Questão 22 - Unioeste 2° Etapa Tarde 2025
Pode vir o dia em que o resto da criação animal adquira aqueles direitos que nunca lhes deveriam ter sido tirados, se não fosse por tirania. […] Pode chegar o dia em que se reconhecerá que o número de pernas, a pele peluda, ou a extremidade do os sacrum [estrutura óssea] constituem razões igualmente insuficientes para abandonar um ser sensível à mesma sorte. Que outro fator poderia demarcar a linha divisória que distingue os homens dos outros animais? Seria a faculdade de raciocinar, ou talvez a de falar? Todavia, um cavalo ou um cão adulto é incomparavelmente mais racional e mais social e educado que um bebê de um dia, ou de uma semana, ou mesmo de um mês. Entretanto, suponhamos que o caso fosse outro: mesmo nesta hipótese, que se demonstraria com isso? O problema não consiste em saber se os animais podem raciocinar; tampouco interessa se falam ou não; o verdadeiro problema é este: podem eles sofrer?
BENTHAM, Jeremy, Princípios da moral e da legislação, trad. Luiz João Baraúna. São Paulo: Abril Cultural, Os Pen sadores, 1974, p. 69.
No trecho citado, temos o exemplo da crítica que um precursor do utilitarismo clássico, como Jeremy Bentham, faz ao modo como os seres humanos tratam os interesses dos animais não-humanos. Para essa ver tente do pensamento ético, que ganhará notoriedade na contemporaneidade com Peter Singer, a senciência (capacidade de sentir prazer ou dor) assegura que um ser possui interesses e, portanto, tem direito à vida.
Sobre essa preocupação ética com os direitos dos animais sencientes, assinale a alternativa CORRETA.
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