Questão 2 - UERJ 1 Exame 2026
O mestre-sala dos mares (1974)
Há muito tempo nas águas da Guanabara,
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo feiticeiro
A quem a história não esqueceu.
[5] Conhecido como navegante negro,
Tinha a dignidade de um mestre-sala.
E ao acenar pelo mar, na alegria das regatas,
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas,
Jovens polacas e por batalhões de mulatas.
[10] Rubras cascatas jorravam das costas dos santos entre cantos e chibatas,
Inundando o coração do pessoal do porão
Que a exemplo do feiticeiro gritava então:
Glória aos piratas, às mulatas, às sereias!
Glória à farofa, à cachaça, às baleias!
[15] Glória a todas as lutas inglórias,
Que através da nossa história não esquecemos jamais.
Salve o navegante negro,
Que tem por monumento as pedras pisadas do cais.
Mas salve
[20] Salve o navegante negro,
Que tem por monumento as pedras pisadas do cais.
Mas faz muito tempo...
Inundando o coração do pessoal do porão (l. 11)
A partir do verso acima, é possível reconhecer uma referência tanto aos porões dos navios negreiros quanto aos porões em que os presos políticos, à época do lançamento da canção, em 1974, eram torturados.
Esse processo de significação recebe o nome de:
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