam a maior taxa de idosos do país. Enquanto driblam os obstáculos nas ruas de uma cidade construída para jovens, os idosos cariocas começam, aos poucos, a ocupar algum espaço na estrutura do poder público. Os degraus dos ônibus continuam altos demais para as frágeis pernas, não há rampas nas calçadas para o acesso em cadeiras de rodas e o sofrimento nas filas de banco e na porta dos postos da Previdência Social ainda é rotina. Mas já há 50 núcleos de convivência com aulas de música, dança e artesanato instalados na cidade pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, além de dezenas de grupos de ginástica e ioga desenvolvidos pela Secretaria Municipal de Esportes e Lazer em todas as regiões. [...]
No Abrigo Cristo Redentor, instituição da prefeitura para abrigar idosos carentes e sem família, a face da terceira idade carioca é a mais dolorosa. São 446 internos que, embora disponham de acomodações razoáveis, cuidados médicos e odontológicos, exercícios físicos e seis refeições por dia, sofrem pelo abandono. A maioria vivia nas ruas. Há quem tenha sido deixado ali pelos parentes. E há também uma polonesa, ex- moradora de Ipanema, poliglota e com muitos carimbos europeus no passaporte, que parou no abrigo por não ter mais alguém no mundo.
— Não tenho nome, não sou ninguém. Me chame de Senhora X. Tudo que tenho e penso do mundo está no passado — diz.
Como ela, o cearense André resume amargamente suas perspectivas:
— Quando entrei aqui achei que ia sair. Agora sei que não tenho para onde ir e que jamais deixarei este lugar.
O GLOBO, Retratos do Rio, 31/3/2001, 3.
O tema central abordado no texto é
Questão 16 10804620
Concursos CÂMARA MUNICIPAL DE BOCAIÚVA DO SUL 2012Guilhermina costuma caminhar todos os dias em sua esteira. Normalmente, ela faz 1 quilômetro em 20 minutos.
Dessa forma, mantendo o mesmo padrão de velocidade, quantos metros ela percorre em uma hora?
Questão 2 10794886
Concursos Pref de Blumenau 2012Na modernidade, o corpo foi descoberto, despido e modelado pelos exercícios físicos da moda. Novos espaços e práticas esportivas e de ginástica passaram a convocar as pessoas a modelarem seus corpos. Multiplicaram-se as academias de ginástica, as alas de musculação e o número de pessoas correndo pelas ruas.
“ SECRETARIA DA EDUCAÇÃO. Caderno do Professor educação física. São Paulo, 2008.”
No texto acima: A palavra “despido” significa:
Questão 20 10735862
CMRJ 6º Ano - Português 2012TEXTO
Personalidades brasileiras de sucesso revelam as ideias que nortearam sua vida
Eike Batista,
52 anos, carioca, empresário

Cumpra metas traçadas com disciplina e constância
Minha mãe, Jutta Batista, me fez entender que ter
disciplina faz uma enorme diferença na vida. Eu tinha
por volta de 13 anos quando ela conversou comigo sobre
o assunto. Acordar cedo, cumprir as tarefas, os
[5] horários, ser sempre pontual nos compromissos. No
fundo, tudo é disciplina, e ela me ajudou em todos os aspectos. Eu sofria de asma
quando criança. Minha mãe sabia que uma das maneiras de me curar era nadando.
Então, ela me incentivou na natação, me fez ter disciplina e dedicação. Segui o
conselho e me curei da asma. O que ela me ensinou também foi absolutamente vital
[10] para meu trabalho, como empreendedor e criador de novos negócios. Cumprir as
metas traçadas, com disciplina e constância, e executar os projetos até o fim.
Cumprir todas as regras, sem pular etapas. Graças a esse conselho, também continuo
a fazer exercício pelo menos duas vezes por semana. Tenho 52 anos e uma saúde de
ferro.
Sucesso ou fracasso não são para sempre
Lázaro Ramos, 30 anos, baiano, ator

[15] Em 1998, eu fazia um espetáculo chamado Um tal de Dom
Quixote, com a Companhia Bando de Teatro Olodum. Meu
papel era o de Sancho Pança. Quando a crítica do
espetáculo saiu na imprensa, me fazia enormes elogios.
Disse que eu havia roubado a cena. O título era: ‘Um tal de
[20] Sancho Pança’. Fiquei exultante e fui mostrar a crítica à minha diretora, Cica Carelli.
Ela me disse: ‘Mas por que você está comemorando tanto? Saiba que não existem
nem sucesso nem fracasso permanentes’. Na hora, fiquei chateado por ela ter
cortado a minha onda. De lá para cá, vi que é exatamente assim. Devemos ser
comedidos nas alegrias e nas tristezas da profissão. O conselho que ela me deu, na
[25] verdade, formou parte de minha personalidade, pauta quem sou hoje. Depois de
fazer televisão e de ficar mais popular, com novelas de grande sucesso, sempre
penso nisso e comento sobre o que faço com o máximo de normalidade. Eu me tornei
realmente consciente da possibilidade desses altos e baixos. Isso me ajuda muito a
ter equilíbrio no trabalho e na vida.
Somos todos seres iguais
Juliana Paes, 30 anos, fluminense, atriz

[30] Certa vez, eu estava melindrada por ter de conversar
com o reitor da universidade onde estudava. Eu tinha 19
anos, e meu pai me disse: ‘Nunca tenha medo ou timidez
ao falar com quem quer que seja. Lembre-se sempre de
que somos todos homens mortais, iguais, acima de qualquer cargo, profissão e status.
[35] Mesmo se estiver diante da maior autoridade que você reconheça, encare-a de igual
para igual. Nem de cabeça baixa, pois não deve ter vergonha, nem de nariz em pé,
pois tem de manter a humildade. Encare-a de frente, como iguais que são’. Essas
palavras me acompanham sempre, são como um eco do meu pai em mim. Sempre fui
muito respeitosa, quase tímida quando mais menina, e sempre tive medo de dizer não,
[40] de desagradar. Uma terapeuta me disse uma vez que eu sou uma pessoa que gosta de
agradar. É verdade. Mas o conselho do meu pai me ajuda até hoje a não ter medo de
me colocar, de questionar. Ele me fez ser mais forte e confiante.
(Revista Época, edição no. 596, de 17 de outubro de 2009. Último acesso em 29/09/2012: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EIT631-16091,00.html)
Vocabulário:
1. Pauta (l. 25) – define.
Além da nacionalidade, as personalidades do conjunto dos textos finais têm em comum o
seguinte:
06
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