Questão 3 - INSPER Processo Seletivo 2026/2
A minha geografia infantil não teria chegado a ser uma geografia sequer — se não fossem as viagens para fora do Porto. Na cidade, não havia nada disso, nada de montes e vales, quase nada de rios, nenhuma planície. O Porto que eu então conhecia, aquele em que me movia à vontade, era casas e ruas. As ruas no meio e as casas à volta. Não era, portanto, uma geografia. Era um pequeno mapa, mais pequeno que o mapa da minha cidade, que nem é grande. Nas viagens, porém, o mundo ganhava enfim os seus espaços. O comboio¹ e o automóvel seguiam entre montes, acompanhavam os contornos do mundo, avançavam pelas margens de rios, atravessavam pontes. Eram ainda ruas e estradas, mas o horizonte mudava constantemente. Depois, quando comecei a viajar até mais longe, o mundo voltou a perder a sua geografia, voltou a ser um mapa. Um mapa quase do tamanho do mundo. Que nem é uma coisa grande.
(Ana Paula Tavares et al. Verbetes para um dicionário afetivo, 2021. Adaptado.)
1comboio: trem.
“O comboio e o automóvel [...] acompanhavam os contornos do mundo”
Ao se transpor a oração para a voz passiva, preservando o sentido do texto, o verbo sublinhado assume a seguinte forma:
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