Questões de Português - Gramática - Figuras de Linguagem - Neologismo
34 Questões
Questão 12330334
UFSC Prova 1 - Amarela 2024Texto
O MUNDO É BÁRBARO
e o que nós temos a ver com isso
Entreouvida na rua: “O que isso tem a ver com o meu café com leite?” Não sei se é uma
frase feita comum que só eu não conhecia ou se estava sendo inventada na hora, mas gostei.
Tudo, no fim, se resume no que tem e não tem a ver com o nosso café com leite, no que afeta
ou não afeta diretamente nossas vidas e nossos hábitos. É uma questão que envolve mais do
[5] que a vizinhança próxima. Outro dia ficamos sabendo que o Stephen Hawking voltou atrás na
sua teoria sobre os buracos negros, aqueles furos no universo em que a matéria desaparece.
Nem eu nem você entendíamos a teoria, e agora somos obrigados a rever nossa ignorância: os
buracos negros não eram nada daquilo que a gente não sabia que eram, são outra coisa que a
gente nunca vai entender. Nosso consolo é que nada disto tem a ver com nosso café com leite.
[10] Os buracos negros e o nosso café com leite são, mesmo, extremos opostos, a extrema
angústia do desconhecido e o extremo conforto do familiar. Não cabem na mesma mesa ou no
mesmo cérebro.
Mas da mesma forma que estes extremos não estão tão longe assim – basta o sol
inventar de implodir e iremos todos juntos para o buraco, nós, nosso café com leite, nosso pão
[15] com manteiga, nosso santinho da sorte e aquele pulôver favorito – coisas da vizinhança
próxima que parecem não ter nada a ver com nossas vidas têm muito. Você lê essas histórias
de fortunas minguando entre os poucos bolsos de sempre, indo para paraísos fiscais e contas
ofishór e voltando disfarçadas, o milagre de dinheiro estéril gerando mais dinheiro estéril, a
grande e interminável farra do capital no Brasil, e é como se lesse sobre os buracos negros,
[20] algo que não lhe diz respeito, que se passa longe do seu café com leite. E no entanto a moral
desse bordel é a moral dominante no país, agora, incrivelmente, mais do que nunca. É a que
determina nossa expectativa de vida. Seus apologistas dizem que não há nada de ilegal no
turismo sexual que o capital financeiro faz no Brasil para reproduzir a si mesmo, como se o
escândalo não fosse justamente sua legalidade. Também alegam que não há alternativa viável
[25] à nossa dependência do capital amoral. Era o que o Stephen Hawking dizia da sua teoria para
os buracos negros, antes de mudar de ideia. Mas aparentemente as leis da física são mais
flexíveis do que a ortodoxia do bordel.
VERISSIMO, Luis Fernando. O mundo é bárbaro e o que nós temos a ver com isso. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008. p. 9-10.
Com base no texto 1 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
o trecho “no que afeta ou não afeta diretamente nossas vidas e nossos hábitos” (linhas 03-04) explica a expressão que dá mote ao texto.
em “são, mesmo, extremos opostos, a extrema angústia do desconhecido e o extremo conforto do familiar” (linhas 10-11), os termos em destaque são advérbios intensificadores dos termos a que se referem.
“Entreouvida” (linha 01) é um neologismo formado pela junção de dois verbos.
em “Não sei se é uma frase feita” (linhas 01-02), a expressão sublinhada equivale a “clichê”.
o trecho “aqueles furos no universo em que a matéria desaparece” (linha 06) é aposto de “buracos negros”.
em “coisas da vizinhança próxima que parecem não ter nada a ver com nossas vidas têm muito” (linhas 15-16), o verbo sublinhado está flexionado no plural para concordar com o sujeito “nossas vidas”.
Questão 10 10782610
Anhembi Morumbi Medicina 2022Leia o poema de Adélia Prado para responder à questão.
Anímico
Nasceu no meu jardim um pé de mato
que dá flor amarela.
Toda manhã vou lá pra escutar a zoeira
da insetaria na festa.
Tem zoado de todo jeito:
tem do grosso, do fino, de aprendiz e de mestre.
É pata, é asa, é boca, é bico.
é grão de poeira e pólen na fogueira do sol.
Parece que a arvorinha conversa.
(Adélia Prado. Bagagem, 2012.)
Dois trechos do poema que contêm neologismos são:
Questão 14 6304820
PUC-GO 2018/1TEXTO
O poente da bandeira
Aurorava. O sol dava as cinco. As sombras, neblinubladas, iam espertando na ensonação geral. No topo das árvores, frutificavam os pássaros. Toda madrugada confirma: nada, neste mundo, acontece num súbito. A claridade já muito espontava, como lagarta luzinhenta roendo o miolo da escuridão. As criaturas se vão recortando sob o fundo da inexistência. Neste tempo uterino o mundo é interino. O céu se vai azulando, permeolhável. Abril: sim, deve ser demasiado abril. Agora, que a aurora já entrou neste escrito, entremos nós no assunto.
Nesta manhã tão recente, uma criança vem caminhando. Quem é este menino que faz do mundo outro menino? Deixemos seu nome, esqueçamos seu lugar. Dele se engrandece apenas a avó: que o miúdo tem intimidades com o mundo de lá. De quando em quando, a criança lhe estende a faca e pede:
— Me corte, avó!
Para sonhar o menino tinha que sangrar. A avó lhe cedia o jeito, habituada à lâmina como outras mães se acostumam ao pente. O sangue espontava e o mundo presenciava o futuro, tivesse a barriga prenhe do tempo encostada em seu ouvido. Ditos da velha, quem se fia?
Confirmado é que o menino segue por aquela manhã. Seus pés escolhem as pedras, nem precisam dos olhos para se guiarem. O miúdo passa no municipal edifício, o único da vila. Seu rosto se ergue para olhar a bandeira. O pano dança dentro do céu, como luz que se enruga. Um velho coqueiro sem copa serve de mastro. As cores do pano estão tão rasgadas que nada nele arco-irisca. Os olhos do miúdo pirilampejam de encontro à luz: é quando o golpe lhe tombou. Deflagra-se-lhe a cabeça, extracraniana. A voz autoritarista do soldado lhe desce:
— Você não viu a bandeira?
Tombado no carreiro, sobre as pedras que antes evitava, o menino olha as cimeiras paragens. Um coqueiro lhe traz lembranças litorais. Onde há uma palmeira sempre deve ser inventado um mar, eternas ondas morrendo. Agora, rebatido no repentino solo, o menino estranha ver tanto céu. A pergunta lhe vem pastosa: porquê o chão, tão debaixo dele? Outro golpe, a bota espessa lhe levando o rosto ao encosto da terra. Fica assim, pisado, sem outra visão que a da areia vermelha. Seu pensamento se desarruma. Palmeira, palma do mar, onde o azul espeta suas raízes. Pergunta-se, com as devidas vénias: e se içassem não a bandeira mas a terra?
Ceda-se o turno ao mundo. A voz lhe chega, baixada como um chicote:
— Você, miúdo, não aprendeu respeitos com a bandeira?
Sente o sangue escorrendo, a bota do soldado ainda lhe dói uma última vez. Como pode saber ele os procedimentos exigidos pelo vigilante? Mas o soldado é totalmente militar: está só cumprindo ignorâncias, jurista de chumbo incapaz de distinguir um fora-da-lei de um da lei-de-fora. E o menino vai vislumbrando um outro caminho, tão sem pedrinhas que os pés nem tinham que escolher. Um caminho que dispensava toda bandeira. À medida que o soldado desfere mais violência, a bandeira parece perder as cores, a paisagem em redor esfria e a luz tomba de joelhos. É, então.
Sucede coisa que nem nunca nem jamais: a bandeira, em inesperado impulso, se ergue em ave, nuamente atravessando nuvens. Fluvial, o pano migra para outros céus. No momento, se vê o quanto as bandeiras roubam aos azuis celestiais.
Mas o espanto apenas se estreou, aquilo era apenas o presságio. Porque, no sequente instante, a palmeira se despenha das suas alturas fulminando o soldado, em clarão de rasgar o mundo em dois. Sobem confusas poeiras, mas depois a palmeira se esclarece, tombada em assombro, junto aos corpos.
A árvore estava já morta, ainda houve o dito. Poucos criam. A crença estava com a avó, sua outra versão: o tronco se desmanchara, líquido, devido à morte daquela criança. Vingança contra as injustiças praticadas contra a vida. De se acreditar estavam apenas aquelas duas mortes, uma contra a outra. A palmeira sumiu mas para sempre ficara a sua ausência. Quem passe por aquele lugar escuta ainda o murmúrio das suas folhagens. A palmeira que não está conforta a sombra de um menino, sombra que persiste no sol de qualquer hora.
(COUTO, Mia. O poente da bandeira. In: ______. Estórias abensonhadas. 5. reimpr. São Paulo: Companhia das Letras, 2016. p. 53-56.)
Os trechos do Texto 3 (a) “frutificavam os pássaros”, (b) “arco-irisca” e (c) “Sucede coisa que nem nunca nem jamais” representam, respectivamente, exemplos de (assinale a resposta correta):
Questão 5 5287554
UFVJM 2018.1Leia atentamente o texto
Texto

Leia estas passagens do texto
■ “Não use o Twitter como chat”.
■ “Nunca tuíte mais de 15 vezes ao dia”.
■ “Não retuíte exatamente tudo, mesmo que achar interessante”
■ “Compartilhe fatos de sua vida pessoal e também os links sobre outros assuntos que considerar interessantes”
Considerando as palavras sublinhadas, ASSINALE a alternativa que indica os processos de inserção dessas palavras na Língua Portuguesa, respectivamente:
Questão 14 209232
UNICAMP 2018O brasileiro João Guimarães Rosa e o irlandês James Joyce são autores reverenciados pela inventividade de sua linguagem literária, em que abundam neologismos. Muitas vezes, por essa razão, Guimarães Rosa e Joyce são citados como exemplos de autores "praticamente intraduzíveis". Mesmo sem ter lido os autores, é possível identificar alguns dos seus neologismos, pois são baseados em processos de formação de palavras comuns ao português e ao inglês.
Entre os recursos comuns aos neologismos de Guimarães Rosa e de James Joyce, estão:
I. Onomatopeia (formação de uma palavra a partir de uma reprodução aproximada de um som natural, utilizando-se os recursos da língua); e
II. Derivação (formação de novas palavras pelo acréscimo de prefixos ou sufixos a palavras já existentes na língua).
Os neologismos que aparecem nas opções abaixo foram extraídos de obras de Guimarães Rosa (GR) e James Joyce (JJ). Assinale a opção em que os processos (I) e (II) estão presentes:
Questão 4 1132432
Unichristus 2016/2Leia a charge para responder à questão.

Para obter o humor na charge acima, o autor utilizou-se de um processo denominado
06


