Questão 2 - USP FUVEST - Simulado Oficial - 1ª Fase (2ª edição) 2027
“A percepção é então um paradoxo, e a própria coisa percebida é paradoxal. Ela não existe senão enquanto alguém pode notá-la. Eu não posso mesmo por um instante imaginar um objeto em si. Como dizia Berkeley, se eu tento imaginar um lugar do mundo que jamais tenha sido visitado, o fato mesmo que eu o imagino me torna presente neste lugar; eu não posso, portanto, conceber lugar perceptível em que eu próprio não esteja presente. Mas os próprios lugares em que eu me encontro não me são jamais completamente dados, as coisas que eu vejo não são coisas para mim senão sob a condição de se retirar sempre além de seus aspectos apreensíveis. Há, então, na percepção, um paradoxo da imanência e da transcendência. Imanência, porque o percebido não poderia ser estrangeiro àquele que percebe; transcendência, porque ele comporta sempre um além disso que é atualmente dado.”
Merleau-Ponty, M. O primado da percepção e suas consequências filosóficas.
De acordo com o texto, a natureza paradoxal da percepção reside no fato de que
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