Questões de Sociologia - Temática - Outras Ciências Sociais - Temas de Ciência Política
16 Questões
Questão 4 16197376
USP FUVEST - Simulado Oficial - 1ª Fase (1ª edição) 2026Creio que a melhor maneira de deduzir as ideias subjacentes às ações fascistas é a partir dessas próprias ações, uma vez que algumas delas permanecem imanifestas e implícitas na linguagem pública deles (dos fascistas). Muitas delas permanecem mais no domínio dos sentimentos viscerais que ao das proposições racionais. Chamei-as de “paixões mobilizadoras”: 1) um senso de crise catastrófica, além do alcance das soluções tradicionais; 2) a primazia do grupo, perante o qual todos têm deveres superiores a qualquer direito, sejam eles individuais ou universais, e a subordinação do indivíduo a esses deveres; 3) a crença de que o próprio grupo é vítima, sentimento esse que justifica qualquer ação, sem limites jurídicos ou morais, contra seus inimigos, tanto internos quanto externos; 4) o pavor à decadência do grupo sob a influência corrosiva do liberalismo individualista, dos conflitos de classe e das influências estrangeiras; 5) a necessidade de uma integração mais estreita no interior de uma comunidade mais pura, por consentimento, se possível, pela violência excludente, se necessário; 6) a necessidade da autoridade de chefes naturais (sempre do sexo masculino), culminando num comandante nacional, o único capaz de encarnar o destino histórico do grupo; 7) a superioridade dos instintos do líder sobre a razão abstrata e universal; 8) a beleza da violência e a eficácia da vontade, sempre que voltadas para o êxito do grupo; 9) o direito do povo eleito de dominar os demais, sem restrições provenientes de qualquer tipo de lei humana ou divina, o direito sendo decidido por meio do critério único das proezas do grupo no interior de uma luta darwiniana. O fascismo, segundo essa definição, ainda é visível nos dias de hoje, como também o são os comportamentos coerentes com esses sentimentos.
Robert Paxton. A anatomia do fascismo. São Paulo: Paz e Terra, 2007.
O cientista político e historiador estadunidense Robert Paxton lista nove características do pensamento fascista, denominadas por ele de “paixões mobilizadoras”.
Considerando tais características, é correto afirmar:
Questão 40 15934354
SARESP Provão Paulista - 2 Ano | MT-CHSA 2025A literatura sobre partidos não é muito extensa, afinal os partidos políticos são um fenômeno não muito antigo. Um dos primeiros teóricos que sistematizou e classificou os partidos políticos foi Maurice Duverger (1970), que os estudou na Europa e criou categorias para explicá-los. Até hoje a teoria de Duverger é utilizada e debatida, podendo ser considerada um clássico. Até 1850 apenas os Estados Unidos tinham partidos políticos no sentido moderno do termo. Já em 1950, era possível encontrá-los em quase todos os países, com sistemas políticos estabelecidos. Como se deu essa passagem? Duverger explica que cada país passou por uma história diferente, e estas devem ser analisadas separadamente, mas ele oferece ferramentas para entendermos este surgimento. No geral, parece estar vinculado à democracia e à expansão do sufrágio. Em alguns países, o surgimento de diversos partidos coincidiu com a adição do sistema proporcional, o que caracteriza a Lei de Duverger, que diz que o sistema proporcional leva ao multipartidarismo (e não o contrário).
(Daniela Costanzo de Assis Pereira. Revisão da literatura sobre partidos políticos. USP ensina Sociologia, Universidade de São Paulo, 2012. Adaptado)
A Lei de Duverger estabelece uma forte correlação entre o sistema eleitoral de um país e
Questão 12 14290166
FUVEST (USP) Conhecimento Gerais 2025/1Texto 1
“Em Big Tech: a ascensão dos dados e a morte da política, Morozov estabelece ‘um paralelo com os setores extrativistas de recursos naturais, como o petróleo’, colocando ‘no centro da discussão o modo de produção dessa economia, que ele chama de ‘extrativismo de dados’. Apesar de a frase ‘os dados são o novo petróleo’ ser um chavão fraco em termos conceituais, Morozov acha o modismo útil para debatermos a matriz extrativista desse modo de produção, em especial a forma como as grandes empresas de tecnologia ‘continuam escavando a nossa psique tal como as empresas de petróleo escavam o solo’.”
ZANATTA, Rafael. “Extrativismo Digital”. Quatro Cinco Um, 01/04/2019. Disponível em: https://quatrocincoum.com.br/resenhas/ (Adaptado).
Texto 2
“Colonialismo de dados é um modo de configurar o mundo inteiro, de tal forma que um recurso novo possa ser extraído – e esse recurso é a vida humana a partir da qual se pode extrair um valor econômico. Sustentamos que os modos nos quais este novo colonialismo opera, as escalas nas quais opera diferem do colonialismo histórico que tão bem entendemos. Mas a função, a finalidade subjacente, o núcleo deste novo colonialismo é exatamente o mesmo do colonialismo histórico. É o de despossuir, apropriar-se dos recursos do mundo para o bem de uns poucos, de uma parte do mundo.”
COULDRY, Nick. Colonialismo de Dados e Esvaziamento da Vida Social Antes e Pós Pandemia de Covid-19. In: Homo Digitalis. A Escalada da Algoritmização da Vida em Tempos de Pandemia. Anais do XIX Simpósio Internacional Instituto Humanitas Unisinos (Adaptado).
Considerando os excertos apresentados, é correto afirmar que extrativismo de dados e colonialismo de dados são conceitos desenvolvidos por Morozov e Couldry para nomear e descrever fenômenos
Questão 33 16030178
SARESP Provão Paulista - 2 Aplicação - 2 Ano | MT-CHSA 2023O populismo deve ser entendido como uma “síndrome”, e não como uma doutrina baseando-se na seguinte premissa: a virtude reside no povo simples, que compõe a maioria esmagadora, e em suas tradições coletivas. O populismo enfatiza uma perspectiva moral, e não um programa definido; eles precisam de líderes em contato místico com o povo. O populismo é um movimento e não um partido, é anti-intelectual e com uma ideologia imprecisa.
(Margaret Canovan e Peter Wiles. In: Paulo Henrique Paschoeto Cassimiro. Os usos do conceito de populismo no debate contemporâneo e suas implicações sobre a interpretação da democracia. Revista Brasileira de Ciência Política, 2021. Adaptado.)
Com base no excerto, é correto afirmar que o populismo
Questão 1 16073855
IDOMED Medicina 2021/1Brincando com fogo
(1º§) No dia 18 de fevereiro, a Itália tinha três casos de coronavírus e nenhuma morte. Vida normal. Três semanas depois, a Itália tem mais de 10 mil casos com 631 mortes. O sistema de saúde das áreas mais afetadas está em colapso: pacientes são atendidos nos corredores de hospitais, praticamente não há mais leitos de UTI para internar pacientes mais graves e muitos deles, entubados, são tratados em salas de operação convertidas em UTIs. Para tentar retardar o alastramento da doença, a Itália colocou 60 milhões em isolamento e o país vive situação de caos. Da normalidade ao caos em 21 dias.
(2º§) Também é fato que o Estado de São Paulo, com 44 milhões de habitantes, tinha, em 09 de março, 19 casos de coronavírus e 302 suspeitas. Isso demonstra que São Paulo ou outra cidade brasileira podem se encontrar em situação semelhante em três semanas. Veja bem: isso não quer dizer que teremos uma epidemia em três semanas, mas demonstra, sem sombra de dúvida, que essa é uma possibilidade real. Difícil de aceitar, mas absolutamente real.
(3º§) Diante dessa possibilidade, há duas posturas possíveis. A primeira é esperar e ver se essa possibilidade se torna real. Nessa postura, à medida que o cenário piorar reagiremos da melhor forma possível. É a típica reação de governos brasileiros: nomeio uma comissão para não dizer que não estou preocupado, divulgo algumas estatísticas, uma vez ao dia, testo algumas pessoas. Mas investimentos e medidas concretas deixo para depois, ou porque sou relapso ou porque tudo é muito difícil por aqui. Afinal, em três semanas talvez nada aconteça, Deus é brasileiro. A outra possibilidade é implementar de antemão um sistema capaz de lidar com um número grande de casos de modo a minimizar a possibilidade de colapso do sistema de saúde quando a epidemia chegar. É o que Inglaterra, França e Alemanha estão fazendo há mais de um mês. Mas o prazo é curto, são semanas para agir, não meses ou anos.
(4º§) A primeira providência é proteger os médicos e todo o corpo técnico dos postos de saúde e hospitais. Para isso, é preciso considerar todo caso de gripe viral como potencial caso de coronavírus e não somente viajantes que vieram do exterior. Isso quer dizer máscaras, luvas e todo o resto. Na Inglaterra, se você acha que pode ter coronavírus, não deve ir a um centro de saúde, você liga e alguém te testa em casa. Isso porque, tanto na China como em outros países, os primeiros casos que chegaram sem serem identificados acabaram infectando médicos e enfermeiros, o que, de saída, debilita o sistema de saúde.
(5º§) Dos casos de coronavírus, aproximadamente 80% podem ser tratados em casa e a pessoa se recupera em uma ou duas semanas. Essas pessoas precisam ser identificadas, isoladas e seus contatos precisam ser testados. De novo a necessidade de um sistema de testes robusto. Os outros 20% precisam de tratamento hospitalar. O principal problema são os 6% de casos que precisam ser tratados com oxigênio e grande parte deles precisa ser entubada. Essas pessoas precisam de leitos de UTI e respiradores. Dois terços dessas pessoas (4%) se recuperam e as estatísticas mostram que 2% morrem.
(6º§) Os países criaram protocolos para cuidar de pacientes, sistemas para monitorar pessoas em quarentena, credenciamentos de médicos e enfermeiras aposentados, e um sistema sofisticado de informação ao público. Depois de tudo isso, países como Inglaterra e Alemanha avaliam que estão parcialmente preparados para enfrentar o número de casos que seus epidemiologistas acreditam que virão a ocorrer.
(7º§) Que eu saiba, no Brasil, nem sequer decidimos possíveis cenários que podemos enfrentar. Serão 10 mil casos, 100 mil ou 1 milhão em 2020? Estamos esperando para ver. Estamos brincando com fogo e provavelmente vamos nos queimar.
Fernando Reinach Adaptado de O Estado de S. Paulo. Disponível em https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,brincando-comfogo. Acesso em: 10 de mar 2020.
No título, o autor adota expressão de uso corrente.
Essa expressão critica uma atitude de:
Questão 19 101018
ENEM PPL 1° Dia 2012A cultura ocidental acentuadamente antropocêntrica foi marcada por processos convergentes de desenvolvimento técnico–científico e acumulação de riquezas, propiciados pela expansão colonial, que resultaram na revolução industrial, no fortalecimento da ideia de progresso e no processo de ocidentalização do mundo.
FERREIRA, L. C. Dilemas do século XX: ideias para uma sociologia da questão ecológica. In: SILVA, J. P. (Org.) Por uma Sociologia do século XX. São Paulo: Annablume, 2007 (adaptado).
Esse processo de acumulação de riquezas no Ocidente, por longos séculos, se fez à custa da degradação do meio natural. Do ponto de vista da cultura e do imaginário ocidental moderno, isso se deveu à
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