Questões de História - História do Brasil - Período Colonial (1530-1822)
388 Questões
Questão 65 16256380
UFPR 1 Fase 2026O texto a seguir é referência para a questão. Trata-se de um trecho transcrito de um episódio do podcast Projeto Querino, produzido por Tiago Rogero. Ou seja, o texto traz, por escrito, palavras que foram faladas e concebidas como texto oral.
[1] O palácio do Museu Nacional já foi residência oficial da Família Real, depois Família Imperial, do Brasil. Sabe? Dom João Sexto,
Dom Pedro Primeiro, Dom Pedro Segundo, Princesa Isabel? O nome é Palácio de São Cristóvão. É como se fosse hoje em dia o
Palácio da Alvorada, lá em Brasília… Só que, diferentemente do Alvorada, este palácio aqui num foi construído pra ser a residência
oficial do Dom João Sexto. Já existia um prédio aqui.
[5] Tinha sido construído por um comerciante bem rico, o Elias Antônio Lopes. Daí quando a Família Real portuguesa veio pro Brasil,
em 1808, era disparada a melhor mansão do Rio, e o Elias doou a casa, e toda a Quinta da Boa Vista, pro Dom João Sexto morar
com a família. Bonzinho ele… Mas comé que o Elias, um comerciante, juntou tanto dinheiro assim pra poder não só construir a
melhor mansão do Rio, mas também pra poder se dar ao luxo de doar ela? De abrir mão dela?
É que ele num era qualquer comerciante. Ele trabalhava com o bem mais valioso daquela época. Num era café, num era açúcar,
[10] num era ouro, num era diamante. O Elias era traficante… de gente. O Elias Antônio Lopes mandava um navio lá na costa do
continente africano, embarcava um monte de gente acorrentada – homens, mulheres, crianças –, colocava todo mundo no porão
desse navio por semanas, até meses, de viagem, e trazia pra vender por aqui. E a Família Real aceitou essa doação. Não se
constrangeu nem um pouco de aceitar esse presente. Assim, o tráfico nessa época era legal, era permitido por lei, mas num deixa
de ser uma coisa grotesca.
[15] E o simbolismo desse gesto, de transformar em residência oficial uma casa construída com o dinheiro do tráfico negreiro, dessa
relação extremamente próxima entre um traficante de escravos e a Família Real, o simbolismo disso ajuda a explicar não só por
que a escravidão durou tanto tempo no Brasil, mas a própria Independência do Brasil. Ajuda a explicar por que o Brasil é o Brasil.
Disponível em: https://projetoquerino.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Ep-01_A-grande-aposta_Querino-1.pdf.
Sobre as relações de significado estabelecidas no texto, é correto afirmar:
Questão 63 16256350
UFPR 1 Fase 2026O texto a seguir é referência para a questão. Trata-se de um trecho transcrito de um episódio do podcast Projeto Querino, produzido por Tiago Rogero. Ou seja, o texto traz, por escrito, palavras que foram faladas e concebidas como texto oral.
[1] O palácio do Museu Nacional já foi residência oficial da Família Real, depois Família Imperial, do Brasil. Sabe? Dom João Sexto,
Dom Pedro Primeiro, Dom Pedro Segundo, Princesa Isabel? O nome é Palácio de São Cristóvão. É como se fosse hoje em dia o
Palácio da Alvorada, lá em Brasília… Só que, diferentemente do Alvorada, este palácio aqui num foi construído pra ser a residência
oficial do Dom João Sexto. Já existia um prédio aqui.
[5] Tinha sido construído por um comerciante bem rico, o Elias Antônio Lopes. Daí quando a Família Real portuguesa veio pro Brasil,
em 1808, era disparada a melhor mansão do Rio, e o Elias doou a casa, e toda a Quinta da Boa Vista, pro Dom João Sexto morar
com a família. Bonzinho ele… Mas comé que o Elias, um comerciante, juntou tanto dinheiro assim pra poder não só construir a
melhor mansão do Rio, mas também pra poder se dar ao luxo de doar ela? De abrir mão dela?
É que ele num era qualquer comerciante. Ele trabalhava com o bem mais valioso daquela época. Num era café, num era açúcar,
[10] num era ouro, num era diamante. O Elias era traficante… de gente. O Elias Antônio Lopes mandava um navio lá na costa do
continente africano, embarcava um monte de gente acorrentada – homens, mulheres, crianças –, colocava todo mundo no porão
desse navio por semanas, até meses, de viagem, e trazia pra vender por aqui. E a Família Real aceitou essa doação. Não se
constrangeu nem um pouco de aceitar esse presente. Assim, o tráfico nessa época era legal, era permitido por lei, mas num deixa
de ser uma coisa grotesca.
[15] E o simbolismo desse gesto, de transformar em residência oficial uma casa construída com o dinheiro do tráfico negreiro, dessa
relação extremamente próxima entre um traficante de escravos e a Família Real, o simbolismo disso ajuda a explicar não só por
que a escravidão durou tanto tempo no Brasil, mas a própria Independência do Brasil. Ajuda a explicar por que o Brasil é o Brasil.
Disponível em: https://projetoquerino.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Ep-01_A-grande-aposta_Querino-1.pdf.
Para o autor, a relação entre a origem do Palácio de São Cristóvão e a formação do Brasil está:
Questão 34 15414329
UFRGS 1 Dia 2026Leia o segmento abaixo.
Era um sistema quase perfeito: homens brancos (europeus em sua maioria) desenvolveram uma nova mentalidade, na qual a liberdade e a igualdade são entendidas como conceitos que definem a experiência humana. [...] esse mesmo mundo estava organizado numa prática amplamente sistematizada de exploração do trabalho humano em regime de servidão. Aqueles que estavam sujeitos à escravidão eram seres humanos biologicamente inferiores, assim como os não brancos incivilizados, que, se não fossem escravizados, deveriam ser “salvos” pela colonização. O circuito estava fechado. Mas eis que surgiram os revolucionários de São Domingos, que colocaram em xeque todo esse sistema, ousando projetar possibilidades de mundo até então impensáveis. Não é de estranhar que a Revolução do Haiti tenha sido vista com profundo temor. [...]E o Brasil nisso tudo? Bem, o Brasil foi mais uma nação americana que nasceu em meio a esse processo de profundas transformações, construído em um mundo no qual as ideias de nação, progresso, civilidade e a própria humanidade estavam unicamente vinculadas à população branca vinda da Europa.
SANTOS, Y. L. Racismo brasileiro: uma história da formação do país. São Paulo: Todavia, 2022. p. 95-96.
Considerando a história das relações étnico-raciais no Brasil Colônia e Império, a principal ideia contida no segmento é que
Questão 34 15213255
UNESP Conhecimentos Gerais 2026Leia o excerto para responder à questão.
Os africanos não foram somente os pioneiros da metalurgia de ferro no Brasil. Desde muito acostumados à cata do ouro [...] trouxeram com eles as técnicas da bateia e de escavação de minas. Alguns eram bons ourives, que criavam, na África, joias de grande beleza, como as dos axantes, e passaram a fazê-las no Brasil. [...]
Aos africanos deve-se também que se tenha produzido, sobretudo nas grandes propriedades rurais, e ao arrepio das proibições régias, tecidos para uso dos escravos, em teares extremamente simples, horizontais ou verticais [...].
[...] as crianças ouviam os relatos fantásticos de diferentes nações africanas, cujos personagens e enredos se mesclavam entre si e com os ameríndios e europeus, de tal modo que se tornava difícil separar o Curupira dos tupis do moatia dos axantes, pois ambos, do tamanho de anões, tinham os pés virados para trás e eram os senhores dos animais selvagens. Vindos da África, bichos-papões, jogos e brinquedos desembarcaram no Brasil. E lembranças de desfiles de reis, com seus enormes guarda-sóis coloridos, que reproduziram, no Brasil, nos maracatus, congadas e reisados.
(Alberto da Costa e Silva. A África e os africanos na história e nos mitos, 2021.)
Segundo o excerto, os africanos trazidos ao Brasil na condição de escravizados
Questão 33 15213204
UNESP Conhecimentos Gerais 2026Leia o excerto para responder à questão.
Os africanos não foram somente os pioneiros da metalurgia de ferro no Brasil. Desde muito acostumados à cata do ouro [...] trouxeram com eles as técnicas da bateia e de escavação de minas. Alguns eram bons ourives, que criavam, na África, joias de grande beleza, como as dos axantes, e passaram a fazê-las no Brasil. [...]
Aos africanos deve-se também que se tenha produzido, sobretudo nas grandes propriedades rurais, e ao arrepio das proibições régias, tecidos para uso dos escravos, em teares extremamente simples, horizontais ou verticais [...].
[...] as crianças ouviam os relatos fantásticos de diferentes nações africanas, cujos personagens e enredos se mesclavam entre si e com os ameríndios e europeus, de tal modo que se tornava difícil separar o Curupira dos tupis do moatia dos axantes, pois ambos, do tamanho de anões, tinham os pés virados para trás e eram os senhores dos animais selvagens. Vindos da África, bichos-papões, jogos e brinquedos desembarcaram no Brasil. E lembranças de desfiles de reis, com seus enormes guarda-sóis coloridos, que reproduziram, no Brasil, nos maracatus, congadas e reisados.
(Alberto da Costa e Silva. A África e os africanos na história e nos mitos, 2021.)
Considerando o excerto, a contribuição econômica dos escravizados africanos para o aumento da acumulação de capi tais na metrópole portuguesa também derivou
Questão 13 16190141
UEA - SIS 3º Série 2026/2028 2025Percebe-se que a mulher no Brasil Colônia é vista como um instrumento apenas para procriação. Ela tinha sua sexualidade reduzida à gestação; por consequência, era colocada em confinamento caseiro e, em outros momentos, em casas de recolhimento para fugir dos “defeitos naturais de seu sexo”, como sugeriu o Bispo Azeredo Coutinho: “elas [as mulheres] nascem com uma propensão violenta de agradar, ao que logo se segue o desejo de serem vistas; os homens procuram pelas armas ou letras conduzir-se ao auge da autoridade e da glória, as mulheres procuram o mesmo pelos agrados do espírito e do corpo”.
(Nicole Fernandes Alves. “Silenciadas ou silenciosas? Abuso e a submissão: Trajetória das mulheres no Brasil Colonial (1500-1822)”. www.ufrgs.br, 28.10.2024. Adaptado.)
No contexto do Brasil Colônia, a declaração do Bispo Azeredo Coutinho tinha como objetivo
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